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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.
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domingo, 19 de junho de 2011

Os olhos da vovó

Texto de Alice Ferreira

O olho, um dos órgãos vitais de nosso corpo e de muita importância. Com ele sabemos quando está dia e noite, acompanhamos o crescimento de uma planta, de uma criança, de uma construção; distinguimos cores, perigos de ordem física e temporal. Com ele podemos observar em que direção as pessoas caminham e o que fazem. Podemos caminhar nas ruas, admirar um vitrine de loja e sua decoração, admirar a beleza da natureza, o nascer e por do sol. Mesmo miupe, com auxílio de óculos podemos ver . E muitos outros benefícios ele nos traz, quando os temos sadios.

Pois bem, minha querida avó que chamava-se Alice, nada disso pode ver em grande parte de sua vida, pois começou com catarata e glaucoma. Fez cirurgia, mas nada resolveu seu problema. O olho direito que tinha glaucoma teve que ser extraído , pois era uma dor insuportável, que vovó tinha vontade dela mesma arrancá-lo.

Para que minha avó tivesse um aspecto melhor, minha tia, mandou fazer uma prótese do olho. Vovó usou pouco, porque não conseguiu adaptar-se. Dizia ela pra minha tia :”- filha, pra que colocar um olho, se eu não vou enxergar nada, o que mais importa é que graças a Deus, estou sem dor.

Este problema de visão, para minha avó, não a deixou uma pessoa triste e nem amarga para a vida.. Nunca a vi queixar-se ou sentir revolta por isso, pelo contrário, ela participava de nossas vidas com muita intensidade. Em sua escuridão, ela nos transmitiu muita clareza, fé, ternura, paz, confiança e muitos outros sentimentos bons.

Além da falta de visão, ela também teve problema com os ossos, que a invalidou, passando a ser acamada. Ela sempre tinha em suas delicadas mãos um rosário, com o qual ela rezava por todos nós e por todos que solicitavam suas orações. Este rosário era sua grande relíquia, que trouxe do Líbano, sua terra natal. Sempre tinha uma palavra amiga e de conforto a todos que a visitavam.

Gostava de reunir os netos em volta de sua cama, para nos contar estórias e sobre sua vinda ao Brasil. Gostava também de tomar sorvete, da Kibon, o de esquimó (de caixinha).
Eu adora ouvi-la dizer no meu aniversário. “ a deus parabéns, minha filha.” Tenho boas e queridas recordações de minha avó.

Pessoa frágil e com limitações, seus problemas de saúde, mas uma fortaleza de amor, santidade, carinho e muita serenidade!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Exercício: Infância

A menina e a galinha - ALICE FERREIRA


A galinha é uma ave pomposa, charmosa, anda como se estivesse numa passarela, mesmo quando está próxima de ir para uma panela !!!
Ela é muito maternal, pois, quando põe seus ovos, senta no ninho que mais parece um trono de rainha, para chocar e dar à luz a seus pequeninos e barulhentos pintinhos !!! Tem colorações muito bonitas, sendo penas vermelhas, pretas, brancas e outras. Além de ser poedeira, tem uma carne saborosa e nutritiva !
Depois desta pequena introdução sobre as qualidades desta importante ave, eis que surge a branquinha, a galinha de estimação de uma menina de aproximadamente 6 à 8 anos !!!
Lendo os contos de Clarice Lispector, havia entre eles, a história de uma galinha, isto serviu para feliz lembrança da branquinha.
Toda criança tem um animal de estimação e o da menina que é relatado neste conto, é uma galinha de penas brancas , pescoço pelado vermelho, tendo um topete de penas na cabeça. Durante grande parte da infância da menina, ela foi sua grande companheira. As duas brincavam diariamente num grande quintal de terra, num bairro bem familiar da cidade , que com o passar do tempo e crescimento geográfico e populacional, tornou-se área central.
Um dia, a galinha branquinha, não amanheceu muito boa, parecia tristonha, quieta. A menina percebeu que sua companheira estava doente.
A menina, usando de seus ensinamentos , que lhe foi passado pela família, resolveu pedir a intersecção de um santo para a cura de sua galinha. No meio do quintal, ela ajoelhou, com as mãos em sentido de prece e com muita fé, olhando para o céu, pediu para São Pedro que intercedesse junto à Jesus, pela cura da branquinha. Após alguns dias, a alegria voltou para as duas companheiras, pois a galinha já estava boa !
A menina cumpriu sua promessa, depositando uma oferta (doação em dinheiro), aos pés da imagem de São Pedro, numa igreja da cidade onde estava á passeio com sua família!!!



ADELAIDE DALVA GARBUIO


A D. Dalva, nossa aluna, é profundamente ligada à música e trouxe como lembrança uma canção que embalou a infância de todos nós.

"Faz 3 noites que eu não durmo, lá, lá
Pois perdi o meu galinho, lá, lá
Pobrezinho, lá, lá
Coitadinho, lá, lá
Eu perdi, lá no quintal.
Ele é branco e amarelo, lá, lá
Tem a crista bem vermelha, lá, lá
Abre o bico, lá, lá
Bate as asas, lá, lá
Ele faz quiri, qui, qui
Percorri o Mato Grosso, lá, lá
Amazonas e Pará, lá, lá
Encontrei, lá, lá
Meu galinho, lá, lá
No sertão do Ceará
No sertão do Ceará."

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Exercício Dilema Ético IV

Sonhos de meninos - Alice Ferreira

Na pequena cidade de Martelândia, um grupo de meninos, na faixa etária entre 8 a 12 anos aproximadamente, eram internos do Orfanato “Bem te Quero”. Estes sonhavam um dia retornar às suas famílias de origem. Famílias humildes, sem condições econômicas para educá-los; na maioria tendo somente um ou uma mantenedora. Nenhum com família completa de pai e mãe.

A ansiedade destes pequenos era tão grande que, um dia resolveram por o pé na estrada.

Começa aí a grande aventura dos meninos sonhadores. Fugiram do Orfanato, andando a pé, só com a roupa do corpo, sem alimentação e com objetivo definido: a casa dos familiares, por mais desmantelada que fosse.

Como seu destino de origem estava muito longe, resolveram parar na cidade de “Costa de Tina”, descansar, pois estavam com fome e desidratados. Quem os encontrou foi um Comissário de Menores, que os encaminhou ao Delegado de Polícia, pois já era tarde da noite.

Os meninos ficaram instalados em uma das celas vazias da Delegacia, dormindo no chão, sem alimentação e nada para cobrir seus corpinhos sujos e cansados.

No dia seguinte de manhã, o Comissário de Menores procurou a Assistente Social da cidade que atuava no Projeto de Menores, para que tomasse as devidas providências.

Entrou na ação toda a estrutura da Instituição Regional e a sede que ficava na capital do estado.

A Assistente Social, segundo orientações de sua Coordenação e Diretoria Técnica, teve 24 horas para retirar o grupo de meninos da Delegacia, levá-los para a sede do Projeto local, alimentá-los e encaminhá-los de volta ao Orfanato.

A ordem teve que ser cumprida. A Assistente Social e Coordenadora do Projeto Administrativo acompanhou o grupo dos pequenos sonhadores de volta ao Orfanato “Bem te Quero”

PARA REFLETIR:- Enquanto muitos sonham em ganhar grandes somas em loterias e ficarem ricos, estes pequeninos só sonhavam estarem com suas famílias, queriam “colo de mãe” .

O fato aconteceu realmente, com mais desdobramentos angustiantes. Em virtude de ética, mudou-se nome da cidade, do Orfanato e outras peculiaridades.


Reforma da natureza e o gene terminator - Vera Gracia Lorenzon Ferreira

O homem nômade se alimentava com o que encontrava na natureza.

Com sua experiência de “erros e “acertos”, foi domesticando os animais, diferenciando plantas comestíveis das venenosas, organizando-se em grupos sedentários, foram surgindo os povoados, as vilas e as cidades; a produção de alimentos sempre aumentando. Com o desenvolvimento cultural, o homem começou a diversificar sua alimentação, passando a usar microorganismos na preparação do pão e do vinho.

Experiência do Padre Gregor Mendel, há mais de duzentos anos, com saborosas “ervilhas”, deu início aos estudos de genética na alimentação e nutrição. A partir de então, conseguiu-se enorme avanço na produção de alimentos, para os homens e para os animais. Novas variedades de arroz e trigo, os cereais mais produzidos e consumidos no mundo, foram desenvolvidas.

Através da transferência de caracteres ou genes, que estão no DNA de cada célula de todo ser vivo, eis o surgimento de uma nova espécie de planta ou animal!

Eis o HOMEM se arvorando em CRIADOR!

Atualmente, grande empresas químico-farmacêuticas investem fortunas para criação de variedades de sementes e novos medicamentos, através da transferência de caracteres genéticos de uma espécie para formar outra espécie; dando surgimento aos AGM=Alimentos Genéticamente Modificados e OGM=Organismos Genéticamente Modificados .

Porém, por terem sido “criados” em laboratório estes AGM/OGM são patenteados por suas empresas criadoras e só podem ser reproduzidos por seu “dono”; ou seja, o agricultor que precisar da semente de uma planta ou o pecuarista que necessitar reproduzir cria de animal, terá que comprá-la destas empresas multinacionais, como a Monsanto ou Monsatã, como está sendo denominada. Por exemplo: a soja transgênica (da Monsanto) é resistente ao herbicida Roundup (da Monsanto) e o agricultor terá que adquirir a semente e o herbicida desta empresa, o que configura venda casada, que o governo diz ser proibida, mas o governo terá voz diante das multinacionais ?

E isto é só a ponta do iceberg, pois as pesquisas não param e a cada dia criam-se mais e mais produtos, “viciando-os” com o “seu herbicida”, com o “seu antibiótico”, sem se preocuparem com a inevitável contaminação e envenenamento da natureza...

Como estas empresas são muito “espertas” e não cogitam em perder nenhum centavo de dólar de seus polpudos investimentos, já planejam a criação de um gene denominado “gene terminator”, que incorporado às sementes, deixam-nas estéreis, obrigando o agricultor a adquirir novas sementes sempre que for fazer o plantio, destruindo todo um patrimônio genético de sementes criado até agora pela humanidade. . .

Finalizando, deixo como sugestão a leitura da obra escrita em 1952, por Monteiro Lobato a REFORMA da NATUREZA, em que há um interessante diálogo entre Dona Benta e Emília.


A solução de um dilema – Letícia Brunelli

Minha história precisa ser narrada. Precisa ficar registrada como um alerta para a sociedade. Mas como? Talvez seja tarde demais!

Meu nome é Flora Mendes e tenho uma filha de dezenove anos, que faz faculdade em Belo Horizonte. Fui morar em Penedo, cidadezinha pacata, mas muito hospitaleira,quando procurei emprego, após ficar viúva, ano passado. A cidade é cortada pelo Rio Capim Santo, um dos afluentes do Rio São Francisco. Tinha conseguido uma colocação na “Indústria de Papel Wallpaper” no setor de minha profissão, pois sou Engenheira Química.

Não faz um mês, fui alertada por um funcionário que o tanque de decantação e tratamento do esgoto da fábrica apresentava um sério vazamento, que estava causando infiltração de produtos tóxicos no solo adjacente, que não era muito distante da margem do rio. Logo a contaminação alcançaria a água do rio, tão importante para a cidade, que ficaria irremediavelmente comprometido.

Encaminhei o problema para o setor de manutenção, que tentou, sem sucesso, saná-lo.

Era necessário parar o funcionamento de toda a fábrica para reformar o tanque, que recebia todo o esgoto dela, para ser tratado, pois ele estava comprometido com várias rachaduras.

O problema, em seguida, foi levado ao Diretor da Empresa. Ele respondeu que iria chamar um engenheiro para avaliar o assunto. Os dias se passaram. Ninguém apareceu para fazer a tal avaliação.

Eu só pensava nas consequências daquele incidente. O produto tóxico se espalhava e a contaminação das águas era um fato eminente.

Ninguém ficou sabendo de nada; o diretor tinha nos pedido sigilo para não causar pânico. E ninguém percebia nada, pois a infiltração no solo não era visível, estava abaixo da superfície.

No começo dessa semana, voltei a reclamar uma providência. Em troca, recebi ameaças. A princípio, veladas, mas depois bem mais explícitas, quando falei que iria delatar o fato às autoridades, caso não fosse logo resolvido.

O fim de semana chegou.

O sábado amanheceu um lindo dia! Mas a chegada do carteiro, trazendo uma carta inesperada, transformou meu dia numa agonia! A carta trazia uma terrível ameaça contra minha pessoa. É lógico que era anônima, mas eu sabia de onde vinha...

Como a ganância pode ser tão maléfica! Como ela pode vir antes do bom senso e até da humanidade! Ponderei que a paralisação da fábrica geraria grandes prejuízos. Quem sabe, ela teria que mudar para outro município, até! Ou teria que dispensar vários funcionários!

Mas, e a poluição do rio? Também não afetaria a vida e a saúde de milhares de pessoas? E todo o ecossistema fluvial? Não iriam morrer peixes? A fauna e a flora da região também não ficariam afetadas?

O conflito se instalou em mim. Eu não poderia me calar diante da situação, nem como pessoa, nem como profissional, nem como cidadã, nem como mãe!

A noite foi de angústia e medo! O sono veio após um turbilhão de preces e ideias que povoavam minha mente. Enfim, meu corpo teve um breve e merecido repouso.

Hoje é domingo! O sol lá fora escancara a paisagem, que, assim como eu, vai acordando sonolenta e preguiçosa...

Cerro novamente os olhos e relembro a aflição da véspera. A carta . O conflito que se apossou de mim.

Abro os olhos! Eu já sabia o que iria fazer: vou registrar queixa; não vou contar minhas suspeitas, mas preciso procurar proteção! A lembrança da ameaça renovou meu medo, mas não posso me calar.

Segunda-feira vou procurar uma amiga minha advogada. Me informarei como posso levar às autoridades uma petição para que seja feita uma sindicância, para avaliar uma possível contaminação das águas do rio.

Sei o que vou enfrentar. Irei, sem dúvida, perder meu emprego.

Mais tarde, tentei registrar uma queixa na Polícia Civil. Procurei a delegacia, onde fui orientada a procurar a P.M. Quando fui lá, me mandaram de volta para a delegacia.

Antes de chegar lá, fui morta com três tiros à queima-roupa, disparados de uma moto, com dois rapazes de capacetes!

Minha esperança, é que este fato seja motivo de uma investigação e que sirva para solucionar o meu DILEMA.

Uma futura reportagem certamente noticiará:

JOVEM É MORTA APÓS DENUNCIAR AMEAÇA à POLÍCIA / da Agência Folha

Ela tentou registrar queixa na Polícia Civil e na PM, em Penedo, no domingo à tarde. Não conseguiu. Três horas depois, Flora Mendes foi morta a tiros por indivíduos desconhecidos. A ameaça ocorreu através de uma carta anônima. Flora procurou a delegacia e foi orientada a procurar a P.M. Mas lá foi mandada de volta à delegacia. Antes disso, foi morta. Um plantonista da delegacia disse que não há estrutura para atender casos como o de Flora, que são enviados à PM, que informou que não tinha policiais para atender a ocorrência. Um inquérito vai apurar o caso.

(A narrativa de D. Letícia é inspirada em fatos recentes, noticiados pelos jornais; vale como um alerta e como uma homenagem à mulher que não teve tempo para ser ouvida pela polícia do seu Estado).

Dilema Ético – Geni Bizzo

Frederico e eu percorremos o caminho ladeado por acácias carregadas de cachos dourados, comuns nos meses de novembro, e que nas manhãs de clima ameno exalam um suave perfume.

Converso com Frederico, mas ele não responde. Pudera, Frederico é meu fusca vermelho, companheiro constante em minhas idas para o trabalho, uma indústria de produtos químicos e de equipamentos para tratamento de água para caldeiras. A Engeltec – esse é o nome da empresa – fica próxima à rodovia, às margens do pequeno rio Baguaçu, que abastece a cidade Santo Antonio do Aracanguá.

Nessas minhas pequenas viagens diárias, vou conversando com o Frederico, mesmo com o risco de ser chamada de doida por pessoas que encontro no trajeto e que podem perceber o “diálogo” animado com meu amigo. “Coitada, falando sozinha..”, diriam elas.

Evito a rodovia. Sigo por um caminho de terra que mais parece uma picada tortuosa. Frederico não reclama. Conhece as pedras do caminho e aprendeu a desviar dos buracos que enfeitam a estrada com suas formas arredondadas. Na paisagem, algumas palmeiras com seus cachos amarelinhos de coquinho babão parecem querer competir com as acácias. Mais além as paineiras estalam suas bolotas sob o sol escaldante e forram o campo com suas plumas, verdadeiras neve de verão. Alguns animais pastam calmamente, alheios aos passarinhos que, agarrados aos seus lombos, se refastelam com os parasitas.

Continuo observando a paisagem, como sempre faço. Mas uma sombra de nostalgia anuvia meu semblante. O dia hoje tem cheiro de despedida. Pode ser minha última viagem. Tento, em vão, não pensar no que vai acontecer depois de hoje.

Explico melhor: sou engenheira química. Eu e mais de duzentas pessoas dependemos da Engeltec para viver. Dias atrás, observei uma avaria num dos condutos que dá passagem a um líquido tóxico que, se despejado na natureza, irá contaminar o meio ambiente. Para repará-la, seria necessário interromper todo o processo produtivo por um mês, no mínimo.

Comuniquei o fato ao presidente da empresa. Ele pediu que guardasse segredo, pois parar a fábrica iria significar a demissão de muitos funcionários, o que certamente iria acarretar uma crise local, numa região já tão carente de empregos.

Mas me calar significa permitir que não se corrija a avaria. Significa aceitar o vazamento do líquido tóxico, com a previsível consequência: contaminação das águas do rio, prejudicando a vida aquática e os habitantes que usam suas águas. Se falar, serei despedida. Meu Deus, o que fazer?

Minha cabeça ferve. Há uma confusão de pensamentos e sentimentos conflitantes com o que aprendi e as necessidades do mundo moderno.

Por um lado, o rio que me traz muitas lembranças. Foi a escola de natação de meus irmãos e coleguinhas que, escondidos das mães, mergulhavam em suas águas, ignorando os perigos que corriam. Foi também o rio onde meu pai e vizinhos muitas vezes passavam os dias de domingo na pescaria animada que combinava lazer e necessidade. Pelo menos uma vez por semana, um peixinho fazia a festa na mesa.

Por outro lado, a dura realidade deste mundo que mudou, da população que cresceu muito e desordenadamente. A tecnologia foi aprimorada para atender às necessidades que surgem. E não podemos ficar com saudosismos, afinal, gostamos do conforto que ela oferece.

Como conciliar as duas situações? Os chefes de estados e homens da ciência trabalham no sentido de minimizar os efeitos nocivos do progresso, criando leis com mecanismos que obrigam as indústrias a preservarem o meio ambiente. Mas acidentes como este acontece, bem sabemos.

Fui educada de forma a sempre me posicionar. Meu saudoso pai, embora adepto de uma educação austera que não dava direito à réplica, dizia sempre que mais vale uma consciência tranquila do que deixar que o medo nos domine. Dizia ele que o medo não tem tamanho e pode nos acorrentar numa grande bola de neve.

No trajeto, vejo plantações de algodão e de milho, onde os pequenos agricultores lutam com os parcos recursos financeiros para tocar um roçado que depende totalmente da água do rio para irrigar suas roças.

Sentindo o cheiro doce das espigas que explodem, tomo uma decisão: vou comunicar ao meu presidente que farei chegar esse acontecimento até às autoridades competentes e à imprensa. Daí...

Seja o que Deus quiser.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Árvore das Palavras - II

Atenção Dividida - Silvia Galvani


Um jovem foi chamado para uma entrevista a uma possível vaga numa importante empresa. Enquanto aguardava a vez, rabiscava numa folha de papel que trazia nas mãos e, logo em seguida, amassando-o, ficou com ele pois não viu, ou melhor, não enxergou, onde poderia jogá-lo.

Depois de longo tempo de espera, finalmente aparece alguém que notando seu desejo de se desfazer daquele papel amassado, aponta o cesto de lixo num canto da sala limpa e organizada e lhe diz:

- Para esta possível vaga, preciso de pessoa que esteja sempre atenta. Se durante todo o tempo em que esteve aqui não notou o cesto, naõ poderá trabalhar aqui.

Esta história serviu para ilustrar uma aula da qual participei há muito tempo atrás, sobre a importância da atenção que devemos ter para com tudo ao nosso redor e mais ainda para com as pessoas.

Nos dias atuais a vida parece cada vez mais agitada. Muitos fazem tudo ao mesmo tempo : pessoas apressadas no trânsito, falam ao celular. Nos supermercados compram como se as lojas fossem fechar a qualquer instante. Quase nunca prestam atenção naquilo que estão fazendo. São do tipo multitarefas e até se orgulham da capacidade de fazer milhões de coisas ao mesmo tempo.

O ser humano anda ocupado demais com o que é passageiro, não dá importância devida ao que vem do coração. Em Hong Kong, por exemplo, é comum segurar com as duas mãos, quando entregar algo a alguém. Usar uma só das mãos, é considerado descortês.

Parece fácil agir desta maneira, mas não é. Para isso , teria que parar com várias tarefas e dar atenção a uma só.

Essa prática cultural nos ensina a maneira de como tratar as pessoas, pois ela reflete o jeito de como tratamos a Deus.


Paz - José Batista Amador

A minha palavra preferida é PAZ.

Eu fico imaginando, quantas vezes é pronunciada a palavra PAZ , diariamente, no universo.

Nós temos necessidade de PAZ, onde quer que estejamos. Seja na família, no trabalho, na escola, na religião e em qualquer lugar do mundo, tem que haver PAZ.

Vejamos o quanto somos felizes quando estamos em PAZ conosco mesmos. Algumas frases bem comuns em nosso dia a dia ilustram isso:

Tenha Paz.

Fique em Paz.

Vá em Paz.

Muita Paz.

Você precisa ter Paz.

Descanse em Paz.

E a Paz esteja com vocês.

Pela Paz do mundo.

Entre outras ...

Seria maravilhoso que nós, seres humanos, habitantes da Terra, nunca utilizássemos a palavra PAZ, para justificar as atrocidades cometidas em nome dela.

Hoje, dez de novembro, de dois mil e nove, minha mulher Geni, entra para o meu time: dos sexagenários.

Desejo a ela muita saúde e a palavra mais repetida neste texto: PAZ.


Mudança & Paciência - Alice Ferreira

Elas estão instaladas contextualmente em nossas vidas, queiramos ou não. Quando jovens ou mais experientes. E como é difícil exercitá-las e estar sempre aberta , quando há personalidade ansiosa. Neste contexto estou inclusa literalmente.

Sinto que ambas são parceiras, porque uma existe para transformar muitas vezes radicalmente nossa vida (mudança) e a outra é a grande aprendizagem (paciência), acho que é o sentimento mais nobre de nossa espécie.

Mudança: Palavra forte, às vezes positiva, ou não. Ela nos transmite uma diversidade de sentimentos como: tristeza, alegria, insatisfação, espera, medo pelo desconhecido, insegurança, prosperidade, expectativas e muitos outros.

Mudança: de valores, de casa, de endereço, de móveis (essa é a que mais gosto), de físico ( limitações do corpo e mente), do grande vilão, o “emocional”, de atitudes, e assim por diante.

Para ilustrar esta minha reflexão, eu tive dois momentos muito significativos de mudança X paciência em minha vida.

Na década de 75, quando terminei a Faculdade, com cara e coragem, iniciei minha vida profissional em outro Estado, sem nunca ter tido a experiência de viajar sozinha, nem tão pouco estar longe da proteção familiar.

O outro momento está sendo agora, na idade mais madura, com diferencial, aposentada e tendo que aprender a morar sozinha.

Avaliando os dois momentos de mudanças, os sentimentos são os mesmos, sendo que um é mais sofrido que o outro, dada a falta dos entes mais queridos da família.

Obs.: Dividi minha angústia com todos, quanto ao descaso e desrespeito da Telefônica. O telefone, após um mês de espera, está funcionando. Perdi a paciência. Entrei com processo através do PROCON e, em 24 horas foi ativado.

É sempre na pressão que temos algumas mudanças.


Solidariedade - Maria Inês M. Filier

Podemos ser solidários com os mais diferentes grupos sociais: entidades sociais, amigos, conhecidos, vizinhos, familiares, nossos entes queridos, aqueles que estão bem pertinho de nós, que fazem parte do nosso dia a dia e até com aqueles que estão em outros países mais longínquos; das mais diferentes formas: ajudando monetariamente, físicamente, psicológicamente, com fraternal abraço que tantos males curam, um simples olhar; quanta gente procura um olhar na multidão e não encontra nada, um sorriso, um BOM DIA! Um elogio, uma crítica positiva, uma palavra de incentivo, um telefonema, um e-mail, um bilhetinho.

E por falar em bilhetinhos, tinha um amigo meu que toda vez que viajava para trabalhar e tinha de ficar algum tempo fora de casa, quando ele ia pegar uma peça de roupa em sua mala, encontrava um bilhetinho de sua querida filhinha, que além de ser especial, porque era sua filha, ela tinha Síndrome de Down, e os bilhetinhos muito o emocionavam e o ajudavma a suportar a ausência da família.

Podemos ser solidários sem nada fazer, só a presença da pessoa já diz muito, pois lembro-me quando meu pai morreu, , um querido amigo nosso, padre, se colocou ao nosso lado , não disse nada mas só o fato de estar ali, muitíssimo nos ajudou.

Existem situações que temos que agir, de falar, mas em outras ocasiões mil palavras não resolvem o problema, então o silêncio diz tudo; em compensação, tem hora na vida que uma palavrinha resolve tudo: MARIA mãe de JESUS, com um simples SIM, salvou a humanidade.

Temos de praticar a solidariedade em nosso dia a dia, prestando atenção nas pequenas coisas, naquelas que parecem tão insignificantes, nos nossos menores gestos, nos esforçando para darmos o melhor de nós a todos que de nós se aproximarem , todo ser humano por melhor que seja sempre precisa do outro e por menos que possamos dar a todos, temos condições de oferecer algo de bom a alguém.




Estudo de "A hora da estrela"

Em outubro/2009 estudamos a obra de Clarice Lispector "A hora da estrela"; primeiramente aprendemos algumas coisas sobre a escritora e, em seguida, passamos ao estudo desse livro, analisando-o segundo a abordagem da função social da literatura. Discutimos como a personagem Macabéa representa a exclusão em sua face mais perversa.
Também, como Clarice conseguiu perceber, já na década de 1970, quando o livro foi escrito, que a tirania da imagem, disseminada pela mídia, se ampliaria profundamente, exaltando a juventude, a magreza excessiva, a identidade construída através de grifes, consolidando a exclusão dos que não se enquadram nesses padrões.

Com base na narrativa de Lispector os alunos foram convidados a escrever sobre a vivência da exclusão em suas próprias vidas, transcriando fatos, vividos ou inventados, em narrativas literárias ou textos dissertativos.
O resultado pode ser conferido na transcrição dos textos, gentilmente digitados pela aluna Vera Gracia. Obrigada, Vera



Exclusão à moda da Telefônica - Alice Ferreira

15 dias solicitei mudança de endereço na Telefônica e até a presente data, não foi ligado o telefone.

Hoje, (14/10) fui á loja da Telefônica averiguar o porque da demora e o não cumprimento do prazo que me deram . Ai começou todo o transtorno e verifiquei que, à revelia, foi cancelada a minha primeira solicitação.

Como a atendente não forneceu explicações mais precisa, comecei a questioná-la. Vieram suposições de que o sistema não registrou corretamente o novo endereço.

Neste momento, me senti não só excluída, mas ferida em meus direitos de cidadã. Descaso, pois forneci fone de contato do meu irmão. O mínimo que poderiam fazer era me convocar novamente para esclarecimentos.

Dada a tamanha incompetência e mal gerenciamento da empresa , esqueci da educação que recebi de meus pais e parti para a briga “verbal”.

Adrenalina a mil, coloquei toda minha indignação, cheguei a ameaçá-los de ir ao PROCON, à imprensa. Coloquei também da má qualidade de serviços prestados , devido ao monopólio de uma empresa atuar no mercado sem concorrentes.

Pela terceira vez, queriam que eu repetisse todos os meus dados de identificação e endereço. Questionei, muito brava, e disse :- que sistema é este que não entende o próprio idioma?

Para encerrar este relato que foi muito mais além do que consegui colocar no papel, eu disse à atendente que não sairia da loja sem conversar com o chefão. Veio um chefinho que agilizou o processo.

Conclusão: tenho que esperar mais ou menos dez dias para funcionamento do telefone (daí, vai dar quase um mês ...)

Isto tudo porque estamos na era do digital, da internet, da modernidade, que tenta incluir

todos os seres humanos! Mas, muitas vezes os excluem, cruelmente!


O LEMA ROTÁRIO - DAR DE SI ANTES DE PENSAR EM SI ”

O VOLUNTARIADO - Aurora Rodrigues

O voluntariado nos anima a ajudar os necessitados de diversas maneiras. Os doentes, as crianças desamparadas e doentes, nas residências, hospitais, etc; fazendo-lhes companhia, dando-lhes remédios e banhos.

Crianças = ensino, roupas, educação. Fazer com elas um coralzinho, contar histórias, passeios, lanches. Confeccionar roupas, mantas e meias em tricô para aquecê-las. O sorriso de agradecimento nos incentiva a prosseguirmos com nossa atenção e carinho.

Trabalhar como voluntário é comprometer-se com a misericórdia, é sentir-se compromissado com o próximo, é pensar no próximo, é realmente ser cristão.


segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A rosa de Paracelso II

A rosa da palavra - Alice Ferreira


O que não gostaria de perder no tempo é a palavra, em toda sua essência, significado e poder de reflexão.
Se a perdermos, não haverá histórias: de vida, de humanidade e de consciência.
Lembro com saudades das palavras de estímulo e garra na fala de meu pai: "estude, aprenda o que mais puder. Esta vai ser a maior herança que posso te dar, a qual ninguém poderá tirar de você.”


A rosa da partilha - Iandara Palmero

Eu com sete anos de idade, meu irmão com cinco. Hora do almoço e minha jovem mãe com apenas 23 anos, fritando os bifes(apenas quatro) na frigideira de ferro. Fritava também as rodelas de cebola, do modo que apenas ela sabia fazer. Terminada a fritura e servidos os bifes, eu e meu irmão entrávamos numa competição pela gordurinha da frigideira. Mas, sempre chegávamos num acordo pelo direito de passar o pão na gordurinha da frigideira. Um gesto simples, que só as crianças sabem valorizar. No entanto, decorrido tanto tempo ainda me lembro com carinho minha infância modesta (bem modesta), enriquecida pela ternura materna e pela autordade paterna exercida com moderação e equilíbrio.


A rosa da expressão - Marinalda Codo Rossetti

Devo confessar que cheguei em casa bastante frustrada da nossa ultima aula. Como trabalho para Oficina de Literatura eu deveria ter escrito sobre a Rosa de Paracelso, mas não fiz porque nada me ocorreu; nada, não, mas tantas coisas que não consegui me concentrar em nada específico.
Falar da Fé, da música da sinceridade, dos livros, da palavra, das coisas simples, dos elos do voluntariado, dos valores e hábitos cristãos, do que nada é por acaso e da convivência humana, que foram muito bem explorados.

Tive a idéia de escrever sobre como chegamos até aqui. Como foi encontrar uma pessoa tão maravilhosa, com tamanha garra, amor e conhecimento sobre literatura e tão carismática a ponto de faze com que soltemos de o melhor , aos poucos, devagar e em grande estilo, revelando em nós o que jamais imaginamos ser possível.
Como nos transportamos para o Paraíso em 50 minutos dessa aula e o que captamos sobre a literatura e conseguimos nos expressar se deve ao fato da maneira como nos é pedido, ou seja, da forma clara, simples e transparente com que chega até nós e junto com a sincronia que existe na classe fica muito fácil de captar.

Como a união dessa classe com a professora se tornou uma simbiose de prazer e realização e como nos entregamos a este prazer. Devemos brindar, comemorar essa simbiose.
Devemos celebrar estes 50 minutos tão rápidos, mas tão intensos. Devemos celebrar a vida que nos deu essa oportunidade. Devemos escrever, sim, e muito, não só para nós mesmos, mas porque não? Para a eternidade!
Assim, posso dizer que tivemos muito mais sorte do que Paracelso, porque além de termos uma grande incentivadora, nós transmitimos o que queremos, e o que é melhor, muito melhor nós nos realizamos com isso.




Minha lembrança de infância - Maria Inês Dominiquini


Essa é uma história ou lembrança, que gostaria que nunca fosse esquecida.
Lembro-me que, ainda criança, todas as tardes, na cidade do interior onde morava, eu
gostava de ir espiar o realejo que na praça ia tocar.
O homem amigo sentava-se no banquinho e esperava alegre pelo seu amigo
macaquinho.
O macaco treinado para não poder errar.
Quando dentro da caixinha a moeda foi jogada.
Quando a música tocava , o macaquinho ensinava pra criançada , a dança do samba e baião.
Muita gente ficava sentada e conversando.
Enquanto o realejo espalhava suas canções pelo ar.
Por isso, eu gostaria que todas as pessoas, tivessem as tardinhas para apreciar, na
pracinha, perto de casa, o realejo que ali fosse tocar.


Minha descoberta pessoal - Letícia Delbel Brunelli


Na semana passada, voltando para casa, fui pensando como eu iria responder a pergunta da tarefa pedida.
Logo me passou pela cabeça uma descoberta que fiz ultimamente: “ Nada é por acaso”.
Chegando em casa, ao guardar meu material na escrivaninha, deparei com uma velha caderneta de anotações.
Senti vontade de abri-la e achei um pedaço de papel amarelado, escrito por mim, mas que nem me lembrava mais.
Nele havia frases que falavam de Deus, sofrimento e oração.
Na primeira frase estava escrito: “Nada vem por acaso, tudo provém da vontade de Deus. Preste atenção nos pequenos acontecimentos e considere-os como saudações de Deus”.
Então, assim confirmado, por acaso, escrevi minha resposta:
Ao longo do meu caminho, fui observando fatos surpreendentes, mas que por ocorrerem perante nossos olhos tantas vezes, nós nem prestamos atenção : a suavidade da chuva, a beleza das flores, o canto dos pássaros, a melancolia do entardecer, a magia da noite...
Dia após dia, essas sensações vão se tornando corriqueiras e normais.
Mas, também existem coisas que acontecem, às vezes, e nem prestamos atenção, pois
nos parecem meras coincidências : achar uma concha perfeita na areia, ver um beija-flor pairar no ar na frente de uma flor, receber uma flor inesperada, encontrar uma frase num livro que nos emociona, achar uma pessoa amiga por “acaso”...
Então, de um tempo para cá, fui começando a notar que coisas casuais apareceram em minha vida, como que “por acaso”.Quanto mais atenta eu ficava, mais eu percebia essas ocorrências, que provavam que esses “acasos” estavam me levando novos rumo e nova descobertas.

Hoje, eu gostaria de compartilhar com meus filhos e meus amigos esta crença maravilhosa, de que Deus sussurra silenciosamente para nós e que devemos estar atentos, com nossas mentes e nossos corações para ouvir e sentir nessas pequenas coincidências, o Sopro Divino e nos emocionarmos ao saber o quanto somos amados por Ele.

Herança de família - Silvia Galvani


Ainda há poucos dias, conversávamos, duas amigas e eu, quando uma delas confessou ter medo de morrer, pois sentia deixar os seus.; queria ver seus netos crescerem, casarem, enfim, tinha muito a fazer ainda. Lembrei de uma frase que li sobre Ravel, que ao perceber que seu fim estava próximo, lamentou : “Mas, há tantas músicas esperando ser escritas!” Isso não é medo, é saudade da vida, pois a vida é bela.
Passei a refletir sobre o assunto. É uma idéia da qual não se pode fugir, quando se dá conta de que os anos restantes são muito menos que os já vividos. E, o que deixar para os que continuarão a viver depois de nós? Não penso nas coisas que fui ajuntando durante a vida, mas nas coisas de que tanto gosto e que me dão prazer: minhas poucas orquídeas, com a recomendação de que não as deixassem de molhar ou as inúmeras receitas trocadas com colegas, ou através de cursos de culinária e algumas até gravadas, tempos atrás.
Acho que para eles não tem importância alguma, só darão mais trabalho. Estão ai, bem ao alcance das mãos, é só quererem e poderão fazer uso delas.
O que realmente desejo que fique, são os valores e hábitos cristãos que recebi de meus pais, tanto por meio de palavras, como de exemplos.
Antes, porém, preciso fazer algumas perguntas: Será que amei o meu próximo como a mim mesma? Tratei as pessoas como queria ser tratada? Pratiquei a justiça, amei a misericórdia e andei humildemente com Deus?

Que rosa ficará? Cleudnéia Zavarello

Quando fiquei pensando em alguma coisa para escrever, me vierama à mente as qualidades que eu trazia nas minhas lembranças, das avós, mãe, madrinha, tias e amigos; que, talvez, no momento em que estávamos juntos, não me eram tão marcantes. Hoje penso: deveria ter aprendido mais com elas a fazer aquele pão, aquele crochê e outras mil coisas.
Muitas vezes na minha vida, quando estou fazendo algo, mesmo no cotidiano, vejo um jeitinho de Vó Maria, Vó Adelina, mãe Cida, madrinha Júlia, , das tias e amigas .
Então chego à conclusão que carregamos alguma coisa de todas as pessoas que passaram nas nossas vidas.
E, com certeza, a mesma coisa vai acontecer com meus filhos, netos, sobrinhos, afilhados e amigos.
Alguma coisa da Néia vai ficar. Gostaria que fosse o Amor e respeito pelas pessoas.

Transmitir, sempre; esquecer, nunca. Preservar. Rosemarie B.G. Bobbo


Desde 1500, em minha família, a fé em Deus, seu filho Jesus Cristo e no dom inefável do Espírito Santo, sempre foram, serão e espero que nunca deixem de ser o MAIS IMPORTANTE E SEMPRE TRANSMITIDO DE PAI PARA FILHO...
Depois que dissermos: “SENHOR, dispõe de mim, não quero mais ser eu que mando em minha vida, mas sim TU!” Nossa vida torna-se uma maravilhosa aventura... Notando-se que Deus não se esquece de nos dirigir, nem um instante sequer e que não existem mais coincidências.
Não nos transformamos em Santos , mas, como Jesus morreu por nós na cruz, Ele nos perdoa e como aprendi na escola dominical, quando eu era criança, Jesus joga nossos pecados no mar e coloca uma placa muito bem afixada, com os dizeres: “É PROIBIDO PESCAR.”

‘Um conselho de uma mulher de 76 anos”
Não durma a noite sem ter lido um trecho da Bíblia Sagrada...Se não estás acostumada, comece por João, depois Atos e vá até Apocalipse, um capítulo a cada dia, pedindo antes sempre a unção do Espírito Santo. Depois, leia a Bíblia toda, começando por Gênesis... devagar e pensando no assunto. Leia com seu marido ... filhos... netos... a qualquer hora e ore.... converse com Deus, como se Ele estivesse sentado ao seu lado, sempre em nome de Jesus e sobretudo AGRADECENDO E LOUVANDO SUA SUPREMA SANTIDADE, pois Ele não é nosso servidor, para somente atender pedidos
e jamais TE CONCEDERÁ UM PEDIDO QUE TE POSSA AFASTAR DELE , POIS
NOSSA SALVAÇÃO É MAIS IMPORTANTE PARA ELE, DO QUE NOSSOS BENS, SAÚDE, etc... ELE NOS AMA PROFUNDAMENTE E ELE É O ÚNICO DEUS QUE EXISTE...
A BÍBLIA diz: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus que já foi homem” l. Timóteo 2:5.
“Mas a todos, quantos o receberem, deu-lhes o poder e serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em seu nome”. João 1:12.
Todos nós nascemos criaturas de Deus e somente nos transformamos em Filhos, quando não somente nos convencemos, mas nos convertemos, entregando nossa vida á Jesus.
Jesus não fundou nenhuma religião, Ele fundou a FÉ NO PAI, NO FILHO E NO ESPÍRITO SANTO ... E é esta, que tanto Católicos como Evangélicos tem: A palavra
DEUS está inserida 289 vezes na Bíblia Sagrada!


ESQUECER NUNCA, QUE TEMOS MUITAS RELÍQUIAS, SIMPLES, MAS QUE NOS LEMBRAM NOSSOS QUERIDOS ANTEPASSADOS ...
Meu marido tem um violino, guardado com carinho, que foi produzido por meu sogro.
Não é um Stradivarius, porém, tem um som maravilhoso. Nosso faqueiro tem uns 200 anos, o qual usamos somente no Natal. Temos também duas panelas que tem cerca de 300 anos, uma é de ágata e está perfeita. Tenho ainda um BIDERMEIERARBAND, uma pulseira que meu Tataravô trouxe do Egito para sua filha e desde então, fica sempre com a mais jovem das Grassmann, como, por meus últimos antepassados terem sido somente homens, sou a última mulher com esse sobrenome, logicamente de nossa ramificação. Assim, essa pulseira, que inclusive está no dicionário, ficou para mim ...

É composta de ouro antiguíssimo e 135 granadas, uma espécie de rubi... Seu valor é mais pela antiguidade, do que comercial ...
E, PRESERVAR PRECISAMOS, ENTÃO: NOSSA FÉ EM CRISTO, DAR VALOR E HONRA AOS QUE NOS ANTECEDERAM E QUE NOS DERAM TANTOS CONSELHOS ÚTEIS E AS PEÇAS OU OBJETOS QUE NOS FAZEM LEMBRAR ÉPOCAS EM QUE AINDA NÃO VIVÍAMOS ...



terça-feira, 8 de setembro de 2009

Desconstrução do senso comum I

Ser é perceber, defendia o filósofo naturalista Berkeley. Gosto de pensar que ESCREVER também é PERCEBER. Pois quando escrevemos sobre algo, nos detemos para conhecer melhor o objeto de nossa escritura e, nesse processo, nos conhecemos melhor. Percipere, do latim, significa apoderar-se de algo, conhecer profundamente. Essa ação envolve o sujeito que percebe e o objeto percebido (tomando o mundo como objeto, os sentimentos, os conceitos etc). A proposta do exercício é que olhemos o número 8 e re-elaboremos o seu conceito, o que o número oito evoca para cada um de nós? No contexto do exercício, vamos lembrar da aula sobre criatividade: é importante romper com o pensamento linear, com as respostas prontas e com o lugar comum. É importante lembrar, também, da frase do cineasta Ingmar Bergman: “Meu processo de criação funciona da seguinte forma: eu tomo todas as minhas decisões baseado na intuição, ou seja, eu jogo um dardo na escuridão – isso é intuição. Depois eu mando um exército para recuperá-lo – isso é intelecto.”



A resposta dos oficineiros a esse exercício foi surpreendente, pois ninguém escreveu sobre um tema repetido, provando que há muitas interpretações, muitos sentidos a serem descobertos nas coisas mais simples.






8 - Lícia Mônaco Perin




Linhas perfeitas! O algarismo oito é a junção de dois anéis que se tocam em um único ponto. Voltado para o céu, prenuncia seu propósito de busca ao espaço sideral: 8,8,8,8...
Quando invertemos sua posição, e o colocamos deitado, transmuda-se num símbolo pleno de liberdade: varando o tempo, cortando o espaço, numa disposição louca de tudo vencer, sem nada ser...
8 segundos, 8 minutos, 8 horas, 8 dias, 8 meses, 8 anos...Ah! A infinitude marcada e gravada na verticalidade do horizontal!
Tudo que o homem quer e busca desde que começou a pensar vem inserido nesse algarismo tão simples e tão cheio de segredos não alcançados...









O significado do oito – Antonio Moreira

Vários são os significados do número oito, sendo um dos mais conhecidos o oito em posição horizontal, que é igual ao infinito. Trata-se de número bonito, segundo minha ótica pessoal.
À luz de meu modesto entendimento, passarei a enumerar alguns significados do número oito.
Do latim: octo = 7 + 1
Oitavo: algarismo que exprime o número oito. Cada carta do baralho marcada com oito pontos. Pessoa ou objeto que, numa série, ocupa o oitavo lugar.
Fazer oitos: estar embriagado.
Ou oito ou oitenta: tudo ou nada.
Oito com patrão: barco a remo com oito remadores e um timoneiro.
Oitavas de final: Eliminatória de uma competição, com o fim de classificar oito competidores.
O oito, além de ser um nome bonito, dá origem a outros nomes e expressões, como oitava rima – estrofe de oito versos decassílabos, em que os seis primeiros rimam alternadamente e os dois últimos rimam paralelamente. Os Lusíadas, por exemplo, são versos compostos em oitavas rimas.
Oitavo número, do latim, octavus – ordinal e fracionário, correspondente a oito, Oitava parte de um todo.
Oitenta = cardinal = oito dezenas.
Os cantores nordestinos usavam a oitava como padrão em suas cantigas repentistas.
O oito pode ser representado em infinitas operações financeiras. É um número muito rcvio, de tal forma que pode ser objeto das quatro operações matemáticas.
Se cortamos o meio do oito, teremos o zero.




Eu traço o número oito com dois círculos, que, se divididos ao meio, será apenas um círculo. Círculo me lembra o SOL, que ilumina o dia. Também a lua, que ilumina a noite.
E, que beleza! Me lembra brincadeira de criança: a bola!
No campo das ciências exatas, metade do oito será quatro.

4 - Se olharmos de baixo para cima, parece uma cadeira. Cadeira que me recorda reuniões familiares, trabalho, mobília decorativa, lazer - cadeira de praia, cadeiras no teatro, no cinema...

Trajetórias – Adelaide Dalva Tivelli Garbuio


O oito significa o trajeto de nossa vida. Inicia-se com o nosso nascimento, o nosso crescimento até formarmos uma família.
Então, chegamos ao auge de nossa vivência, com os filhos que, muitas vezes, também já formaram suas famílias, e, nesse momento, a alegria de nossas vidas são os netos.
Ao iniciarmos a segunda metade do oito, o nosso corpo talvez apresente algumas dores, mas o nosso entendimento do que é a vida e a sabedoria para compreendermos os nossos semelhantes é muito maior.
Cada dia compreendemos e aceitamos melhor o caminho escolhido por cada ser humano,e aprendemos a cultivar os verdadeiros valores da vida, reconhecendo que existe um SER superior, que nos guia e nos ilumina.

Um número Forte – Cleudnéia Ap. Gaspar Zavarello

O oito é um número forte e gostoso de grafar. No mês oito nasceu meu pai (31/08/1924); na metade do oito, mês quatro, nasceu a cara metade de meu pai, minha mãe (09/04/1927). Eles ficaram juntos de 1947 a 2007.
Em 1948 eu nasci (03/03/1948) e, no dia 12 (8+4) de abril de 1992 nasceram meus primeiro netos gêmeos, dois meninos que, graças a Deus, já têm 17 (7+1 =8) anos.

Escrevendo sobre o número oito e sua metade, quatro, me dei conta de que muitas vezes estiveram presentes em minha história.

Metade do oito – Lourdes Laurenti Carvalho

Se o que eu observo nessa folha representa o numeral 8, isto é uma quantidade, então, a metade corresponde, logicamente, 4. Mas, nada indica que esse desenho parecido com o número 8 seja realmente o numeral 8.
Pode ser o que eu imaginar; por exemplo, duas argolas cuja metade seria uma argola, ou qualquer outra coisa.
Ouvi dizer que o oito representa o infinito, mas não tenho como conferir, pois nada sei sobre isso. Mas esse diálogo que peguei no ar, aqui mesmo, nessa sala de aula, me deixou confusa, e a coisa se complicou ao infinito. Por quê?
O que é o infinito? Não consigo imaginar o infinito, uma coisa sem começo nem fim. Li, outro dia, o artigo de um cientista, desses que estudam o universo, afirmando que o mesmo está em expansão. Expansão? Mas para onde?
Então, fico pensando em tudo: nosso universo, nossa galáxia, nossa lua, etsrelas, nosso planeta, nossos países, nossas cidades... E nós com os nossos problemas(zinhos). Daí, vem novamente o infinito e esse oito desenhado na folha... Ai! Vou ficar maluca...