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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.
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domingo, 19 de junho de 2011

Meu amuleto

Texto de Hedi Duarte

Foto feita pela autora do texto

Eu não sei desde quando este crucifixo faz parte de nossa família, mas sei que quando eu nasci, ele já estava entre nos..........e quando pedíamos proteção a Ele nas horas difíceis, sempre fomos atendidos !

Quero relembrar momentos importantes da presença simbólica desta cruz entre nos.

Nasci em Berlin, capital da Alemanha, onde passamos toda 2. guerra mundial. Os bombardeios foram intensos, o medo de morrer constante. Eramos católicos, mas nem sempre frequentavamos a missa aos domingos, porem na “Missa do Galo” do Natal e na “Missa de Pascoa “ nunca faltavamos.

Lembro-me quando as sirenes tocavam para anunciar outro ataque aéreo, princi-palmente durante a noite, minha mãe me agasalhava, muitas vezes dormindo, e papai ainda me enrolava junto com o crucifixo, em meu edredom. Só com os documentos pessoais no bolso do paletó e comigo no colo, junto a figura de Jesus Cristo, meus pais corriam para o “Bunker”, um abrigo subterrâneo durante os bombardeios.

Alguns dias antes do fim da guerra papai resolveu escapar do comunismo que se aproximava e fugimos de nossa casa, deixando tudo para traz,saimos apenas com uma pequena valise de mão, trazendo algumas roupas e o crucifixo com Cristo. Não havia mais nenhum meio de transporte e assim andamos durante 3 semanas por estradas e caminhos para bem longe da cortina de ferro. As vezes uma fruta, um pedaço de pão e um copo de leite, ganhos de algum agricultor que encontramos no percurso, era nossa alimentação. Com sorte, as vezes conseguíamos permissão para dormir dentro do estabulo, junto a cavalos e vacas, em cima de um monte de feno.

Nestes tempos tão difíceis, muitas e muitas vezes eu observei meu pai em oração e discretamente com a mão na valise, eu acho que ele pedia orientação e animo para Jesus. Finalmente instalamo-nos em outra cidade e tudo se normalizou aos poucos.

Alguns anos depois viemos para o Brasil.

Novamente deixamos tudo para traz , menos o crucifixo, só que desta vez em clima de paz, Graças a Deus. Como imigração não é turismo, havia também limitações para bagagens. Minha mãe apenas trouxe um prato e um talher para cada e uma manteigueira como lembrança, além das roupas, também a maquina de costura, o meu violino e a harmonica.

O reinício em terra desconhecida também não foi facil. Meus pais já tinham idade avançada, mas nunca ouvi uma palavra de desanimo, ao contrario, gratidão por ter encontrado um canto na terra onde reina paz, brilha sempre o sol e termos frutas e alimentos frescos o ano todo.

O crucifixo de Cristo era sempre destaque na sala e parece que emanava paz, união e alegria.

Casei-me, o crucifixo voltou para meu lar após o falecimento de meu pai, pois minha mãe veio morar comigo.

Nas horas mais pesadas, quando eu já não tinha mamãe, perdi meu neto, meu filho , e após mais 3 anos, meu marido também. Tenho certeza que foi a presença do crucifixo com Cristo que me impulsionou para longe da depressão. Hoje eu considero este “Jesus na Cruz” o meu verdadeiro amuleto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

No presente, recordo meu passado

Hedi Duarte


Agora, já aposentada e tendo somente as responsabilidades de meu lar, lembro como minha vida tomou rumo diferente daquele que almejei na juventude. Mamãe me contava que, quando eu era pequenina, antes de entrar na escola, se alguem me perguntasse o que eu queria ser quando crescer, minha resposta pronta e sem hesitar era: "cozinheira"!


Nasci, cresci e estudei na Alemanha, e lembro-me bem, apos alguns anos , já na 6. ou 7. série ginásial, tomei a firme decisão que eu queria ser jornalista internacional. Naquele tempo ainda não havia televisão e a melhor informação era a leitura. Lendo as mais diversas reportagens e vendo lindas fotos de lugares longuinquos , comecei imaginar como a vida profissional do reporter responsavel por estas lindas matérias deveria ser diversificada, eu gostaria de viver assim. Continuei estudando com mais afinco. Me imaginava buscando acontecimentos novos em outros países e fotografando tudo para posterior publicação. O melhor de tudo que haveria uma fonte pagadora de minhas despezas, assim poderia conhecer muitos povos e lugares diferentes "de graça".

Minha viagem internacional inaugural custou bem pouquinho dinheiro mas muito esforço fisico. Cinco colegas de escola e eu fomos de bicicleta até Londres. Senti muita emoção ao ouvir e ter que falar sómente ingles, senti mais insentivo para minha futura profissão.

Até que.......um belo dia papai reuniu a familia e anunciou que iriamos imigrar para o Brasil, pois ele já viveu e serviu 2 guerras mundiais e seu desejo era viver num canto ensolarado do mundo onde poderia viver e morrer em paz.

Em São Paulo conheci meu marido. Ele trabalhava e estudava engenharia mecanica industrial. Para ajudar nas despesas, ele começou fabricar em casa, à noite e fins de semanas, copiadoras para fotocópias. A fotocópia era a antecessora da xerox. A noite, apos lavar a louça do jantar, eu levava um cafézinho e fazia companhia para ele. Foi assim que conheci parafusos, engrenagens, aço inoxidavel, alumínio, celeron,entre outras matérias primas, e...graxa,...e....gostei! Resolvi estudar engenharia de maquinas tambem. Arrumei uma secretária de casa para poder estudar e trabalhar com meu marido o resto do tempo disponivel. Com o surgimento da xerox, as fotocópias "morreram".

Meu marido sempre amou fotografias, era um otimo fotoamador e colecionador de maquinas fotograficas, fazia nossas fotos em casa, até posters muito grandes, conhecia bem as maquinas necessárias para confeccionar fotografias dentro do quarto escuro. Resolvemos juntar o aprendizado nos estudos com o prazer de atuar dentro do ramo da fotografia, e iniciamos nossa trajetória de fabricantes de maquinas para laboratório fotográfico. Para aperfeiçoar os serviços de escritório que estavam a meus cuidados, fiz um curso por correspondencia de contabilidade. E como a parte burocratica não ocupava o dia todo, eu fazia tambem a instalação elétrica das maquinas e seus paineis de comando . Durante períodos que faltavam funcionários, eu trabalhava em torno mecanico, torno revolver, furadeiras, solda eletrica, frezadora de engrenagens, pintura de revolver e outros serviços necessários. Meu broto carinhosamente me chamava de "minha torneirinha". Assim labutamos, de mãos dadas, pela vida entre maquinas operatrizes, matérias primas, graxas e tintas, para finalmente termos o produto para comercialização e consequentemente a garantia de nossa sobrevivencia.

Porém, meu sonho da juventude não congelou! Trabalhamos muito, sim. Durante os primeiros anos foi só trabalho. Conseguimos comprar nossa propriedade e apos 10 anos nasceu nosso filho. Aos 31 anos de minha vida no Brasil, fomos pela primeira vez para minha terra natal. Meu marido adorou, voltamos para lá algumas vezes e conhecemos tambem varios outros países da Europa.

Vivemos assim felizes por 45 anos, agora estou sozinha há 11 e ainda gosto de viajar, tanto em nosso país que é bonito por natureza, como no exterior.

Hoje faço uma retrospectiva de minha vida e me sinto feliz como tudo desenrolou, talvez até um pouco orgulhosa por tambem nos termos colaborado um pouquinho com o atual progresso de nosso lindo país.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Os olhos como sentinelas



Se falarmos aqui sobre nossos olhos , podemos falar de sentinelas treinadas para observar intencionalmente tudo ao nosso redor.
Mas, eu aqui quero lembrar olhos sentinelas dos chamados animaizinhos “irracionais” .
Gosto muito de todos os animais. Observando-os, vejo exemplos e posso aprender , incluindo os bichinhos dos matos e jardins, por exemplo; as formigas com suas tarefas e organização, as aranhas e suas lindas teias.
Em casa eu já tive: tartaruga, cágado, patinho, macaquinho, porquinho da Índia, viveiro de pássaros, além de gatos e cachorros. Lembro-me dos pastores Ringo, Rolf e Dolly,Mambo e Rekka; o boxer Max; dos pequineses Cherry, Charles e Puppi; incluindo muitos viralatas recolhidos das ruas : Nina, Tifi, Cara-Feia, Fofinha e outros. As últimas duas Dachshound ou vulgarmente chamadas “salsichinhas” Trudi e Kika. Além das gatas Chary, Muschi e Mitzi-Mau.
Quando há vários animaizinhos juntos, eles divertem-se entre si. Nos vigiam com seus olhares principalmente na hora das refeições ou quando recebem tratamento.
Mas ...
Há três anos Kika ficou sozinha. Observo como ela convive mais comigo e me observa em meus afazeres. Ela tem quase catorze anos, está bastante lenta pois é cardíaca. Não gosta mais de latir, mas fala com os olhinhos espertos. Quando toca a campanhia, ela vai até a porta e olha para mim aguardando, se eu demoro, ela vem me buscar.
Após minha refeição, se me dirigo para a pia para lavar a louça, ouço : “au au”. Kika está sentada no lugar de seu prato, com o corpo ereto e rígido, feito estátua a me encarar com o olhar fixo até atendê-la. Com certeza ela quer dizer: “e eu, não vou comer?”
Varrendo as folhas no quintal, ela me acompanha. Se cai uma outra folha onde eu já varri, ela vai até a folha, pára, e com olhar fixo me encara até que eu volte para recolher esta folha também. Contente ela se afasta, abanando o rabinho.
Se a noite, quando vou me recolher, não apago a luz do corredor antes de entrar no quarto, ela senta debaixo do interruptor e não entra comigo para dormir. Seus olhinhos me dizem : “Você esqueceu a luz acesa. “
Observando estas atitudes de um cãozinho tão pequenino, me atrevo a afirmar que os olhos de um bichinho “irracional” também atuam como sentinelas.

Texto de Hedi Duarte