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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Árvore das Palavras - II

Atenção Dividida - Silvia Galvani


Um jovem foi chamado para uma entrevista a uma possível vaga numa importante empresa. Enquanto aguardava a vez, rabiscava numa folha de papel que trazia nas mãos e, logo em seguida, amassando-o, ficou com ele pois não viu, ou melhor, não enxergou, onde poderia jogá-lo.

Depois de longo tempo de espera, finalmente aparece alguém que notando seu desejo de se desfazer daquele papel amassado, aponta o cesto de lixo num canto da sala limpa e organizada e lhe diz:

- Para esta possível vaga, preciso de pessoa que esteja sempre atenta. Se durante todo o tempo em que esteve aqui não notou o cesto, naõ poderá trabalhar aqui.

Esta história serviu para ilustrar uma aula da qual participei há muito tempo atrás, sobre a importância da atenção que devemos ter para com tudo ao nosso redor e mais ainda para com as pessoas.

Nos dias atuais a vida parece cada vez mais agitada. Muitos fazem tudo ao mesmo tempo : pessoas apressadas no trânsito, falam ao celular. Nos supermercados compram como se as lojas fossem fechar a qualquer instante. Quase nunca prestam atenção naquilo que estão fazendo. São do tipo multitarefas e até se orgulham da capacidade de fazer milhões de coisas ao mesmo tempo.

O ser humano anda ocupado demais com o que é passageiro, não dá importância devida ao que vem do coração. Em Hong Kong, por exemplo, é comum segurar com as duas mãos, quando entregar algo a alguém. Usar uma só das mãos, é considerado descortês.

Parece fácil agir desta maneira, mas não é. Para isso , teria que parar com várias tarefas e dar atenção a uma só.

Essa prática cultural nos ensina a maneira de como tratar as pessoas, pois ela reflete o jeito de como tratamos a Deus.


Paz - José Batista Amador

A minha palavra preferida é PAZ.

Eu fico imaginando, quantas vezes é pronunciada a palavra PAZ , diariamente, no universo.

Nós temos necessidade de PAZ, onde quer que estejamos. Seja na família, no trabalho, na escola, na religião e em qualquer lugar do mundo, tem que haver PAZ.

Vejamos o quanto somos felizes quando estamos em PAZ conosco mesmos. Algumas frases bem comuns em nosso dia a dia ilustram isso:

Tenha Paz.

Fique em Paz.

Vá em Paz.

Muita Paz.

Você precisa ter Paz.

Descanse em Paz.

E a Paz esteja com vocês.

Pela Paz do mundo.

Entre outras ...

Seria maravilhoso que nós, seres humanos, habitantes da Terra, nunca utilizássemos a palavra PAZ, para justificar as atrocidades cometidas em nome dela.

Hoje, dez de novembro, de dois mil e nove, minha mulher Geni, entra para o meu time: dos sexagenários.

Desejo a ela muita saúde e a palavra mais repetida neste texto: PAZ.


Mudança & Paciência - Alice Ferreira

Elas estão instaladas contextualmente em nossas vidas, queiramos ou não. Quando jovens ou mais experientes. E como é difícil exercitá-las e estar sempre aberta , quando há personalidade ansiosa. Neste contexto estou inclusa literalmente.

Sinto que ambas são parceiras, porque uma existe para transformar muitas vezes radicalmente nossa vida (mudança) e a outra é a grande aprendizagem (paciência), acho que é o sentimento mais nobre de nossa espécie.

Mudança: Palavra forte, às vezes positiva, ou não. Ela nos transmite uma diversidade de sentimentos como: tristeza, alegria, insatisfação, espera, medo pelo desconhecido, insegurança, prosperidade, expectativas e muitos outros.

Mudança: de valores, de casa, de endereço, de móveis (essa é a que mais gosto), de físico ( limitações do corpo e mente), do grande vilão, o “emocional”, de atitudes, e assim por diante.

Para ilustrar esta minha reflexão, eu tive dois momentos muito significativos de mudança X paciência em minha vida.

Na década de 75, quando terminei a Faculdade, com cara e coragem, iniciei minha vida profissional em outro Estado, sem nunca ter tido a experiência de viajar sozinha, nem tão pouco estar longe da proteção familiar.

O outro momento está sendo agora, na idade mais madura, com diferencial, aposentada e tendo que aprender a morar sozinha.

Avaliando os dois momentos de mudanças, os sentimentos são os mesmos, sendo que um é mais sofrido que o outro, dada a falta dos entes mais queridos da família.

Obs.: Dividi minha angústia com todos, quanto ao descaso e desrespeito da Telefônica. O telefone, após um mês de espera, está funcionando. Perdi a paciência. Entrei com processo através do PROCON e, em 24 horas foi ativado.

É sempre na pressão que temos algumas mudanças.


Solidariedade - Maria Inês M. Filier

Podemos ser solidários com os mais diferentes grupos sociais: entidades sociais, amigos, conhecidos, vizinhos, familiares, nossos entes queridos, aqueles que estão bem pertinho de nós, que fazem parte do nosso dia a dia e até com aqueles que estão em outros países mais longínquos; das mais diferentes formas: ajudando monetariamente, físicamente, psicológicamente, com fraternal abraço que tantos males curam, um simples olhar; quanta gente procura um olhar na multidão e não encontra nada, um sorriso, um BOM DIA! Um elogio, uma crítica positiva, uma palavra de incentivo, um telefonema, um e-mail, um bilhetinho.

E por falar em bilhetinhos, tinha um amigo meu que toda vez que viajava para trabalhar e tinha de ficar algum tempo fora de casa, quando ele ia pegar uma peça de roupa em sua mala, encontrava um bilhetinho de sua querida filhinha, que além de ser especial, porque era sua filha, ela tinha Síndrome de Down, e os bilhetinhos muito o emocionavam e o ajudavma a suportar a ausência da família.

Podemos ser solidários sem nada fazer, só a presença da pessoa já diz muito, pois lembro-me quando meu pai morreu, , um querido amigo nosso, padre, se colocou ao nosso lado , não disse nada mas só o fato de estar ali, muitíssimo nos ajudou.

Existem situações que temos que agir, de falar, mas em outras ocasiões mil palavras não resolvem o problema, então o silêncio diz tudo; em compensação, tem hora na vida que uma palavrinha resolve tudo: MARIA mãe de JESUS, com um simples SIM, salvou a humanidade.

Temos de praticar a solidariedade em nosso dia a dia, prestando atenção nas pequenas coisas, naquelas que parecem tão insignificantes, nos nossos menores gestos, nos esforçando para darmos o melhor de nós a todos que de nós se aproximarem , todo ser humano por melhor que seja sempre precisa do outro e por menos que possamos dar a todos, temos condições de oferecer algo de bom a alguém.




Exclusão - Parte III


Exclusão: uma lembrança - Geni D. Bizzo

Minha infância, foi, eu diria, igual à de toda criança pobre da periferia do interior: pés descalços, perebas, dorsos nus, roupas rotas, conjuntivite, piolhos e tantas outras características que marcam essa fase cheia de surpresas, de descobertas. Os brinquedos eram de fabricação própria, cuja matéria-prima eram as quinquilharias que juntávamos com muita alegria. Não havia luz elétrica nem água encanada, mas sobrava criatividade nas cabecinhas cheias de sonhos.

São infinitas as cenas que memória insiste em trazer à baila, como que a brincar com nossa imaginação. Uma em especial vem à baila, na frente das outras, como que a dizer: sou eu! sou eu! Talvez seja porque Casimiro de Abriu tenha a ver com a história. Está lá, em seu poema “oito anos”:

..”Naqueles tempos ditosos

Ia colher as pitangas,

Trepava a tirar as mangas,

Brincava à beira do mar;

Rezava as Aves Marias...”

Pois é. Foi numa reza que tudo começou. Explico. Tinha eu meus oito anos e, como meus pais, ia à missa todos os domingos, ao catecismo, às procissões e a todas as atividades que a igreja proporcionava. Aproximava-se o dia de uma procissão especial, em que Nossa Senhora seria coroada. A catequista solicitou que todas as meninas que tivessem vestidos azuis ou brancos dessem seus nomes para comporem o cortejo que envolvia o andor.

Eu e minha irmã tínhamos. Vestidinhos de algodão muito simples, mas das cores pedidas.Demos nossos nomes, todas contentes. Chegou o dia esperado. Lá fomos nós, orgulhosas e felizes em nossos vestidos. Mas alegria de pobre dura pouco, diz o ditado. Havia muitas meninas lindas em seus vestidos de organdi suíço cheios de babados e fitas largas. Combinavam com o tecido que pendia do andor. E lhe davam um glamour todo especial. E fomos colocadas no final da fila, para não macular a imagem da santa.

Mesmo em nossa inocência, sentimo-nos excluídas. Não pela pobreza que ostentávamos, mas por termos sido afastadas da santa de nossa devoção, por ficarmos impedidas de sentir a emoção de caminhar a seu lado. Não lembro bem a intensidade do que sentimos na hora. Mas deve ter sido doído demais, para o fato ficar marcado em minha memória até hoje. É... a memória brinca e machuca.

Nesses longos anos aprendi muito. Como, aliás, continuo aprendendo. Mas é difícil entender certas coisas. Nunca se falou tanto em “exclusão” como agora. É a palavra da moda. Muitos vão às ruas, a defender ideias e causas de que pouco sabem ou que nada conhecem. Saem em defesa dos excluídos, das minorias mil, dos SEM TUDO...

Para mim, excluir significa essencialmente afastar, desviar, eliminar, lançar fora, pôr à margem, privar. Por isso, penso: e se deixássemos de lado esses modismos e falássemos, ou melhor, lutássemos mais para lançar fora o egoísmo, o preconceito, o desprezo pelas ideias que não são suas, pelos sentimentos dos outros, por inferiores que pareçam?

E se trabalhássemos para extirpar o desrespeito pelo trabalho dos outros, pelo patrimônio público, pelo país de um modo geral?

E se lutássemos para incluir nossas crianças e jovens num mundo melhor, onde a preocupação fosse com o próximo, e não com minorias ou maiorias? Se assim fosse, talvez pudéssemos todos nos lembrar com saudade da aurora de nossas vidas, como fala o poeta.


O que é exclusão? - Letícia D. Brunelli

Quando ouvimos falar em exclusão, pensamos logo em exclusão social. Esse termo é usado para se referir a uma camada da sociedade que não tem acesso aos direitos básicos de um cidadão: moradia, educação, saúde, saneamento básico e outros.

Neste caso, os excluídos são pessoas anônimas, invisíveis e substituíveis! São ainda amplamente exploradas pela política vigente.

Porém, encontramos outros tipos de exclusão em outros níveis da sociedade.

A mais radical é a exclusão penal que retira os criminosos da sociedade a fim de puni-los , e é chamada de reclusão.

A exclusão racial fomentada pelos preconceitos que remontam à época da escravatura.

A exclusão física, que, em épocas passadas, se observava nas quarentenas e para com os doentes de lepra e outras doenças contagiosas. Agora é propaganda nas campanhas antitabagistas, contra os fumantes .

A exclusão moral onde os alvos são os adeptos da prostituição, do homossexualismo e da pornografia.

Temos também, bem marcante, a exclusão financeira, em que as pessoas são selecionadas por seu poder aquisitivo.

Pelo mundo a fora, podemos encontrar exclusões culturais e religiosas que geram conflitos e guerras.

Quem da nossa idade não deparou com as exclusões etária e estética?

Só está na moda quem é jovem e magro!

Mas a exclusão mais sentida íntimamente é a emocional. Ser privado de um sentimento é muito doloroso!

Quer maior sofrimento que amar sem ser amado? Amor e desprezo: duas palavras que não combinam!

Ainda me resta falar de uma exclusão pessoal e unilateral. Ocorre quando o ser humano exclui Deus de sua vida.

Ele se torna, ao mesmo tempo, o agente que exclue e o passivo que se sente excluído. Pondo de lado, em sua vida, a presença paterna e confortante de Deus, a criatura se vê diante de um vazio que nunca será preenchido por nenhum bem terrestre. Ela nunca será capaz de avaliar o que perdeu com sua escolha: o amor incondicional de seu criador.


Pense bem! - Maria Inês M. Filier

Quem nunca foi discriminado nesta vida? Quem nunca sentiu na própria pele a indiferença de alguém? Quem nunca se sentiu rejeitado, humilhado, maltratado? De uma forma ou de outra, por um motivo ou outro, todos nós fomos discriminados, algum dia, por algo ou por alguém.

Tem gente discriminado porque é feio, isto é, se existe alguém feio; porque é bonito, branco, negro, índio, japonês, chinês, português, brasileiro, alto,baixo, magro, careca, cabeludo, desdentado, chato, bom demais, ruim, pobre, rico, timbre de voz (grossa ou fina), fala demais, tímido, agressivo, do tipo não chove, nem molha, deficiente, dependente, independente, reclama demais, chora demais, não chora nunca, ri demais, quase nunca ri, estuda demais, não estuda nunca, trabalha demais, boa vida, reza muito, nunca vai a igreja, não sai da igreja, canta muito, não gosta de cantar... E muitas outras discriminações que poderia apontar e, principalmente, aquela que você conhece muito bem, que tanto a prejudicou, que é bom nem tocar no assunto. Tem gente que se autodiscrimina, e como isso é complicado!

E a discriminação dentro da própria família, na minha opinião é uma das que mais nos ferem, porque, alguém de fora falar é uma coisa, mas alguém em quem você deposita total confiança discriminá-la, machuca muito, magoa, entristece e nos faz sentir muito mal.

PENSE BEM ! Se, ao invés de nos discriminarmos, nos nós perdoássemos mais, sendo mais misericordiosos uns com os outros, fizéssemos aos nossos semelhantes exatamente o que gostaríamos que fizessem a nós, seríamos mais felizes e principalmente faríamos mais pessoas felizes.

PENSE BEM ! Da próxima vez que você for discriminar alguém se é isso que você iria querer para você mesmo.

PENSE BEM ! Que tal discriminarmos menos e respeitarmos mais, aumentando nosso grau de amizade e de AMOR no mundo. PENSE BEM!



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Exercício: A rosa de Paracelso


Na retomada das oficinas no segundo semestre de 2009, estudamos o belo conto de Jorge Luís Borges - A rosa de paracelso. Após a análise e discussão, os oficineiros foram convidados a escrever alegoricamente sobre a "sua rosa de paracelso". Que coisas eles gostariam de transmitir para que não se percam. Obtivemos um resultado adorável.
Registramos o nosso agradecimento à querida Vera Gracia, que gentimente digitou os textos, para que possamos atualizar o blogue com mais frequência.

Um discípulo, por favor - THERESA

Ah! Quantos inventos, quantos segredos, mistérios, tradições, cultura, um verdadeiro tesouro foi sendo engolido pelo tempo, porque não encontraram um só discípulo disposto a dar continuidade, passá-los adiante.
Já pensaram, se um discípulo apenas , tivesse passado adiante a técnica utilizada há
quatro mil anos na construção das pirâmides?
E Machu Pichu, lá no alto dos Andes, como foi construída?
Quantos séculos de estudo e pesquisas nos teriam poupado.
Em nosso tempo também não é diferente. Apesar de vivermos na era da comunicação,
ainda há mistérios guardados à espera de discípulos.
Lembro-me de um bom velhinho, seu João, que morava em frente à minha casa. Era benzedor, coisa tão esquisita na era das mais avançadas pesquisas no campo da medicina.
Porém, não havia médico, ciência ou remédio que desse conta da erisipela da perna da minha mãe. E lá íamos nós, pedir socorro ao seu João que, com sua bondade infinita,
benzia a perna doente.
Não sei qual era a alquimia. Se era fé, confiança, carisma; o fato é que no dia seguinte,
o inchaço cedia e o vermelhão desaparecia.
Um dia, sentado na soleira da porta, a cabeça pendente e tristonha, seu João me confessou:
- Eu gostaria tanto de deixar “isto” para alguém, mas meus filhos não querem saber e
os outros, não se interessam.
Fiquei triste e pensativa mas, que fazer?
Nunca tive dom para benzedeira.
Alguns meses depois, seu João faleceu e com ele seu maravilhoso dom de
minorar o sofrimento das pessoas, curando-lhes as dores.
Deixar como legado “Sinceridade” - José Batista Amador

Se este adjetivo fôsse meu, eu não venderia, reservaria um bom tanto para mim e distribuiria para todos que me rodeiam; minha família, meus amigos e a todos aqueles que encontramos.
Como admiro esta palavra! Que sede tenho eu de beber desta fonte, que pode ser inesgotável, não depende dos outros e nem de grandes investimentos, apenas de nós mesmos.
A meu ver, esta é a fonte verdadeira, onde encontramos todas as propriedades que
necessitamos para alimentar nossas necessidades espirituais e emocionais.
Acredito que ainda existem muitos seres humanos com esta qualidade, mas está
bem distante do ideal, principalmente, levando-se em conta, o cenário político dos
nossos dirigentes, que mentem, descaradamente, faltando com a verdade, não a bem da coletividade, mas sim, legislando em causa própria.
A sinceridade incomoda hoje e sempre incomodou aqueles que gostam de ser iludidos.
Já ouvi em discussão uma pessoa dizer:-
- Eu estou sendo sincero.
E a outra responder: - Para o meu gosto, você está sendo sincero demais.
Excesso de sinceridade não mata ninguém, pelo contrário, ajuda a resolver os problemas da nossa família, da nossa Cidade , do nosso Estado, do nosso País e do Mundo.
Vamos dar o primeiro passo?


A rosa do saber - Vera Gracia Lorenzon Ferreira
Livro, manancial para minha sede de saber.
Inquisições mil, revolucionam meus neurônios!
Verto lágrimas de emoção...
Rosa mística do eterno saber!
Ora pro nobis.
Sapiência que aos poucos me dimensiona...
Amém, a toda miragem livresca.

As coisas simples da vida - Maria de Lourdes Santos Pinto

Dar valor as coisas mais simples da vida.
Sentir o perfume duma flor.
Observar a alegria no olhar de uma criança.
Fazer um donativo singelo a uma pessoa necessitada.
Fazer uma oração de agradecimento ao Pai Eterno:
“Obrigada Senhor, pelo dom da vida.”
Receber abraços e beijos de uma pessoa querida, em momentos de tristeza
ou de alegria.
São pequeninas coisas que dão sentido à vida.


A rosa do voluntariado - Aurora Ferreira

Simples, mas atinge um número imenso de pessoas. Nem sempre o dinheiro resolve tudo. Podemos tê-lo em mãos, mas precisamos também do trabalho, para ajudar aos necessitados.
Nada mais nos satisfaz, do que vermos o olhar de uma criança ou mesmo de um
idoso, ao receberem algo que necessitam.
Ao trabalharmos para esse fim, o dia torna-se pequeno e é um motivo para diversas
pessoas se unirem.
Há pessoas que, através de um simples convite, sentem-se entusiasmadas e passam a fazer parte da nossa equipe.
Seja você uma delas.


Aqueles domingos - Adelaide Dalva T. Garbuio

Hoje cinco de setembro, as lembranças ficam dentro da cabeça.
Vou falar dos domingos que ia àmissa, e já deixava pronto o que iria fazer para o almoço. Deixava temperados os bifes que fritaria. Cozinhava o arroz, depois punha na vasilha coberto de fatias de queijo e colocava no forno, para gratinar.
Quando chegava da missa, estava tudo pronto.
Os domingos eram cheios de alegria! Sempre ouvíamos a Rádio Nacional do
Rio de Janeiro, escutando as lindas músicas do maestro Rafael Hinhat.
Uma das músicas que sempre gostei foi My Way, a qual canto até hoje, com
saudades e lembranças da minha vida.
Enquanto comíamos, a música enfeitava nossos corações! Ouvíamos Carlos Galhardo,
cantando Flor de Maio; também a Ave Maria, de Erotides Campos, de Piracicaba.
Essas são as lembranças que vivi, fazendo o almoço para todos.
Música especial era também de Francisco Alves, Rei da Voz, que cantava
Fascinação, que até hoje é minha música predileta.
Tive o amor de meu neto Ulisses, que toca violino e eu canto a Fascinação, isso
enfeita minha vida e meus sonhos.


Bondade - Maria Inês Mascarin Filier

- Sabe Inês:- “Eu tenho inveja de quem é bom ! Como eu queria ser boa!”
Eu ficava olhando para ela e pensava:-
- Se ela não é boa, então quem será?
E, até hoje, estas palavras ficam ecoando em minha cabeça, pois ela foi abandonada no asilo quando nascera e nunca soube quem a abandonou, nunca teve ninguém para chamar de pai e mãe, nem pais biológicos, nem adotivos, pois nunca se interessaram em adotá-la, pois além de negra, tinha defeito físico, corcundas enormes nas costas ,que a deixavam torta, empurrando-a para frente.
E como eu a admirava !
Maria Aparecida Ventura, mas todos a conheciam como Cidinha. Foi criada no Educandário Santa Maria Gorette pelas freiras até seus 18 anos, quando então mandaram-na trabalhar como doméstica em uma casa de família na cidade de Piracicaba.
Ela me disse:- Inês (era assim que me chamava), eu chorei tanto , porque sentia falta das freiras, das minha amigas e de tudo o que tinha no Educandário, a mulher, dona da casa, me deu um quarto na parte superior, eu sentia tanta solidão e após algum tempo fui morar no asilo. Arrumei um emprego e após um tempo fui trabalhar como faxineira na Escola Alem , trabalhava durante o dia e estudava a noite e com muito sacrifício consegui meu diploma de contabilidade.
De posse do diploma, CIDINHA começou a mandar currículos para tudo quanto era lugar que sabia que estavam precisando. Chegavam as respostas pedindo que ela se apresentasse no local para a referida vaga. Toda feliz lá ia CIDINHA para o seu tão merecido emprego e quando se identificava nas firmas, as respostas eram quase sempre as mesmas: - “a vaga já foi preenchida, no momento não estamos mais necessitando” e assim prosseguiu sua vida trabalhando na Escola Alem, até se aposentar e mesmo após a aposentadoria teve que continuar trabalhando, porque o salário, mal dava para pagar o aluguel.
Dormia com pessoas mais velhas, cuidava de doentes e assim prosseguia sua vidinha simples, humilde, mas honesta.
Viveu sempre sozinha, com seus cachorrinhos e gatinhos, que ela tratava como se fossem seus filhinhos. Não reclamava de nada, embora fosse doente, pois devido ao seu defeito físico, tinha problemas respiratórios, mas tudo agradecia a DEUS e tinha um carinho especial para com todos que a conheciam.
Sempre que tinha oportunidade, após o ensaio do coral da igreja que terminava tarde da noite, me oferecia para levá-la para casa e lá íamos nós contando nossas vidas, nossos casos e ríamos a valer. Um dia ela até engasgou de tanto rir e ela perguntava:-
- E como está seu marido? A Erika? A Ellen? O Bruno? Que são minhas filhas e meu neto, que nessa época só tinha um. Ela falava:-
- Inês, eu acho seu neto lindo, aliás, suas filhas também são lindas.
- Ah! Eu ficava toda cheia e assim eu voltava feliz para casa . (Como é fácil fazer as pessoas felizes ).
O tempo foi passando, ela foi morar mais longe, passou a fazer parte de outra comunidade, mas sempre engajada com a música, pois ela amava cantar e por um bom tempo não nos vimos mais. Numa manhã recebi um telefonema que ela havia morrido.
Fui ao velório e lá encontrei outras pessoas que também a conheciam e pedi que se identificassem. A maioria era do Coral das Igrejas por onde ela havia passado, de vários
pontos e bairros da cidade, que irmanados na dor e na saudade, cada um dava seu testemunho de onde a conhecera e o quanto a queriam bem. Oramos, cantamos, porque era o que ela mais gostava e assim prestamos nossas mais simples e humildes homenagens a quem tinha um único objetivo na vida , o desejo de ser BOM !
E hoje eu digo do mais fundo do meu coração:
- COMO EU TENHO INVEJA DE QUEM É BOM! COMO EU QUERIA SER BOA!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Desconstrução do senso comum II




Considerações sobre o número 8 – Jacinto Sánchez Verni

O número oito, no que se refere ao lado comercial, é um número símbolo, segundo o conceito da numerologia.
No que se relaciona às terapias alternativas, é o logotipo da yoga, que consta de dois números oito, um na posição horizontal e outro na vertical, simbolizando o infinito e a pessoa como um ser ligado a Deus por meio da contemplação e da austeridade ascéticas, respectivamente.










No contexto de um passatempo, ou humorístico,pode até colocar a aritmética em xeque; por exemplo: 8-4 = 8. Como? BISCOITO = OITO – BISC = OITO.

Na navegação astronômica, hoje pouco usada devido aos GPSs, aos posicionadores, etc, o oito era usado para definir o oitante, que é um aparelho mecânico composto de vários aros de metal, que, em conjunto com a bússola e posicionado a 45º em relação ao nível, dividia os 360º da bússola em oito partes, cada uma catalogada em referência a uma constelação ou estrela, à noite, ou ao sol, durante o dia.
Outro aparelho similar é o sextante, ou astrolábio, este posicionado a 60º em relação ao nível. Ambos os aparelhos, oitante e sextante, servem também para medir altura e distâncias entre determinado astro e o sol.
Eis a figura do oitante:













Faltam 8 dias Maria Inês Mascarin Filier

Oito dias passam rápidos!
Chegou! O dia amanheceu com jeito de chuva, mas dizem que é sorte. Não sei não! O cabelo fica mais difícil de pentear, o vestido pode molhar e o sapato sujar...
Mas, enfim, já estava tudo programado e por nada neste mundo algo seria mudado. Afinal, foram vários anos preparando, sonhando, e não seria uma chuvinha a toa que estragaria tudo. Melhor acreditar que dá mesmo sorte!
A cabeleireira chegou, penteou e até que ficou bom. A costureira ajudou a colocar o vestido, maravilhoso! O sapato, os adereços da cabeça, enfim, tudo pronto.
Até a hora da troca das alianças só uma chuvinha fina, feito benção do céu, caia lá fora. E, por falar em alianças, olhando bem para o 8 lembra duas alianças justapostas, e o grande amor que elas representam.




Qual a metade do número 8? – Aurora Ferreira

Ao pensar nisso, imediatamente me vem à mente o número 4, resultante da operação matemática.
Eis o desafio: pensar com criatividade no número 8. Traçando uma linha horizontal, dividindo o 8 ao meio, imagino:
- Na parte inferior, incolor, uma gota; a gotinha que salva. Que, com sua carinha alegre, conclama as crianças a se vacinarem, a gotinha do Dr. Sabin, que livrou para sempre as crianças da poliomielite.
- Na parte superior, colorida, visualizo balões de gás, enfeitando e alegrando as festas infantis. Porque o número oito só evocou em mim o mundo infantil?

O número 8 - Geni Deolinda Bizzo

Estava eu aproveitando a vista maravilhosa da sacada do meu apartamento para ver a tarde que caía, trazendo consigo a escuridão da noite. A lua, preguiçosa, fazia surgir dos picos dos pinheiros seus majestosos raios, como que nascendo por detrás do horto.
Em devaneio, pus-me a contar as primeiras estrelas que surgiam. Meus pensamentos viajavam pelos caminhos do céu, quando percebi: as estrelas pareciam vaga-lumes, num interminável acende-e-apaga. Oras, então, como contá-las?
Pus-me então a pensar. Infinitas como as estrelas no céu são as maravilhas do mundo, que tão poucas conhecemos e, mesmo assim, tão pouco... Apesar disso, como pode o homem querer sempre ter o controle de tudo? E, afinal de contas, o que é o infinito?
“Não é dado a uma mente finita conhecer o infinito, está escrito. Se não podemos explicá-lo de maneira objetiva e clara, pelo menos podemos representá-lo por meio de uma forma criada pelo homem.
O símbolo ∞, o “oito deitado”, ou lemniscata, numa denominação mais científica, representa o infinito, a eternidade e o potencial divino. A imagem é conhecida desde a antiguidade e a razão de essa curva geométrica especial assumir tal significado é seu traço contínuo, uma forma sem começo nem fim.
Se fizermos um traço vertical separando a forma ao meio, teremos ΩΩ, ou o ponto central), considerado o portal entre os dois mundos, o físico e o espiritual): um representa a jornada do nascimento até à morte; o outro, da morte ao novo nascimento. A dualidade sempre presente: bem e mal, profano e sagrado, forte e fraco, dificuldades e realizações, dores e prazeres.
Para os místicos, se quisermos encarar a vida de forma centrada, devemos sempre buscar o equilíbrio entre esses dois lados: o que representa o material através da busca dos prazeres imediatos, e o espiritual que transcende, e onde se buscam os valores da alma.
Eu gosto de pesquisar sobre numerologia e acho que têm sentido muitas das respostas que encontro. Tenho o número oito no meu destino. E já que somos número (CIC, RG, fone, CEP, passaporte, contas bancárias, placa de carro, número da casa, até número de rua, como em Rio Claro), acho chique ter um número com tamanho significado. Que bom.
Dizem que traçar o número oito no ar com incenso traz harmonia e energia para pessoas e ambientes. Não custa tentar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Histórias dos nomes - 2a. Parte



"Terminei, enfim, esta obra, que nem o fogo, / nem o ferro, nem o tempo devorador poderão destruir. / Quando aquele dia, que dispõe apenas do meu corpo, quiser, / poderá pôr fim ao tempo da minha incerta vida; / mas com a melhor parte de mim me elevarei imortal / sobre as estrelas, e o meu nome não perecerá ."
Ovídio





Maria Inês – Maria Inês Mascarin Filier

Quando meus pais se casaram, provavelmente não planejaram se teriam filhos, nem quantos, nem o sexo que eles deveriam ter, pois a verdade é que teriam, como se dizia antigamente, quantos Deus mandasse.
O primeiro foi um lindo menino que, certamente, foi o maior orgulho da família; por falar nisso, junto com meus pais, moravam meus avós paternos, um irmão e duas irmãs de papai, todos solteiros.
Foi nesse contexto que eu nasci, e já não foi muito orgulho para todos, pois, segundo me contaram, meu avô paterno não quis nem me ver, porque mulher numa família de italianos não serviria para nada!
Mas o tempo foi passando, a nenezinha foi ficando engraçadinha, faceira, e o ‘nonno’ não resistiu aos seus encantos, tornando-se o seu fã número 1. Passamos momentos lindos e mágicos, juntos.
Alguns deles, trago marcados na lembrança, como quando dançava imitando uma bailarina e pedia ao nonno que julgasse quem dançava melhor: eu ou Iara, minha melhor amiga de infância. Ele, para deixar as duas felizes, ora dizia que uma, ora dizia que outra.
Recebi o nome Maria Inês porque a minha avó paterna chamava-se Maria, e a materna, Inês. Duas mulheres lindas, guerreiras, ambas pertencentes ao grupo dos primeiros imigrantes italianos e portugueses que vieram para o Brasil. Tenho muito orgulho de levar os seus nomes em minha vida, já que seus exemplos maravilhosos têm me ajudado a seguir em frente, a superar obstáculos que a vida oferece.
Dois nomes simples, mas para mim significam muito! Agradeço aos meus pais pela escolha tão carinhosa que fizeram, homenageando desta forma minhas duas avós.



Sobre meu nome – Marinalda Codo Rosseti

Elizabete. Este foi o nome que minha mãe escolheu para mim.
Em meados maio e junho muitas crianças nasceram, e, entre as meninas, só se ouvia dizer que o nome da maioria delas seria Elizabete.
Então, nasceu um bebê, que a mãe cuja mãe colocou o nome de Marinalda. Não Marialva, tampouco Marialda, nem Marinalva, mas sim Marinalda. E, foi assim que minha mãe resolveu me dar este nome também.
Uma, porque ela gostou, e outra, porque já tinha muita elizabete no pedaço. Bem, quanto a mim, não sei se gostei ou se realmente preferia elizabete. Mas, de qualquer modo, ainda é melhor do que dar os nomes das avós, embora eu não saiba se isso chegou a ser cogitado – Maria Francisca, por parte materna, e Prisca, pelo lado paterno.
É certo que nada tenho contra minha querida vovó, que faleceu quando eu tinha 2 ou 3 anos, e de quem eu era a neta preferida, mas Prisca...
Nesse caso, é claro que eu agradeço à minha mãe. Embora, apesar de não ser a única, não conheço nenhuma outra Marinalda.



O porquê do meu nome – Jose Batista Amador

Quando criança, não tinha o entendimento do meu nome, como os meus netos em, nos dias de hoje. Talvez, isso esteja relacionado ao falecimento do meu pai, quando eu ainda era muito criança.
E, com o casamento da minha mãe com o meu padrasto, fomos morar distante dos meus parentes, e acabaram se perdendo as referências do nome e do sobrenome.
Com o decorrer dos anos, passei a gostar e a ter muito orgulho do meu nome. José Amador era o meu avô paterno, morto antes de eu nascer. Ele era imigrante natural das Ilhas Canárias, na Espanha. Batista Bergamin era o nome do meu avô materno, filho de italianos e que também já morrera antes da minha existência.
Através dos meus parentes e das pessoas que os conheceram, fiquei sabendo um pouco sobre eles. O avô Batista era um líder na família, exemplo de pessoa de bem. Em sua homenagem, minhas tias colocaram o nome dele nos seus primeiros filhos homens, e meu pai o colocou em mim.
Na história, José era pai de Jesus Cristo, e, Batista, era o Seu primo. Eu, com esse nome José Batista, sinto-me privilegiado em ter o nome dos meus dois avôs e, também, desses dois homens tão dignos que foram São José e São João Batista.

Origem do meu nome – Eisle

Tenho três irmãs mais velhas, cujos nomes iniciam com a letra E. Para não fugir à regra, quando eu nasci o nome deveria ter a mesma inicial.
Minha irmã mais velha tinha vinte anos, à época, e seu nome era ELSIE, nome escolhido em um livro de romance. Ela pediu aos meus pais que colocassem o meu nome de EISLE, que seria o contrário do seu. Ela fez esse pedido porque gostava demais desse nome, e não sabia se, quando casasse, teria uma menina para batizá-la com esse nome.
Nunca tive nenhum apelido, também nunca achei alguém que tivesse um nome igual ao meu. Quando digo meu nome, todos o consideram diferente!
Gosto muito do nome que tenho, considero-o forte, diferente, único.



A princesa Siclay – Siclay Bianchini

Sinto-me muito lisonjeada por ter um nome de princesa, escolhido por minha avó Genny, que adorava ler e que viu esse nome em um dos seus muitos romances.
Esse livro contava a história de uma princesa, a princesa Siclay, que vivia na Síria e adorava ficar junto ao povo de sua aldeia, era uma pessoa diferente das suas tradições, pois ajudava a todos: crianças, velhos, pobres e necessitados. De certa forma, sou assim também!
É engraçado quando digo o meu nome, pois todos se espantam e dizem; “Si o quê? Hã? Siclei, Sinclair, Siclair, Sicrai...” Mas, tudo bem!
A parte mais gostosa é ouvir amigos e até desconhecidos que, por conhecerem o meu nome, me procuram para contar que também colocaram esse nome, escolhido por minha avó, em suas filhas; elas, depois de crescidas, adoram o nome da Princesa do Povo, assim como eu.
Certa vez, quando uma dessas pessoas foi registrar a filha no cartório, a pessoa que fazia o registro duvidou que fosse um nome, dizendo que não tinha sentido, que era uma coisa horrível! Pois não é que os pais tiveram que levar o meu documento para provar que o nome existia?
É uma pena essa pessoa ter duvidado, pois ao fazê-lo perdeu a oportunidade de conhecer a história de uma mulher que não respeitava as diferenças entre as pessoas. Uma mulher que, mesmo tendo título de nobreza por direito de nascimento, foi guerreira e bondosa como toda mulher deve ser: uma princesa!

Meu nome... Minha diferença – Geni Deolinda Bizzo



É impossível falar sobre o meu nome sem citar meus irmãos, pela ordem de idade: Evanir Erminda, Agenor Clarindo, Nestor Laurindo, Antenor Lucindo e Nair Ermelinda.
Nomes que soam estranhos, quando assim reunidos, mas que deixavam meu saudoso pai orgulhosíssimo. Afinal, não era fácil encontrar nomes que atendessem à combinação or e indo, para os meninos, e ir e inda para as meninas. Principalmente para ele, pessoa sem nenhuma literatura e sem qualquer fonte de consulta.
Eram idéias dele. Só dele. Minha mãe, mesmo que quisesse, não tinha espaço para palpites. A coisa acontecia invariavelmente assim: nascida a criança, o velho seguia imediatamente para o Cartório de Registro Civil. No retorno, e com a pompa que o momento exigia, lia o nome do rebento, escolhido em segredo já há algum tempo.
Era uma cena comparável à daqueles arautos do rei que, sobre um tablado, com toda a pompa e circunstância, inflavam o peito para anunciar um acontecimento importante.
Minha mãe, calada em um canto, era apenas platéia, como todos nós.
E eu? Por que fugi à regra? Deolinda está conforme. Mas porque Geni, e não Genir? Acho que, num golpe de sorte para mim, o escrivão tenha entendido mal e efetuou o registro sem o erre final. Acredito, também, que meu pai não tenha querido retornar ao Cartório para corrigir o erro.
O certo é que fiquei Geni. Diferente do que ele queria. Melhor para mim. Embora não possa dizer que tenha me livrado de problemas. Sempre perguntam: com G ou J? Y ou I? E quando escrevem Genideolinda, assim, tudo junto? E pior, quando grafam Geni de Olinda? Às vezes chego a me aborrecer. E digo, irônica: Nem de Olinda nem de Recife. É Deolinda, tudo junto. E, como sei que também vou ter problema com o sobrenome, antecipo: É Bizzo, com duplo zê, por favor.
Depois, acho graça. Afinal, nunca vou ter problemas com homônimos.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Metáforas da Vida

Imagem: The tree of life, de Gustav Klimt



Proposta do exercício: Estudamos a alegoria de Machado de Assis para a Vida e, com base nela, vamos criar a nossa própria metáfora: “Vida a que me convidas?” A vida é um baile? É um quadro? É um jardim? É um líquido que sorvemos? O que nos cativa nela? O que de tão belo nos assombra? O que nos comove a ponto de, talvez, assustar-nos?

A vida nos assombra com suas histórias - Jacinto Sánchez Verni



Este fato aconteceu por volta do ano de 1883, quando minha falecida avó paterna, Dona Rosária, que estava com seus oitos anos de idade e que, como toda menina, brincava com sua boneca em companhia de suas primas e amigas, no quintal de sua casa, lá na lendária Espanha.
Em dado momento, começaram a observar sua avó, que estava sentada, ao que me lembro pelo que nos foi contado, no degrau da porta de sua casinha. Olhava, distante, na linha do horizonte. Quem sabe, a pensar, pensar...
As meninas, com aquela formação embasada pelo respeito e estima incondicional pelos membros mais idosos da família, começaram a ficar preocupadas. Perguntavam-se:
- Será que a vovó está triste porque fizemos alguma arte e a magoamos?
Uma das meninas propôs:
- Vamos perguntar a ela?
- Acho que não. Respondeu a outra menina.
Mas a vovó continuava lá sentada, o olhar no vazio, fitando lá longe, naquela tarde, lá na Espanha, aguçando cada vez mais a curiosidade das meninas.
Até que minha avó Rosária, vencendo o receio, aproximou-se de sua avó e perguntou-lhe:
- Voelita (avozinha, de maneira carinhosa, no idioma espanhol) porque a senhora está triste? Será que cometemos algum erro, sem percebermos?
- Hijas mias (minhas filhas) vocês podem ficar sossegadas, não fizeram nada de errado. Respondeu a avó.
Que alívio, o das meninas!
E continuou:
- O que eu estou aqui, pensando, é que chegará o dia, e não está muito distante, em que haverá coches que andarão sem que precisem de cavalos para puxá-los; e ainda mais, coches que voarão como os pássaros, carregando pessoas.
E continuou ali, com sua postura pensativa.
As meninas se entreolharam, incrédulas. Foram se retirando vagarosamente, prosseguindo com seus brinquedos favoritos. Logo depois, muito baixinho, ao pé da orelha, cochicharam, com todo respeito:- Será que a vovó está bem da idéia? Pois onde já se viu carros andarem sem necessidade de cavalos para puxá-los, e mais ainda, voarem como os pássaros transportando pessoas e objetos? De onde será que a vovó tirou essa idéia?
Hoje, passados todos esses anos, ao relembrar este fato que sempre foi contado entre a família, penso que posso responder à pergunta das meninas: de onde será que a vovó tirou essa idéia? Ou melhor: de quem veio essa idéia? Por intermédio de quem ela captou essa informação? Ou teria ela sido um instrumento de ligação com esferas superiores onde, segundo se comenta, o espaço e o tempo não existem?
Será que essa minha trisavô teve uma experiência holística, da presença do todo, da criação divina, que se perpetua eternamente, no sentido de que sempre tudo existe, sempre existiu, não havendo princípio nem fim?



No picadeiro - Silvia Ap. Cristofoletti Galvani



No grande picadeiro da vida, somos os protagonistas desse espetáculo, exercendo as mais variadas funções, quase que ao mesmo tempo: exímios equilibristas, ágeis malabaristas, sérios e atentos domadores e até mesmo irreverentes palhaços, trazendo na cara um vasto sorriso pintado e um enorme e rubicundo nariz.
Enfrentamos grandes desafios: os previstos e os imprevistos. Estamos em constante movimento. Uma existência monótona torna a vida sem graça, sem encanto.
Não devemos nos intimidar pelas dificuldades, e, sim, procurarmos decisões temperadas de sabedoria. Não estamos livres de sofrimentos, mas Deus promete estar conosco em todas e quaisquer circunstâncias.
A vida é bela, que até chega a dar medo, não o medo que paralisa, que nos deixa estáticos, sem ação, porém o de queremos resolver, de acreditarmos que isso é possível.
Que a alegria e os risos ainda bailem no ar, depois de o circo ter ido embora!




A vida me convidou - Cleudinéia Ap. Gaspar Zavarello


A vida me convidou a viver uma história e, posso dizer, uma história de amor.
Casei com Hélio em 1969 e fomos enriquecidos com dois filhos: Amanda, nascida em 1971, e Ricardo, que chegou em 1973.
A vida passou-nos como um baile, no qual dançamos. As vezes, seguindo o ritmo, outras vezes, tropeçando. Mas, dançando sempre juntos, até 2003, quando Jesuis quis o Helio para ele, e, nesse momento, minha vida se fez um quadro. Um quadro e um jardim de recordações.
Eu continuei sorvendo o líquido da vida, ao lado dos meus netos Murilo, Nycolas, Jeferson, Isabeli, Bruna e Pedro.
O que me cativa na vida é a força que temos para viver.
O belo da vida é sentir todas as emoções e os medos que ela nos revela.
O que me assombra e me assusta é o que eu ainda possa vir a sentir ou passar.
Mas é a Vida, e é bom estar aqui.



A Vida - Célia Maria Cestaro Christofoletti


Aprendi a amar o movimento quando está nele a transformação. E aí está a vida plena de possibilidades e de beleza.
Se pensarmos o que fomos ontem, o que somos hoje e o que seremos amanhã nos daremos conta de que não somos os mesmos, estamos sempre mudando.
E essa mudança implica em aprimoramento, em horizontes espraiados que os olhos da razão e os olhos do coração permitem alcançar, pelo entendimento e pelo amor.
O que assusta, e o que encanta na vida, vejam que contradição, é o vir a ser. A vida está sempre acontecendo e não sabemos o que virá. Adversidades, alegrias, realizações, frustrações, encontros, desencontros?
Estar vivo é estar alerta. Atentos ao que é e ao que será, desfrutando de todos os sentidos de que somos dotados: cores, odores, formas, sons, sensações.
Entender a vida como movimento e transformação é, também, entender que ela não acaba. Fomos semente, desabrochamos. Voltaremos a ser semente, pois que ela é a essência e está em nós.


A vida: mistério encantador - Regina Claret Kapp dos Santos


Fascinante, grandioso, encantador e desafiador é o mistério da vida. Força estranha? Força oculta? O que é?
Buscamos respostas em tudo, em todos os momentos, sobre a questão: Vida.
Tudo ao nosso redor, seres viventes ou já sem vida (que tiveram a sua história) nos mostram o quanto é impossível entender plenamente a profundidade desse mistério.
A partir da primeira célula de um ser humano, ou de outro ser vivente; o processo de gestação, de germinação ou evolução das espécies faz com que, pouco a pouco, se renove interruptamente o ciclo vital da existência.
A cada segundo, minuto, dia, mês e ano, tudo se transforma para conservar ou renovar o equilíbrio dos ecossistemas.
A luta pela sobrevivência, as vezes sutil, as vezes injusta e violenta, é mais questionadora ainda. Pois depende da vontade de cada ser humano, do instinto de cada animal, ou da energia vital contida na própria natureza. Energia que, vez ou outra, se extravasa além da normalidade, para resistir a tudo e continuar vivendo.
Oxalá, nós, homens e mulheres, refletíssemos constantemente sobre este mistério abissal! E que pudéssemos agir a favor da vida, para que as futuras gerações possam herdar um mundo renovado, permeado por valores essenciais para a harmonia plena de todos os seres com seu habitat, com seu planeta.
A vida: lixo ou jardim? - Maria Inês M. Filier

A vida é o mais belo presente que ganhamos do criador. Ela encerra os mais valiosos tesouros, sendo a jóia mais rara do mundo: que é o próprio viver.
Podemos fazer da nossa vida o mais belo jardim, assim como podemos fazer dela um depósito de lixo, onde depositamos todo tipo de entulho: restos de construções, restos de alimentos, papéis imundos, latas enferrujadas, bichos mortos e malcheirosos e, assim, vamos amontoando sujeiras e mais sujeiras.
O pior é quando permitimos que as outras pessoas venham jogar o seu lixo, emporcalhando ainda mais a nossa vida. Então, torna-se insuportável: são baratas, ratos e todo tipo de bicho peçonhento, que representam a raiva, as mágoas, ódios, tristezas e outros sentimentos ruins e negativos. Nós não aguentamos, e ninguém quer se aproximar de um terreno tão deteriorado. Assim, ficamos feridos, machucados, com a autoestima baixa.
Temos que retomar nossa dignidade; nos encher de força e coragem para limpar, reciclar esse terreno. Com as pedras, construirmos novos caminhos, grutas encantadas, fontes cristalinas, nas quais os pássaros, os animais silvestres e mesmo os homens venham saciar sua sede.
Recolher tudo o que pudermos juntar e fazer pontes. Ah! Como são necessárias as pontes, pois nos ligam com os outros, e eles a nós. Fazer canteiros de hortaliças, para nos alimentar e aos nossos amigos.
Plantar flores de todos os tipos e cores para perfumar e embelezar nossas vidas. Para as crianças e todos quantos quiserem achegar-se e sentir os aromas, brincar nesse jardim, cantar e dançar a dança da vida.
Plantar fé, esperança, fraternidade, solidariedade, sabedoria, justiça, paz e amor. Ninguém mais vai querer jogar lixo num lugar tão lindo, pelo contrário, as pessoas respeitarão e amarão essa vida.
Transportar uma montanha para dentro do jardim. Para, todo dia, com muita humildade, simplicidade e sabedoria ir escalando-a, pouco a pouco, com perseverança ir ao encontro Daquele que é o Autor da Vida.
Como você quer sua vida? Lixo ou jardim?


VIDA

A vida chega de improviso
A vida fica porque quer
A vida se enamora da vida
A vida quer ir e você não quer que vá
Mas a vida tem que seguir, senão
Não seria VIDA!

VIVER

Viver por viver
Imensamente
Dádiva do querer.

Vida vai, vida vem

Vida vai
vida vem
como as ondas do mar
tempo vivido que não volta jamais

Vida: um eterno desafio - Lícia Mônaco Perin

Pequena e chorona nasceu a criancinha. Na dança do mundo, cresceu entre crises.
O dinheiro era curto, o emprego, difícil. A pobreza rondava cada casa, cada lar. Desperdício? Nem pensar! A vida dura para todos, crianças e adultos.
A menina foi crescendo. Quietinha, solitária, deitava-se por horas no chão duro do quintal de terra, deixando seus sonhos buscar o azul do céu, a brincar com as nuvens que bailavam no eterno firmamento.
A escola, os livros! Ah,os livros! A grande descoberta! Agora, a menina vivia e sonhava o encontro das extraordinárias aventuras numa frenética busca pelo mais! Curiosidade! Emoção! Riso e choro! Quanto um livro pode trazer!
Mas, o corpo pedia, e o esporte chegou: a mesma paixão, a mesma descoberta. Como era bom ser jovem e consumir energia, aprendendo a ser mais um no grupo, a se empenhar ao máximo em busca de um resultado, a lutar com ética, respeito, sem tripudiar sobre os adversários.
E veio o namoro. O flerte, os bailes, os olhares trocados com significado especial. Qual pássaro, que escolhe seu parceiro para toda a vida, também a menina, agora adolescente, adotou a monogamia e seguiu para o altar.
A profissão escolhida já nos primeiros anos de vida foi alcançada e exercida com a persistência do desbravador que, quando necessário, improvisava para conseguir melhores resultados, executava a capacidade de minimizar a dor dos que sofriam.
Os filhos, a família completada. O marido, parceiro e leal. A vida seguindo com suas doses de altos e baixos. Sempre muito trabalho. Sempre engajados em trabalhos da comunidade.
A vida pública. A mudança radical. Uma visão diferente de tudo. Não há tempo para devaneios. É preciso executar o conhecimento acumulado; é preciso sair de si, pensar plural. Abraçar as necessidades do próximo, das entidades, enfim, da cidade. Somar à sua vida, já tão repleta, outra vida, dedicada à causa pública. Quatro anos de exaustão!
Depois, aquela menina que se engajara, corpo e alma, nesse viver, não cabia mais numa vidinha comum. Passaram-se, então, quase quarenta anos de engajamento em projetos, atividades ou atitudes que pudessem melhorar a vida em nosso planeta.
Hoje, menina de 78 anos, paro e penso: não posso viver sempre num jardim, nem eternamente dançar ao som caliente de um bolero. Não sei pintar quadros, mas me assombro e me enterneço ao lembrar minha caminhada: serei eu aquela menininha que, ao nascer, era a filha do meio entre cinco irmãos, numa família que viveu uma imensa crise – a de 1929? Aquela que, à época, escolheu uma profissão ímpar para mulheres, mesmo sendo canhota?
Entretanto, o que me assombra, mais que tudo, é o número de amigos que conquistei e conservo. A alegria e o equilíbrio que sempre procurei ter comigo, mesmo nos momentos dolorosos. Pois tenho a certeza que Deus não me protege – Ele me mima!

A vida é uma escola - Rosemarie B. Grassmanm Bóbbo

A vida é uma escola. Todos nós somos pensamentos de Deus. Quando nascemos, começa a eternidade. Eternidade significa vivermos as vinte e quatro horas do dia ligados a Deus. Mas isso só acontece se quisermos, pois Deus não é ditador, Ele não arromba a porta.
Nosso coração, que podemos representar por uma porta, tem um trinco somente por dentro. Jesus bate. Depende de nós abrirmos ou nos fazermos de surdos. Ele não arromba a porta, apenas bate.
Quando abrimos, podemos nos apresentar a ele como somos, mas Ele não nos deixa assim. Pois através de Seu Filho, Jesus Cristo, nossos pecados são perdoados e, então sim, somos transformados de criaturas em filhos de Deus.
Aí, é somente confiar, obedecer. Não nos tornamos santos; precisamos, sempre, do perdão de Jesus. Mas o Espírito Santo vai nos moldando. E, quando dizemos: - Senhor, dispõe de mim! A vida passa a ser uma aventura maravilhosa. Não sem problemas, não sem tentações, mas não caímos mais nelas. Isto não é religião. É fé em Cristo!
Ele veio ao mundo para morrer na cruz por nossos pecados e fundar a fé Nele somente.

Saiba que, chegando aos 60 anos, teremos dormido vinte anos. Seis anos teremos gasto para comer e prosear um pouco durante as refeições. Quatro anos mais gastaremos para nossa higiene, tomar condução e mais um mínimo de prosa. Vejam lá, que 30 anos já se foram!

Conversa de dois passarinhos

Em um galho de árvore frondosa,
Uma andorinha e um pardal
Tiveram a seguinte prosa:
Pardal, disse a andorinha,
Já reparaste como o ser humano
Se preocupa e corre
E de cansaço até morre?
É, andorinha, responde o pardal,
Nós, passarinhos, temos um Deus
Que nos alimenta, guarda e cuida,
A nós, nada falta, está tudo bem!
Mas, andorinha, eu temo,
Que esse nopsso Deus
Os humanos não têm!










































segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Exercícios de escrita sensorial


A oficina desvendou os vínculos entre sensações, sentimentos e escritura. Em seguida, a proposta do exercício: fechar os olhos e se imaginar degustando um de seus pratos preferidos. Comece imaginando o cheiro que impregna a cozinha enquanto a comida está sendo feita, o aroma de cada ingrediente, o sabor específico de cada um. Imagine-se levando cada garfada à boca, a temperatura da comida, as lembranças que evoca. Imagine a pessoa que está servindo a mesa, quem está presente, o motivo pelo qual esse prato foi feito, especialmente. Está comemorando alguma data? É uma ocasião especial?
Escreva sobre o que foi proposto, sem preocupar-se com o gênero: se é poesia, se é um conto ou crônica. Apenas descreva as suas sensações, transforme as lembranças numa invenção, reencontre as suas palavras.

Não existe obrigatoriedade na realização das tarefas, mas os alunos têm demonstrado przaer em participar, partilhar o seus textos, transformando a oficina numa experiência bastante enriquecedora. Esse exercício foi realizado por onze alunos.


Almoço aos domingos - Aurora Ferreira Rodrigues

Almoço aos domingos. Mas hoje é especial, pois é aniversário de meu pai.
Chegada dos irmãos com a família, e o aroma é convidativo. É o bolinho de bacalhau feito pela mamãe, e logicamente queremos prová-lo.
As crianças no quintal, brincando até serem chamadas para o almoço. Mamãe serve os bolinhos de bacalhau e o Bacalhau a Gomes de Sá, que é uma delícia.
Papai nos traz o vinho português (feito pelas minhas tias, em Portugal), engarrafados por nós, ao som de músicas portuguesas e cantadas por meu pai... Que saudade!
Após o almoço, frutas portuguesas e, à tarde, o parabéns a ele, acompanhado de um belo bolo.
Abraços. Desejos de feliz semana a todos e até o próximo domingo.
Que Deus os acompanhe!


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Sopa preta e sopa branca - Maria Inês Mascarin Filier

Ouço o burburinho de pessoas falando, uns estão entrando; outros, saindo. O barulho vem da loja, vem do quintal e, por falar no quintal, ouço as galinhas cocoricando, o galo0 cantando, passarinhos gorjeando, cachorro latindo, crianças brincando, correndo.
Saio da loja e entro na cozinha. Lá está ela, a nona, no fogão de lenha, preparando o almoço para todos nós.
O caldeirão maior é o do feijão e, justo nessa hora, ela está fritando o tempero para colocar no caldeirão, o cheiro é delicioso! Alho e cebola, que, quando ficam moreninhos, ela joga no caldeirão, acrescenta o sal e aquilo recende pela casa toda, pelo quintal, e até os fregueses da loja sabem que a nona está temperando a comida.
- Nona! Dá um pedaço de pão molhado no feijão?
E ela coloca aquele naco de pão num garfo, afunda no caldeirão e me dá. Saio feliz dali, acrescento mais um pouco de sal e vou comendo aquilo como se fosse um manjar dos deuses.
A nona faz bastante comida, mas também, pudera! Somos mais ou menos umas vinte e tantas pessoas que almoçam, e jantam juntas, todos os dias. Somos irmãos, primos, tios, tias, pais, e sempre chega uma pessoa ou outra para fazer parte deste nosso ritual.
Sabe o feijão que sobra do almoço? É transformado, à tarde, numa deliciosa sopa, que nós carinhosamente chamamos de ‘sopa preta’; porque a outra, de legumes, chamamos de ‘sopa branca’.

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O cheiro da torta de maça - Rosemarie B. Grassmanm Bóbbo

Escrevia-se o ano de 1938. Vejo uma enorme cozinha. E, nela, reinando, Emma – prata de nossa casa em Liebenfelde – considerada membro da família, pois ela já vira meu pai nascer, em 1898.
Era um belo sábado de maio, tudo estava florido e a natureza se recuperava, célere, de um inverno muito frio e com muita neve.
Mamãe, como esposa de pastor luterano, reuniria, naquela tarde, as esposas dos presbíteros para um estudo bíblico, oração e cantos de louvor a Deus. Meu tio, também pastor, acompanhava mamãe ao violino, enquanto ela tocava piano.
Na cozinha, Emma preparava deliciosas tortas e, entre elas, minha querida torta de maça. Pois, antes que as senhoras se retirassem, havia sempre uma meia hora de kaffee und kuchen (café com bolo).
Mas... Criança não tomaria parte nisso. Era o modo de educar os filhos, naquela época, e, agora, concordo plenamente. Portanto, eu comeria o que sobrasse.
A certa altura, ouvindo as senhoras conversarem animadamente na sala de jantar, animei-me a dar uma espiadinha através da porta levemente entreaberta. A ver a quantas ia a vida de minha querida torta de maça.
E, qual não foi meu pavor, ao verificar que uma das senhoras apanhava a espátula recostada ao prato que continha, ou, melhor dizendo, havia contido a torta de maça, querendo servir-se do último pedaço (essa espátula, nós a usamos até hoje).
Não consegui conter-me e gritei, apavorada:
- Mutti, mutti! Sie nimmt sich auch das letzte stuckhen!
- Mamãe, mamãe! Ela está se servindo do último pedaço!
Primeiro, um susto das senhoras! Depois, mamãe dando explicações. E, depois, todos rindo, e a senhora me levando até à porta, aonde eu ainda continuava em pé, o prato com o último pedaço de torta de maça.
É minha recordação mais remota referente à comida. Mais degustação do que cheiro.

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Doces lembranças - Silvia Ap. Cristofoletti Galvani

Só agora, tantos anos passados, tento passar para o papel as lembranças de momentos marcantes que vivi quando adolescente.
Não havia muro ou cerca separando as casas de meus pais, de meus avós e tios. Um espaçoso rancho unia as duas residências. Era nele que, todas as tardes, as mulheres estavam sempre ocupadas com a costura, com ‘passar as roupas’, ou fazendo pequenos consertos. Exigiam, ainda, que as ‘meninas’ ficassem por perto, para que aprendessem as tarefas do dia-a-dia.
Em dias chuvosos, gostávamos de ver as fotos da família, que vovó tão bem guardava numa caixa de madeira pintada com motivo barroco. Era divertido olharmos os retratos dos antepassados, enquanto sentíamos o aroma do café passado pelo coador de pano e dos deliciosos bolinhos salpicados com açúcar, canela e muito amor.
Saboreávamos essas iguarias, vendo a chuva cair mansamente nas folhagens, bem à nossa frente, encostadinhas no muro do vizinho.
Hoje, ao comermos alguma guloseima feita em casa, minha filha Andréia diz ter o ‘gosto do armário da avó Vitória’. Comparação, esta, que até agora não soube explicar. Mas, os bolinhos de minha avó tinham gosto de saudade!

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Aconchego - Célia Maria Cestaro Christofoletti

As tardes de outono são deliciosas. O clima ameno, o céu de um azul límpido, quase sempre sem nuvens, e um pôr do sol resplandecente.
Curto as tardes de outono, mas me reporto aos meus tempos de menina, quando era mais tranquilo andar pelas ruas e usufruir toda beleza, toda paz do cair da tarde.
E, no meu passeio, nessas tardes, era possível sentir os odores da preparação do jantar que vinham do interior das casas. Minha imaginação chegava ao recôndito dessas moradias e sentia a vida, ali, acontecendo.
Algumas vezes, passei pelo pequeno portão, sem travas, da casa de minha avó. Atravessava o corredor e chegava até à cozinha. À mesa, fumegante e cheirosa, uma terrina de sopa, lingüiça frita e muito pão, como manda a tradição da família italiana.
Era bom juntar-me aos meus tios e primos ao redor daquela mesa! Sentia-me orgulhosa e feliz por estar entre os meus. E o que ficou na minha memória não foi o sabor dessa refeição, mas delícia do momento, o amor traduzido num prato de sopa quentinha, suculenta, generosa.
Lembro-me da felicidade de minha nona. Da mesma forma, na casa de meus pais, a felicidade de minha mãe ao ter os seus reunidos para o jantar, depois do trabalho, da escola, enfim, dos afazeres que, findos, nos levam de volta para casa ao término de mais um dia.
Hoje, ao passarmos pelas ruas, não é mais possível sentir os odores da preparação do jantar no interior das residências e, talvez, a reunião em volta de uma mesa fique restrita aos finais de semana. Os rituais são outros, mas a força do amor permanece.
Estamos sempre voltando, ou esperando a volta daqueles que amamos. E o aconchego tem cheiro, cor, sabor, calor...

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Galinha ao molho pardo regado ao amor de Emília e Faustino -

Antonio Moreira

Inicialmente, esclareço: não tenho qualquer habilidade gastronômica. Entretanto, sempre apreciei um prato bem temperado, feito por amador, profissional, ou em nossa casa.
Notadamente, se a iniciativa da comidinha partia, anos atrás, da minha avó Emília, alma gêmea de Faustino, casal dos mais lindos que habitaram a Terra dos Homens.
Quando criança, eu, meus pais e irmãos, íamos, geralmente às quartas-feiras, a Bonsucesso e a Santa Maria, saborear a gostosa e inesquecível ‘Galinha o molho pardo’, cujo tempero tinha um toque espanhol,pois Emília era descendente da bela e querida nação de Carmem de Bizet e Cervantes.
Para complementar o prato delicioso, de que todos gostávamos, minha avó mandava fazer um feijão superincrementado, eu diria requintado, apesar da simplicidade que sempre nos caracterizou, além do cuscuz de milho (puro), branco ou amarelo. Isto, sem deixar de providenciar, paralelamente, um franguinho igualmente gostoso, tudo ao som do barulhinho das crianças.
Bonsucesso e Santa Maria, fazendinhas vicinais de nossa propriedade, tinham como pano de fundo o Morro do Bonsucesso, que ornava de rara beleza a região que encanta a todos, inclusive a Glauber Rocha, que lá rodou um deus seus filmes – “Terra de Sangue”.
Aliados àqueles encontros festivos e santos, havia os elementos maiores: Deus e o amor de Faustino por Emília, objeto de comentários em toda a região.
A ‘Galinha ao molho pardo’, comida preferida de toda a família - Moreira, Sérgio, Ferreira – era uma festa ao nosso paladar e ao nosso espírito. Eis que também tinha, como condimentos maiores: amor, harmonia, afeto e carinho indescritíveis. E Deus, sempre generoso com Emília e Faustino, concedeu-lhes, além da magia de um amor transbordante, uma existência quase centenária!

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Encontro e despedida - Geni Deolinda Bizzo

Finalmente, chegou o tão esperado momento. Luiz está radiante. Adeus escola, livros, discussões, leis, caminhos que se tornaram maiores e mais cheios de obstáculos durante esses trinta anos. Cada palmo de seu chão passa na tela mental como em um flashback. Árvores frondosas e floridas deram lugar aos prédios. Casas antigas foram tombadas – literalmente – para dar lugar a gigantes e imponentes viadutos. A tão sonhada aposentadoria chegou. E, com ela, sentimentos confusos do dever cumprido, cansaço e um vazio enorme com a expectativa de novos dias.
Bem, mas não é momento para saudosismos ou tristezas, mas para comemorações. Meu querido e inseparável amigo Luiz me abraça efusivamente e me pede para escolher um local aconchegante para brindarmos esse momento especial. Não tenho dúvidas. Escolho o Yokohama, restaurante japonês onde tantas vezes estivemos para trocar idéias e fazer confidências.
Mas hoje será diferente. O sentimento de alívio, aliado à saudade que sentiremos, promete uma noite inesquecível. Quero sentir cada segundo. Fechando os olhos, vejo-me estacionando o carro sob a luz das lanternas coloridas que iluminam o jardim entre as pedras que servem de esconderijo para as carpas – parecem-me – gigantes para espaço tão pequeno.
Na chegada, o ar fresco de aroma agradável impregna nossa alma. Ao atravessarmos a pequena ponte em arcos e cercada de bonsais, percebo que o perfume da vegetação verdinha toma conta de mim e me deixo levar pela emoção.
Elegantemente vestidos para a ocasião, fomos recebidos por uma jovenzinha – eu diria uma gueixa – que nos acomodou num ambiente aconchegante: meia luz, meia voz, música suave, gestos delicados, sintonia perfeita que o momento pedia.
Atmosfera perfumada. Toalhinha quente em um saquinho para a higiene das mãos. Viajo. Vejo-me levada por fortes samurais para uma aldeia cercada de colinas verdejantes onde, no tatame improvisado, tenho aula de artes marciais. A leveza dos gestos, o respeito ao adversário, as regras, a disciplina rígida dispensam o conhecimento do idioma.
Respiro fundo. Olho para meu amigo, que tem os olhos marejados. Emoção... A separação é inevitável e, por alguns segundos que parecem eternidade, ficamos sem palavras, só observando cada detalhe da mesa cuidadosamente preparada. Vaso enfeitado com flores e frutas combinando com as louças. Guirlandas envolvendo os copos, pétalas de rosas sobre a toalha vermelha e branca...
Meu devaneio é interrompido pela gentil garota que nos traz o cardápio. Aceito a sugestão do meu amigo. Não era o mais importante naquele momento. Para entrada, sushi e sashimi não são novidades para nós, acostumados no trato com hashis, wasabis e shoyu.
No antegozo da espera, vislumbro as mãos ágeis e delicadas no trato com os alimentos do sushiman, de rapi muito limpo e com a faixa envolvendo a cabeça. Tudo especial: os apetrechos de cozinha, o ritual na confecção de cada prato. A concentração no trabalho esconde, com certeza, a saudade da terra distante, os familiares nunca mais vistos, coração dividido numa mescla de sentimentos que o amor à nova pátria e a miscigenação favorecem. A aproximação da garota com jeito de gueixa me tira da cozinha. Vestida a caráter, quimono colorido em tons de vermelho e branco, cor preferida dos orientais, o gracioso coque preso com grandes grampos, uma bela aparição...
Como é um dia muito especial e com sabor de despedida, curto cada segundo. Percebo cada detalhe e não me escapa o olhar triste da garota que, com um sorriso contido, parece esconder um sentimento que teima em se mostrar. É um olhar distante... Será um amor não correspondido? Alguém cuja espera se faz longa demais? Talvez seja paranóia minha numa transferência de um sentimento que é só meu... Lentamente nos servimos, medindo cada gesto. Sentindo o aroma gostoso dos pratos cuidadosamente decorados.
Pouco nos falamos, não há necessidade. Degustamos os alimentos em silêncio, envolvidos pela atmosfera reinante. Como prato principal, peixe guarnecido com legumes coloridos. O sabor característico, a leveza dos alimentos, a morosidade no trato com os hashis favorecem a concentração e a harmonia que o ambiente e a ocasião propiciam. Sensações confusas. O tempo passa vagarosamente... Ou corre demais? Há um misto de alegria e saudade antecipadas.
O chá verde digestivo de frutas e flores completa a noite. Tudo perfeito, não fosse a lágrima que teima em se fazer presente, mesmo sem ser convidada.

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Aromas na lembrança - Adelaide Dalva Tivelli Garbuio

Posso, com carinho, relembrar as coisas que minha mãe fazia aos sábados. A coisa de que mais gostávamos, as roscas que, depois de assadas, eram pinceladas com um pouco de açúcar mascavo.
No almoço, gostávamos de pastéis. Aos domingos, mamãe fazia o macarrão com tomates picados. Era muito importante que todos estivessem à mesa. Meu pai sempre agradecia a comida e meus irmãos respeitosos, jamais sentavam-se para as refeições portando chapéus ou sem as camisas, pois a mesa era abençoada e todos tinham amor aos alimentos.
Não tínhamos refrigerantes, as refeições eram acompanhadas da boa água do poço, que ficava no quintal.
Lembro-me de minha mãe cantando: “... a água a cantar: chuá, chuá, o rio a correr, chue, chue...”. O meu irmão, Waldemar, tocava violão. Fomos uma família feliz. Meu pai se chamava Alfredo Tivelli e, minha mãe, Filomena Somaio.

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Canarícules - Marinalda Codo

Fechar os olhos... Como se precisasse, para lembrar algo tão agradável. A recordação corre solta pela minha mente e começo a me lembrar da história dos famosos canarícules que mamãe fazia.
Ainda criança, minha única preocupação era a de comê-los, apenas isso, sem me importar com o seu significado ou com o trabalho que dava para fazê-los.
E como era gostoso simplesmente comer, comer e comer, pois eram feitos em grande quantidade.
Com o passar do tempo, mamãe começou a convidar a sua irmã mais velha para vir em casa e ajudá-la no preparo dos canarícules. A titia vinha e as duas passavam a tarde toda a prepará-los e eu, é claro, só chegava na hora de comer, comer e comer.
O tempo passou mais um pouco, e mamãe foi para o céu, com suas mãozinhas de fada e com todos os seus conhecimentos. E agora? Comer, comer e comer o quê?
Veio, então, uma grande idéia; convidei a titia, já bem velhinha, algumas amigas e uma prima também, para que juntas pudéssemos fazer o tal canarícules.
Titia apenas nos orientava, sentadinha na ponta da mesa. Nós colocávamos a mão na massa. Desta vez, eu fui anotando passo a passo a minuciosa confecção dos famosos canarícules.
Tão grande foi a minha surpresa que, modéstia a parte, me sai muito bem e, assim, aprendi a herança da família com titia, que, com suas mãos hábeis, nos dizia qual era o ponto da massa, como fritar e colocar no mel, tudo num ambiente da mais pura alegria e descontração.
Foi quando passei a entender o verdadeiro significado que tinha fazer os canarícules. A união, o entrosamento, a alegria e a satisfação quando, ao dar um pouco para alguns poucos vizinhos, poder dizer: “fui eu quem fiz”... E não apenas comer, comer e comer.
O tempo foi passando e, por mais alguns anos – dois ou três – eu reunia essas pessoas em minha casa para fazermos os canarícules, sempre no mesmo ambiente alegre e divertido, no qual eu podia ver os olhinhos da titia brilharem de felicidade e, dessa forma, ela me passou a herança da família.
Hoje, já sem titia, ao fechar os olhos e me lembrar de todos aqueles momentos e colocar este relato no papel, eu me lembro sim, claramente, de tudo. Mas, o que ficou, o sabor que tem, eu só posso dizer que tem o sabor de uma grande saudade, com temperos de muita paz, alegria e agradecimento por ter tido a oportunidade de aprender com titia o que não aprendi com mamãe.
Agora, fazer novamente, reunir os amigos, a minha prima, mas sem a titia, confesso que ainda não tive coragem.

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Lembranças saborosas - Iandara Palmero

O que me faz lembrar de algum fato envolvendo comida e sabores, até hoje, é uma grande lembrança dos domingos de minha mocidade. É gosto, cheiro e sabor de macarronada! O molho feito com tomate e pedaços de carne, o frango assado e a maionese.
Lembro-me, também, dos dias de chuva, nos quais minha mãe fazia questão que tomássemos café da tarde com bolinho de chuva e muitas outras coisas que só minha mãe – que foi uma mãe amiga, companheira e confidente – é que me faz lembrar, com muito amor, carinho e saudade.
Mas é uma saudade gostosa, feliz, por ter tido esta oportunidade em minha vida.