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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.
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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Exercício Dilema Ético II

História de uma jovem química - Cleudinéia Zavarello

Marina, no ano em que se formou em química, ficou sabendo que uma grande indústria estava fazendo entrevista para contratação de novos funcionários. A indústria ficava a 180 Km da cidade em que morava desde que nascera.

Estava noiva de Paulo, que trabalhava como contador em uma pequena empresa. Planejavam o casamento para logo depois da formatura de Marina. Ele, assustado com a ideia da noiva ter de trabalhar em outra cidade, consegue não atrapalhar seus sonhos e, muito solícito, ofereceu-se para levá-la para fazer a entrevista.

Chegando à indústria, Paulo ficou impressionado com a estrutura da mesma. Observando tudo, viu um quadro de avisos que dizia: - Hoje entrevistas para Químicos e Contadores. Sem conseguir coordenar suas ideias , aproximou-se de Marina que estava no balcão preenchendo sua ficha. Quando a atendente, voltando-se para Paulo, perguntou : - Você também irá preencher a ficha para químico? Ele responde automaticamente que não, mas para contador.

Marina, sem entender, olhou para Paulo, que já foi apresentando seus documentos para preencher a ficha. E, assim, começou uma nova história destes dois jovens.

Foram contratados e após seis meses estavam casados. Felizes com o trabalho, se realizando como profissionais e satisfeitos com o salário que lhes proporcionava uma vida confortável.

Até que um dia, Marina notou o vazamento de um produto muito poluente e foi falar urgente com seu Diretor. Para decepção de Marina, ele lhe deu todas as explicações de que seria impossível conter tal vazamento, pois a indústria ficaria fechada por vários meses e o prejuízo seria fatal para falência da mesma.

Pediu a Marina que não comentasse sobre o ocorrido, nem mesmo com o marido, que ocupava um cargo importante no setor de contabilidade. Assim começou um dilema na vida de Marina, pois tinha noção que a contaminação deste vazamento seria muito prejudicial ao rio que ali passava.

Mesmo entendendo os muitos motivos que a indústria teria, não conseguia dormir tranquila. Pediu para marcar uma reunião com seus diretores e, mesmo sabendo que poderia por a indústria em risco, como também sua vida, pois sua família dependia do funcionamento desta indústria, disse em pauta registrada que não podia ficar alheia ao crime ambiental que estavam ocasionando.

Muitas vezes, tomarmos atitudes honestas significa perdermos. Será que seríamos capazes de uma atitude como a de Marina?

O grande dilema - Maria de Lourdes Santos Pinto

Esta é a história de um fato acontecido em minha vida. Da mulher que ajuda seu marido com seu ordenado no orçamento da casa, e dos seus três filhos, que, diariamente brincam no parque, onde há um riacho de águas despoluídas, onde nadam tranquilamente lindos patinhos.

Sou engenheira química, formada num conceituada Faculdade de Engenharia, localizzda no Município de São Bernardo do Campo. Trabalho em uma grande Fábrica de Produtos Químicos. Tive sorte, fiz entrevista e passei. Fui contratada com ótimo ordenado. Gosto muito do ambiente onde trabalho, meus colegas são gentis e educados.

Quase todos os empregados são eficientes e responsáveis, entretanto não ganham muito. Dois anos se passaram, eu estava satisfeita com meu trabalho e gostava da minha profissão.

Certo dia, estando em meu laboratório, fui informada por um dos meus funcionários que havia um vazamento de produto químico, deveras tóxico, num dos condutores. Fiquei preocupada e levei imediatamente ao conhecimento da Direção da Fábrica.

O Sr.Diretor tomou conhecimento e, passadas algumas horas chamou-me em sua sala; conversamos por alguns momentos, entretanto não fiquei satisfeita com resolução tomada.

O conserto da avaria seria feito, a despesa seria alta, por esta razão haveria um corte dos funcionários da minha secção. Não concordei, entretanto fiquei de dar uma resposta.

Eu me encontrava num dilema: ficaria na Fábrica e concordava com a resolução do Sr.Diretor, pensaria no meu ordenado, que ajudava no orçamento familiar, pensaria no prazer que meus filhos tinham em brincar no parque, num local de ar puro e sem poluição, ou deixaria meu cargo em solidariedade aos funcionários demitidos?

O lucro mensal da Fábrica era imenso, não haveria razão para dispensa dos empregados. Fiquei revoltada.

Complementando esta estória transcrevo dois pensamentos de Gandhi.

“Não há nenhum defeito naquele que procura a verdade, baseada em suas próprias luzes, é mesmo um dever de cada um de nós.”

“A verdade deve manifestar-se em nossos pensamentos, em nossas palavras, em nossas ações.”

Finalizando, caro leitor, deixo a solução deste dilema a seu critério.


Grande Golpe e Bela Decepção - Marizilda Sartori

Nascida em cidade pequena e do interior, família pobre, pais honestos e batalhadores, consegui com muita garra ingressar em uma faculdade pública no curso de engenharia agronômica.

Estando já para concluir o curso, no ano de 1968, os alunos tiveram uma grande surpresa: a direção da faculdade recebeu visita de alguns empresários, que, em parceria com a prefeitura local, estavam interessados em selecionar alunos e lhes dar oportunidade – um projeto relativo ao plantio de hortas, com o objetivo de abastecer escolas e creches do município.

A notícia surgiu como um estopim e a expectativa por parte da população era tamanha que por todos os cantos da cidade só se falava desse assunto.

Apareceram apenas três alunos interessados, dentre eles, eu. Agarramos essa oportunidade e o planejamento foi dando cada dia mais certo. Terra boa, mudas de procedência, esmero dos funcionários contribuíram para o êxito do empreendimento.

As hortaliças, tubérculos, etc., estavam cada dia mais produzindo e sendo distribuídos com fartura. Nosso entusiasmo era cada vez maior, e eu era quem mais vibrava pelo sucesso. Porém, uma notícia trazida por um dos funcionários responsáveis pela captação, armazenamento e distribuição da água para a “rega” caiu como bomba sobre nossas cabeças.

Confidenciou-nos ter notado que havia vazamento de um líquido de coloração estranha na base do reservatório de água. Procuramos verificar a veracidade da informação e, após várias tentativas, eu era desestimulada pelos meus dois amigos.

Muito preocupada, consegui sozinha colher material, mandar para análise, sendo surpreendida pelo resultado: grande concentração de produtos químicos, que pouco a pouco, causaria distúrbios nos consumidores.

A pior notícia é que com toda minha ingenuidade e até então inexperiência, não havia percebido que por trás desse grande golpe estavam meus dois amigos: um deles, sobrinho de um dos empresários e o outro, parente do Secretário de Abastecimento da Prefeitura, os quais estavam dando cobertura para essa sujeirada toda – experimentos de nova marca de fertilizantes, que, com toda certeza prejudicariam a saúde, principalmente de crianças inocentes.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Árvore das palavras - III

Amor - Adelaide Dalva T. Garbuio

A palavra mais linda que vivemos é o amor, que acontece dentro de nós e está em tudo o que vivemos.

O amor é palavra que ressoa dentro de nós por toda a vida. Saí da casa de meus pais e fui viver com meu marido. Fui muito feliz, porque através de nossa caminhada juntos, com muito amor, formamos uma bela família. O nascimento dos nossos filhos foram as dádivas que Deus nos deu, o primeiro Cláudio Renato, depois a Claudete, Claudinéia e Claudia Regina.

A nossa caminhada foi grande, mas hoje estamos felizes. Por isso, mais uma vez, posso dizer que a nossa grande felicidade é sempre estar recordando o que recebemos na nossa vida, digo, filhas e filho e depois os netos, que são a alegria de nossas vidas.

O que escrevi é real, formamos uma família, com dignidade. Passamos para todos que compartilham junto a nós esta vivência, para que sejam felizes como nós fomos e somos.

A grande graça é caminharmos com Deus e Maria que vivem dentro de nós, isso é Amor!

À professora Sandra, nossa mestra querida!


Perdão - Rosemarie B. G. Bobbo

Desculpar é humano. Perdoar é divino !

Na Bíblia Sagrada existe a palavra PERDOAR e PERDÃO, 79 vezes, vemos só por ai, o quão importante ela é.

No salmo 25 versículos 11 e 18, que foi escrito pelo 2. Rei de Israel, Davi, que viveu mil anos antes de Jesus Cristo, se lê:

Por causa do teu nome, SENHOR, perdoa a minha iniqüidade que é grande.

Considera as aminha aflições e o meu sofrimento e perdoa todos os meus

Pecados!”

No salmo 32, também de Davi, lemos:

Bem aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada e cujo pecado é encoberto”

E o salmo 78 nos diz:

“Ele porém, que é misericordioso, perdoa a iniqüidade e não destroe; antes

desvia a sua ira e não dá largas á sua indignação.”

E no salmo 103, Davi nos diz ainda:

“Ele é que perdoa todas as tuas iniqüidades e que sara todas as tuas enfermidades.”

E em Mateus 6, lereis:

“Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celeste vos perdoará”.

“Se porém, não perdoardes aos homens (as suas ofensas contra vós) tampouco vosso Pai Celeste vos perdoará as vossas.”

Em I João se lê:

Se confessarmos os nossos pecados, ELE é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.”

E, em Mateus, capítulo 12, lemos algo de suma importância:

“Por isso vos digo. Todo o pecado é blasfêmia. Serão perdoados aos homens (se realmente se arrependerem e pedirem perdão á Jesus Cristo, Filho de Deus, o qual por nós morreu na cruz) mas... a blasfêmia contra o Espírito Santo, jamais será perdoada”.

As palavras ESPÍRITO SANTO, estão na Bíblia Sagrada 170 vezes:

Com o Ser Humano acontece o seguinte:

A pessoa que não é realmente cristã, tem somente uma natureza: a Adâmica, quando vem a tentação ele cai nela e lhe obedece direitinho.

O cristão convertido á Deus e á seu Filho Jesus Cristo, tem duas naturezas, a Adâmica que permance e a Cristã.

Portanto, ele tem a opção de não obedecer quando as tentações aparecerem.. Ele não cai mais??? Cai sim, mas só as vezes e então corre para Cristo e arrependido, pede perdão.

Deus não é DITADOR ...obedecer-lhe ou não, é opção nossa. Só que. Quando realmente CREMOS ... o Espírito Santo nos alerta ... CUIDADO ...


Sorriso - Contribuição de Maria Inês Dominiquini

Um sorriso não custa nada e produz muito. Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.

Ninguém é tão rico que não precise dele e ninguém é tão pobre, que não possa oferecer um sorriso. Dá repouso ao cansaço e ao desanimado, renova a coragem e é consolação na tristeza.

Ninguém necessita mais de um sorriso do que aquele que não sabe sorrir.


Respeito - Cleudnéia Zavarello

Respeito é uma atitude que procuro praticar todos os dias. Acho o respeito muito importante, tanto para praticarmos com todas as pessoas e em tudo que usamos, como que tenham com a gente e com nossas coisas.

É muito deselegante quando não respeitam as pessoas, animais, praças, telefone público, ruas, escolas. Na família, acho o respeito mais forte que o amor, pois na minha opinião, o amor não mantém uma relação e o respeito sim.

Se o ser humano respeitasse mais um ao outro, não teríamos necessidade de tantas leis. Tudo na vida tem que ser trabalhado em nós. A luta é a mesma para se respeitar ou ser respeitado; esta relação é necessária para vivermos felizes e em paz.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A rosa de Paracelso II

A rosa da palavra - Alice Ferreira


O que não gostaria de perder no tempo é a palavra, em toda sua essência, significado e poder de reflexão.
Se a perdermos, não haverá histórias: de vida, de humanidade e de consciência.
Lembro com saudades das palavras de estímulo e garra na fala de meu pai: "estude, aprenda o que mais puder. Esta vai ser a maior herança que posso te dar, a qual ninguém poderá tirar de você.”


A rosa da partilha - Iandara Palmero

Eu com sete anos de idade, meu irmão com cinco. Hora do almoço e minha jovem mãe com apenas 23 anos, fritando os bifes(apenas quatro) na frigideira de ferro. Fritava também as rodelas de cebola, do modo que apenas ela sabia fazer. Terminada a fritura e servidos os bifes, eu e meu irmão entrávamos numa competição pela gordurinha da frigideira. Mas, sempre chegávamos num acordo pelo direito de passar o pão na gordurinha da frigideira. Um gesto simples, que só as crianças sabem valorizar. No entanto, decorrido tanto tempo ainda me lembro com carinho minha infância modesta (bem modesta), enriquecida pela ternura materna e pela autordade paterna exercida com moderação e equilíbrio.


A rosa da expressão - Marinalda Codo Rossetti

Devo confessar que cheguei em casa bastante frustrada da nossa ultima aula. Como trabalho para Oficina de Literatura eu deveria ter escrito sobre a Rosa de Paracelso, mas não fiz porque nada me ocorreu; nada, não, mas tantas coisas que não consegui me concentrar em nada específico.
Falar da Fé, da música da sinceridade, dos livros, da palavra, das coisas simples, dos elos do voluntariado, dos valores e hábitos cristãos, do que nada é por acaso e da convivência humana, que foram muito bem explorados.

Tive a idéia de escrever sobre como chegamos até aqui. Como foi encontrar uma pessoa tão maravilhosa, com tamanha garra, amor e conhecimento sobre literatura e tão carismática a ponto de faze com que soltemos de o melhor , aos poucos, devagar e em grande estilo, revelando em nós o que jamais imaginamos ser possível.
Como nos transportamos para o Paraíso em 50 minutos dessa aula e o que captamos sobre a literatura e conseguimos nos expressar se deve ao fato da maneira como nos é pedido, ou seja, da forma clara, simples e transparente com que chega até nós e junto com a sincronia que existe na classe fica muito fácil de captar.

Como a união dessa classe com a professora se tornou uma simbiose de prazer e realização e como nos entregamos a este prazer. Devemos brindar, comemorar essa simbiose.
Devemos celebrar estes 50 minutos tão rápidos, mas tão intensos. Devemos celebrar a vida que nos deu essa oportunidade. Devemos escrever, sim, e muito, não só para nós mesmos, mas porque não? Para a eternidade!
Assim, posso dizer que tivemos muito mais sorte do que Paracelso, porque além de termos uma grande incentivadora, nós transmitimos o que queremos, e o que é melhor, muito melhor nós nos realizamos com isso.




Minha lembrança de infância - Maria Inês Dominiquini


Essa é uma história ou lembrança, que gostaria que nunca fosse esquecida.
Lembro-me que, ainda criança, todas as tardes, na cidade do interior onde morava, eu
gostava de ir espiar o realejo que na praça ia tocar.
O homem amigo sentava-se no banquinho e esperava alegre pelo seu amigo
macaquinho.
O macaco treinado para não poder errar.
Quando dentro da caixinha a moeda foi jogada.
Quando a música tocava , o macaquinho ensinava pra criançada , a dança do samba e baião.
Muita gente ficava sentada e conversando.
Enquanto o realejo espalhava suas canções pelo ar.
Por isso, eu gostaria que todas as pessoas, tivessem as tardinhas para apreciar, na
pracinha, perto de casa, o realejo que ali fosse tocar.


Minha descoberta pessoal - Letícia Delbel Brunelli


Na semana passada, voltando para casa, fui pensando como eu iria responder a pergunta da tarefa pedida.
Logo me passou pela cabeça uma descoberta que fiz ultimamente: “ Nada é por acaso”.
Chegando em casa, ao guardar meu material na escrivaninha, deparei com uma velha caderneta de anotações.
Senti vontade de abri-la e achei um pedaço de papel amarelado, escrito por mim, mas que nem me lembrava mais.
Nele havia frases que falavam de Deus, sofrimento e oração.
Na primeira frase estava escrito: “Nada vem por acaso, tudo provém da vontade de Deus. Preste atenção nos pequenos acontecimentos e considere-os como saudações de Deus”.
Então, assim confirmado, por acaso, escrevi minha resposta:
Ao longo do meu caminho, fui observando fatos surpreendentes, mas que por ocorrerem perante nossos olhos tantas vezes, nós nem prestamos atenção : a suavidade da chuva, a beleza das flores, o canto dos pássaros, a melancolia do entardecer, a magia da noite...
Dia após dia, essas sensações vão se tornando corriqueiras e normais.
Mas, também existem coisas que acontecem, às vezes, e nem prestamos atenção, pois
nos parecem meras coincidências : achar uma concha perfeita na areia, ver um beija-flor pairar no ar na frente de uma flor, receber uma flor inesperada, encontrar uma frase num livro que nos emociona, achar uma pessoa amiga por “acaso”...
Então, de um tempo para cá, fui começando a notar que coisas casuais apareceram em minha vida, como que “por acaso”.Quanto mais atenta eu ficava, mais eu percebia essas ocorrências, que provavam que esses “acasos” estavam me levando novos rumo e nova descobertas.

Hoje, eu gostaria de compartilhar com meus filhos e meus amigos esta crença maravilhosa, de que Deus sussurra silenciosamente para nós e que devemos estar atentos, com nossas mentes e nossos corações para ouvir e sentir nessas pequenas coincidências, o Sopro Divino e nos emocionarmos ao saber o quanto somos amados por Ele.

Herança de família - Silvia Galvani


Ainda há poucos dias, conversávamos, duas amigas e eu, quando uma delas confessou ter medo de morrer, pois sentia deixar os seus.; queria ver seus netos crescerem, casarem, enfim, tinha muito a fazer ainda. Lembrei de uma frase que li sobre Ravel, que ao perceber que seu fim estava próximo, lamentou : “Mas, há tantas músicas esperando ser escritas!” Isso não é medo, é saudade da vida, pois a vida é bela.
Passei a refletir sobre o assunto. É uma idéia da qual não se pode fugir, quando se dá conta de que os anos restantes são muito menos que os já vividos. E, o que deixar para os que continuarão a viver depois de nós? Não penso nas coisas que fui ajuntando durante a vida, mas nas coisas de que tanto gosto e que me dão prazer: minhas poucas orquídeas, com a recomendação de que não as deixassem de molhar ou as inúmeras receitas trocadas com colegas, ou através de cursos de culinária e algumas até gravadas, tempos atrás.
Acho que para eles não tem importância alguma, só darão mais trabalho. Estão ai, bem ao alcance das mãos, é só quererem e poderão fazer uso delas.
O que realmente desejo que fique, são os valores e hábitos cristãos que recebi de meus pais, tanto por meio de palavras, como de exemplos.
Antes, porém, preciso fazer algumas perguntas: Será que amei o meu próximo como a mim mesma? Tratei as pessoas como queria ser tratada? Pratiquei a justiça, amei a misericórdia e andei humildemente com Deus?

Que rosa ficará? Cleudnéia Zavarello

Quando fiquei pensando em alguma coisa para escrever, me vierama à mente as qualidades que eu trazia nas minhas lembranças, das avós, mãe, madrinha, tias e amigos; que, talvez, no momento em que estávamos juntos, não me eram tão marcantes. Hoje penso: deveria ter aprendido mais com elas a fazer aquele pão, aquele crochê e outras mil coisas.
Muitas vezes na minha vida, quando estou fazendo algo, mesmo no cotidiano, vejo um jeitinho de Vó Maria, Vó Adelina, mãe Cida, madrinha Júlia, , das tias e amigas .
Então chego à conclusão que carregamos alguma coisa de todas as pessoas que passaram nas nossas vidas.
E, com certeza, a mesma coisa vai acontecer com meus filhos, netos, sobrinhos, afilhados e amigos.
Alguma coisa da Néia vai ficar. Gostaria que fosse o Amor e respeito pelas pessoas.

Transmitir, sempre; esquecer, nunca. Preservar. Rosemarie B.G. Bobbo


Desde 1500, em minha família, a fé em Deus, seu filho Jesus Cristo e no dom inefável do Espírito Santo, sempre foram, serão e espero que nunca deixem de ser o MAIS IMPORTANTE E SEMPRE TRANSMITIDO DE PAI PARA FILHO...
Depois que dissermos: “SENHOR, dispõe de mim, não quero mais ser eu que mando em minha vida, mas sim TU!” Nossa vida torna-se uma maravilhosa aventura... Notando-se que Deus não se esquece de nos dirigir, nem um instante sequer e que não existem mais coincidências.
Não nos transformamos em Santos , mas, como Jesus morreu por nós na cruz, Ele nos perdoa e como aprendi na escola dominical, quando eu era criança, Jesus joga nossos pecados no mar e coloca uma placa muito bem afixada, com os dizeres: “É PROIBIDO PESCAR.”

‘Um conselho de uma mulher de 76 anos”
Não durma a noite sem ter lido um trecho da Bíblia Sagrada...Se não estás acostumada, comece por João, depois Atos e vá até Apocalipse, um capítulo a cada dia, pedindo antes sempre a unção do Espírito Santo. Depois, leia a Bíblia toda, começando por Gênesis... devagar e pensando no assunto. Leia com seu marido ... filhos... netos... a qualquer hora e ore.... converse com Deus, como se Ele estivesse sentado ao seu lado, sempre em nome de Jesus e sobretudo AGRADECENDO E LOUVANDO SUA SUPREMA SANTIDADE, pois Ele não é nosso servidor, para somente atender pedidos
e jamais TE CONCEDERÁ UM PEDIDO QUE TE POSSA AFASTAR DELE , POIS
NOSSA SALVAÇÃO É MAIS IMPORTANTE PARA ELE, DO QUE NOSSOS BENS, SAÚDE, etc... ELE NOS AMA PROFUNDAMENTE E ELE É O ÚNICO DEUS QUE EXISTE...
A BÍBLIA diz: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus que já foi homem” l. Timóteo 2:5.
“Mas a todos, quantos o receberem, deu-lhes o poder e serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em seu nome”. João 1:12.
Todos nós nascemos criaturas de Deus e somente nos transformamos em Filhos, quando não somente nos convencemos, mas nos convertemos, entregando nossa vida á Jesus.
Jesus não fundou nenhuma religião, Ele fundou a FÉ NO PAI, NO FILHO E NO ESPÍRITO SANTO ... E é esta, que tanto Católicos como Evangélicos tem: A palavra
DEUS está inserida 289 vezes na Bíblia Sagrada!


ESQUECER NUNCA, QUE TEMOS MUITAS RELÍQUIAS, SIMPLES, MAS QUE NOS LEMBRAM NOSSOS QUERIDOS ANTEPASSADOS ...
Meu marido tem um violino, guardado com carinho, que foi produzido por meu sogro.
Não é um Stradivarius, porém, tem um som maravilhoso. Nosso faqueiro tem uns 200 anos, o qual usamos somente no Natal. Temos também duas panelas que tem cerca de 300 anos, uma é de ágata e está perfeita. Tenho ainda um BIDERMEIERARBAND, uma pulseira que meu Tataravô trouxe do Egito para sua filha e desde então, fica sempre com a mais jovem das Grassmann, como, por meus últimos antepassados terem sido somente homens, sou a última mulher com esse sobrenome, logicamente de nossa ramificação. Assim, essa pulseira, que inclusive está no dicionário, ficou para mim ...

É composta de ouro antiguíssimo e 135 granadas, uma espécie de rubi... Seu valor é mais pela antiguidade, do que comercial ...
E, PRESERVAR PRECISAMOS, ENTÃO: NOSSA FÉ EM CRISTO, DAR VALOR E HONRA AOS QUE NOS ANTECEDERAM E QUE NOS DERAM TANTOS CONSELHOS ÚTEIS E AS PEÇAS OU OBJETOS QUE NOS FAZEM LEMBRAR ÉPOCAS EM QUE AINDA NÃO VIVÍAMOS ...



terça-feira, 8 de setembro de 2009

Desconstrução do senso comum I

Ser é perceber, defendia o filósofo naturalista Berkeley. Gosto de pensar que ESCREVER também é PERCEBER. Pois quando escrevemos sobre algo, nos detemos para conhecer melhor o objeto de nossa escritura e, nesse processo, nos conhecemos melhor. Percipere, do latim, significa apoderar-se de algo, conhecer profundamente. Essa ação envolve o sujeito que percebe e o objeto percebido (tomando o mundo como objeto, os sentimentos, os conceitos etc). A proposta do exercício é que olhemos o número 8 e re-elaboremos o seu conceito, o que o número oito evoca para cada um de nós? No contexto do exercício, vamos lembrar da aula sobre criatividade: é importante romper com o pensamento linear, com as respostas prontas e com o lugar comum. É importante lembrar, também, da frase do cineasta Ingmar Bergman: “Meu processo de criação funciona da seguinte forma: eu tomo todas as minhas decisões baseado na intuição, ou seja, eu jogo um dardo na escuridão – isso é intuição. Depois eu mando um exército para recuperá-lo – isso é intelecto.”



A resposta dos oficineiros a esse exercício foi surpreendente, pois ninguém escreveu sobre um tema repetido, provando que há muitas interpretações, muitos sentidos a serem descobertos nas coisas mais simples.






8 - Lícia Mônaco Perin




Linhas perfeitas! O algarismo oito é a junção de dois anéis que se tocam em um único ponto. Voltado para o céu, prenuncia seu propósito de busca ao espaço sideral: 8,8,8,8...
Quando invertemos sua posição, e o colocamos deitado, transmuda-se num símbolo pleno de liberdade: varando o tempo, cortando o espaço, numa disposição louca de tudo vencer, sem nada ser...
8 segundos, 8 minutos, 8 horas, 8 dias, 8 meses, 8 anos...Ah! A infinitude marcada e gravada na verticalidade do horizontal!
Tudo que o homem quer e busca desde que começou a pensar vem inserido nesse algarismo tão simples e tão cheio de segredos não alcançados...









O significado do oito – Antonio Moreira

Vários são os significados do número oito, sendo um dos mais conhecidos o oito em posição horizontal, que é igual ao infinito. Trata-se de número bonito, segundo minha ótica pessoal.
À luz de meu modesto entendimento, passarei a enumerar alguns significados do número oito.
Do latim: octo = 7 + 1
Oitavo: algarismo que exprime o número oito. Cada carta do baralho marcada com oito pontos. Pessoa ou objeto que, numa série, ocupa o oitavo lugar.
Fazer oitos: estar embriagado.
Ou oito ou oitenta: tudo ou nada.
Oito com patrão: barco a remo com oito remadores e um timoneiro.
Oitavas de final: Eliminatória de uma competição, com o fim de classificar oito competidores.
O oito, além de ser um nome bonito, dá origem a outros nomes e expressões, como oitava rima – estrofe de oito versos decassílabos, em que os seis primeiros rimam alternadamente e os dois últimos rimam paralelamente. Os Lusíadas, por exemplo, são versos compostos em oitavas rimas.
Oitavo número, do latim, octavus – ordinal e fracionário, correspondente a oito, Oitava parte de um todo.
Oitenta = cardinal = oito dezenas.
Os cantores nordestinos usavam a oitava como padrão em suas cantigas repentistas.
O oito pode ser representado em infinitas operações financeiras. É um número muito rcvio, de tal forma que pode ser objeto das quatro operações matemáticas.
Se cortamos o meio do oito, teremos o zero.




Eu traço o número oito com dois círculos, que, se divididos ao meio, será apenas um círculo. Círculo me lembra o SOL, que ilumina o dia. Também a lua, que ilumina a noite.
E, que beleza! Me lembra brincadeira de criança: a bola!
No campo das ciências exatas, metade do oito será quatro.

4 - Se olharmos de baixo para cima, parece uma cadeira. Cadeira que me recorda reuniões familiares, trabalho, mobília decorativa, lazer - cadeira de praia, cadeiras no teatro, no cinema...

Trajetórias – Adelaide Dalva Tivelli Garbuio


O oito significa o trajeto de nossa vida. Inicia-se com o nosso nascimento, o nosso crescimento até formarmos uma família.
Então, chegamos ao auge de nossa vivência, com os filhos que, muitas vezes, também já formaram suas famílias, e, nesse momento, a alegria de nossas vidas são os netos.
Ao iniciarmos a segunda metade do oito, o nosso corpo talvez apresente algumas dores, mas o nosso entendimento do que é a vida e a sabedoria para compreendermos os nossos semelhantes é muito maior.
Cada dia compreendemos e aceitamos melhor o caminho escolhido por cada ser humano,e aprendemos a cultivar os verdadeiros valores da vida, reconhecendo que existe um SER superior, que nos guia e nos ilumina.

Um número Forte – Cleudnéia Ap. Gaspar Zavarello

O oito é um número forte e gostoso de grafar. No mês oito nasceu meu pai (31/08/1924); na metade do oito, mês quatro, nasceu a cara metade de meu pai, minha mãe (09/04/1927). Eles ficaram juntos de 1947 a 2007.
Em 1948 eu nasci (03/03/1948) e, no dia 12 (8+4) de abril de 1992 nasceram meus primeiro netos gêmeos, dois meninos que, graças a Deus, já têm 17 (7+1 =8) anos.

Escrevendo sobre o número oito e sua metade, quatro, me dei conta de que muitas vezes estiveram presentes em minha história.

Metade do oito – Lourdes Laurenti Carvalho

Se o que eu observo nessa folha representa o numeral 8, isto é uma quantidade, então, a metade corresponde, logicamente, 4. Mas, nada indica que esse desenho parecido com o número 8 seja realmente o numeral 8.
Pode ser o que eu imaginar; por exemplo, duas argolas cuja metade seria uma argola, ou qualquer outra coisa.
Ouvi dizer que o oito representa o infinito, mas não tenho como conferir, pois nada sei sobre isso. Mas esse diálogo que peguei no ar, aqui mesmo, nessa sala de aula, me deixou confusa, e a coisa se complicou ao infinito. Por quê?
O que é o infinito? Não consigo imaginar o infinito, uma coisa sem começo nem fim. Li, outro dia, o artigo de um cientista, desses que estudam o universo, afirmando que o mesmo está em expansão. Expansão? Mas para onde?
Então, fico pensando em tudo: nosso universo, nossa galáxia, nossa lua, etsrelas, nosso planeta, nossos países, nossas cidades... E nós com os nossos problemas(zinhos). Daí, vem novamente o infinito e esse oito desenhado na folha... Ai! Vou ficar maluca...


sábado, 28 de março de 2009

Histórias dos nomes



Exercício: História do seu nome


Quando nós falamos nos nomes de Goethe, Platão, Picasso, todos se lembraram, pois existe uma memória coletiva, semântica, que permeia o nosso conhecimento sobre esses nomes e as histórias que eles carregam. A proposta do nosso 1º. Exercício da oficina 2009 é que vocês escrevam algumas linhas sobre a história dos seus nomes. Seja verdadeira, seja inventada, seja uma situação vivida e que guarde relação com o nome. Você gostava do seu nome? Você teve apelidos? Escreva sobre isso.




Produção dos alunos - 1a. parte




Porque me chamo Marilisa – Marilisa

Nasci em uma família de Elisas e, para homenageá-las, esse foi o nome inicialmente escolhido, ainda mais por se tratar da primeira filha e neta.
Porém, meu avô, cuja mãe e esposa precocemente falecidas, se chamavam Elisa, pediu para que fosse escolhido outro nome – esse não era auspicioso.
Assim, fui registrada como Marilisa e tudo ficou resolvido... Até a hora do batismo, quando o padre alegou não haver santa com esse nome. Então, fui batizada Maria Elisa.
Não deu para escapar do nome, mas da sina, talvez, porque cá estou eu com meus setenta anos!




Adelaide Dalva é o meu nome – Adelaide Dalva Tivelli Garbuio

Hoje é dia 25 de março de 2009 e vou relembrar minha vida quando criança. Nasci em Analândia, estado de São Paulo. Meus pais eram de família italiana. Meu pai se chamava Alfredo Tivelli e minha mãe Filomena Somaio Tivelli.
Morávamos numa chácara onde viviam os meus avós. Éramos 10 irmãos: 4 homens e seis mulheres. Benedito, Valdemar, Deoclides, Antonio, Marietta, Celeste, Antonietta, Helena e Ordália.
Foi o meu pai que nos registrou e escolheu os nossos nomes. Ele me chamou pelo nome de Adelaide Dalva, porque achava muito bonito.
Éramos uma família bem grande e contávamos com o carinho de minha mãe, que fazia tudo por nós. Acordava cedo e ia tirar o leite da vaquinha e, quando acordávamos, já estava tudo pronto, inclusive o pão, feito por ela também.
Minha mãe lavava toda a roupa e passava com o ferro de brasa, e todos iam para a escola arrumadinhos.
Não sei se pude passar um pouco de minha vida e de minha vivência. Hoje, tenho prazer de vir à escola da terceira idade, e ter a grata felicidade de perceber que todos nós caminhamos na vida e, atualmente, podemos compartilhar nossas histórias uns com os outros.
Não sabemos tanto, mas vivemos uma vida digna; e ainda estamos em busca de algo que a escola da terceira idade nos proporciona, para continuarmos a viver dignamente, com amor. Junto às pessoas, relembramos um pouco do que vivemos em nossos dias. Agradecemos a Deus que nos dá a capacidade de encontrar pessoas que nos acolhem com carinho, os colegas da faculdade, pessoas queridas que alegram o nosso dia a dia.

História de meu próprio nome – Antonia Helena Dragunas

Já pensei muitas vezes: por que tenho este nome?
Hoje, considero um nome forte não muito comum. Tenho setenta anos e, há pouco tempo, descobri que a atriz Cristiana Oliveira tem uma filha com o mesmo nome.
Fui registrada como Antonia Helena Mattos, mas depois de casa, tirei o Mattos e coloquei o sobrenome do meu marido – Dragunas.
Nunca pensei que um dia pudesse escrever sobre esse assunto. Está sendo muito interessante, pois só assim descobri o meu verdadeiro nome.
Agora, vou enumerar todos os apelidos que tenho: Vó Lena, Leninha, Lelenoca, Lê, Lelena, e etc.
Estou muito feliz por ter a oportunidade de escrever sobre o meu nome, pois só assim falei da benção que meus pais carinhosamente deixaram. Obrigada, mamãe! Obrigada, papai!


Escrever sobre o meu nome – Cleudinéia Ap. Gaspar Zavarello

Escrever sobre o meu nome me fez pensar que fiquei tantos anos com meus pais e não me recordo de perguntar a eles o porquê de me darem esse nome. Hoje, com saudade, não tenho mais como saber.
Mas, tem algo sobre o meu nome e também o nome do meu irmão que vou contar.
Meus pais contavam muito do meu nome, ficavam bravos quando as pessoas me chamavam pelo apelido – Néia. Quando eu tinha cinco anos, nasceu meu irmão e eles não colocaram o nome Cleudinei, para evitar que o apelidassem - Nei.
Eles o chamaram Cleudicir, achando impossível que fossem apelidá-lo de Cir. Mas... Foi justamente o que aconteceu, ficou sendo Cir.
Esse fato era motivo de tristeza para os meus pais, pois eles gostavam muito dos nomes que deram aos filhos: Cleudinéia e Cleudicir.
Sempre gostei do meu nome e também do apelido. Ao contrário do meu irmão, que, sempre que tem a oportunidade de dizer seu nome entre amigos, usa o sobrenome – Gaspar, nunca usa o Cleudicir ou Cir.



Meu nome – Aurora Ferreira Rodrigues

Setembro chegou e, com ele, a tão esperada primavera, trazendo consigo as flores para enfeitarem nossos vasos e jardins.
Meus pais esperavam o meu nascimento, trocando idéias sobre o meu nome.
As 03h30minh da manhã, eu cheguei. O raiar do dia recebe o nome de aurora, e eu recebi esse nome – Aurora, com todo carinho.
Quando papai estava em casa e eu acordava, ele dizia para a mamãe: - Rosa, o dia está raiando! E iam me buscar, contentes.
Não conheço nenhuma escritora importante com o meu nome, mas o admiro até hoje.


Porque meu nome é Silvia – Silvia Ap. Cristofoletti Galvani

À noite, quando o sono não chega, me entretenho em reconstruir de memória a antiga casa onde morávamos. Entro em cada cômodo. Na cozinha espaçosa, sentadas ao redor da mesa grande, estão minhas primas e eu, ouvindo as histórias contadas pela Madrinha – era assim que nossa avó gostava de ser chamada.
Para surpresa nossa, nesse dia vovó conta, entre lágrimas, uma passagem bem triste de usa vida. Aos vinte e sete anos de idade, e esperando o novo filho, ficou viúva.
Ficou com as três meninas e o Nenê, pois os demais meninos foram criados, até a idade adulta, pelos tios. Como não tinha renda nenhuma, foi trabalhar para uma tradicional família, aqui da cidade.
Ali permaneceu até que Dona Sílvya, a filha mais velha, casando-se, levou-a consigo para São Paulo. Durante muitos anos cozinhou e lavou roupas para esta bondosa senhora, por quem vovó tinha verdadeira admiração.
Nesse dia, descobri por que meu nome é Silvia. Não só o nome, mas gostaria, também, de ter herdado as características dessas duas mulheres: fibra, paixão pela vida e vontade de assumir tudo o que contribua para a felicidade e bem-estar de todos.
Pesquisando sobre a origem do nome Sílvya ou Silvia, descobri que vêm do Latim e que significa “mulher da Selva, da floresta”. É, ainda, marca da prosperidade e revela as demais características acima citadas.


Porque me chamo Antônio – Antônio Moreira

A grande quantidade de Antônios existente no Brasil se deve, basicamente, à simpatia e à sonoridade do nome propriamente dito.
Tão evidente é sua aceitação que é comum em quase todas as famílias despontarem Antônios, muitos de renome, outros, talvez a maioria, como eu, são pessoas simples.
Em minha família, lado paterno, harmonioso, silencioso, pacífico e religioso, os Antônios surgem a todo instante. No eu caso, vem do meu tio Antônio Alves Moreira, fato que muito me honra, pela figura humana maravilhosa que ele foi.
É provável que, pelo sentimento de religiosidade que dominava meus avós, Emília e Faustino, ela um tanto espanhola, ele meio português, os Antônios tenham origem no santo.
O acolhimento desse nome é tão caloroso que, além dos Antônios ilustres de que falei, vários municípios são detentores de tal apelido, além da “Lagoa Antônio”, que fica às margens do Rio Madeira. Vejamos alguns municípios: Antônio Almeida (Piauí); Antônio Cardoso (rio de Janeiro); Antônio Carlos (minas Gerais e Santa Catarina); Antônio Gonçalves (Bahia); Antônio João (Mato Grosso do Sul); Antônio Martins (Rio Grande do Norte). E porque não lembrar, também, do aeroporto Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro?
Nos últimos anos não tem surgido Antônios na família, que anda carente de Antônio. Por esse motivo, minha neta mais nova chama-se Antônia.
Concluindo, eu afirmo o que acho óbvio: meu nome não é o mais bonito do universo, mas me sinto muito bem com ele.


Meu nome – Lícia Monaco Perin

Em 1927, aportava em Rio Claro uma jovem, Lícia Capri Pignatari, que, vinda da Itália, conhecera em São Paulo aquele com quem se casaria e seria o amor de sua vida – Fortunato Pignataro. Ele, de tradicional família de italianos, radicados em nossa cidade.
Professora, socióloga, inteligência ímpar, essa bela mulher, protótipo da ‘matrona’ italiana, iria fazer parte da história de Rio Claro. Para mim, sobretudo, ela teve um significado especial: recebi dela a herança de seu nome – Lícia.
Chegando a Rio Claro, D. Lícia foi logo apresentada às famílias italianas que faziam parte do círculo de amizades de seu jovem esposo. Assim, eles frequentavam com constância a casa dos meus avós maternos (os Giorgi) e paternos (os Monaco).
Fui a primeira filha do casal Ondina Giorgi e Francisco Monaco. Minha mãe se casou muito jovem, aos dezoito anos e, aos vinte, eu nascia. Meu pai tinha vinte e oito anos ao se casar e, viúvo, tinha dois filhos, meus irmãos Célia e Francisco Octávio. Quando eu estava para nascer, em abril de 1930, como era costume na época, minha mãe foi para a casa de sua mãe, a nona Rosa, e lá se deu o parto.
Família grande, a de minha mãe, logo começaram as sugestões para o nome do novo bebê. Sem muita liberdade com meu pai, pelas circunstâncias de um casamento imposto pelas duas famílias, minha mãe ainda não se sentia à vontade com o marido. Após alguns dias de meu nascimento, minha mãe indagou de meu pai se não era hora de registrar a criança. Foi quando meu pai respondeu-lhe: - Já a registrei. Estava havendo muitos palpites... Só então meu pai disse o meu nome – Lícia. Meu pai foi sempre um homem determinado, educado e grande admirador da arte e cultura.
Tive a alegria de conviver por muitos anos com D. Lícia. Ela e seu marido foram padrinhos de casamento de minha mãe. Encontrava-a constantemente na casa dos Monaco. Menina, ainda, achava interessante que ela tivesse o meu nome (e não percebia que era o contrário). Sua conversa era sempre elevada e proveitosa. Ao mesmo tempo em que lecionava muitas disciplinas, em inúmeras escolas, aprimorava os seus conhecimentos em cursos cada vez mais avançados. Quando eu já cursava Odontologia em Araraquara, ela lecionava nessa cidade. Às sextas-feiras tomávamos o mesmo trem e, quem chegasse primeiro, guardava lugar para a outra. Duas horas de conversas fecundas e lições de vida...
Minha tia Hermínia contou-me um fato que desejo registrar. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), D. Lícia, por ser italiana, foi denunciada e perseguida. Acabou indo parar numa cadeia feminina, convivendo na mesma cela com presas comuns. Tal era o seu grau de educação e respeito humano que fez amizade com as companheiras da cela, conseguindo alfabetizá-las. Muitos anos depois, D. Lícia recebia sempre a visita de algumas delas, em Rio Claro.
Tive sempre muito orgulho em ter um nome advindo de uma pessoa como D. Lícia, cujos atributos a destacavam como uma grande mulher, e procurei fazer disso um espelho para minha vida.


Por que me foi designado este nome - Rosemarie Brunhild Grassmann Bóbbo

Na pia batismal recebi o nome de: Rosemarie Brunhild Grassmann, Bóbbo só veio em 1958.
ROSEMARIE: conforme contou mamãe, ela gemia sobre a cama, esperando a cada momento o meu nascimento, enquanto o papai e a parteira falavam de política, sentados ao lado de uma mesinha perto da janela, por onde se avistava uma belíssima nogueira, lindamente florida.
Entre uma dor e outra, mamãe pensava: - Se for menino, se chamará Alexander, mas e se for menina?
Na parede, ao lado da cama, havia um belo quadro, representando rosas, que mamãe havia pintado; então, ela pensou no nome de Rosemarie.
Pouco antes do almoço, Rosemarie deu seu primeiro chorinho, era 16 de maio de 1933.
BRUNHILD: Recebi esse nome em honra à minha tia, irmã de mamãe. Meus avós eram apreciadores de óperas e Brunhild é uma personagem da famosa ópera de ‘As Valquírias’, de Richard Wagner.
GRASSMANN: Na antiguidade, os nomes das famílias eram dados, na Europa, pelas profissões e preferências das próprias famílias. Grassmann significa homem-grama, que significa apreciado e respeitador da ecologia, da natureza.
Em 1958, casei-me com Waldemar Bóbbo, quando tive a honra de acrescentar esse sobrenome ao meu nome de solteira.
No entanto, na eternidade, como nos informa a Bíblia Sagrada, esse nome será mudado:
“Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas: Ao vencedor dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca e, sobre essa pedrinha, escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe”. Alguém poderá perguntar: - Mas você acredita nisso? E eu responderei, simplesmente: - É lógico que eu acredito!
Se retrucarem: - Mas porque você acredita nisso? Responderei: - Simplesmente porque Deus disse. Na Bíblia toda encontramos a frase “Assim diz o Senhor” 1.500 vezes. 150 vezes só no livro do profeta Isaías.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Metáforas da Vida

Imagem: The tree of life, de Gustav Klimt



Proposta do exercício: Estudamos a alegoria de Machado de Assis para a Vida e, com base nela, vamos criar a nossa própria metáfora: “Vida a que me convidas?” A vida é um baile? É um quadro? É um jardim? É um líquido que sorvemos? O que nos cativa nela? O que de tão belo nos assombra? O que nos comove a ponto de, talvez, assustar-nos?

A vida nos assombra com suas histórias - Jacinto Sánchez Verni



Este fato aconteceu por volta do ano de 1883, quando minha falecida avó paterna, Dona Rosária, que estava com seus oitos anos de idade e que, como toda menina, brincava com sua boneca em companhia de suas primas e amigas, no quintal de sua casa, lá na lendária Espanha.
Em dado momento, começaram a observar sua avó, que estava sentada, ao que me lembro pelo que nos foi contado, no degrau da porta de sua casinha. Olhava, distante, na linha do horizonte. Quem sabe, a pensar, pensar...
As meninas, com aquela formação embasada pelo respeito e estima incondicional pelos membros mais idosos da família, começaram a ficar preocupadas. Perguntavam-se:
- Será que a vovó está triste porque fizemos alguma arte e a magoamos?
Uma das meninas propôs:
- Vamos perguntar a ela?
- Acho que não. Respondeu a outra menina.
Mas a vovó continuava lá sentada, o olhar no vazio, fitando lá longe, naquela tarde, lá na Espanha, aguçando cada vez mais a curiosidade das meninas.
Até que minha avó Rosária, vencendo o receio, aproximou-se de sua avó e perguntou-lhe:
- Voelita (avozinha, de maneira carinhosa, no idioma espanhol) porque a senhora está triste? Será que cometemos algum erro, sem percebermos?
- Hijas mias (minhas filhas) vocês podem ficar sossegadas, não fizeram nada de errado. Respondeu a avó.
Que alívio, o das meninas!
E continuou:
- O que eu estou aqui, pensando, é que chegará o dia, e não está muito distante, em que haverá coches que andarão sem que precisem de cavalos para puxá-los; e ainda mais, coches que voarão como os pássaros, carregando pessoas.
E continuou ali, com sua postura pensativa.
As meninas se entreolharam, incrédulas. Foram se retirando vagarosamente, prosseguindo com seus brinquedos favoritos. Logo depois, muito baixinho, ao pé da orelha, cochicharam, com todo respeito:- Será que a vovó está bem da idéia? Pois onde já se viu carros andarem sem necessidade de cavalos para puxá-los, e mais ainda, voarem como os pássaros transportando pessoas e objetos? De onde será que a vovó tirou essa idéia?
Hoje, passados todos esses anos, ao relembrar este fato que sempre foi contado entre a família, penso que posso responder à pergunta das meninas: de onde será que a vovó tirou essa idéia? Ou melhor: de quem veio essa idéia? Por intermédio de quem ela captou essa informação? Ou teria ela sido um instrumento de ligação com esferas superiores onde, segundo se comenta, o espaço e o tempo não existem?
Será que essa minha trisavô teve uma experiência holística, da presença do todo, da criação divina, que se perpetua eternamente, no sentido de que sempre tudo existe, sempre existiu, não havendo princípio nem fim?



No picadeiro - Silvia Ap. Cristofoletti Galvani



No grande picadeiro da vida, somos os protagonistas desse espetáculo, exercendo as mais variadas funções, quase que ao mesmo tempo: exímios equilibristas, ágeis malabaristas, sérios e atentos domadores e até mesmo irreverentes palhaços, trazendo na cara um vasto sorriso pintado e um enorme e rubicundo nariz.
Enfrentamos grandes desafios: os previstos e os imprevistos. Estamos em constante movimento. Uma existência monótona torna a vida sem graça, sem encanto.
Não devemos nos intimidar pelas dificuldades, e, sim, procurarmos decisões temperadas de sabedoria. Não estamos livres de sofrimentos, mas Deus promete estar conosco em todas e quaisquer circunstâncias.
A vida é bela, que até chega a dar medo, não o medo que paralisa, que nos deixa estáticos, sem ação, porém o de queremos resolver, de acreditarmos que isso é possível.
Que a alegria e os risos ainda bailem no ar, depois de o circo ter ido embora!




A vida me convidou - Cleudinéia Ap. Gaspar Zavarello


A vida me convidou a viver uma história e, posso dizer, uma história de amor.
Casei com Hélio em 1969 e fomos enriquecidos com dois filhos: Amanda, nascida em 1971, e Ricardo, que chegou em 1973.
A vida passou-nos como um baile, no qual dançamos. As vezes, seguindo o ritmo, outras vezes, tropeçando. Mas, dançando sempre juntos, até 2003, quando Jesuis quis o Helio para ele, e, nesse momento, minha vida se fez um quadro. Um quadro e um jardim de recordações.
Eu continuei sorvendo o líquido da vida, ao lado dos meus netos Murilo, Nycolas, Jeferson, Isabeli, Bruna e Pedro.
O que me cativa na vida é a força que temos para viver.
O belo da vida é sentir todas as emoções e os medos que ela nos revela.
O que me assombra e me assusta é o que eu ainda possa vir a sentir ou passar.
Mas é a Vida, e é bom estar aqui.



A Vida - Célia Maria Cestaro Christofoletti


Aprendi a amar o movimento quando está nele a transformação. E aí está a vida plena de possibilidades e de beleza.
Se pensarmos o que fomos ontem, o que somos hoje e o que seremos amanhã nos daremos conta de que não somos os mesmos, estamos sempre mudando.
E essa mudança implica em aprimoramento, em horizontes espraiados que os olhos da razão e os olhos do coração permitem alcançar, pelo entendimento e pelo amor.
O que assusta, e o que encanta na vida, vejam que contradição, é o vir a ser. A vida está sempre acontecendo e não sabemos o que virá. Adversidades, alegrias, realizações, frustrações, encontros, desencontros?
Estar vivo é estar alerta. Atentos ao que é e ao que será, desfrutando de todos os sentidos de que somos dotados: cores, odores, formas, sons, sensações.
Entender a vida como movimento e transformação é, também, entender que ela não acaba. Fomos semente, desabrochamos. Voltaremos a ser semente, pois que ela é a essência e está em nós.


A vida: mistério encantador - Regina Claret Kapp dos Santos


Fascinante, grandioso, encantador e desafiador é o mistério da vida. Força estranha? Força oculta? O que é?
Buscamos respostas em tudo, em todos os momentos, sobre a questão: Vida.
Tudo ao nosso redor, seres viventes ou já sem vida (que tiveram a sua história) nos mostram o quanto é impossível entender plenamente a profundidade desse mistério.
A partir da primeira célula de um ser humano, ou de outro ser vivente; o processo de gestação, de germinação ou evolução das espécies faz com que, pouco a pouco, se renove interruptamente o ciclo vital da existência.
A cada segundo, minuto, dia, mês e ano, tudo se transforma para conservar ou renovar o equilíbrio dos ecossistemas.
A luta pela sobrevivência, as vezes sutil, as vezes injusta e violenta, é mais questionadora ainda. Pois depende da vontade de cada ser humano, do instinto de cada animal, ou da energia vital contida na própria natureza. Energia que, vez ou outra, se extravasa além da normalidade, para resistir a tudo e continuar vivendo.
Oxalá, nós, homens e mulheres, refletíssemos constantemente sobre este mistério abissal! E que pudéssemos agir a favor da vida, para que as futuras gerações possam herdar um mundo renovado, permeado por valores essenciais para a harmonia plena de todos os seres com seu habitat, com seu planeta.
A vida: lixo ou jardim? - Maria Inês M. Filier

A vida é o mais belo presente que ganhamos do criador. Ela encerra os mais valiosos tesouros, sendo a jóia mais rara do mundo: que é o próprio viver.
Podemos fazer da nossa vida o mais belo jardim, assim como podemos fazer dela um depósito de lixo, onde depositamos todo tipo de entulho: restos de construções, restos de alimentos, papéis imundos, latas enferrujadas, bichos mortos e malcheirosos e, assim, vamos amontoando sujeiras e mais sujeiras.
O pior é quando permitimos que as outras pessoas venham jogar o seu lixo, emporcalhando ainda mais a nossa vida. Então, torna-se insuportável: são baratas, ratos e todo tipo de bicho peçonhento, que representam a raiva, as mágoas, ódios, tristezas e outros sentimentos ruins e negativos. Nós não aguentamos, e ninguém quer se aproximar de um terreno tão deteriorado. Assim, ficamos feridos, machucados, com a autoestima baixa.
Temos que retomar nossa dignidade; nos encher de força e coragem para limpar, reciclar esse terreno. Com as pedras, construirmos novos caminhos, grutas encantadas, fontes cristalinas, nas quais os pássaros, os animais silvestres e mesmo os homens venham saciar sua sede.
Recolher tudo o que pudermos juntar e fazer pontes. Ah! Como são necessárias as pontes, pois nos ligam com os outros, e eles a nós. Fazer canteiros de hortaliças, para nos alimentar e aos nossos amigos.
Plantar flores de todos os tipos e cores para perfumar e embelezar nossas vidas. Para as crianças e todos quantos quiserem achegar-se e sentir os aromas, brincar nesse jardim, cantar e dançar a dança da vida.
Plantar fé, esperança, fraternidade, solidariedade, sabedoria, justiça, paz e amor. Ninguém mais vai querer jogar lixo num lugar tão lindo, pelo contrário, as pessoas respeitarão e amarão essa vida.
Transportar uma montanha para dentro do jardim. Para, todo dia, com muita humildade, simplicidade e sabedoria ir escalando-a, pouco a pouco, com perseverança ir ao encontro Daquele que é o Autor da Vida.
Como você quer sua vida? Lixo ou jardim?


VIDA

A vida chega de improviso
A vida fica porque quer
A vida se enamora da vida
A vida quer ir e você não quer que vá
Mas a vida tem que seguir, senão
Não seria VIDA!

VIVER

Viver por viver
Imensamente
Dádiva do querer.

Vida vai, vida vem

Vida vai
vida vem
como as ondas do mar
tempo vivido que não volta jamais

Vida: um eterno desafio - Lícia Mônaco Perin

Pequena e chorona nasceu a criancinha. Na dança do mundo, cresceu entre crises.
O dinheiro era curto, o emprego, difícil. A pobreza rondava cada casa, cada lar. Desperdício? Nem pensar! A vida dura para todos, crianças e adultos.
A menina foi crescendo. Quietinha, solitária, deitava-se por horas no chão duro do quintal de terra, deixando seus sonhos buscar o azul do céu, a brincar com as nuvens que bailavam no eterno firmamento.
A escola, os livros! Ah,os livros! A grande descoberta! Agora, a menina vivia e sonhava o encontro das extraordinárias aventuras numa frenética busca pelo mais! Curiosidade! Emoção! Riso e choro! Quanto um livro pode trazer!
Mas, o corpo pedia, e o esporte chegou: a mesma paixão, a mesma descoberta. Como era bom ser jovem e consumir energia, aprendendo a ser mais um no grupo, a se empenhar ao máximo em busca de um resultado, a lutar com ética, respeito, sem tripudiar sobre os adversários.
E veio o namoro. O flerte, os bailes, os olhares trocados com significado especial. Qual pássaro, que escolhe seu parceiro para toda a vida, também a menina, agora adolescente, adotou a monogamia e seguiu para o altar.
A profissão escolhida já nos primeiros anos de vida foi alcançada e exercida com a persistência do desbravador que, quando necessário, improvisava para conseguir melhores resultados, executava a capacidade de minimizar a dor dos que sofriam.
Os filhos, a família completada. O marido, parceiro e leal. A vida seguindo com suas doses de altos e baixos. Sempre muito trabalho. Sempre engajados em trabalhos da comunidade.
A vida pública. A mudança radical. Uma visão diferente de tudo. Não há tempo para devaneios. É preciso executar o conhecimento acumulado; é preciso sair de si, pensar plural. Abraçar as necessidades do próximo, das entidades, enfim, da cidade. Somar à sua vida, já tão repleta, outra vida, dedicada à causa pública. Quatro anos de exaustão!
Depois, aquela menina que se engajara, corpo e alma, nesse viver, não cabia mais numa vidinha comum. Passaram-se, então, quase quarenta anos de engajamento em projetos, atividades ou atitudes que pudessem melhorar a vida em nosso planeta.
Hoje, menina de 78 anos, paro e penso: não posso viver sempre num jardim, nem eternamente dançar ao som caliente de um bolero. Não sei pintar quadros, mas me assombro e me enterneço ao lembrar minha caminhada: serei eu aquela menininha que, ao nascer, era a filha do meio entre cinco irmãos, numa família que viveu uma imensa crise – a de 1929? Aquela que, à época, escolheu uma profissão ímpar para mulheres, mesmo sendo canhota?
Entretanto, o que me assombra, mais que tudo, é o número de amigos que conquistei e conservo. A alegria e o equilíbrio que sempre procurei ter comigo, mesmo nos momentos dolorosos. Pois tenho a certeza que Deus não me protege – Ele me mima!

A vida é uma escola - Rosemarie B. Grassmanm Bóbbo

A vida é uma escola. Todos nós somos pensamentos de Deus. Quando nascemos, começa a eternidade. Eternidade significa vivermos as vinte e quatro horas do dia ligados a Deus. Mas isso só acontece se quisermos, pois Deus não é ditador, Ele não arromba a porta.
Nosso coração, que podemos representar por uma porta, tem um trinco somente por dentro. Jesus bate. Depende de nós abrirmos ou nos fazermos de surdos. Ele não arromba a porta, apenas bate.
Quando abrimos, podemos nos apresentar a ele como somos, mas Ele não nos deixa assim. Pois através de Seu Filho, Jesus Cristo, nossos pecados são perdoados e, então sim, somos transformados de criaturas em filhos de Deus.
Aí, é somente confiar, obedecer. Não nos tornamos santos; precisamos, sempre, do perdão de Jesus. Mas o Espírito Santo vai nos moldando. E, quando dizemos: - Senhor, dispõe de mim! A vida passa a ser uma aventura maravilhosa. Não sem problemas, não sem tentações, mas não caímos mais nelas. Isto não é religião. É fé em Cristo!
Ele veio ao mundo para morrer na cruz por nossos pecados e fundar a fé Nele somente.

Saiba que, chegando aos 60 anos, teremos dormido vinte anos. Seis anos teremos gasto para comer e prosear um pouco durante as refeições. Quatro anos mais gastaremos para nossa higiene, tomar condução e mais um mínimo de prosa. Vejam lá, que 30 anos já se foram!

Conversa de dois passarinhos

Em um galho de árvore frondosa,
Uma andorinha e um pardal
Tiveram a seguinte prosa:
Pardal, disse a andorinha,
Já reparaste como o ser humano
Se preocupa e corre
E de cansaço até morre?
É, andorinha, responde o pardal,
Nós, passarinhos, temos um Deus
Que nos alimenta, guarda e cuida,
A nós, nada falta, está tudo bem!
Mas, andorinha, eu temo,
Que esse nopsso Deus
Os humanos não têm!