sábado, 29 de outubro de 2011
Oficina Literária
Rezas e Benzimentos
a medicina caseira curava até bicho de pé.
As simpatias e as rezas, usadas com emoção,
passavam, com certeza, de geração em geração.
Se minha memória não falha, quero deixar registrado,
embora nos dias de hoje
vão achar muito engraçado.
E sem parcimônia ou compromisso,
passo receitas do bem-querer.
Acompanhando os rastros dos pés da criança na areia,
que só andava segura pela mão,
um ramo de cipó são joão por um machado era cortado,
cortava também o medo na marquinha do pé no chão.
Dor de cabeça? tonteira?
três brasas acesas num copo com água era entornado
num pano sobre a moleira;
dizia-se que era sol e num instante ficava curado,
voltando o infante para a brincadeira.
Espinhela caída, vento virado? Media-se com barbante
da cabeça à ponta do dedão
e depois de três Aves-Marias, a dor sumia num instante,
acalmando o chorão.
Folha de beladona ou saião, quando aquecida, curava inflamação;
sua flor, linda e branquinha, deixava a pele lisinha.
Capim santo, erva cidreira ou chá de estrada,
com um chazinho a criança era acalmada.
Três voltas ao redor da casa, quando a criança nascia,
no colo da mãe ou das tias, evitava o mal de sete dias.
Folhinha de mamona novinha, com azeite aquecido,
cobria o enorme furúnculo, que não mais ficava doído.
Gripe forte? peito cheio? com emplastro de fubá cozido e quentinho,
respirava melhor o menininho.
Três galhinhos de arruda debaixo do travesseiro
levava embora o quebranto da criança linda e olhar matreiro
que, por causa do mal olhado,
havia chorado o dia inteiro.
picadas de insetos e arranhões
tinham sua assepsia.
Hortelã, poejo, marcelinha,
erva doce, quebra-pedra, manjericão,
arranha-gato, carqueja ou melissa
eram usados em banhos, macerados ou infusão.
No seu quintal ou redondeza, nativas ou cultivadas,
achava ervas de montão.
Com fé sem perder a alegria,
via crescer sua cria.
Crescemos fortes e sem trauma,
com algumas cicatrizes.
Mas reverenciamos dona Pina
e bendizemos nossas raízes.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Viagem sensorial
domingo, 19 de junho de 2011
Fiel companheiro
| Foto tirada pela autora do texto, no museu da cidade de Conservatória/RJ; o rádio é igualzinho ao da história relatada. |
quarta-feira, 6 de abril de 2011
A dor só minha
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A eterna procura - Uma carta de amor
Saudade imensa...
Onde anda você? Em vão a procuro nas minhas incansáveis rondas pela cidade grande, caminhando por entre os archotes modorrentos na fria madrugada do outono que se prolonga.
O pisca-pisca do neon embaralha minha visão, cansada das noites insones. Percorro as ruas e becos que não dormem... Observo olhares ainda cheios de malícia e de desejo, na maquiagem exageradamente carregada das mulheres que terminam seus turnos. Vejo homens, paletós nos braços, com o cigarro entre os dedos amarelados pela nicotina que impregna a pele; mais adiante encontro o transformista que, vencido pelo cansaço da noite longa e exaustiva, vai-se desfazendo da montaria antes mesmo de chegar ao carro... Mas nada, nem sombra de sua silhueta, aquela que trago na lembrança e que teima em me torturar.
E eu continuo na maratona incansável à sua procura. Nos caminhos e descaminhos enfileiram-se arranha-céus e mansões com jardins bem cuidados, contrastando com favelas superpovoadas, a exibir a miséria colorida. O vaivém das deselegantes meninas e madames com trajes impecáveis, trânsito desordenado, ambulantes que gritam os seus produtos, pobres miseráveis mendigando pão, nada me é indiferente. Resta a esperança, que insiste em não morrer. Quem sabe em algum olhar a encontro.
Não a vejo nem mesmo nas choupanas distantes, onde pequerruchos seminus e barrigudinhos, donzelas de olhos brilhantes e já cheios de malícia, homens e mulheres nas portas com seus radinhos de pilha influenciados pelos efeitos da globalização vivem suas miseráveis vidas... Inútil. Não poderia encontrá-la logo ali, onde a beleza da paisagem é sufocada pela ambição do ser humano.
Vencida pelo cansaço e pelo sono, sonho com o tempo em que compartilhávamos nossas fantasias. Saudade. — Você se lembra das nossas caminhadas pelo milharal dourado, do perfume doce das espigas maduras? E das trepadeiras de buchas, matérias- primas para nossos exércitos na luta contra o mal, você na garupa do alazão que eu cuidadosamente fizera para nossos longos passeios?
Não... Você não pode ter-se esquecido do clarão da lua cheia – Dama da Noite –, quando observávamos o bailado das estrelas cadentes, nem do grande queijo comido pelo ratão do banhado, no quarto minguante. Impossível esquecer os dias quentes e ensolarados, quando nuvens de algodão, em seus movimentos constantes, formavam lindos castelos onde iríamos morar um dia? Como não lembrar-se das viagens à praia e de nossos folguedos, rolando sem censura na areia beijada pelas rendas de espuma da água fria a sufocar nossos desejos?
Lembra-se?
Ah! Onde foi que nos perdemos? Onde anda você, INOCÊNCIA?
Volta para mim. Volta para esta alma indefesa e frágil, que sofre com sua ausência diante deste conturbado mundo.
Faça-me voltar ao tempo em que andávamos juntas...
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Conversa no Jardim

Debaixo do caramanchão florido, olhos semicerrados, negras madeixas beijadas pelo vento, a menina parecia dormir. As cores pálidas da madressilva exalavam perfume suave, combinando com a simplicidade dos pequenos buquês mesclados de vermelho e branco.
O silêncio da tarde só era quebrado pelo nhec-nhec do balanço que lhe serve de moldura. Como que a compor esse quadro campestre, seus companheiros vão chegando: uma lagartixa que corre, um beija-flor que se farta de néctar, uma salamandra que se agarra a um tronco, um gatinho ronronando que se espicha no seu colo. Uma libélula traça filigranas no ar, depois assenta-se rapidamente nas águas tranquilas do lago sereno logo à frente.
Em meio a isso tudo, as flores que compõem esse lugar mágico põem-se alerta: algumas abelhas aproximam-se perigosamente, atraídas pelo doce da calda do picolé que a menina distraidamente deixara derretendo, vencida pelo sono. Diligentemente, cuidaram de desviar a atenção das pequenas voadoras, antes que um movimento involuntário da menina provocasse um acidente.
Passado o perigo, as flores voltam a fazer o que mais gostam, neste éden encantado: filosofar. Sim. Qualquer acontecimento era motivo de grandes e acaloradas discussões entre elas, num debate que, às vezes, se estendia até quase o crepúsculo.
O assunto desta manhã fora justamente provocado pela menina. Por que, indagavam elas, a garota insistia em manter os olhos fechados, mesmo frente ao perigo iminente? O girassol, achando-se o máximo, colocou-se como mediador. Afinal, que outra flor teria sua capacidade de acompanhar com o olhar o caminho trilhado pelo deus-sol? E propôs que a discussão abordasse as diversas formas de se comportar dos humanos, com seus diversos “olhares”.
Maria-sem-vergonha, aparecida como sempre, foi a primeira a falar:
— Tenho umas parentes que vicejam em um campinho de futebol. Elas me contam tudo o que acontece com os humanos que frequentam aquele lugar. Digo de cadeira: As pessoas não vão lá só para se divertir e praticar esporte. Muitos deles estão à espera de que alguém os veja. Mas não é um alguém qualquer. Chamam a ele “olheiro”, uma pessoa que vive de caçar talentos. Os jogadores esperam uma oportunidade de ser convidado para treinar em grande time e, para isso, não perdem a oportunidade de se exibir, mostrado seus conhecimentos de futebol. Os olheiros funcionam como uma espécie de instituição, que capta talentos esportivos em todo o mundo.
A ninféia quase não deixa a colega terminar. Emendou:
— Você falou em olheiro e me fez lembrar. Vivo na água, vocês sabem. Em um lago, é bem verdade. Mas sei tudo sobre o mar. Certa vez, estava um grupo de pescadores conversando e um deles contou sobre a pesca artesanal de tainhas, iniciada pelos colonizadores açorianos lá pelos idos de 1692, quando chegaram à ilha. E sobre o trabalho de “olheiros” também. Por isso me lembrei.
E continuou: — Por volta das quatro da manhã, esses homens sobem aos costões do mar para espreitar a chegada dos peixes e informar aos pescadores que aguardam na praia a exata localização dos cardumes e a hora certa para iniciar a pesca.
— Pois eu vejo o olhar por outro ângulo.
Todas as demais flores calaram-se. Era a espada de são jorge, com suas voz tonitruante, porte militar, postura ereta, fardas engomadas, a impor o respeito de todas. Aproveitou o silêncio que se fez para continuar:
— O assunto faz-me lembrar os filmes da idade média, assunto da conversa de dois jovens neste mesmo balanço em que descansa a garotinha. Diziam eles que os comandantes das armadas dos grandes castelos medievais colocavam sentinelas ao redor de toda a muralha.
— E é do olhar atento daqueles soldados que dependia toda a segurança do castelo, completou a espada de são jorge.
O girassol, do alto de sua magistratura, a tudo acompanhava, com ar de superioridade, fingindo a tudo entender, para disfarçar a sonolência que tanta informação produzia.
No pequeno vácuo que se fez, a camélia criou coragem. Mesmo sem querer se exibir, disse:
— Nós, camélias, somo o símbolo dos abolicionistas. Servíamos de senha para identificar os cavalheiros abolicionistas e, com isso, ajudar os negros fujões.
— Mas o que isso tem a ver?, apartou o mal-me-quer, com o humor ácido que lhe é peculiar.
— Você não sabe? O olhar atento dos escravos buscava jardins das casas onde houvesse um pé de camélia, sinal de compromisso com a causa.
A orquídea, com as pétalas ainda respingadas pelo orvalho que o sol não secara, ouvia em silêncio. Achava tudo aquilo interessante, mas entendia que era hora de mudar o rumo da prosa, como costumava dizer. Ela, que já havia sido palco de inúmeras experiências de cruza, dizia-se esperta em assuntos visuais. E, querendo imprimir um ar mais científico à conversa, iniciou seu discurso:
— O olho é o dispositivo mais engenhoso da natureza. Em princípio poderíamos compará-lo a uma câmara fotográfica. A objetiva da câmara equivale à córnea, as pálpebras encarregam-se de mantê-la limpa, clara e livre de tudo que possa turvá-la. Ambos os olhos se movimentam coordenadamente para que possam seguir o objeto observado. Apesar de sua importância, nem todos têm o cuidado devido com seus olhos e não valorizam o sentido da visão em toda sua magnitude.
O girassol, agora já meio cansado, dizia, com a voz a trair um certo enfado:
— O próximo, por favor.
A rosa, que esperava silenciosa e pacientemente sua vez, naquela manhã estava especialmente mais linda ainda, deslumbrante mesmo. Com toda sua ternura mística, propôs-se a falar do olhar sob um novo enfoque: o olho na simbologia. E começou:
— O olho, órgão da percepção visual, é reconhecido quase que universalmente como o símbolo da percepção intelectual. É assim que temos, sucessivamente, o olho físico na sua função de recepção da luz; o olho frontal, o terceiro olho, e, finalmente, o olho do coração. Todos os três recebem luz espiritual. Na filosofia, o olho também denota visão, maneira de ver.
Silenciosa, a doce violeta, exalando seu suave perfume, se desvencilha das folhas que a protegem e também a escondem e enfatiza, serena:
— Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem,... *
— Refletir sobre nosso modo de ver, eis a questão. E continuou, com a humildade que lhe é peculiar:
— Olhos... patrimônio de todos. Encontramos, porém, olhos diferentes em todos os lugares. É preciso estar atento e forte para discernir, pois, segundo asseverou o apóstolo Paulo de Tarso, “Tudo me é lícito, nem tudo me convém”. É preciso critério, equilíbrio e, principalmente, atenção em nosso caminhar pela vida, para não sermos surpreendidos por situações perigosas, consequência de um olhar desatento.
Antes que o girassol desse por terminada a reunião – estava louco para isso –, a natureza veio a seu favor e o ajudou a encerrar o assunto, mesmo que outras flores estivessem doidas para falar.
Uma rajada de vento frio despertou a garota que, esfregando os olhos, espantou as abelhas. Ainda sonolenta, enquanto espreguiçava, veio-lhe a nítida impressão de que sonhara. Esforçou-se por lembrar e, passando a mão pela testa, achou engraçado quando lembrou-se de alguém que lhe falara sobre o “terceiro olho”, localizado no ponto entre as sobrancelhas, que, segundo a tradição hinduísta, está ligado à capacidade intuitiva e à percepção sutil.
Nisso, uma abelha retornou. Ela, agora atenta, intuitivamente a espantou e acabou por se lembrar do sonho (embora não dos personagens). Nele, lembrava-se agora, havia sido enfatizada a atenção ao modo de ver e perceber as coisas. Recordou-se de seu grupo de amigos escoteiros, cujo lema no mundo inteiro é: SEMPRE ALERTA.
E... já que havia despertado, aproveitou para percorrer com mais atenção o jardim, observando a beleza de cada flor. Instintivamente, começou dialogar com elas, como que agradecendo a oportunidade do aprendizado.
Texto de Geni D.Bizzo
* Matheus. 13,9... 17
Theo

Ondas gigantescas batem na parede transparente e, ao descerem, compõem uma forte correnteza em direção ao gargalo da enorme cratera, por onde se escoam as águas.
Observo entre assustado e curioso o lindo espetáculo. Folhas enormes da renda portuguesa se contorcem, varrendo o chão encharcado. Aves, acostumadas como eu a alçar pequenos vôos, cruzam os espaços macios da “enorrrrrrrme...” residência. Neste momento, me imagino planando por sobre as árvores, sentido o frescor agradável da atmosfera lavada pela chuva torrencial. Mas não posso ir além. Embora seja livre num espaço relativamente grande, minha liberdade é limitada. Não tenho condições de sobrevôo e não mais conseguiria viver sem a proteção dos humanos.
Lembro-me de que sou uma ave da família das calopsitas. Meu nome é THEO. Sinto-me um pequeno humano, dividindo espaço com uma companheira que, humana, sente-se uma enorme calopsita. Nossa história é bonita. Cheguei nesta casa num momento difícil e de muita tristeza. Fui trazido como presente por um parente dela, para ser seu companheiro divertido e leal. E cumpro meu papel. Entendemo-nos muito bem. Às vezes até pelo olhar. Nossas vidas são tão semelhantes que até nos confundimos.
Meus antepassados são da Austrália. Nossa migração só começou a acontecer em meados do século XIX. Foi quando os antepassados de minha companheira também partiram em busca de novas terras. Foi nessa mesma época – um pouco depois, talvez – que tomaram o navio na Itália rumo a este país maravilhoso em busca de dias melhores.
E as semelhanças não param por aí.
Somos divertidos, leais, inteligentes, nos adaptamos muito bem às situações adversas; sentimos fome, medo, frio, alegria, dor, tristeza, aceitação, rejeição.
Eu, como não conheço a vida lá fora, me sinto um “lorde de plumas”. Sou bonito, com penas coloridas e a cara vermelha, parecendo maquiadas com cuidado. Vivo numa gaiola aberta, colocada bem no alto de uma escadinha, que uso como academia, num sobe e desce constante. Tenho total liberdade para ir e vir na residência. Adoro ser tocado, acariciado, mas só quando me sinto confiante. Retribuo da mesma forma. Sou dócil e afetuoso, aprendo com facilidade as músicas que me ensinam.
Ela, ah... Ela também. É alegre, divertida, elegante, gosta de cantar, é sonhadora. E, como eu, embora se diga livre, não o é verdadeiramente. Vive prisioneira dos medos, tensões, aflições de como conduzir a vida. Tem medo do que possa lhe acontecer, embora se afirme com muita fé e a tem, às vezes fraqueja e se torna prisioneira de preconceitos, de ansiedades, de julgamentos.
Quando pode “voar” com seu anjo de pés de borrachas, o faz de maneira tacanha, com os vidros fechados e embaçados, sentindo a cada passo o pavor de alguma aproximação. Angustia-se, tem medo de não dar conta do recado quando a dor ou a necessidade se aproximarem. Como enxergar a vida diante da escravidão materializada na presença do medo, configurando a vida super-avaliada nas necessidades criadas pela ansiedade?
Se eu pudesse verbalizar, diria:* “Olhai as aves do céu, que nem semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai Celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?”
Qual a diferença entre as necessidades do Homem e das aves? Está em uma palavra: Consciência. É ela que dá ao homem a dimensão do tempo e do espaço, das suas necessidades, de sua finitude. Isso não acontece com nenhum outro ser, nem mesmo aves, como eu.
Claro, sei que as necessidades dos humanos são maiores que as nossas. Como sei que necessidades geram ansiedades, medos, que os aprisionam cada vez mais. Mas, mesmo assim, procuro transmitir com meu olhar o que penso: confie, seja firme e forte para que, depois da “chuva” de preocupações e de problemas, a “atmosfera da alma” esteja lavada e protegida com o conforto que Deus nos concede.
Continuo observando a chuva, enquanto ela dorme recostada no sofá. Talvez sonhe livre e, voando nas asas livres de um sonho, tenha a consciência do que nos diz o filósofo Sêneca “A vida é feliz”, E sem ansiedades e preocupações, sua vida irradiará alegria, tranquilidade e bem-estar perenes.
E que ela, finalmente, possa perceber que às vezes precisamos dar uma pausa nas nossas angústias para despreocupadamente vivermos o que é simples, como a vida das aves.
Texto e foto de Geni D. Bizzo
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Exercício Dilema Ético IV
Sonhos de meninos - Alice Ferreira
Na pequena cidade de Martelândia, um grupo de meninos, na faixa etária entre
A ansiedade destes pequenos era tão grande que, um dia resolveram por o pé na estrada.
Começa aí a grande aventura dos meninos sonhadores. Fugiram do Orfanato, andando a pé, só com a roupa do corpo, sem alimentação e com objetivo definido: a casa dos familiares, por mais desmantelada que fosse.
Como seu destino de origem estava muito longe, resolveram parar na cidade de “Costa de Tina”, descansar, pois estavam com fome e desidratados. Quem os encontrou foi um Comissário de Menores, que os encaminhou ao Delegado de Polícia, pois já era tarde da noite.
Os meninos ficaram instalados em uma das celas vazias da Delegacia, dormindo no chão, sem alimentação e nada para cobrir seus corpinhos sujos e cansados.
No dia seguinte de manhã, o Comissário de Menores procurou a Assistente Social da cidade que atuava no Projeto de Menores, para que tomasse as devidas providências.
Entrou na ação toda a estrutura da Instituição Regional e a sede que ficava na capital do estado.
A Assistente Social, segundo orientações de sua Coordenação e Diretoria Técnica, teve 24 horas para retirar o grupo de meninos da Delegacia, levá-los para a sede do Projeto local, alimentá-los e encaminhá-los de volta ao Orfanato.
A ordem teve que ser cumprida. A Assistente Social e Coordenadora do Projeto Administrativo acompanhou o grupo dos pequenos sonhadores de volta ao Orfanato “Bem te Quero”
PARA REFLETIR:- Enquanto muitos sonham em ganhar grandes somas em loterias e ficarem ricos, estes pequeninos só sonhavam estarem com suas famílias, queriam “colo de mãe” .
O fato aconteceu realmente, com mais desdobramentos angustiantes. Em virtude de ética, mudou-se nome da cidade, do Orfanato e outras peculiaridades.
Reforma da natureza e o gene terminator - Vera Gracia Lorenzon Ferreira
O homem nômade se alimentava com o que encontrava na natureza.
Com sua experiência de “erros e “acertos”, foi domesticando os animais, diferenciando plantas comestíveis das venenosas, organizando-se em grupos sedentários, foram surgindo os povoados, as vilas e as cidades; a produção de alimentos sempre aumentando. Com o desenvolvimento cultural, o homem começou a diversificar sua alimentação, passando a usar microorganismos na preparação do pão e do vinho.
Experiência do Padre Gregor Mendel, há mais de duzentos anos, com saborosas “ervilhas”, deu início aos estudos de genética na alimentação e nutrição. A partir de então, conseguiu-se enorme avanço na produção de alimentos, para os homens e para os animais. Novas variedades de arroz e trigo, os cereais mais produzidos e consumidos no mundo, foram desenvolvidas.
Através da transferência de caracteres ou genes, que estão no DNA de cada célula de todo ser vivo, eis o surgimento de uma nova espécie de planta ou animal!
Eis o HOMEM se arvorando em CRIADOR!
Atualmente, grande empresas químico-farmacêuticas investem fortunas para criação de variedades de sementes e novos medicamentos, através da transferência de caracteres genéticos de uma espécie para formar outra espécie; dando surgimento aos AGM=Alimentos Genéticamente Modificados e OGM=Organismos Genéticamente Modificados .
Porém, por terem sido “criados” em laboratório estes AGM/OGM são patenteados por suas empresas criadoras e só podem ser reproduzidos por seu “dono”; ou seja, o agricultor que precisar da semente de uma planta ou o pecuarista que necessitar reproduzir cria de animal, terá que comprá-la destas empresas multinacionais, como a Monsanto ou Monsatã, como está sendo denominada. Por exemplo: a soja transgênica (da Monsanto) é resistente ao herbicida Roundup (da Monsanto) e o agricultor terá que adquirir a semente e o herbicida desta empresa, o que configura venda casada, que o governo diz ser proibida, mas o governo terá voz diante das multinacionais ?
E isto é só a ponta do iceberg, pois as pesquisas não param e a cada dia criam-se mais e mais produtos, “viciando-os” com o “seu herbicida”, com o “seu antibiótico”, sem se preocuparem com a inevitável contaminação e envenenamento da natureza...
Como estas empresas são muito “espertas” e não cogitam em perder nenhum centavo de dólar de seus polpudos investimentos, já planejam a criação de um gene denominado “gene terminator”, que incorporado às sementes, deixam-nas estéreis, obrigando o agricultor a adquirir novas sementes sempre que for fazer o plantio, destruindo todo um patrimônio genético de sementes criado até agora pela humanidade. . .
Finalizando, deixo como sugestão a leitura da obra escrita em 1952, por Monteiro Lobato a REFORMA da NATUREZA, em que há um interessante diálogo entre Dona Benta e Emília.
A solução de um dilema – Letícia Brunelli
Minha história precisa ser narrada. Precisa ficar registrada como um alerta para a sociedade. Mas como? Talvez seja tarde demais!
Meu nome é Flora Mendes e tenho uma filha de dezenove anos, que faz faculdade
Não faz um mês, fui alertada por um funcionário que o tanque de decantação e tratamento do esgoto da fábrica apresentava um sério vazamento, que estava causando infiltração de produtos tóxicos no solo adjacente, que não era muito distante da margem do rio. Logo a contaminação alcançaria a água do rio, tão importante para a cidade, que ficaria irremediavelmente comprometido.
Encaminhei o problema para o setor de manutenção, que tentou, sem sucesso, saná-lo.
Era necessário parar o funcionamento de toda a fábrica para reformar o tanque, que recebia todo o esgoto dela, para ser tratado, pois ele estava comprometido com várias rachaduras.
O problema, em seguida, foi levado ao Diretor da Empresa. Ele respondeu que iria chamar um engenheiro para avaliar o assunto. Os dias se passaram. Ninguém apareceu para fazer a tal avaliação.
Eu só pensava nas consequências daquele incidente. O produto tóxico se espalhava e a contaminação das águas era um fato eminente.
Ninguém ficou sabendo de nada; o diretor tinha nos pedido sigilo para não causar pânico. E ninguém percebia nada, pois a infiltração no solo não era visível, estava abaixo da superfície.
No começo dessa semana, voltei a reclamar uma providência. Em troca, recebi ameaças. A princípio, veladas, mas depois bem mais explícitas, quando falei que iria delatar o fato às autoridades, caso não fosse logo resolvido.
O fim de semana chegou.
O sábado amanheceu um lindo dia! Mas a chegada do carteiro, trazendo uma carta inesperada, transformou meu dia numa agonia! A carta trazia uma terrível ameaça contra minha pessoa. É lógico que era anônima, mas eu sabia de onde vinha...
Como a ganância pode ser tão maléfica! Como ela pode vir antes do bom senso e até da humanidade! Ponderei que a paralisação da fábrica geraria grandes prejuízos. Quem sabe, ela teria que mudar para outro município, até! Ou teria que dispensar vários funcionários!
Mas, e a poluição do rio? Também não afetaria a vida e a saúde de milhares de pessoas? E todo o ecossistema fluvial? Não iriam morrer peixes? A fauna e a flora da região também não ficariam afetadas?
O conflito se instalou
A noite foi de angústia e medo! O sono veio após um turbilhão de preces e ideias que povoavam minha mente. Enfim, meu corpo teve um breve e merecido repouso.
Hoje é domingo! O sol lá fora escancara a paisagem, que, assim como eu, vai acordando sonolenta e preguiçosa...
Cerro novamente os olhos e relembro a aflição da véspera. A carta . O conflito que se apossou de mim.
Abro os olhos! Eu já sabia o que iria fazer: vou registrar queixa; não vou contar minhas suspeitas, mas preciso procurar proteção! A lembrança da ameaça renovou meu medo, mas não posso me calar.
Segunda-feira vou procurar uma amiga minha advogada. Me informarei como posso levar às autoridades uma petição para que seja feita uma sindicância, para avaliar uma possível contaminação das águas do rio.
Sei o que vou enfrentar. Irei, sem dúvida, perder meu emprego.
Mais tarde, tentei registrar uma queixa na Polícia Civil. Procurei a delegacia, onde fui orientada a procurar a P.M. Quando fui lá, me mandaram de volta para a delegacia.
Antes de chegar lá, fui morta com três tiros à queima-roupa, disparados de uma moto, com dois rapazes de capacetes!
Minha esperança, é que este fato seja motivo de uma investigação e que sirva para solucionar o meu DILEMA.
Uma futura reportagem certamente noticiará:
JOVEM É MORTA APÓS DENUNCIAR AMEAÇA à POLÍCIA / da Agência Folha
Ela tentou registrar queixa na Polícia Civil e na PM, em Penedo, no domingo à tarde. Não conseguiu. Três horas depois, Flora Mendes foi morta a tiros por indivíduos desconhecidos. A ameaça ocorreu através de uma carta anônima. Flora procurou a delegacia e foi orientada a procurar a P.M. Mas lá foi mandada de volta à delegacia. Antes disso, foi morta. Um plantonista da delegacia disse que não há estrutura para atender casos como o de Flora, que são enviados à PM, que informou que não tinha policiais para atender a ocorrência. Um inquérito vai apurar o caso.
(A narrativa de D. Letícia é inspirada em fatos recentes, noticiados pelos jornais; vale como um alerta e como uma homenagem à mulher que não teve tempo para ser ouvida pela polícia do seu Estado).
Dilema Ético – Geni Bizzo
Frederico e eu percorremos o caminho ladeado por acácias carregadas de cachos dourados, comuns nos meses de novembro, e que nas manhãs de clima ameno exalam um suave perfume.
Converso com Frederico, mas ele não responde. Pudera, Frederico é meu fusca vermelho, companheiro constante em minhas idas para o trabalho, uma indústria de produtos químicos e de equipamentos para tratamento de água para caldeiras. A Engeltec – esse é o nome da empresa – fica próxima à rodovia, às margens do pequeno rio Baguaçu, que abastece a cidade Santo Antonio do Aracanguá.
Nessas minhas pequenas viagens diárias, vou conversando com o Frederico, mesmo com o risco de ser chamada de doida por pessoas que encontro no trajeto e que podem perceber o “diálogo” animado com meu amigo. “Coitada, falando sozinha..”, diriam elas.
Evito a rodovia. Sigo por um caminho de terra que mais parece uma picada tortuosa. Frederico não reclama. Conhece as pedras do caminho e aprendeu a desviar dos buracos que enfeitam a estrada com suas formas arredondadas. Na paisagem, algumas palmeiras com seus cachos amarelinhos de coquinho babão parecem querer competir com as acácias. Mais além as paineiras estalam suas bolotas sob o sol escaldante e forram o campo com suas plumas, verdadeiras neve de verão. Alguns animais pastam calmamente, alheios aos passarinhos que, agarrados aos seus lombos, se refastelam com os parasitas.
Continuo observando a paisagem, como sempre faço. Mas uma sombra de nostalgia anuvia meu semblante. O dia hoje tem cheiro de despedida. Pode ser minha última viagem. Tento, em vão, não pensar no que vai acontecer depois de hoje.
Explico melhor: sou engenheira química. Eu e mais de duzentas pessoas dependemos da Engeltec para viver. Dias atrás, observei uma avaria num dos condutos que dá passagem a um líquido tóxico que, se despejado na natureza, irá contaminar o meio ambiente. Para repará-la, seria necessário interromper todo o processo produtivo por um mês, no mínimo.
Comuniquei o fato ao presidente da empresa. Ele pediu que guardasse segredo, pois parar a fábrica iria significar a demissão de muitos funcionários, o que certamente iria acarretar uma crise local, numa região já tão carente de empregos.
Mas me calar significa permitir que não se corrija a avaria. Significa aceitar o vazamento do líquido tóxico, com a previsível consequência: contaminação das águas do rio, prejudicando a vida aquática e os habitantes que usam suas águas. Se falar, serei despedida. Meu Deus, o que fazer?
Minha cabeça ferve. Há uma confusão de pensamentos e sentimentos conflitantes com o que aprendi e as necessidades do mundo moderno.
Por um lado, o rio que me traz muitas lembranças. Foi a escola de natação de meus irmãos e coleguinhas que, escondidos das mães, mergulhavam em suas águas, ignorando os perigos que corriam. Foi também o rio onde meu pai e vizinhos muitas vezes passavam os dias de domingo na pescaria animada que combinava lazer e necessidade. Pelo menos uma vez por semana, um peixinho fazia a festa na mesa.
Por outro lado, a dura realidade deste mundo que mudou, da população que cresceu muito e desordenadamente. A tecnologia foi aprimorada para atender às necessidades que surgem. E não podemos ficar com saudosismos, afinal, gostamos do conforto que ela oferece.
Como conciliar as duas situações? Os chefes de estados e homens da ciência trabalham no sentido de minimizar os efeitos nocivos do progresso, criando leis com mecanismos que obrigam as indústrias a preservarem o meio ambiente. Mas acidentes como este acontece, bem sabemos.
Fui educada de forma a sempre me posicionar. Meu saudoso pai, embora adepto de uma educação austera que não dava direito à réplica, dizia sempre que mais vale uma consciência tranquila do que deixar que o medo nos domine. Dizia ele que o medo não tem tamanho e pode nos acorrentar numa grande bola de neve.
No trajeto, vejo plantações de algodão e de milho, onde os pequenos agricultores lutam com os parcos recursos financeiros para tocar um roçado que depende totalmente da água do rio para irrigar suas roças.
Sentindo o cheiro doce das espigas que explodem, tomo uma decisão: vou comunicar ao meu presidente que farei chegar esse acontecimento até às autoridades competentes e à imprensa. Daí...
Seja o que Deus quiser.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Árvore das Palavras - I
A força das palavras - Geni D. Bizzo
O sorriso muito branco que vemos nos rostinhos com cabelos encaracolados, lisos, crespos, loiros, castanhos, negros, muito compridos, curtos, com tranças, rastafári que se movimentam esbanjando saúde brincando nos pátios das escolas, creches, quintais, playgrounds, e até mesmo nos minúsculos apês e cortiços, nos mostra crianças felizes que não se importam com a condição social nem financeira (embora uma coisa sempre esteja ligada à outra).
Mas essa ligação eles ainda não percebem. Para eles, o que importa é o mundo do faz de conta.”Agora eu era o herói e o meu cavalo só falava inglês...” Para eles, não existe compromisso. As amizades surgem espontaneamente. As afinidades aparecem... E não raro oferecem oportunidades para brotar o amor. “... vem, me dê a mão a gente agora já não tinha medo...”
Ah! Mas como passa rápido esse tempo. Corre célere driblando aqueles que nunca têm tempo, nem paciência, para perceber a beleza davida.
A mudança é inevitável.A infância fica para trás e nova fase chega. Fase linda, mas conturbada. Desejos, ansiedade, o corpo se modifica sem que se tenha o entendimento preciso do que está acontecendo. Lágrimas escondidas, revoltas (não se sabe bem por quê), espinhas, menstruação. A cabeça cheia de perguntas sem respostas. Mas o sonho, este sim, continua no mundo do faz de conta... ”finja que agora eu era o seu brinquedo, eu era o seu pião, seu bicho preferido”...” e você era a princesa que eu fiz coroar e era tão linda de se admirar que andava nua pelo meu país...”
Quantos sonhos! A esperança povoa esses sonhos no silêncio de refúgios mil. E nessa confusão de sentimentos, o compromisso édeixado de lado. Até mesmo os afazeres da escola são negligenciados. Os pais, confusos, perdem a paciência e a paz. Veem-se perdidos. Buscam socorro nos especialistas e nas casas de orações. A fase deles já passou e eles já não sonham mais. Exigem respeito,que não cultivaram , e entram em pane.
O compromisso do jovem é viver a vida. ”Agora eu era o rei era o bedel era também juiz e pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz. Sim: ser feliz. E pronto!
Mas o tempo, implacável, não deixa por menos, e não tem perdão: a maturidade chega. ”Agora era fatal, que o faz de conta terminasse assim. Prá lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim...” E a noite longa mostra que os sonhos são outros, o mundo do faz de conta se apresenta cheio de responsabilidades. É a profissão, o trabalho, a luta por um lugar ao sol. São os filhos... e dá-lhecompromisso. O compromisso, que era ser feliz, agora é com a sobrevivência.
Mas, paradoxalmente, num mundo onde imperam a desigualdade, os vícios e a delinquência, sonha-se, felizmente ainda, com aesperança, a paz, o companheirismo e a solidariedade entre as pessoas.
Sonha-se com o despertar das consciências. Para um compromisso maior que é ser e fazer os outros felizes. A frase de Margaret Med expressa muito bem esse pensamento.:
“Nunca duvide que um grupo de cidadãos comprometidos e preocupados possa mudar o mundo; na verdade, esta é a única forma de mudança que pode dar certa”.
Sonhando e trabalhando muito, unindo forças, caminhamos confiantes num futuro melhor, “... no tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido.”
(Obs.: A Geni criou um texto utilizando todas as palavras da nossa dinâmica).
Em defesa do amor - Leticia D. Brunelli
Dizem por ai, que o AMOR não é mais o mesmo !
Nos dias atuais,a palavra AMOR está banalizada, descaracterizada, comercializada. É um clichê !
Até estão satirizando que o amor é uma florzinha roxa que nasce no coração dos trouxas.
Já na poesia é um vocábulo de rima pobre. Rima com dor, suor, horror, terror, credor ! Mas também rima com flor, cor, fervor, ardor, calor ...
Que seria do jardim sem flor?
E do céu sem cor?
Haveria fé sem fervor?
E como a luta seria sem ardor?
Nosso planeta não seria o mesmo sem calor.
Já que o AMOR foi posto nos bancos dos réus, gostaria de ser eu uma testemunha de defesa juramentada.
A fim de ponderar sobre esta minha escolha , fui me informar. Buscando no dicionário encontrei.
“AMOR: sentimento que nos faz desejar o bem de outrem, sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro. Devoção, adoração. Inclinação forte por pessoa de outro sexo; afeição, amizade, carinho, simpatia e ternura, zelo, cuidado.”
Será que o que tenho a dizer virá em favor desta definição?
Tomo coragem! Meu depoimento vai começar.
Nasci primeira neta de ambos os lados. Fui filha única até os oito anos, quando nasceu minha irmã.
Morávamos pegado da minha avó materna, que por sua vez era vizinha da minha outra avó.
Cresci no meio de adultos (avós, tios e tias solteiros). Minha infância foi maravilhosa. Eu era mimada ... e muito amada.
Nas aulas de catecismo (que duravam quatro anos, naquela época), aprendi que os mandamentos se resumiam em:
“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”
Fiz ginásio em colégio de freiras e lia textos belíssimos, como a carta de São Paulo aos Coríntios(13,1-8) que começa assim:
“Ainda que falasse línguas,
as dos homens e dos anjos,
se eu não tivesse o amor,
seria como sino ruidoso
ou como címbalo estridente.
Ainda que eu tivesse o dom
da profecia
o conhecimento de
todos os mistérios
e de toda a ciência;
ainda que tivesse toda a fé
a ponto de transportar
montanhas
se não tivesse amor
eu não seria nada.”
Fui catequista durante um tempo e devo ter repetido as palavras de Jesus:
“Amai-vos uns aos outros com Eu vos amei.”
Na juventude me emocionei quando li o “Pequeno Príncipe”. Quem não se lembra de frase como: “Só se vê bem com os olhos do coração, o essencial é invisível para os olhos.”; “Você fica responsável por aquilo que cativa.”
Tempos atrás, numa loja, escutei uma então jovem-senhora, comentar:
- “Passou a época do Pequeno Príncipe. “Aquilo” é conto da carochinha!”
Foi um simples desabafo em sua infelicidade. Passado alguns anos, seu filho tragicamente tira a vida do próprio pai !
Quando estava com vinte anos, me apaixonei por aquele que me acompanha até hoje.
Como poderia me manter enamorada após 42 anos, pela mesma pessoa, se não acreditasse no Amor?
Depois vieram os filhos e mais tarde os netos ... e trouxeram mais Amor, para nossas vidas !
Agora posso afirmar que em toda a minha vida:
Sempre o meu jardim teve muita flor ... olhando o céu, agradeci sua linda cor ... cultivei minha fé com todo fervor ... lutei minhas batalhas sempre com ardor ... e gosto da minha terra com muito calor ! Não imagino minha vida sem AMOR !
Finalizo minha fala, citando Camilo Castelo Branco :
“O AMOR é uma LUZ que não deixa escurecer a VIDA.”
Qual é o peso de cada palavra? - Teresa Moresco
Quando a mamãe, brincando com seu bebê o chama de “Tchutchuquinha” apertando sua bochecha, a criança entende que está sendo carregada de ternura, carinho, amor.
Ao contrário, se a mãe chamar a criança de “pirralho” o menino já sabe que está sendo tratado com rancor.
Há palavras doces como (benzinho), amargas (feia, velha), leves (pássaro), palavras pláticas (ondas), palavras tristes (saudade), e por ai vai..
As palavras que dão sobrenomes às pessoas também têm sua história. Por exemplo, na Itália, grande parte dos sobrenomes ou nomes atribuídos às pessoas, faziam uma referência a um característica particular da família ou do lugar onde viviam.
Só para exemplificar, vou tomar a liberdade de citar nomes de descendentes italianos que moram
Segundo um texto que li no Diário do Rio Claro, escrito por um dos filhos da família, os antepassados moravam perto de uma pequena fonte, que ele tinha ido conhecer na Itália.
Já na minha família, tinha muitos primos cujo sobrenome era “Brancalhones”. cujas características físicas eram ser brancos de pele, cabelos claros, olhos azuis; tudo muito claro.
Às vezes me pergunto: qual teria sido o critério para nomear as coisas? E ai vou pensando nas palavras. Libélula, logo me vem à mente algo leve, esvoaçante. Ao contrário de elefante, lembra algo pesado, lento, espaçoso, monótono.
Divagando ainda mais sobre o peso de cada palavra, lembro-me de uma senhora, moradora de um apartamento próximo a uma favela . Todo dia filmava a ação dos traficantes empunhando armas de grosso calibre, lutando pela conquista dos seus territórios sobre as favelas.
Tudo isto me trouxe à lembrança a palavra consciência. Na luta pelo dinheiro, “para levar vantagem em tudo “, passa-se por cima de todas as palavras que dão sentido à vida, tais como: respeito, dignidade, amor, compaixão, solidariedade, etc...
Se tomarmos essas mesmas palavras para passar em revista todas as nossas instituições, desde a igreja até o Planalto Central (Brasília), notamos que realmente o nosso vocabulário, empobreceu, porque muitas das mais belas palavras que formavam os valores da sociedade, estão ausentes, principalmente a palavra consciência.
