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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A rosa de Paracelso II

A rosa da palavra - Alice Ferreira


O que não gostaria de perder no tempo é a palavra, em toda sua essência, significado e poder de reflexão.
Se a perdermos, não haverá histórias: de vida, de humanidade e de consciência.
Lembro com saudades das palavras de estímulo e garra na fala de meu pai: "estude, aprenda o que mais puder. Esta vai ser a maior herança que posso te dar, a qual ninguém poderá tirar de você.”


A rosa da partilha - Iandara Palmero

Eu com sete anos de idade, meu irmão com cinco. Hora do almoço e minha jovem mãe com apenas 23 anos, fritando os bifes(apenas quatro) na frigideira de ferro. Fritava também as rodelas de cebola, do modo que apenas ela sabia fazer. Terminada a fritura e servidos os bifes, eu e meu irmão entrávamos numa competição pela gordurinha da frigideira. Mas, sempre chegávamos num acordo pelo direito de passar o pão na gordurinha da frigideira. Um gesto simples, que só as crianças sabem valorizar. No entanto, decorrido tanto tempo ainda me lembro com carinho minha infância modesta (bem modesta), enriquecida pela ternura materna e pela autordade paterna exercida com moderação e equilíbrio.


A rosa da expressão - Marinalda Codo Rossetti

Devo confessar que cheguei em casa bastante frustrada da nossa ultima aula. Como trabalho para Oficina de Literatura eu deveria ter escrito sobre a Rosa de Paracelso, mas não fiz porque nada me ocorreu; nada, não, mas tantas coisas que não consegui me concentrar em nada específico.
Falar da Fé, da música da sinceridade, dos livros, da palavra, das coisas simples, dos elos do voluntariado, dos valores e hábitos cristãos, do que nada é por acaso e da convivência humana, que foram muito bem explorados.

Tive a idéia de escrever sobre como chegamos até aqui. Como foi encontrar uma pessoa tão maravilhosa, com tamanha garra, amor e conhecimento sobre literatura e tão carismática a ponto de faze com que soltemos de o melhor , aos poucos, devagar e em grande estilo, revelando em nós o que jamais imaginamos ser possível.
Como nos transportamos para o Paraíso em 50 minutos dessa aula e o que captamos sobre a literatura e conseguimos nos expressar se deve ao fato da maneira como nos é pedido, ou seja, da forma clara, simples e transparente com que chega até nós e junto com a sincronia que existe na classe fica muito fácil de captar.

Como a união dessa classe com a professora se tornou uma simbiose de prazer e realização e como nos entregamos a este prazer. Devemos brindar, comemorar essa simbiose.
Devemos celebrar estes 50 minutos tão rápidos, mas tão intensos. Devemos celebrar a vida que nos deu essa oportunidade. Devemos escrever, sim, e muito, não só para nós mesmos, mas porque não? Para a eternidade!
Assim, posso dizer que tivemos muito mais sorte do que Paracelso, porque além de termos uma grande incentivadora, nós transmitimos o que queremos, e o que é melhor, muito melhor nós nos realizamos com isso.




Minha lembrança de infância - Maria Inês Dominiquini


Essa é uma história ou lembrança, que gostaria que nunca fosse esquecida.
Lembro-me que, ainda criança, todas as tardes, na cidade do interior onde morava, eu
gostava de ir espiar o realejo que na praça ia tocar.
O homem amigo sentava-se no banquinho e esperava alegre pelo seu amigo
macaquinho.
O macaco treinado para não poder errar.
Quando dentro da caixinha a moeda foi jogada.
Quando a música tocava , o macaquinho ensinava pra criançada , a dança do samba e baião.
Muita gente ficava sentada e conversando.
Enquanto o realejo espalhava suas canções pelo ar.
Por isso, eu gostaria que todas as pessoas, tivessem as tardinhas para apreciar, na
pracinha, perto de casa, o realejo que ali fosse tocar.


Minha descoberta pessoal - Letícia Delbel Brunelli


Na semana passada, voltando para casa, fui pensando como eu iria responder a pergunta da tarefa pedida.
Logo me passou pela cabeça uma descoberta que fiz ultimamente: “ Nada é por acaso”.
Chegando em casa, ao guardar meu material na escrivaninha, deparei com uma velha caderneta de anotações.
Senti vontade de abri-la e achei um pedaço de papel amarelado, escrito por mim, mas que nem me lembrava mais.
Nele havia frases que falavam de Deus, sofrimento e oração.
Na primeira frase estava escrito: “Nada vem por acaso, tudo provém da vontade de Deus. Preste atenção nos pequenos acontecimentos e considere-os como saudações de Deus”.
Então, assim confirmado, por acaso, escrevi minha resposta:
Ao longo do meu caminho, fui observando fatos surpreendentes, mas que por ocorrerem perante nossos olhos tantas vezes, nós nem prestamos atenção : a suavidade da chuva, a beleza das flores, o canto dos pássaros, a melancolia do entardecer, a magia da noite...
Dia após dia, essas sensações vão se tornando corriqueiras e normais.
Mas, também existem coisas que acontecem, às vezes, e nem prestamos atenção, pois
nos parecem meras coincidências : achar uma concha perfeita na areia, ver um beija-flor pairar no ar na frente de uma flor, receber uma flor inesperada, encontrar uma frase num livro que nos emociona, achar uma pessoa amiga por “acaso”...
Então, de um tempo para cá, fui começando a notar que coisas casuais apareceram em minha vida, como que “por acaso”.Quanto mais atenta eu ficava, mais eu percebia essas ocorrências, que provavam que esses “acasos” estavam me levando novos rumo e nova descobertas.

Hoje, eu gostaria de compartilhar com meus filhos e meus amigos esta crença maravilhosa, de que Deus sussurra silenciosamente para nós e que devemos estar atentos, com nossas mentes e nossos corações para ouvir e sentir nessas pequenas coincidências, o Sopro Divino e nos emocionarmos ao saber o quanto somos amados por Ele.

Herança de família - Silvia Galvani


Ainda há poucos dias, conversávamos, duas amigas e eu, quando uma delas confessou ter medo de morrer, pois sentia deixar os seus.; queria ver seus netos crescerem, casarem, enfim, tinha muito a fazer ainda. Lembrei de uma frase que li sobre Ravel, que ao perceber que seu fim estava próximo, lamentou : “Mas, há tantas músicas esperando ser escritas!” Isso não é medo, é saudade da vida, pois a vida é bela.
Passei a refletir sobre o assunto. É uma idéia da qual não se pode fugir, quando se dá conta de que os anos restantes são muito menos que os já vividos. E, o que deixar para os que continuarão a viver depois de nós? Não penso nas coisas que fui ajuntando durante a vida, mas nas coisas de que tanto gosto e que me dão prazer: minhas poucas orquídeas, com a recomendação de que não as deixassem de molhar ou as inúmeras receitas trocadas com colegas, ou através de cursos de culinária e algumas até gravadas, tempos atrás.
Acho que para eles não tem importância alguma, só darão mais trabalho. Estão ai, bem ao alcance das mãos, é só quererem e poderão fazer uso delas.
O que realmente desejo que fique, são os valores e hábitos cristãos que recebi de meus pais, tanto por meio de palavras, como de exemplos.
Antes, porém, preciso fazer algumas perguntas: Será que amei o meu próximo como a mim mesma? Tratei as pessoas como queria ser tratada? Pratiquei a justiça, amei a misericórdia e andei humildemente com Deus?

Que rosa ficará? Cleudnéia Zavarello

Quando fiquei pensando em alguma coisa para escrever, me vierama à mente as qualidades que eu trazia nas minhas lembranças, das avós, mãe, madrinha, tias e amigos; que, talvez, no momento em que estávamos juntos, não me eram tão marcantes. Hoje penso: deveria ter aprendido mais com elas a fazer aquele pão, aquele crochê e outras mil coisas.
Muitas vezes na minha vida, quando estou fazendo algo, mesmo no cotidiano, vejo um jeitinho de Vó Maria, Vó Adelina, mãe Cida, madrinha Júlia, , das tias e amigas .
Então chego à conclusão que carregamos alguma coisa de todas as pessoas que passaram nas nossas vidas.
E, com certeza, a mesma coisa vai acontecer com meus filhos, netos, sobrinhos, afilhados e amigos.
Alguma coisa da Néia vai ficar. Gostaria que fosse o Amor e respeito pelas pessoas.

Transmitir, sempre; esquecer, nunca. Preservar. Rosemarie B.G. Bobbo


Desde 1500, em minha família, a fé em Deus, seu filho Jesus Cristo e no dom inefável do Espírito Santo, sempre foram, serão e espero que nunca deixem de ser o MAIS IMPORTANTE E SEMPRE TRANSMITIDO DE PAI PARA FILHO...
Depois que dissermos: “SENHOR, dispõe de mim, não quero mais ser eu que mando em minha vida, mas sim TU!” Nossa vida torna-se uma maravilhosa aventura... Notando-se que Deus não se esquece de nos dirigir, nem um instante sequer e que não existem mais coincidências.
Não nos transformamos em Santos , mas, como Jesus morreu por nós na cruz, Ele nos perdoa e como aprendi na escola dominical, quando eu era criança, Jesus joga nossos pecados no mar e coloca uma placa muito bem afixada, com os dizeres: “É PROIBIDO PESCAR.”

‘Um conselho de uma mulher de 76 anos”
Não durma a noite sem ter lido um trecho da Bíblia Sagrada...Se não estás acostumada, comece por João, depois Atos e vá até Apocalipse, um capítulo a cada dia, pedindo antes sempre a unção do Espírito Santo. Depois, leia a Bíblia toda, começando por Gênesis... devagar e pensando no assunto. Leia com seu marido ... filhos... netos... a qualquer hora e ore.... converse com Deus, como se Ele estivesse sentado ao seu lado, sempre em nome de Jesus e sobretudo AGRADECENDO E LOUVANDO SUA SUPREMA SANTIDADE, pois Ele não é nosso servidor, para somente atender pedidos
e jamais TE CONCEDERÁ UM PEDIDO QUE TE POSSA AFASTAR DELE , POIS
NOSSA SALVAÇÃO É MAIS IMPORTANTE PARA ELE, DO QUE NOSSOS BENS, SAÚDE, etc... ELE NOS AMA PROFUNDAMENTE E ELE É O ÚNICO DEUS QUE EXISTE...
A BÍBLIA diz: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus que já foi homem” l. Timóteo 2:5.
“Mas a todos, quantos o receberem, deu-lhes o poder e serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em seu nome”. João 1:12.
Todos nós nascemos criaturas de Deus e somente nos transformamos em Filhos, quando não somente nos convencemos, mas nos convertemos, entregando nossa vida á Jesus.
Jesus não fundou nenhuma religião, Ele fundou a FÉ NO PAI, NO FILHO E NO ESPÍRITO SANTO ... E é esta, que tanto Católicos como Evangélicos tem: A palavra
DEUS está inserida 289 vezes na Bíblia Sagrada!


ESQUECER NUNCA, QUE TEMOS MUITAS RELÍQUIAS, SIMPLES, MAS QUE NOS LEMBRAM NOSSOS QUERIDOS ANTEPASSADOS ...
Meu marido tem um violino, guardado com carinho, que foi produzido por meu sogro.
Não é um Stradivarius, porém, tem um som maravilhoso. Nosso faqueiro tem uns 200 anos, o qual usamos somente no Natal. Temos também duas panelas que tem cerca de 300 anos, uma é de ágata e está perfeita. Tenho ainda um BIDERMEIERARBAND, uma pulseira que meu Tataravô trouxe do Egito para sua filha e desde então, fica sempre com a mais jovem das Grassmann, como, por meus últimos antepassados terem sido somente homens, sou a última mulher com esse sobrenome, logicamente de nossa ramificação. Assim, essa pulseira, que inclusive está no dicionário, ficou para mim ...

É composta de ouro antiguíssimo e 135 granadas, uma espécie de rubi... Seu valor é mais pela antiguidade, do que comercial ...
E, PRESERVAR PRECISAMOS, ENTÃO: NOSSA FÉ EM CRISTO, DAR VALOR E HONRA AOS QUE NOS ANTECEDERAM E QUE NOS DERAM TANTOS CONSELHOS ÚTEIS E AS PEÇAS OU OBJETOS QUE NOS FAZEM LEMBRAR ÉPOCAS EM QUE AINDA NÃO VIVÍAMOS ...



segunda-feira, 30 de março de 2009

Histórias dos nomes - 2a. Parte



"Terminei, enfim, esta obra, que nem o fogo, / nem o ferro, nem o tempo devorador poderão destruir. / Quando aquele dia, que dispõe apenas do meu corpo, quiser, / poderá pôr fim ao tempo da minha incerta vida; / mas com a melhor parte de mim me elevarei imortal / sobre as estrelas, e o meu nome não perecerá ."
Ovídio





Maria Inês – Maria Inês Mascarin Filier

Quando meus pais se casaram, provavelmente não planejaram se teriam filhos, nem quantos, nem o sexo que eles deveriam ter, pois a verdade é que teriam, como se dizia antigamente, quantos Deus mandasse.
O primeiro foi um lindo menino que, certamente, foi o maior orgulho da família; por falar nisso, junto com meus pais, moravam meus avós paternos, um irmão e duas irmãs de papai, todos solteiros.
Foi nesse contexto que eu nasci, e já não foi muito orgulho para todos, pois, segundo me contaram, meu avô paterno não quis nem me ver, porque mulher numa família de italianos não serviria para nada!
Mas o tempo foi passando, a nenezinha foi ficando engraçadinha, faceira, e o ‘nonno’ não resistiu aos seus encantos, tornando-se o seu fã número 1. Passamos momentos lindos e mágicos, juntos.
Alguns deles, trago marcados na lembrança, como quando dançava imitando uma bailarina e pedia ao nonno que julgasse quem dançava melhor: eu ou Iara, minha melhor amiga de infância. Ele, para deixar as duas felizes, ora dizia que uma, ora dizia que outra.
Recebi o nome Maria Inês porque a minha avó paterna chamava-se Maria, e a materna, Inês. Duas mulheres lindas, guerreiras, ambas pertencentes ao grupo dos primeiros imigrantes italianos e portugueses que vieram para o Brasil. Tenho muito orgulho de levar os seus nomes em minha vida, já que seus exemplos maravilhosos têm me ajudado a seguir em frente, a superar obstáculos que a vida oferece.
Dois nomes simples, mas para mim significam muito! Agradeço aos meus pais pela escolha tão carinhosa que fizeram, homenageando desta forma minhas duas avós.



Sobre meu nome – Marinalda Codo Rosseti

Elizabete. Este foi o nome que minha mãe escolheu para mim.
Em meados maio e junho muitas crianças nasceram, e, entre as meninas, só se ouvia dizer que o nome da maioria delas seria Elizabete.
Então, nasceu um bebê, que a mãe cuja mãe colocou o nome de Marinalda. Não Marialva, tampouco Marialda, nem Marinalva, mas sim Marinalda. E, foi assim que minha mãe resolveu me dar este nome também.
Uma, porque ela gostou, e outra, porque já tinha muita elizabete no pedaço. Bem, quanto a mim, não sei se gostei ou se realmente preferia elizabete. Mas, de qualquer modo, ainda é melhor do que dar os nomes das avós, embora eu não saiba se isso chegou a ser cogitado – Maria Francisca, por parte materna, e Prisca, pelo lado paterno.
É certo que nada tenho contra minha querida vovó, que faleceu quando eu tinha 2 ou 3 anos, e de quem eu era a neta preferida, mas Prisca...
Nesse caso, é claro que eu agradeço à minha mãe. Embora, apesar de não ser a única, não conheço nenhuma outra Marinalda.



O porquê do meu nome – Jose Batista Amador

Quando criança, não tinha o entendimento do meu nome, como os meus netos em, nos dias de hoje. Talvez, isso esteja relacionado ao falecimento do meu pai, quando eu ainda era muito criança.
E, com o casamento da minha mãe com o meu padrasto, fomos morar distante dos meus parentes, e acabaram se perdendo as referências do nome e do sobrenome.
Com o decorrer dos anos, passei a gostar e a ter muito orgulho do meu nome. José Amador era o meu avô paterno, morto antes de eu nascer. Ele era imigrante natural das Ilhas Canárias, na Espanha. Batista Bergamin era o nome do meu avô materno, filho de italianos e que também já morrera antes da minha existência.
Através dos meus parentes e das pessoas que os conheceram, fiquei sabendo um pouco sobre eles. O avô Batista era um líder na família, exemplo de pessoa de bem. Em sua homenagem, minhas tias colocaram o nome dele nos seus primeiros filhos homens, e meu pai o colocou em mim.
Na história, José era pai de Jesus Cristo, e, Batista, era o Seu primo. Eu, com esse nome José Batista, sinto-me privilegiado em ter o nome dos meus dois avôs e, também, desses dois homens tão dignos que foram São José e São João Batista.

Origem do meu nome – Eisle

Tenho três irmãs mais velhas, cujos nomes iniciam com a letra E. Para não fugir à regra, quando eu nasci o nome deveria ter a mesma inicial.
Minha irmã mais velha tinha vinte anos, à época, e seu nome era ELSIE, nome escolhido em um livro de romance. Ela pediu aos meus pais que colocassem o meu nome de EISLE, que seria o contrário do seu. Ela fez esse pedido porque gostava demais desse nome, e não sabia se, quando casasse, teria uma menina para batizá-la com esse nome.
Nunca tive nenhum apelido, também nunca achei alguém que tivesse um nome igual ao meu. Quando digo meu nome, todos o consideram diferente!
Gosto muito do nome que tenho, considero-o forte, diferente, único.



A princesa Siclay – Siclay Bianchini

Sinto-me muito lisonjeada por ter um nome de princesa, escolhido por minha avó Genny, que adorava ler e que viu esse nome em um dos seus muitos romances.
Esse livro contava a história de uma princesa, a princesa Siclay, que vivia na Síria e adorava ficar junto ao povo de sua aldeia, era uma pessoa diferente das suas tradições, pois ajudava a todos: crianças, velhos, pobres e necessitados. De certa forma, sou assim também!
É engraçado quando digo o meu nome, pois todos se espantam e dizem; “Si o quê? Hã? Siclei, Sinclair, Siclair, Sicrai...” Mas, tudo bem!
A parte mais gostosa é ouvir amigos e até desconhecidos que, por conhecerem o meu nome, me procuram para contar que também colocaram esse nome, escolhido por minha avó, em suas filhas; elas, depois de crescidas, adoram o nome da Princesa do Povo, assim como eu.
Certa vez, quando uma dessas pessoas foi registrar a filha no cartório, a pessoa que fazia o registro duvidou que fosse um nome, dizendo que não tinha sentido, que era uma coisa horrível! Pois não é que os pais tiveram que levar o meu documento para provar que o nome existia?
É uma pena essa pessoa ter duvidado, pois ao fazê-lo perdeu a oportunidade de conhecer a história de uma mulher que não respeitava as diferenças entre as pessoas. Uma mulher que, mesmo tendo título de nobreza por direito de nascimento, foi guerreira e bondosa como toda mulher deve ser: uma princesa!

Meu nome... Minha diferença – Geni Deolinda Bizzo



É impossível falar sobre o meu nome sem citar meus irmãos, pela ordem de idade: Evanir Erminda, Agenor Clarindo, Nestor Laurindo, Antenor Lucindo e Nair Ermelinda.
Nomes que soam estranhos, quando assim reunidos, mas que deixavam meu saudoso pai orgulhosíssimo. Afinal, não era fácil encontrar nomes que atendessem à combinação or e indo, para os meninos, e ir e inda para as meninas. Principalmente para ele, pessoa sem nenhuma literatura e sem qualquer fonte de consulta.
Eram idéias dele. Só dele. Minha mãe, mesmo que quisesse, não tinha espaço para palpites. A coisa acontecia invariavelmente assim: nascida a criança, o velho seguia imediatamente para o Cartório de Registro Civil. No retorno, e com a pompa que o momento exigia, lia o nome do rebento, escolhido em segredo já há algum tempo.
Era uma cena comparável à daqueles arautos do rei que, sobre um tablado, com toda a pompa e circunstância, inflavam o peito para anunciar um acontecimento importante.
Minha mãe, calada em um canto, era apenas platéia, como todos nós.
E eu? Por que fugi à regra? Deolinda está conforme. Mas porque Geni, e não Genir? Acho que, num golpe de sorte para mim, o escrivão tenha entendido mal e efetuou o registro sem o erre final. Acredito, também, que meu pai não tenha querido retornar ao Cartório para corrigir o erro.
O certo é que fiquei Geni. Diferente do que ele queria. Melhor para mim. Embora não possa dizer que tenha me livrado de problemas. Sempre perguntam: com G ou J? Y ou I? E quando escrevem Genideolinda, assim, tudo junto? E pior, quando grafam Geni de Olinda? Às vezes chego a me aborrecer. E digo, irônica: Nem de Olinda nem de Recife. É Deolinda, tudo junto. E, como sei que também vou ter problema com o sobrenome, antecipo: É Bizzo, com duplo zê, por favor.
Depois, acho graça. Afinal, nunca vou ter problemas com homônimos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Exercícios de escrita sensorial


A oficina desvendou os vínculos entre sensações, sentimentos e escritura. Em seguida, a proposta do exercício: fechar os olhos e se imaginar degustando um de seus pratos preferidos. Comece imaginando o cheiro que impregna a cozinha enquanto a comida está sendo feita, o aroma de cada ingrediente, o sabor específico de cada um. Imagine-se levando cada garfada à boca, a temperatura da comida, as lembranças que evoca. Imagine a pessoa que está servindo a mesa, quem está presente, o motivo pelo qual esse prato foi feito, especialmente. Está comemorando alguma data? É uma ocasião especial?
Escreva sobre o que foi proposto, sem preocupar-se com o gênero: se é poesia, se é um conto ou crônica. Apenas descreva as suas sensações, transforme as lembranças numa invenção, reencontre as suas palavras.

Não existe obrigatoriedade na realização das tarefas, mas os alunos têm demonstrado przaer em participar, partilhar o seus textos, transformando a oficina numa experiência bastante enriquecedora. Esse exercício foi realizado por onze alunos.


Almoço aos domingos - Aurora Ferreira Rodrigues

Almoço aos domingos. Mas hoje é especial, pois é aniversário de meu pai.
Chegada dos irmãos com a família, e o aroma é convidativo. É o bolinho de bacalhau feito pela mamãe, e logicamente queremos prová-lo.
As crianças no quintal, brincando até serem chamadas para o almoço. Mamãe serve os bolinhos de bacalhau e o Bacalhau a Gomes de Sá, que é uma delícia.
Papai nos traz o vinho português (feito pelas minhas tias, em Portugal), engarrafados por nós, ao som de músicas portuguesas e cantadas por meu pai... Que saudade!
Após o almoço, frutas portuguesas e, à tarde, o parabéns a ele, acompanhado de um belo bolo.
Abraços. Desejos de feliz semana a todos e até o próximo domingo.
Que Deus os acompanhe!


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Sopa preta e sopa branca - Maria Inês Mascarin Filier

Ouço o burburinho de pessoas falando, uns estão entrando; outros, saindo. O barulho vem da loja, vem do quintal e, por falar no quintal, ouço as galinhas cocoricando, o galo0 cantando, passarinhos gorjeando, cachorro latindo, crianças brincando, correndo.
Saio da loja e entro na cozinha. Lá está ela, a nona, no fogão de lenha, preparando o almoço para todos nós.
O caldeirão maior é o do feijão e, justo nessa hora, ela está fritando o tempero para colocar no caldeirão, o cheiro é delicioso! Alho e cebola, que, quando ficam moreninhos, ela joga no caldeirão, acrescenta o sal e aquilo recende pela casa toda, pelo quintal, e até os fregueses da loja sabem que a nona está temperando a comida.
- Nona! Dá um pedaço de pão molhado no feijão?
E ela coloca aquele naco de pão num garfo, afunda no caldeirão e me dá. Saio feliz dali, acrescento mais um pouco de sal e vou comendo aquilo como se fosse um manjar dos deuses.
A nona faz bastante comida, mas também, pudera! Somos mais ou menos umas vinte e tantas pessoas que almoçam, e jantam juntas, todos os dias. Somos irmãos, primos, tios, tias, pais, e sempre chega uma pessoa ou outra para fazer parte deste nosso ritual.
Sabe o feijão que sobra do almoço? É transformado, à tarde, numa deliciosa sopa, que nós carinhosamente chamamos de ‘sopa preta’; porque a outra, de legumes, chamamos de ‘sopa branca’.

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O cheiro da torta de maça - Rosemarie B. Grassmanm Bóbbo

Escrevia-se o ano de 1938. Vejo uma enorme cozinha. E, nela, reinando, Emma – prata de nossa casa em Liebenfelde – considerada membro da família, pois ela já vira meu pai nascer, em 1898.
Era um belo sábado de maio, tudo estava florido e a natureza se recuperava, célere, de um inverno muito frio e com muita neve.
Mamãe, como esposa de pastor luterano, reuniria, naquela tarde, as esposas dos presbíteros para um estudo bíblico, oração e cantos de louvor a Deus. Meu tio, também pastor, acompanhava mamãe ao violino, enquanto ela tocava piano.
Na cozinha, Emma preparava deliciosas tortas e, entre elas, minha querida torta de maça. Pois, antes que as senhoras se retirassem, havia sempre uma meia hora de kaffee und kuchen (café com bolo).
Mas... Criança não tomaria parte nisso. Era o modo de educar os filhos, naquela época, e, agora, concordo plenamente. Portanto, eu comeria o que sobrasse.
A certa altura, ouvindo as senhoras conversarem animadamente na sala de jantar, animei-me a dar uma espiadinha através da porta levemente entreaberta. A ver a quantas ia a vida de minha querida torta de maça.
E, qual não foi meu pavor, ao verificar que uma das senhoras apanhava a espátula recostada ao prato que continha, ou, melhor dizendo, havia contido a torta de maça, querendo servir-se do último pedaço (essa espátula, nós a usamos até hoje).
Não consegui conter-me e gritei, apavorada:
- Mutti, mutti! Sie nimmt sich auch das letzte stuckhen!
- Mamãe, mamãe! Ela está se servindo do último pedaço!
Primeiro, um susto das senhoras! Depois, mamãe dando explicações. E, depois, todos rindo, e a senhora me levando até à porta, aonde eu ainda continuava em pé, o prato com o último pedaço de torta de maça.
É minha recordação mais remota referente à comida. Mais degustação do que cheiro.

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Doces lembranças - Silvia Ap. Cristofoletti Galvani

Só agora, tantos anos passados, tento passar para o papel as lembranças de momentos marcantes que vivi quando adolescente.
Não havia muro ou cerca separando as casas de meus pais, de meus avós e tios. Um espaçoso rancho unia as duas residências. Era nele que, todas as tardes, as mulheres estavam sempre ocupadas com a costura, com ‘passar as roupas’, ou fazendo pequenos consertos. Exigiam, ainda, que as ‘meninas’ ficassem por perto, para que aprendessem as tarefas do dia-a-dia.
Em dias chuvosos, gostávamos de ver as fotos da família, que vovó tão bem guardava numa caixa de madeira pintada com motivo barroco. Era divertido olharmos os retratos dos antepassados, enquanto sentíamos o aroma do café passado pelo coador de pano e dos deliciosos bolinhos salpicados com açúcar, canela e muito amor.
Saboreávamos essas iguarias, vendo a chuva cair mansamente nas folhagens, bem à nossa frente, encostadinhas no muro do vizinho.
Hoje, ao comermos alguma guloseima feita em casa, minha filha Andréia diz ter o ‘gosto do armário da avó Vitória’. Comparação, esta, que até agora não soube explicar. Mas, os bolinhos de minha avó tinham gosto de saudade!

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Aconchego - Célia Maria Cestaro Christofoletti

As tardes de outono são deliciosas. O clima ameno, o céu de um azul límpido, quase sempre sem nuvens, e um pôr do sol resplandecente.
Curto as tardes de outono, mas me reporto aos meus tempos de menina, quando era mais tranquilo andar pelas ruas e usufruir toda beleza, toda paz do cair da tarde.
E, no meu passeio, nessas tardes, era possível sentir os odores da preparação do jantar que vinham do interior das casas. Minha imaginação chegava ao recôndito dessas moradias e sentia a vida, ali, acontecendo.
Algumas vezes, passei pelo pequeno portão, sem travas, da casa de minha avó. Atravessava o corredor e chegava até à cozinha. À mesa, fumegante e cheirosa, uma terrina de sopa, lingüiça frita e muito pão, como manda a tradição da família italiana.
Era bom juntar-me aos meus tios e primos ao redor daquela mesa! Sentia-me orgulhosa e feliz por estar entre os meus. E o que ficou na minha memória não foi o sabor dessa refeição, mas delícia do momento, o amor traduzido num prato de sopa quentinha, suculenta, generosa.
Lembro-me da felicidade de minha nona. Da mesma forma, na casa de meus pais, a felicidade de minha mãe ao ter os seus reunidos para o jantar, depois do trabalho, da escola, enfim, dos afazeres que, findos, nos levam de volta para casa ao término de mais um dia.
Hoje, ao passarmos pelas ruas, não é mais possível sentir os odores da preparação do jantar no interior das residências e, talvez, a reunião em volta de uma mesa fique restrita aos finais de semana. Os rituais são outros, mas a força do amor permanece.
Estamos sempre voltando, ou esperando a volta daqueles que amamos. E o aconchego tem cheiro, cor, sabor, calor...

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Galinha ao molho pardo regado ao amor de Emília e Faustino -

Antonio Moreira

Inicialmente, esclareço: não tenho qualquer habilidade gastronômica. Entretanto, sempre apreciei um prato bem temperado, feito por amador, profissional, ou em nossa casa.
Notadamente, se a iniciativa da comidinha partia, anos atrás, da minha avó Emília, alma gêmea de Faustino, casal dos mais lindos que habitaram a Terra dos Homens.
Quando criança, eu, meus pais e irmãos, íamos, geralmente às quartas-feiras, a Bonsucesso e a Santa Maria, saborear a gostosa e inesquecível ‘Galinha o molho pardo’, cujo tempero tinha um toque espanhol,pois Emília era descendente da bela e querida nação de Carmem de Bizet e Cervantes.
Para complementar o prato delicioso, de que todos gostávamos, minha avó mandava fazer um feijão superincrementado, eu diria requintado, apesar da simplicidade que sempre nos caracterizou, além do cuscuz de milho (puro), branco ou amarelo. Isto, sem deixar de providenciar, paralelamente, um franguinho igualmente gostoso, tudo ao som do barulhinho das crianças.
Bonsucesso e Santa Maria, fazendinhas vicinais de nossa propriedade, tinham como pano de fundo o Morro do Bonsucesso, que ornava de rara beleza a região que encanta a todos, inclusive a Glauber Rocha, que lá rodou um deus seus filmes – “Terra de Sangue”.
Aliados àqueles encontros festivos e santos, havia os elementos maiores: Deus e o amor de Faustino por Emília, objeto de comentários em toda a região.
A ‘Galinha ao molho pardo’, comida preferida de toda a família - Moreira, Sérgio, Ferreira – era uma festa ao nosso paladar e ao nosso espírito. Eis que também tinha, como condimentos maiores: amor, harmonia, afeto e carinho indescritíveis. E Deus, sempre generoso com Emília e Faustino, concedeu-lhes, além da magia de um amor transbordante, uma existência quase centenária!

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Encontro e despedida - Geni Deolinda Bizzo

Finalmente, chegou o tão esperado momento. Luiz está radiante. Adeus escola, livros, discussões, leis, caminhos que se tornaram maiores e mais cheios de obstáculos durante esses trinta anos. Cada palmo de seu chão passa na tela mental como em um flashback. Árvores frondosas e floridas deram lugar aos prédios. Casas antigas foram tombadas – literalmente – para dar lugar a gigantes e imponentes viadutos. A tão sonhada aposentadoria chegou. E, com ela, sentimentos confusos do dever cumprido, cansaço e um vazio enorme com a expectativa de novos dias.
Bem, mas não é momento para saudosismos ou tristezas, mas para comemorações. Meu querido e inseparável amigo Luiz me abraça efusivamente e me pede para escolher um local aconchegante para brindarmos esse momento especial. Não tenho dúvidas. Escolho o Yokohama, restaurante japonês onde tantas vezes estivemos para trocar idéias e fazer confidências.
Mas hoje será diferente. O sentimento de alívio, aliado à saudade que sentiremos, promete uma noite inesquecível. Quero sentir cada segundo. Fechando os olhos, vejo-me estacionando o carro sob a luz das lanternas coloridas que iluminam o jardim entre as pedras que servem de esconderijo para as carpas – parecem-me – gigantes para espaço tão pequeno.
Na chegada, o ar fresco de aroma agradável impregna nossa alma. Ao atravessarmos a pequena ponte em arcos e cercada de bonsais, percebo que o perfume da vegetação verdinha toma conta de mim e me deixo levar pela emoção.
Elegantemente vestidos para a ocasião, fomos recebidos por uma jovenzinha – eu diria uma gueixa – que nos acomodou num ambiente aconchegante: meia luz, meia voz, música suave, gestos delicados, sintonia perfeita que o momento pedia.
Atmosfera perfumada. Toalhinha quente em um saquinho para a higiene das mãos. Viajo. Vejo-me levada por fortes samurais para uma aldeia cercada de colinas verdejantes onde, no tatame improvisado, tenho aula de artes marciais. A leveza dos gestos, o respeito ao adversário, as regras, a disciplina rígida dispensam o conhecimento do idioma.
Respiro fundo. Olho para meu amigo, que tem os olhos marejados. Emoção... A separação é inevitável e, por alguns segundos que parecem eternidade, ficamos sem palavras, só observando cada detalhe da mesa cuidadosamente preparada. Vaso enfeitado com flores e frutas combinando com as louças. Guirlandas envolvendo os copos, pétalas de rosas sobre a toalha vermelha e branca...
Meu devaneio é interrompido pela gentil garota que nos traz o cardápio. Aceito a sugestão do meu amigo. Não era o mais importante naquele momento. Para entrada, sushi e sashimi não são novidades para nós, acostumados no trato com hashis, wasabis e shoyu.
No antegozo da espera, vislumbro as mãos ágeis e delicadas no trato com os alimentos do sushiman, de rapi muito limpo e com a faixa envolvendo a cabeça. Tudo especial: os apetrechos de cozinha, o ritual na confecção de cada prato. A concentração no trabalho esconde, com certeza, a saudade da terra distante, os familiares nunca mais vistos, coração dividido numa mescla de sentimentos que o amor à nova pátria e a miscigenação favorecem. A aproximação da garota com jeito de gueixa me tira da cozinha. Vestida a caráter, quimono colorido em tons de vermelho e branco, cor preferida dos orientais, o gracioso coque preso com grandes grampos, uma bela aparição...
Como é um dia muito especial e com sabor de despedida, curto cada segundo. Percebo cada detalhe e não me escapa o olhar triste da garota que, com um sorriso contido, parece esconder um sentimento que teima em se mostrar. É um olhar distante... Será um amor não correspondido? Alguém cuja espera se faz longa demais? Talvez seja paranóia minha numa transferência de um sentimento que é só meu... Lentamente nos servimos, medindo cada gesto. Sentindo o aroma gostoso dos pratos cuidadosamente decorados.
Pouco nos falamos, não há necessidade. Degustamos os alimentos em silêncio, envolvidos pela atmosfera reinante. Como prato principal, peixe guarnecido com legumes coloridos. O sabor característico, a leveza dos alimentos, a morosidade no trato com os hashis favorecem a concentração e a harmonia que o ambiente e a ocasião propiciam. Sensações confusas. O tempo passa vagarosamente... Ou corre demais? Há um misto de alegria e saudade antecipadas.
O chá verde digestivo de frutas e flores completa a noite. Tudo perfeito, não fosse a lágrima que teima em se fazer presente, mesmo sem ser convidada.

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Aromas na lembrança - Adelaide Dalva Tivelli Garbuio

Posso, com carinho, relembrar as coisas que minha mãe fazia aos sábados. A coisa de que mais gostávamos, as roscas que, depois de assadas, eram pinceladas com um pouco de açúcar mascavo.
No almoço, gostávamos de pastéis. Aos domingos, mamãe fazia o macarrão com tomates picados. Era muito importante que todos estivessem à mesa. Meu pai sempre agradecia a comida e meus irmãos respeitosos, jamais sentavam-se para as refeições portando chapéus ou sem as camisas, pois a mesa era abençoada e todos tinham amor aos alimentos.
Não tínhamos refrigerantes, as refeições eram acompanhadas da boa água do poço, que ficava no quintal.
Lembro-me de minha mãe cantando: “... a água a cantar: chuá, chuá, o rio a correr, chue, chue...”. O meu irmão, Waldemar, tocava violão. Fomos uma família feliz. Meu pai se chamava Alfredo Tivelli e, minha mãe, Filomena Somaio.

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Canarícules - Marinalda Codo

Fechar os olhos... Como se precisasse, para lembrar algo tão agradável. A recordação corre solta pela minha mente e começo a me lembrar da história dos famosos canarícules que mamãe fazia.
Ainda criança, minha única preocupação era a de comê-los, apenas isso, sem me importar com o seu significado ou com o trabalho que dava para fazê-los.
E como era gostoso simplesmente comer, comer e comer, pois eram feitos em grande quantidade.
Com o passar do tempo, mamãe começou a convidar a sua irmã mais velha para vir em casa e ajudá-la no preparo dos canarícules. A titia vinha e as duas passavam a tarde toda a prepará-los e eu, é claro, só chegava na hora de comer, comer e comer.
O tempo passou mais um pouco, e mamãe foi para o céu, com suas mãozinhas de fada e com todos os seus conhecimentos. E agora? Comer, comer e comer o quê?
Veio, então, uma grande idéia; convidei a titia, já bem velhinha, algumas amigas e uma prima também, para que juntas pudéssemos fazer o tal canarícules.
Titia apenas nos orientava, sentadinha na ponta da mesa. Nós colocávamos a mão na massa. Desta vez, eu fui anotando passo a passo a minuciosa confecção dos famosos canarícules.
Tão grande foi a minha surpresa que, modéstia a parte, me sai muito bem e, assim, aprendi a herança da família com titia, que, com suas mãos hábeis, nos dizia qual era o ponto da massa, como fritar e colocar no mel, tudo num ambiente da mais pura alegria e descontração.
Foi quando passei a entender o verdadeiro significado que tinha fazer os canarícules. A união, o entrosamento, a alegria e a satisfação quando, ao dar um pouco para alguns poucos vizinhos, poder dizer: “fui eu quem fiz”... E não apenas comer, comer e comer.
O tempo foi passando e, por mais alguns anos – dois ou três – eu reunia essas pessoas em minha casa para fazermos os canarícules, sempre no mesmo ambiente alegre e divertido, no qual eu podia ver os olhinhos da titia brilharem de felicidade e, dessa forma, ela me passou a herança da família.
Hoje, já sem titia, ao fechar os olhos e me lembrar de todos aqueles momentos e colocar este relato no papel, eu me lembro sim, claramente, de tudo. Mas, o que ficou, o sabor que tem, eu só posso dizer que tem o sabor de uma grande saudade, com temperos de muita paz, alegria e agradecimento por ter tido a oportunidade de aprender com titia o que não aprendi com mamãe.
Agora, fazer novamente, reunir os amigos, a minha prima, mas sem a titia, confesso que ainda não tive coragem.

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Lembranças saborosas - Iandara Palmero

O que me faz lembrar de algum fato envolvendo comida e sabores, até hoje, é uma grande lembrança dos domingos de minha mocidade. É gosto, cheiro e sabor de macarronada! O molho feito com tomate e pedaços de carne, o frango assado e a maionese.
Lembro-me, também, dos dias de chuva, nos quais minha mãe fazia questão que tomássemos café da tarde com bolinho de chuva e muitas outras coisas que só minha mãe – que foi uma mãe amiga, companheira e confidente – é que me faz lembrar, com muito amor, carinho e saudade.
Mas é uma saudade gostosa, feliz, por ter tido esta oportunidade em minha vida.