quarta-feira, 6 de abril de 2011
Quando doer, diga eu te amo...
Você se lembra da sua infância, quando caia e se machucava ? Lembra do que sua mãe fazia para acalmar a dor?
Eu me lembro muito bem o que minha avó a nona Ernesta fazia. Levava-me no colo até sua cama e beijava o machucado Então, ela se sentava ao meu lado, pegava minha mão e falava : - Quando doer, aperte minha mão e eu vou dizer : “Eu te amo”
Era sempre assim, eu apertava sua mão e sem falhar uma vez ouvia as palavras : “querida, eu te amo”.
Ás vezes eu fingia ter me machucado, só para passar por este ritual com ela. A medida que fui crescendo, o ritual mudou , mas minha avó sempre encontrava um modo de diminuir a dor e aumentar a alegria, em qualquer área de minha vida.
Numa época difícil, durante o segundo grau, ela tinha sempre os meus chocolates preferidos, quando eu chegava em casa.
Lá pelos meus vinte e poucos anos, vovó muitas vezes me telefonava num fim de tarde, convidando-me para vermos o pôr do sol ou o nascer da lua. Deixava bilhetinhos amorosos sobre meu travesseiro, quando chegava tarde em casa e quando fui morar sozinha, mandava-me docinhos caseiros, agradecendo as visitas que eu lhe fazia.
Mas, minha melhor lembrança, continuava sendo ela segurando minha mão quando eu era pequena e dizendo: “ Quando doer, aperte minha mão e eu vou lhe dizer: Eu te amo!”
Eu já tinha trinta e tantos anos, quando meu pai telefonou para o meu trabalho. Era um homem seguro e lúcido, mas a voz soava confusa e amedrontada.
- Filha, há algo errado com sua avó. Já chamei o médico, mas por favor, venha logo que puder.
Quando cheguei , papai andava de um lado para o outro na sala e vovó deitada no quarto , olhos fechados e as mãos sobre o peito. Chamei por ela tentando manter a voz a mais calma possível.
- Vovó, estou aqui.
- Querida, é você, ela balbuciou.
- Sim, vovó, sou eu.
Eu não estava preparada para a próxima pergunta e quando a ouvi, congelei, sem saber o que responder.
- Querida, eu vou morrer?
Meus olhos se encheram de lágrimas enquanto olhava minha avó querida ali, deitada, tão desamparada.
Ao tentar descobrir o que responder, pensei : - o que vovó diria num momento desses? Hesitei por um instante, esperando que as palavras viessem.
- Vovó, não sei se você vai morrer, mas fique tranqüila, tudo acabará bem.Apertei sua mão. “Eu te amo”.
- Ela gemeu: - Querida, sinto tanta dor.
Mais uma vez fiquei sem saber o que falar. Sentei ao seu lado na cama e me ouvi dizendo: - Vovó, quando doer, aperte minha mão e vou te dizer : “eu te amo”.
Ela apertou minha mão: - Vovó eu te amo.
Esta cena se repetiu muitas vezes, até a sua morte.
Nós nunca sabemos quando virão os momentos em que seremos testados. Mas, sei que , quando chegarem, com quem quer que eu esteja, oferecerei o ritual de amor de minha avó.
- Quando doer, aperte a minha mão e eu vou dizer: “eu te amo” !
sexta-feira, 26 de março de 2010
Exercício - Dilema Ético I
Delors (1925), um teórico da Educação, afirma que não basta que acumulemos uma reserva de conhecimentos aos quais recorreremos sempre que necessário. Nós temos que atualizar esse conhecimento, para que nos adaptemos a um mundo em constante mudança. LER é a forma privilegiada de fazer essa atualização. Na oficina de literatura nós temos uma oportunidade de realizar isso. Nós vamos recorrer à nossa arca de conhecimentos, mas também vamos renová-la.
O nosso primeiro exercício de escrita, em 2010, se relaciona justamente com a necessidade de atualizar nossos conhecimentos.
Nossa proposta: escrever uma narrativa cujo mote envolve um dilema ético que trata de questões referentes à tecnologia dos transgênicos, respeito ao meio ambiente e à vida.
Agradecemos de coração à querida Vera Gracia que digita os textos.
A seguir, os textos dos alunos, começando com o da D. Aurora Ferreira que fez uma reflexão sobre a Faculdade da Terceira Idade e sobre a nossa oficina.
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Reflexão - Aurora Ferreira Rodrigues
Admiro muito a capacidade de um escritor; as folhas tornam-se poucas para tanto assunto. Ainda tenho a esperança de poder escrever com facilidade tudo o que me ocorre. Temos compromissos, que, às vezes, nos causam aflição, por não podermos passá-lo para o papel.
O ler e o escrever tem muita importância para o ser humano, pois às vezes, é lido com um sorriso pela graça existente, não faltando, lógicamente o respeito. O comprometimento com o nosso trabalho feito com boa vontade é sempre exemplo aos mais novos. Com carinho ,ele se aprimora e rende mais.
Para nós, idosos, há uma validade imensa em frequentarmos a Faculdade da Terceira Idade. A frequência valiosa dos professores, as matérias oferecidas, contato com novos colegas, nos ocasionam tardes gostosas, incentivando o viver melhor. Tudo isto torna as férias muito longas.
Nos finais de semana, a visita dos filhos e netos ou nossa visita a alguém, também colaboram com o bem viver; o Horto Florestal ou jardins visitados deixam o desejo de breve retorno.
A cidade que quase virou fantasma - Maria Inês Dominiquini
Carmo do Rio Claro, uma cidadezinha do interior do sul de Minas Gerais.
Cidade linda, cercada de muito verde, montanhas, matas, plantações de café, pasto para gado e lindas fazendas. A cidade era cortada por rio do mesmo nome, Rio Claro.
Até então, tudo aí era só alegria. As crianças brincavam nas ruas, pescavam e nadavam no rio, uma cidade pacata e tranquila.
Foi então que aconteceu o pior, veio o progresso.
Uma multinacional escolheu o local para montar uma indústria química. Chegou o pessoal, junto o Sr. Haroldo, sua família, esposa e dois filhos. Ele e sua família ficaram encantados com a cidade.
O Sr.Haroldo era engenheiro químico e ficou responsável pela industria..
Tudo ia muito bem, até que um certo dia, o Sr.Haroldo descobriu um vazamento em uma tubulação. Este vazamento iria contaminar as águas do lindo Rio Claro.
O engenheiro chamou os diretores da indústria e apontou o problema que iria afetar a população da pacata cidade. Os diretores, diante do problema, resolveram ficar quietos e continuar com a produção, pois teriam prejuízo, caso parassem a indústria para o conserto.Pediram o silêncio do Sr. Haroldo ou então a perda de seu emprego.
Sr. Haroldo passou dias e dias pensando no problema, na população , que já era como sua família, em seus filhos, amigos, enfim , em todos, pois o Sr.Haroldo era um homem muito honesto.
Depois de muito pensar, resolveu fazer o que achava melhor ... denunciar o problema às autoridades municipais. A fiscalização foi até a indústria e a interditou, até que o defeito fosse corrigido.
Assim o Sr.Haroldo pode ficar em paz com sua consciência. Obrigado Sr. Haroldo por sua coragem!
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Árvore das palavras - III
Amor - Adelaide Dalva T. Garbuio
A palavra mais linda que vivemos é o amor, que acontece dentro de nós e está em tudo o que vivemos.
O amor é palavra que ressoa dentro de nós por toda a vida. Saí da casa de meus pais e fui viver com meu marido. Fui muito feliz, porque através de nossa caminhada juntos, com muito amor, formamos uma bela família. O nascimento dos nossos filhos foram as dádivas que Deus nos deu, o primeiro Cláudio Renato, depois a Claudete, Claudinéia e Claudia Regina.
A nossa caminhada foi grande, mas hoje estamos felizes. Por isso, mais uma vez, posso dizer que a nossa grande felicidade é sempre estar recordando o que recebemos na nossa vida, digo, filhas e filho e depois os netos, que são a alegria de nossas vidas.
O que escrevi é real, formamos uma família, com dignidade. Passamos para todos que compartilham junto a nós esta vivência, para que sejam felizes como nós fomos e somos.
A grande graça é caminharmos com Deus e Maria que vivem dentro de nós, isso é Amor!
À professora Sandra, nossa mestra querida!
Perdão - Rosemarie B. G. Bobbo
Desculpar é humano. Perdoar é divino !
Na Bíblia Sagrada existe a palavra PERDOAR e PERDÃO, 79 vezes, vemos só por ai, o quão importante ela é.
No salmo 25 versículos 11 e 18, que foi escrito pelo 2. Rei de Israel, Davi, que viveu mil anos antes de Jesus Cristo, se lê:
“Por causa do teu nome, SENHOR, perdoa a minha iniqüidade que é grande.
Considera as aminha aflições e o meu sofrimento e perdoa todos os meus
Pecados!”
No salmo 32, também de Davi, lemos:
“Bem aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada e cujo pecado é encoberto”
E o salmo 78 nos diz:
“Ele porém, que é misericordioso, perdoa a iniqüidade e não destroe; antes
desvia a sua ira e não dá largas á sua indignação.”
E no salmo 103, Davi nos diz ainda:
“Ele é que perdoa todas as tuas iniqüidades e que sara todas as tuas enfermidades.”
E em Mateus 6, lereis:
“Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai Celeste vos perdoará”.
“Se porém, não perdoardes aos homens (as suas ofensas contra vós) tampouco vosso Pai Celeste vos perdoará as vossas.”
“Se confessarmos os nossos pecados, ELE é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar de toda injustiça.”
E, em Mateus, capítulo 12, lemos algo de suma importância:
“Por isso vos digo. Todo o pecado é blasfêmia. Serão perdoados aos homens (se realmente se arrependerem e pedirem perdão á Jesus Cristo, Filho de Deus, o qual por nós morreu na cruz) mas... a blasfêmia contra o Espírito Santo, jamais será perdoada”.
As palavras ESPÍRITO SANTO, estão na Bíblia Sagrada 170 vezes:
A pessoa que não é realmente cristã, tem somente uma natureza: a Adâmica, quando vem a tentação ele cai nela e lhe obedece direitinho.
O cristão convertido á Deus e á seu Filho Jesus Cristo, tem duas naturezas, a Adâmica que permance e a Cristã.
Portanto, ele tem a opção de não obedecer quando as tentações aparecerem.. Ele não cai mais??? Cai sim, mas só as vezes e então corre para Cristo e arrependido, pede perdão.
Deus não é DITADOR ...obedecer-lhe ou não, é opção nossa. Só que. Quando realmente CREMOS ... o Espírito Santo nos alerta ... CUIDADO ...
Sorriso - Contribuição de Maria Inês Dominiquini
Um sorriso não custa nada e produz muito. Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem o dá.
Ninguém é tão rico que não precise dele e ninguém é tão pobre, que não possa oferecer um sorriso. Dá repouso ao cansaço e ao desanimado, renova a coragem e é consolação na tristeza.
Ninguém necessita mais de um sorriso do que aquele que não sabe sorrir.
Respeito - Cleudnéia Zavarello
Respeito é uma atitude que procuro praticar todos os dias. Acho o respeito muito importante, tanto para praticarmos com todas as pessoas e em tudo que usamos, como que tenham com a gente e com nossas coisas.
É muito deselegante quando não respeitam as pessoas, animais, praças, telefone público, ruas, escolas. Na família, acho o respeito mais forte que o amor, pois na minha opinião, o amor não mantém uma relação e o respeito sim.
Se o ser humano respeitasse mais um ao outro, não teríamos necessidade de tantas leis. Tudo na vida tem que ser trabalhado
Exclusão - Parte II
Identidade: elemento fundamental na personalidade humana
Ficção de Antonio Moreira
Alegre e generoso, recebeu-me principescamente. Ato contínuo, disse-me: “nossa amizade, como toda amizade, tem um toque de eternidade, pois embora distantes físicamente há mais de dez anos, sempre nos fizemos presentes pelos contatos, telefônicos e por cartas que mantivemos, no decorrer de nossas histórias.”
Respondi-lhe, concordando literalmente com suas palavras, verdadeiras e sinceras, sobretudo. Prosseguindo em sua manifestação de confiança e afeto, confessou-me o seguinte: “Sou um homem de vida equilibrada, tenho um casamento com a Carmen, a qual me completa. Entretanto, minha vida tem um lado muito triste, que me faz, de certa forma, irrealizado. Talvez você não saiba, certamente por omissão e constrangimentos meus. Nasci e fui criado sem ter ouvido – jamais – falar em meus avôs paternos, o mesmo ocorrendo, evidentemente, com meus irmãos, Pedro e Paulo. Geneticamente não podemos deixar filhos consangüíneos, pois somos estéreis; nosso sobrenome vem de uma ficção estúpida de um cidadão metido a filósofo e a conquistador, que o acaso destinou para ser nosso pai. Este homem nos fez um grande mal para o resto de nossas vidas, tirando o nome do nosso avô de nossos nomes, o que é uma indignidade. Entretanto, para satisfação nossa tivemos informações seguras de que nossos avós,pais do meu pai, eram pessoas íntegras. Quanto ao meu avô, que se chamava Márcio Duarte, em momento algum fora procurado pelo meu pai. Ele, meu avô, como disse, era homem honrado, digno e leitor incansável, além de haver estudado Arquitetura. Apelidaram-no, a propósito, carinhosamente com o nome de grande escritor francês, fato que nos deixou orgulhosos. O perfil desses avós, que me foi passado por pessoas da mais alta credibilidade, muito me alegra: pelo menos ameniza minhas frustrações. No entanto, não me afasta a tristeza de não ter identidade, que é a muleta psicológica e espiritual de todo ser humano que se preza e quer viver melhor e completado perante a Sociedade.
Considero-me um sobrevivente, embora tivéssemos, eu e meus irmãos, uma mãe maravilhosa, a qual amávamos loucamente.
Peço desculpas ao amigo pelo desabafo amargo e para completar, trago-lhe uma notícia assombrosa relativa a meu avô, Márcio Duarte, o qual, não suportando a humilhação e a indignidade de ver seu nome extirpado dos nomes de seus netos, suicidou-se.
“Relativamente a meu pai, deixo de mencionar seu prenome, por questão de higiene mental ...”
Exclusão - Licia Monaco Perin
Logo no início da criação do homem, segundo a Bíblia, houve a primeira exclusão – a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden.
A partir daí, a exclusão acompanha a raça humana e se “aprimora” cada vez mais, com sutileza suficiente para aniquilar os mais fracos ou desprovidos de armas contra tal ato desafiante para a personalidade humana.
Quando nasci, fui incluída entre os “humanos”.
Crescendo, em fases sucessivas de minha vida, vi-me incluída ou excluída de certos procedimentos ou grupos. Deus nunca me perguntou se eu queria ou não continuar na vidinha acomodada em que vivia no momento: simplesmente eu sentia que era o fim, que eu deveria aceitar isso como definitivo, virar a página e “partir para outra ...” .
Foi assim com minha infância, com meu período escolar, com minha participação nos esportes, com minha profissão.
“Estabilidade?” Só com minha família e meus amigos.
Lógico que, mudanças geram, quase sempre , sofrimento e transtornos em nossas vidas . É tão bom ficar estagnada em “porto seguro”, sentir que não há perigo nos desafios que surgem para nos provocar. Mas, diante disso, penso sempre – “que vida vazia, que chatice, que desperdício de tempo, de vida ...”
Há trinta anos passei por um grande desafio: enfrentar uma mastectomização total, reagir e viver uma nova vida ou entregar-me àquilo que era esperado em casos iguais ao meu – ficar à margem da vida, abandonar meus projetos, encolher-me dentro de mim mesma ou esquecer, minimizar minha exclusão e valorizar cada minuto da sobrevida que me estava sendo oferecida...
Quanto preconceito. Quanta ignorância. Quanta palavra dita sem pensar! Quantas flechas atiradas contra minha auto-estima ...
De tudo isto, colecionei a solidariedade, só me lembrando da amizade de tantos que eu até nem conhecia; a compreensão e apoio da família. Restou-me, também, a certeza de que a exclusão caminha conosco, que o ser humano pode se comprazer em diminuir o seu igual, machucando os que caem e não se levantam, aos que choram e não enxergam que “as nuvens podem encobrir as estrelas, mas que as nuvens passam e as estrelas ficam ...”
O preconceito de uma mãe - Maria Inês Dominiquini
Quando me formei fui trabalhar numa cidadezinha do interior. Trabalhava com crianças especiais e também com as mães.
Um dia uma mãe me disse que na saia com a filha, pois todos tinham preconceitos de criança com síndrome de Down. Inclusive a mãe, como percebi.
Então ela me perguntou, como é criar uma criança especial, sem preconceito.
A comparação que me ocorreu foi a seguinte.
Esperar um bebê é como planejar a fantástica viagem de férias com que você sempre sonhou para a Itália. Você compra um monte de guias e faz planos maravilhosos. O Coliseu, o David de Michelangelo, as gôndolas
Depois de meses de expectativa, finalmente chega o dia da viagem . Malas prontas, você entra no avião e algumas horas depois a aeromoça vem e diz : - Bem vindos à Holanda ...
Holanda? Como assim, Holanda?
Você se espanta : “meu voo era para a Itália. Sonhei a vida inteira em viajar para a Itália”. Mas houve mudança no plano... Aterrissaram na Holanda e este é o seu destino agora.
O importante é que não a levaram a um lugar horrível, desagradável e sujo, cheio de epidemias, fome e doenças. É só um lugar diferente.
Então, você tem que sair, comprar novos guias, aprender uma língua nova e conhecer pessoas que nunca teria conhecido se tivesse ido para a Itália. É só um lugar diferente.O ritmo é mais lento do que o da Itália, a luz menos brilhante, mas depois de estar lá por algum tempo, você toma fôlego, olha em volta e começa a notar que a Holanda tem moinhos, tem tulipas, a Holanda tem até Rembrandt!
Mas, todo mundo que você conhece, foi e voltou da Itália comentando maravilhas do tempo passado lá. Pelo resto da vida você dirá: - era para lá que eu deveria ter ido; era isso que eu tinha planejado!
E a dor do seu coração nunca, nunca mesmo irá embora completamente, porque afinal a perda desse sonho é muito significativa.
Mas, se você passar a vida lamentando o fato de não ter ido para a Itália, talvez não possa descobrir e aproveitar o que existe de tão especial e todas as coisas adoráveis que viu na Holanda.
Depois desse dia, essa mãe entendeu o que é uma filha especial.
Hoje ela é muito feliz, ama a filha e não se envergonha. Aprendeu a lição.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
A rosa de Paracelso II
O que não gostaria de perder no tempo é a palavra, em toda sua essência, significado e poder de reflexão.
Se a perdermos, não haverá histórias: de vida, de humanidade e de consciência.
Lembro com saudades das palavras de estímulo e garra na fala de meu pai: "estude, aprenda o que mais puder. Esta vai ser a maior herança que posso te dar, a qual ninguém poderá tirar de você.”
A rosa da partilha - Iandara Palmero
Eu com sete anos de idade, meu irmão com cinco. Hora do almoço e minha jovem mãe com apenas 23 anos, fritando os bifes(apenas quatro) na frigideira de ferro. Fritava também as rodelas de cebola, do modo que apenas ela sabia fazer. Terminada a fritura e servidos os bifes, eu e meu irmão entrávamos numa competição pela gordurinha da frigideira. Mas, sempre chegávamos num acordo pelo direito de passar o pão na gordurinha da frigideira. Um gesto simples, que só as crianças sabem valorizar. No entanto, decorrido tanto tempo ainda me lembro com carinho minha infância modesta (bem modesta), enriquecida pela ternura materna e pela autordade paterna exercida com moderação e equilíbrio.
A rosa da expressão - Marinalda Codo Rossetti
Devo confessar que cheguei em casa bastante frustrada da nossa ultima aula. Como trabalho para Oficina de Literatura eu deveria ter escrito sobre a Rosa de Paracelso, mas não fiz porque nada me ocorreu; nada, não, mas tantas coisas que não consegui me concentrar em nada específico.
Falar da Fé, da música da sinceridade, dos livros, da palavra, das coisas simples, dos elos do voluntariado, dos valores e hábitos cristãos, do que nada é por acaso e da convivência humana, que foram muito bem explorados.
Tive a idéia de escrever sobre como chegamos até aqui. Como foi encontrar uma pessoa tão maravilhosa, com tamanha garra, amor e conhecimento sobre literatura e tão carismática a ponto de faze com que soltemos de o melhor , aos poucos, devagar e em grande estilo, revelando em nós o que jamais imaginamos ser possível.
Como nos transportamos para o Paraíso em 50 minutos dessa aula e o que captamos sobre a literatura e conseguimos nos expressar se deve ao fato da maneira como nos é pedido, ou seja, da forma clara, simples e transparente com que chega até nós e junto com a sincronia que existe na classe fica muito fácil de captar.
Como a união dessa classe com a professora se tornou uma simbiose de prazer e realização e como nos entregamos a este prazer. Devemos brindar, comemorar essa simbiose.
Devemos celebrar estes 50 minutos tão rápidos, mas tão intensos. Devemos celebrar a vida que nos deu essa oportunidade. Devemos escrever, sim, e muito, não só para nós mesmos, mas porque não? Para a eternidade!
Assim, posso dizer que tivemos muito mais sorte do que Paracelso, porque além de termos uma grande incentivadora, nós transmitimos o que queremos, e o que é melhor, muito melhor nós nos realizamos com isso.
Minha lembrança de infância - Maria Inês Dominiquini
Essa é uma história ou lembrança, que gostaria que nunca fosse esquecida.
Lembro-me que, ainda criança, todas as tardes, na cidade do interior onde morava, eu
gostava de ir espiar o realejo que na praça ia tocar.
O homem amigo sentava-se no banquinho e esperava alegre pelo seu amigo
macaquinho.
O macaco treinado para não poder errar.
Quando dentro da caixinha a moeda foi jogada.
Quando a música tocava , o macaquinho ensinava pra criançada , a dança do samba e baião.
Muita gente ficava sentada e conversando.
Enquanto o realejo espalhava suas canções pelo ar.
Por isso, eu gostaria que todas as pessoas, tivessem as tardinhas para apreciar, na
pracinha, perto de casa, o realejo que ali fosse tocar.
Minha descoberta pessoal - Letícia Delbel Brunelli
Na semana passada, voltando para casa, fui pensando como eu iria responder a pergunta da tarefa pedida.
Logo me passou pela cabeça uma descoberta que fiz ultimamente: “ Nada é por acaso”.
Chegando em casa, ao guardar meu material na escrivaninha, deparei com uma velha caderneta de anotações.
Senti vontade de abri-la e achei um pedaço de papel amarelado, escrito por mim, mas que nem me lembrava mais.
Nele havia frases que falavam de Deus, sofrimento e oração.
Na primeira frase estava escrito: “Nada vem por acaso, tudo provém da vontade de Deus. Preste atenção nos pequenos acontecimentos e considere-os como saudações de Deus”.
Então, assim confirmado, por acaso, escrevi minha resposta:
Ao longo do meu caminho, fui observando fatos surpreendentes, mas que por ocorrerem perante nossos olhos tantas vezes, nós nem prestamos atenção : a suavidade da chuva, a beleza das flores, o canto dos pássaros, a melancolia do entardecer, a magia da noite...
Dia após dia, essas sensações vão se tornando corriqueiras e normais.
Mas, também existem coisas que acontecem, às vezes, e nem prestamos atenção, pois
nos parecem meras coincidências : achar uma concha perfeita na areia, ver um beija-flor pairar no ar na frente de uma flor, receber uma flor inesperada, encontrar uma frase num livro que nos emociona, achar uma pessoa amiga por “acaso”...
Então, de um tempo para cá, fui começando a notar que coisas casuais apareceram em minha vida, como que “por acaso”.Quanto mais atenta eu ficava, mais eu percebia essas ocorrências, que provavam que esses “acasos” estavam me levando novos rumo e nova descobertas.
Hoje, eu gostaria de compartilhar com meus filhos e meus amigos esta crença maravilhosa, de que Deus sussurra silenciosamente para nós e que devemos estar atentos, com nossas mentes e nossos corações para ouvir e sentir nessas pequenas coincidências, o Sopro Divino e nos emocionarmos ao saber o quanto somos amados por Ele.
Herança de família - Silvia Galvani
Passei a refletir sobre o assunto. É uma idéia da qual não se pode fugir, quando se dá conta de que os anos restantes são muito menos que os já vividos. E, o que deixar para os que continuarão a viver depois de nós? Não penso nas coisas que fui ajuntando durante a vida, mas nas coisas de que tanto gosto e que me dão prazer: minhas poucas orquídeas, com a recomendação de que não as deixassem de molhar ou as inúmeras receitas trocadas com colegas, ou através de cursos de culinária e algumas até gravadas, tempos atrás.
Acho que para eles não tem importância alguma, só darão mais trabalho. Estão ai, bem ao alcance das mãos, é só quererem e poderão fazer uso delas.
O que realmente desejo que fique, são os valores e hábitos cristãos que recebi de meus pais, tanto por meio de palavras, como de exemplos.
Antes, porém, preciso fazer algumas perguntas: Será que amei o meu próximo como a mim mesma? Tratei as pessoas como queria ser tratada? Pratiquei a justiça, amei a misericórdia e andei humildemente com Deus?
Que rosa ficará? Cleudnéia Zavarello
Quando fiquei pensando em alguma coisa para escrever, me vierama à mente as qualidades que eu trazia nas minhas lembranças, das avós, mãe, madrinha, tias e amigos; que, talvez, no momento em que estávamos juntos, não me eram tão marcantes. Hoje penso: deveria ter aprendido mais com elas a fazer aquele pão, aquele crochê e outras mil coisas.
Muitas vezes na minha vida, quando estou fazendo algo, mesmo no cotidiano, vejo um jeitinho de Vó Maria, Vó Adelina, mãe Cida, madrinha Júlia, , das tias e amigas .
Então chego à conclusão que carregamos alguma coisa de todas as pessoas que passaram nas nossas vidas.
E, com certeza, a mesma coisa vai acontecer com meus filhos, netos, sobrinhos, afilhados e amigos.
Alguma coisa da Néia vai ficar. Gostaria que fosse o Amor e respeito pelas pessoas.
Transmitir, sempre; esquecer, nunca. Preservar. Rosemarie B.G. Bobbo
Desde 1500, em minha família, a fé em Deus, seu filho Jesus Cristo e no dom inefável do Espírito Santo, sempre foram, serão e espero que nunca deixem de ser o MAIS IMPORTANTE E SEMPRE TRANSMITIDO DE PAI PARA FILHO...
Depois que dissermos: “SENHOR, dispõe de mim, não quero mais ser eu que mando em minha vida, mas sim TU!” Nossa vida torna-se uma maravilhosa aventura... Notando-se que Deus não se esquece de nos dirigir, nem um instante sequer e que não existem mais coincidências.
Não nos transformamos em Santos , mas, como Jesus morreu por nós na cruz, Ele nos perdoa e como aprendi na escola dominical, quando eu era criança, Jesus joga nossos pecados no mar e coloca uma placa muito bem afixada, com os dizeres: “É PROIBIDO PESCAR.”
‘Um conselho de uma mulher de 76 anos”
Não durma a noite sem ter lido um trecho da Bíblia Sagrada...Se não estás acostumada, comece por João, depois Atos e vá até Apocalipse, um capítulo a cada dia, pedindo antes sempre a unção do Espírito Santo. Depois, leia a Bíblia toda, começando por Gênesis... devagar e pensando no assunto. Leia com seu marido ... filhos... netos... a qualquer hora e ore.... converse com Deus, como se Ele estivesse sentado ao seu lado, sempre em nome de Jesus e sobretudo AGRADECENDO E LOUVANDO SUA SUPREMA SANTIDADE, pois Ele não é nosso servidor, para somente atender pedidos
e jamais TE CONCEDERÁ UM PEDIDO QUE TE POSSA AFASTAR DELE , POIS
NOSSA SALVAÇÃO É MAIS IMPORTANTE PARA ELE, DO QUE NOSSOS BENS, SAÚDE, etc... ELE NOS AMA PROFUNDAMENTE E ELE É O ÚNICO DEUS QUE EXISTE...
A BÍBLIA diz: “Porquanto há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus que já foi homem” l. Timóteo 2:5.
“Mas a todos, quantos o receberem, deu-lhes o poder e serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em seu nome”. João 1:12.
Todos nós nascemos criaturas de Deus e somente nos transformamos em Filhos, quando não somente nos convencemos, mas nos convertemos, entregando nossa vida á Jesus.
Jesus não fundou nenhuma religião, Ele fundou a FÉ NO PAI, NO FILHO E NO ESPÍRITO SANTO ... E é esta, que tanto Católicos como Evangélicos tem: A palavra
DEUS está inserida 289 vezes na Bíblia Sagrada!
ESQUECER NUNCA, QUE TEMOS MUITAS RELÍQUIAS, SIMPLES, MAS QUE NOS LEMBRAM NOSSOS QUERIDOS ANTEPASSADOS ...
Meu marido tem um violino, guardado com carinho, que foi produzido por meu sogro.
Não é um Stradivarius, porém, tem um som maravilhoso. Nosso faqueiro tem uns 200 anos, o qual usamos somente no Natal. Temos também duas panelas que tem cerca de 300 anos, uma é de ágata e está perfeita. Tenho ainda um BIDERMEIERARBAND, uma pulseira que meu Tataravô trouxe do Egito para sua filha e desde então, fica sempre com a mais jovem das Grassmann, como, por meus últimos antepassados terem sido somente homens, sou a última mulher com esse sobrenome, logicamente de nossa ramificação. Assim, essa pulseira, que inclusive está no dicionário, ficou para mim ...
É composta de ouro antiguíssimo e 135 granadas, uma espécie de rubi... Seu valor é mais pela antiguidade, do que comercial ...
E, PRESERVAR PRECISAMOS, ENTÃO: NOSSA FÉ EM CRISTO, DAR VALOR E HONRA AOS QUE NOS ANTECEDERAM E QUE NOS DERAM TANTOS CONSELHOS ÚTEIS E AS PEÇAS OU OBJETOS QUE NOS FAZEM LEMBRAR ÉPOCAS EM QUE AINDA NÃO VIVÍAMOS ...
