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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.
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quarta-feira, 13 de julho de 2011

INTERPRETANDO RIO CLARO - “CIDADE AZUL” SENSORIALMENTE

Texto de D. Maria de Lourdes Pinto 
Em uma fria manhã do mês  de junho de 1958, chovia levemente na  “Terra da Garoa”. Com muita tristeza eu, meu esposo, minha filha de oito meses e meus pais deixamos São Paulo. 
Mas havia um pormenor que compensava essa melancolia; iríamos iniciar uma nova vida, com novos empregos. Fomos contratados, eu e meu esposo para trabalharmos na Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Rio Claro,SP, que estava iniciando suas atividades. 
Viajamos de trem da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, vagão pulman, muito confortável. Desembarcamos na estação de Rio Claro. Trouxemos apenas algumas malas, os outros pertences deveriam chegar com a mudança que seria descarregada na Avenida 5 com a Rua 4, em nossa futura casa, antiga, mas acolhedora, alugada com bastante antecedência, para ser pintada e limpa. As ruas não tinham nome, eram numeradas, achei muito interessante.
Tarde agradável, temperatura amena; tiramos nossos agasalhos. Clima tão diferente de São Paulo ... Rio Claro nos recepcionou  bem. À primeira vista tivemos boa impressão. Notei que as ruas e avenidas eram limpas e sem buracos, belos jardins, lindas praças. 
No dia seguinte acordamos cedo, com o apito do trem chegando na Estação; apesar do cansaço da viagem e de algumas arrumações necessárias para nos acomodarmos, tivemos que nos levantar. 
Estávamos todos ansiosos para conhecer com maiores detalhes a vida desta cidade interiorana.
Meu pai, idoso, muito metódico, acordou mais cedo do que os demais. Aprontou-se: terno, gravata e chapéu, como de costume e saiu para comprar pão e leite na padaria, próxima de nossa residência.
Um pouco mais tarde deixando a nenê com minha mãe, sai para fazer algumas comprinhas.
Caminhando vagarosamente, reparando nos números das ruas e avenidas, pois não conhecia a cidade, me informando onde ficava a quitanda e açougue, olhei distraídamente para o céu, me chamou a atenção, estava completamente azul, puríssimo, sem nuvens, de um belíssimo azul, como o manto de Maria, me emocionou.
Chegando em casa, comentei com meu pai, ele como sempre tinha uma história para me contar.
- Minha filha, perto do jardim público, aliás, muito bonito, tinha uma banca de jornal e conversando sobre Rio Claro, o jornaleiro me informou que a cidade se chama Rio Claro “Cidade Azul”. Gostei da explicação. Estou aprendendo.
Satisfeita com a explicação de meu pai, volto a narrar o que me chamou  a atenção também:
Dois apitos que soam diáriamente muito fortes em horas certas, de doer os tímpanos. Depois fiquei sabendo que eram da Cervejaria Caracu.
Ouve-se também o sino da Igreja Matriz, na Praça da Liberdade, repicando alegremente, chamando os fiéis para as missas dominicais.
Outros sons que ouvimos de minha casa, eram os acordes das orquestras que abrilhantavam os bailes da S ociedade Filarmonica Rioclarense aos sábados e também os sons dos bailes carnavalescos daquele clube.
Hoje, passados os anos, já não se ouvem mais alguns destes sons mencionados nesta narrativa.  Eles me fizeram esquecer o borburinho da capital paulistana e  eu me tornei uma Rioclarense,  “Graças a Deus.”

domingo, 19 de junho de 2011

Relíquias de Família



Texto de Maria de Lourdes da Silva Pinto


Em minha casa possuo muitas relíquias de família, como: móveis de sala de jantar feitos no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo., que pertenceram aos meus sogros; quadros, porcelanas, diversos cristais, lembranças da vida dos entes queridos que já nos deixaram.
Entretanto, que me emocionaram muito são: uma caixa de cartas, amarelecidas pelo tempo, escritas pelos meus pais - João Alfredo e Maria - e pelo meu avô materno - João Carvalho - que não cheguei a conhecer. Estas cartas contam fatos de suas vidas. Ao lê-las, senti o quanto o amor e o carinho eram importantes para eles.
Transcrevo aqui, na íntegra, uma carta de meu avô João endereçada ao meu pai, que me emocionou, deveras, cujo assunto era a resposta do "pedido de casamento" e meus pais ao meu avô:

"João Alfredo,
Fiquei satisfeito com a tua carta. Estamos entendidos. Auguro que serão felizes. A Maria é boa mocinha. Não tem preparo, mas havendo indulgência de parte a parte tudo caminhará bem. Devemos confiar 'Naquelle' que distribue com abundância os seus tesouros às nossas pobres creaturas, a quem devemos nos envergonhar da nossa pequenes, porque 'Salomão', me parece que foi ele, no livro da Sabedoria, disse: 'Que o pó, o humile pó também se elevou às alturas'. Há, além disso, o atavismo de família. Os avós dela foram bondosíssimos e de probidade invejável. Por conseqüência, Avante!
Causa lástima a posição do 'Hermes*'. Aquilo é um pandemonium. Estão doidos. E o tropeiro lá se foi para o Sul, a cata de novas diabruras. Que fique por lá e não volte mais. São os meus desejos.
Excetuando eu, todos daqui vão passando bem. Antes de ontem fiz 70 anos, porisso o miolo está esfarelado.
Saudações a todos e até.
Teu amigo certo,
João Carvalho.
São Paulo, 27 de janeiro de 1912."

Continuando, a outra relíquia, também importante para mim, é um porta-guardanapos de prata, que pertenceu à minha tia Maria Santos, irmã de meu pai. Esta relíquia possui grande valor estimativo. Titia, quando entrou para o convento de São vicente de Paulo, como freira vicentina trocou o seu nome, como era de praxe, por Luiza de
Marillac, discípula do santo. Ela também fez votos de pobreza, de modo que seus pertences de valor foram distribuídos. Ao meu pai ela doou o porta-guardanapos que, após o falecimento de meu pai, foi entregue a mim, como recordação de titia Maria. 
Por isso, escolham com atenção; criem e renovem espaços de suas casas com a mistura de móveis, enfeites e relíquias da família, herança de familiares queridos, não vendam e não doem. Enquanto viverem, conservem essas preciosidades.


* Referência ao presidente do Brasil, Hermes da Fonseca.








quarta-feira, 6 de abril de 2011

Recordar é viver

Maria de Lourdes Santos Pinto


Dando tratos à minha memória, veio-me a imagem do Museu do Ipiranga, ícone da História do Brasil.


Ao completar dez anos, ganhei como presente de meu pai a visita deste Museu, o mais antigo da cidade de São Paulo. Foi maravilhosa. Papai era professor, eu e ele fazíamos inúmeros passeios , eu adorava a sua companhia. Ele tinha sempre uma sábia explicação para tudo o que víamos de interessante. E assim aconteceu no Museu. Ele me deu uma aula de História do Brasil muito proveitosa.

Passaram-se os anos, minha infância, minha juventude, mocidade e agora cheguei á idade das recordações, umas tristes, outras alegres, mas todas fazendo parte de minha vida.

Numa manhã, não muito distante, participando de uma excursão á São Paulo, com um alegre grupo de colegas da terceira idade, da Faculdades Claretianas. Partimos de ônibus para uma visita ao Museu do Ipiranga. Eu estava meio ansiosa para chegarmos, pois iria rever, após longos anos as maravilhas do Museu, o mais antigo da capital do Estado, inaugurado em 1895.

Chegamos !

O que meus olhos viram, me causou assombro: uma imensa construção rodeada de belíssimos jardins, muito bem cuidados; são uma réplica dos jardins do Palácio de Versailles,na França. Fiquei maravilhada, “ganhei olhos de poeta” ... “os poetas ensinam a ver”; mas, ver é muito complicado. Cada pessoa enxerga de maneiras diferentes. Há pessoas de visão perfeita e nada vêem.

Outras construções também são vistas: a Casa do Grito, o Monumento da Independencia e a Capela Imperial Leopoldina. O prédio do Museu é majestoso e é dividido em três partes: o subsolo, o térreo e o primeiro andar.

Em cada uma delas existem salas ilustrando partes diferentes da história de São Paulo e do Brasil.

O que mais me chamou a atenção foi o saguão de entrada, lindíssimo. Do lado esquerdo da escadaria de mármore branco há um corredor onde se encontra um carro de bombeiro movido á tração animal, muito interessante. Na ala esquerda estão inúmeros quadros que ilustram o início da história do Brasil, como a primeira Missa e Desembarque de Cabral em 1500.

Finalizando, no primeiro andar, fica o Salão Nobre; ai me deparei com a imensa tela da Independência ou Morte. Esta não me saiu da memória, pois ocupa quase toda a parede da sala. Esta tela foi uma das imagens que ficaram gravadas em minha memória, e após setenta anos, ao vê-la novamente, trouxe-me saudosas recordações da minha infância, quando visitei o Museu com meu saudoso pai. Lembro-me ainda de suas palavras sobre a vinda da corte portuguesa para o Brasil. Ele me narrava a história do Brasil com profundo conhecimento ; eu me encantava em ouvi-lo.

Voltando ao presente, na sequência, faço um comentário ; vale a pena conhecer o Museu do Ipiranga.

Muitas de nossas colegas ainda hoje na Faculdade, tiveram a felicidade de visitá-lo, onde pudemos ver um grande acervo de esculturas, quadros, louças, jóias, peças religiosas e documentos, encantando nossos olhos e ampliando nossos conhecimentos sobre a história da Sociedade Brasileira, entre os séculos XIX e XX.

Aproveitando esta oportunidade, quero prestar uma singela homenagem ao meu pai.

“Papai, que você esteja junto do Pai Eterno!”

“Papai, minhas eternas saudades!”

Você foi para mim ‘’Pai”, “Amigo” e “Mestre”.

Sua filha, Maria de Lourdes.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Meu amigo Calopsita - Kalu




Ele é um pássaro muito observador. Seu nome é Kalu.
Seu comportamento:
Quando êle está descansando ou relaxando, fica empoleirado com uma perna no poleiro. Nesta posição, aproveita para tirar uma soneca. Quando ele abaixa a cabeça, representa a confiança que êle deposita em mim, para receber carinho. Quando sua crista está em posição normal, significa que Kalu está relaxado e calmo; crista erecta, significa atenção; se o penacho estiver abaixado, significa que ele está concentrado ao que está em seu redor.
Kalu range o bico, sinal que está feliz, mas quando grita com freqüência, frenéticamente, significa que está se sentindo sozinho, ou, que quer sair da gaiola, ou está com medo, ou fome, ou estressado. Êle se comunica através de trejeitos, gritos ou assobios, etc.Quando está espreguiçando, está se descontraindo, está dando boas vindas, está alegre.
Algumas vezes noto que suas asas estão bem abertas, com o corpo para baixo, batendo as asas para voar. Quem sabe, tenha vontade de fugir para ser livre.
Seu comportamento precisa ser respeitado, inclusive as horas de sono que são preciosas (ao cair da tarde até a manhã seguinte).
Não irrito meu calopsita para não estressá-lo, o que culminaria em doenças.
Aprendi que são os machos que assobiam, cantam e podem até imitar palavras. Êles são mais vocalizados. Kalu canta o início do Hino Nacional, assobia, imita palavras com facilidade, mas não forcei seu aprendizado.
Êle é uma ave granívora, isto é, tem o ato em si de descascar as sementes com o bico. Sua alimentação consta de verduras, frutas, sementes, farinha de ovo e suplementos vitamínicos.
Não é toda hora que Kalu está disposto para uma brincadeira, um carinho, Sua privacidade precisa ser respeitada, principalmente ao cair da tarde.
Meu calopsita é bem tratado : conservo sua gaiola limpa, seu bebedouro sempre com água fresca, dou-lhe boa alimentação e trato-o com respeito e carinho. Apesar de viver engaiolado, ele é um pássaro saudável.
Kalu é meu amiguinho. Eu cultivo esta amizade!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Exercício: Infância

Um fato da infância - MARIA DE LOURDES DOS SANTOS PINTO


Este fato aconteceu, se não me falha a memória, na capital de São Paulo, à Rua Lopes de Oliveira, bairro Barra Funda, na casa de minha avó materna Amélia, onde eu e minha família residíamos.
Era uma tarde tranquila, ensolarada, de clima ameno, seria primavera. Eu devia ter, mais ou menos, quatro anos, era uma criança esperta e vaidosa.Exigia sempre após o banho, que minha avó me vestisse com lindos vestidos, feitos por ela, enfeitasse meus cabelos com laçarotes de fita colorida.Após este ritual, ficava pronta para sentar no degrau junto ao portão de entrada da casa, vendo o bonde Barra Funda passar, cheio de crianças vindas da escola. Era o meu melhor divertimento.
Nessa tarde, entretanto, eu segurava um lindo balão colorido, com muita alegria, presente de meu irmão mais velho. A alegria durou pouco. Surgiu um moleque, um menino maltrapilho, sujo, correndo como um corisco. Inesperadamente ouvi um “bummmmm” que retumbou no meu ouvido, o balão furou. O menino saiu em disparada gritando alegremente.
Fiquei pasma, parada, engasgada, com o choro na garganta, quase sufocada.Minha avó Amélia assustada com o barulho, veio em meu auxílio.Contei-lhe o acontecido. Eu falava repetidamente : “Foi o me, menino vovó, ele furou o balão, foi o menino.”
Vovó afagou-me, consolando-me disse : - “O menino é pobre, não tem o que você tem. Não chore, minha netinha, eu lhe compro outro.”
Esta cena ficou gravada em minha mente, várias vezes vem “á tona”. Não só o acontecido, mas o seu significado, talvez uma lição de moral, que posso interpretá-la tirando uma mensagem positiva para a minha vida.
“A vida não é feita só de alegrias, mas também de tristezas.”
Devemos enfrentar as vicissitudes com paciência e resignação, pois só dessa forma chegaremos até “ELE”, nosso “Pai Eterno.”


A casa da minha infância - LÍCIA MONACO PERIN


A casa era antiga. Grande. Quase assustadora nas noites escuras sem lua.Localizada numa rua pacata, era rodeada por todos os lados por arbustos, árvores no quintal e um pequeno jardim logo na entrada. Nela vivi minha infância.
Eu adorava cada parede sua, sua configuração externa, seus espaços vazios, suas sombras ...
O perfume das roseiras vinha ao meu encontro logo que entrava pelo grande portão de ferro, onde uma corrente dependurada batia toda vez que se fechava o portão.
Minha mãe contou-me que durante uma epidemia – seria de cólera? – haviam morrido todos os moradores dessa casa. Mais tarde, meu nono Aristides a adquiriu e ela foi também, antes de ser a casa da minha infância, a casa da infância da minha mãe.
O quintal de minha casa foi certamente o lugar onde encontrei as sementes que até hoje procuro disseminar do amor e respeito á natureza: as frutíferas que meu nono havia plantado há muitos anos. As aves que aí eram criadas e que eu passava horas observando e admirando. Nossa cachorra Diana, uma policial mestiça, a grande companheira de nossos folguedos, que brincava de esconde-esconde com nós crianças!
O forno de tijolos no quintal, de onde, duas vezes por semana saiam cheirosos pães italianos, cufas e paezinhos doces na forma de pombinhas que minha mãe aprontava para as crianças. O ferro de brasa alimentado com carvão do fogão de lenha ... A água tão quente na grande banheira branca !
As brincadeiras das crianças da redondeza na frente de casa nas noites de verão.
A cama de minha mãe, cheia de todos nós nas noites de frio, onde ela remendando meios e pregando botões, nos contava histórias infantis, que povoavam nossos sonhos e de onde saíamos carregados dormindo, para nossas camas.
A “descoberta” da biblioteca de meu pai, onde eu podia ler tudo, sem censuras. As festas de aniversário. O chocolate quente, os doces caseiros. Os almoços de domingo na grande sala de jantar bem posta. A enorme travessa de massa caseira fumegante, deliciosa ! O doce de abóbora. O manjar branco.
O primeiro dia de escola. O choro de medo. A sensação de estar só. A delícia do aprendizado !
As conversas da família reunida no terraço, depois do jantar. onde meus pais relembravam fatos passados. A Rio Claro antiga, fazendo nascer em nós o amor por nossa cidade e o respeito por aqueles que buscaram e fizeram de Rio Claro, sua morada.
A casa sempre aberta para os amigos, a compaixão pelos menos favorecidos, a busca pelo “novo” e, acima de tudo, a noção de que só o trabalho honesto constrói.
Hoje passo por esta casa e a vejo tão mudada, desfigurada por “modernizações”, qual pessoa idosa que tenta se recompor e disfarçar os anos que chegaram, com o artifício da plástica.
Para mim, vivendo em minhas recordações, ela continua com a mesma beleza dos meus poucos anos, tão viva, tão forte, plena dos sonhos que sonhei, do mundo que busquei e que são relíquias encrustadas em meu coração.
Casa querida! Quanta saudade!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Exercício Dilema Ético II

História de uma jovem química - Cleudinéia Zavarello

Marina, no ano em que se formou em química, ficou sabendo que uma grande indústria estava fazendo entrevista para contratação de novos funcionários. A indústria ficava a 180 Km da cidade em que morava desde que nascera.

Estava noiva de Paulo, que trabalhava como contador em uma pequena empresa. Planejavam o casamento para logo depois da formatura de Marina. Ele, assustado com a ideia da noiva ter de trabalhar em outra cidade, consegue não atrapalhar seus sonhos e, muito solícito, ofereceu-se para levá-la para fazer a entrevista.

Chegando à indústria, Paulo ficou impressionado com a estrutura da mesma. Observando tudo, viu um quadro de avisos que dizia: - Hoje entrevistas para Químicos e Contadores. Sem conseguir coordenar suas ideias , aproximou-se de Marina que estava no balcão preenchendo sua ficha. Quando a atendente, voltando-se para Paulo, perguntou : - Você também irá preencher a ficha para químico? Ele responde automaticamente que não, mas para contador.

Marina, sem entender, olhou para Paulo, que já foi apresentando seus documentos para preencher a ficha. E, assim, começou uma nova história destes dois jovens.

Foram contratados e após seis meses estavam casados. Felizes com o trabalho, se realizando como profissionais e satisfeitos com o salário que lhes proporcionava uma vida confortável.

Até que um dia, Marina notou o vazamento de um produto muito poluente e foi falar urgente com seu Diretor. Para decepção de Marina, ele lhe deu todas as explicações de que seria impossível conter tal vazamento, pois a indústria ficaria fechada por vários meses e o prejuízo seria fatal para falência da mesma.

Pediu a Marina que não comentasse sobre o ocorrido, nem mesmo com o marido, que ocupava um cargo importante no setor de contabilidade. Assim começou um dilema na vida de Marina, pois tinha noção que a contaminação deste vazamento seria muito prejudicial ao rio que ali passava.

Mesmo entendendo os muitos motivos que a indústria teria, não conseguia dormir tranquila. Pediu para marcar uma reunião com seus diretores e, mesmo sabendo que poderia por a indústria em risco, como também sua vida, pois sua família dependia do funcionamento desta indústria, disse em pauta registrada que não podia ficar alheia ao crime ambiental que estavam ocasionando.

Muitas vezes, tomarmos atitudes honestas significa perdermos. Será que seríamos capazes de uma atitude como a de Marina?

O grande dilema - Maria de Lourdes Santos Pinto

Esta é a história de um fato acontecido em minha vida. Da mulher que ajuda seu marido com seu ordenado no orçamento da casa, e dos seus três filhos, que, diariamente brincam no parque, onde há um riacho de águas despoluídas, onde nadam tranquilamente lindos patinhos.

Sou engenheira química, formada num conceituada Faculdade de Engenharia, localizzda no Município de São Bernardo do Campo. Trabalho em uma grande Fábrica de Produtos Químicos. Tive sorte, fiz entrevista e passei. Fui contratada com ótimo ordenado. Gosto muito do ambiente onde trabalho, meus colegas são gentis e educados.

Quase todos os empregados são eficientes e responsáveis, entretanto não ganham muito. Dois anos se passaram, eu estava satisfeita com meu trabalho e gostava da minha profissão.

Certo dia, estando em meu laboratório, fui informada por um dos meus funcionários que havia um vazamento de produto químico, deveras tóxico, num dos condutores. Fiquei preocupada e levei imediatamente ao conhecimento da Direção da Fábrica.

O Sr.Diretor tomou conhecimento e, passadas algumas horas chamou-me em sua sala; conversamos por alguns momentos, entretanto não fiquei satisfeita com resolução tomada.

O conserto da avaria seria feito, a despesa seria alta, por esta razão haveria um corte dos funcionários da minha secção. Não concordei, entretanto fiquei de dar uma resposta.

Eu me encontrava num dilema: ficaria na Fábrica e concordava com a resolução do Sr.Diretor, pensaria no meu ordenado, que ajudava no orçamento familiar, pensaria no prazer que meus filhos tinham em brincar no parque, num local de ar puro e sem poluição, ou deixaria meu cargo em solidariedade aos funcionários demitidos?

O lucro mensal da Fábrica era imenso, não haveria razão para dispensa dos empregados. Fiquei revoltada.

Complementando esta estória transcrevo dois pensamentos de Gandhi.

“Não há nenhum defeito naquele que procura a verdade, baseada em suas próprias luzes, é mesmo um dever de cada um de nós.”

“A verdade deve manifestar-se em nossos pensamentos, em nossas palavras, em nossas ações.”

Finalizando, caro leitor, deixo a solução deste dilema a seu critério.


Grande Golpe e Bela Decepção - Marizilda Sartori

Nascida em cidade pequena e do interior, família pobre, pais honestos e batalhadores, consegui com muita garra ingressar em uma faculdade pública no curso de engenharia agronômica.

Estando já para concluir o curso, no ano de 1968, os alunos tiveram uma grande surpresa: a direção da faculdade recebeu visita de alguns empresários, que, em parceria com a prefeitura local, estavam interessados em selecionar alunos e lhes dar oportunidade – um projeto relativo ao plantio de hortas, com o objetivo de abastecer escolas e creches do município.

A notícia surgiu como um estopim e a expectativa por parte da população era tamanha que por todos os cantos da cidade só se falava desse assunto.

Apareceram apenas três alunos interessados, dentre eles, eu. Agarramos essa oportunidade e o planejamento foi dando cada dia mais certo. Terra boa, mudas de procedência, esmero dos funcionários contribuíram para o êxito do empreendimento.

As hortaliças, tubérculos, etc., estavam cada dia mais produzindo e sendo distribuídos com fartura. Nosso entusiasmo era cada vez maior, e eu era quem mais vibrava pelo sucesso. Porém, uma notícia trazida por um dos funcionários responsáveis pela captação, armazenamento e distribuição da água para a “rega” caiu como bomba sobre nossas cabeças.

Confidenciou-nos ter notado que havia vazamento de um líquido de coloração estranha na base do reservatório de água. Procuramos verificar a veracidade da informação e, após várias tentativas, eu era desestimulada pelos meus dois amigos.

Muito preocupada, consegui sozinha colher material, mandar para análise, sendo surpreendida pelo resultado: grande concentração de produtos químicos, que pouco a pouco, causaria distúrbios nos consumidores.

A pior notícia é que com toda minha ingenuidade e até então inexperiência, não havia percebido que por trás desse grande golpe estavam meus dois amigos: um deles, sobrinho de um dos empresários e o outro, parente do Secretário de Abastecimento da Prefeitura, os quais estavam dando cobertura para essa sujeirada toda – experimentos de nova marca de fertilizantes, que, com toda certeza prejudicariam a saúde, principalmente de crianças inocentes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Exercício: A rosa de Paracelso


Na retomada das oficinas no segundo semestre de 2009, estudamos o belo conto de Jorge Luís Borges - A rosa de paracelso. Após a análise e discussão, os oficineiros foram convidados a escrever alegoricamente sobre a "sua rosa de paracelso". Que coisas eles gostariam de transmitir para que não se percam. Obtivemos um resultado adorável.
Registramos o nosso agradecimento à querida Vera Gracia, que gentimente digitou os textos, para que possamos atualizar o blogue com mais frequência.

Um discípulo, por favor - THERESA

Ah! Quantos inventos, quantos segredos, mistérios, tradições, cultura, um verdadeiro tesouro foi sendo engolido pelo tempo, porque não encontraram um só discípulo disposto a dar continuidade, passá-los adiante.
Já pensaram, se um discípulo apenas , tivesse passado adiante a técnica utilizada há
quatro mil anos na construção das pirâmides?
E Machu Pichu, lá no alto dos Andes, como foi construída?
Quantos séculos de estudo e pesquisas nos teriam poupado.
Em nosso tempo também não é diferente. Apesar de vivermos na era da comunicação,
ainda há mistérios guardados à espera de discípulos.
Lembro-me de um bom velhinho, seu João, que morava em frente à minha casa. Era benzedor, coisa tão esquisita na era das mais avançadas pesquisas no campo da medicina.
Porém, não havia médico, ciência ou remédio que desse conta da erisipela da perna da minha mãe. E lá íamos nós, pedir socorro ao seu João que, com sua bondade infinita,
benzia a perna doente.
Não sei qual era a alquimia. Se era fé, confiança, carisma; o fato é que no dia seguinte,
o inchaço cedia e o vermelhão desaparecia.
Um dia, sentado na soleira da porta, a cabeça pendente e tristonha, seu João me confessou:
- Eu gostaria tanto de deixar “isto” para alguém, mas meus filhos não querem saber e
os outros, não se interessam.
Fiquei triste e pensativa mas, que fazer?
Nunca tive dom para benzedeira.
Alguns meses depois, seu João faleceu e com ele seu maravilhoso dom de
minorar o sofrimento das pessoas, curando-lhes as dores.
Deixar como legado “Sinceridade” - José Batista Amador

Se este adjetivo fôsse meu, eu não venderia, reservaria um bom tanto para mim e distribuiria para todos que me rodeiam; minha família, meus amigos e a todos aqueles que encontramos.
Como admiro esta palavra! Que sede tenho eu de beber desta fonte, que pode ser inesgotável, não depende dos outros e nem de grandes investimentos, apenas de nós mesmos.
A meu ver, esta é a fonte verdadeira, onde encontramos todas as propriedades que
necessitamos para alimentar nossas necessidades espirituais e emocionais.
Acredito que ainda existem muitos seres humanos com esta qualidade, mas está
bem distante do ideal, principalmente, levando-se em conta, o cenário político dos
nossos dirigentes, que mentem, descaradamente, faltando com a verdade, não a bem da coletividade, mas sim, legislando em causa própria.
A sinceridade incomoda hoje e sempre incomodou aqueles que gostam de ser iludidos.
Já ouvi em discussão uma pessoa dizer:-
- Eu estou sendo sincero.
E a outra responder: - Para o meu gosto, você está sendo sincero demais.
Excesso de sinceridade não mata ninguém, pelo contrário, ajuda a resolver os problemas da nossa família, da nossa Cidade , do nosso Estado, do nosso País e do Mundo.
Vamos dar o primeiro passo?


A rosa do saber - Vera Gracia Lorenzon Ferreira
Livro, manancial para minha sede de saber.
Inquisições mil, revolucionam meus neurônios!
Verto lágrimas de emoção...
Rosa mística do eterno saber!
Ora pro nobis.
Sapiência que aos poucos me dimensiona...
Amém, a toda miragem livresca.

As coisas simples da vida - Maria de Lourdes Santos Pinto

Dar valor as coisas mais simples da vida.
Sentir o perfume duma flor.
Observar a alegria no olhar de uma criança.
Fazer um donativo singelo a uma pessoa necessitada.
Fazer uma oração de agradecimento ao Pai Eterno:
“Obrigada Senhor, pelo dom da vida.”
Receber abraços e beijos de uma pessoa querida, em momentos de tristeza
ou de alegria.
São pequeninas coisas que dão sentido à vida.


A rosa do voluntariado - Aurora Ferreira

Simples, mas atinge um número imenso de pessoas. Nem sempre o dinheiro resolve tudo. Podemos tê-lo em mãos, mas precisamos também do trabalho, para ajudar aos necessitados.
Nada mais nos satisfaz, do que vermos o olhar de uma criança ou mesmo de um
idoso, ao receberem algo que necessitam.
Ao trabalharmos para esse fim, o dia torna-se pequeno e é um motivo para diversas
pessoas se unirem.
Há pessoas que, através de um simples convite, sentem-se entusiasmadas e passam a fazer parte da nossa equipe.
Seja você uma delas.


Aqueles domingos - Adelaide Dalva T. Garbuio

Hoje cinco de setembro, as lembranças ficam dentro da cabeça.
Vou falar dos domingos que ia àmissa, e já deixava pronto o que iria fazer para o almoço. Deixava temperados os bifes que fritaria. Cozinhava o arroz, depois punha na vasilha coberto de fatias de queijo e colocava no forno, para gratinar.
Quando chegava da missa, estava tudo pronto.
Os domingos eram cheios de alegria! Sempre ouvíamos a Rádio Nacional do
Rio de Janeiro, escutando as lindas músicas do maestro Rafael Hinhat.
Uma das músicas que sempre gostei foi My Way, a qual canto até hoje, com
saudades e lembranças da minha vida.
Enquanto comíamos, a música enfeitava nossos corações! Ouvíamos Carlos Galhardo,
cantando Flor de Maio; também a Ave Maria, de Erotides Campos, de Piracicaba.
Essas são as lembranças que vivi, fazendo o almoço para todos.
Música especial era também de Francisco Alves, Rei da Voz, que cantava
Fascinação, que até hoje é minha música predileta.
Tive o amor de meu neto Ulisses, que toca violino e eu canto a Fascinação, isso
enfeita minha vida e meus sonhos.


Bondade - Maria Inês Mascarin Filier

- Sabe Inês:- “Eu tenho inveja de quem é bom ! Como eu queria ser boa!”
Eu ficava olhando para ela e pensava:-
- Se ela não é boa, então quem será?
E, até hoje, estas palavras ficam ecoando em minha cabeça, pois ela foi abandonada no asilo quando nascera e nunca soube quem a abandonou, nunca teve ninguém para chamar de pai e mãe, nem pais biológicos, nem adotivos, pois nunca se interessaram em adotá-la, pois além de negra, tinha defeito físico, corcundas enormes nas costas ,que a deixavam torta, empurrando-a para frente.
E como eu a admirava !
Maria Aparecida Ventura, mas todos a conheciam como Cidinha. Foi criada no Educandário Santa Maria Gorette pelas freiras até seus 18 anos, quando então mandaram-na trabalhar como doméstica em uma casa de família na cidade de Piracicaba.
Ela me disse:- Inês (era assim que me chamava), eu chorei tanto , porque sentia falta das freiras, das minha amigas e de tudo o que tinha no Educandário, a mulher, dona da casa, me deu um quarto na parte superior, eu sentia tanta solidão e após algum tempo fui morar no asilo. Arrumei um emprego e após um tempo fui trabalhar como faxineira na Escola Alem , trabalhava durante o dia e estudava a noite e com muito sacrifício consegui meu diploma de contabilidade.
De posse do diploma, CIDINHA começou a mandar currículos para tudo quanto era lugar que sabia que estavam precisando. Chegavam as respostas pedindo que ela se apresentasse no local para a referida vaga. Toda feliz lá ia CIDINHA para o seu tão merecido emprego e quando se identificava nas firmas, as respostas eram quase sempre as mesmas: - “a vaga já foi preenchida, no momento não estamos mais necessitando” e assim prosseguiu sua vida trabalhando na Escola Alem, até se aposentar e mesmo após a aposentadoria teve que continuar trabalhando, porque o salário, mal dava para pagar o aluguel.
Dormia com pessoas mais velhas, cuidava de doentes e assim prosseguia sua vidinha simples, humilde, mas honesta.
Viveu sempre sozinha, com seus cachorrinhos e gatinhos, que ela tratava como se fossem seus filhinhos. Não reclamava de nada, embora fosse doente, pois devido ao seu defeito físico, tinha problemas respiratórios, mas tudo agradecia a DEUS e tinha um carinho especial para com todos que a conheciam.
Sempre que tinha oportunidade, após o ensaio do coral da igreja que terminava tarde da noite, me oferecia para levá-la para casa e lá íamos nós contando nossas vidas, nossos casos e ríamos a valer. Um dia ela até engasgou de tanto rir e ela perguntava:-
- E como está seu marido? A Erika? A Ellen? O Bruno? Que são minhas filhas e meu neto, que nessa época só tinha um. Ela falava:-
- Inês, eu acho seu neto lindo, aliás, suas filhas também são lindas.
- Ah! Eu ficava toda cheia e assim eu voltava feliz para casa . (Como é fácil fazer as pessoas felizes ).
O tempo foi passando, ela foi morar mais longe, passou a fazer parte de outra comunidade, mas sempre engajada com a música, pois ela amava cantar e por um bom tempo não nos vimos mais. Numa manhã recebi um telefonema que ela havia morrido.
Fui ao velório e lá encontrei outras pessoas que também a conheciam e pedi que se identificassem. A maioria era do Coral das Igrejas por onde ela havia passado, de vários
pontos e bairros da cidade, que irmanados na dor e na saudade, cada um dava seu testemunho de onde a conhecera e o quanto a queriam bem. Oramos, cantamos, porque era o que ela mais gostava e assim prestamos nossas mais simples e humildes homenagens a quem tinha um único objetivo na vida , o desejo de ser BOM !
E hoje eu digo do mais fundo do meu coração:
- COMO EU TENHO INVEJA DE QUEM É BOM! COMO EU QUERIA SER BOA!