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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Além das aparências


Pássaros, em geral me atraem pelo canto mavioso ou pela bela plumagem.
Em determinadas horas do dia, posso observar bem-te-vis que vem, com frequência, ao meu quintal. Gosto de ouvi-los quando cantam quase próximo de onde estou, podendo assim melhor admirar a beleza de suas cores vibrantes. Muitas vezes, mal dirijo o olhar para os pássaros mais comuns, que descem até ao comedouro do “Popó”, nosso cachorro, que nem se importa em dividir sua ração com eles.
Isso acontecia até que encontrei um pequeno pardal, o mais comum dos pássaros que, por causa de uma de suas asas machucadas, não podia voar. Observando-o melhor, fiquei admirada com sua beleza. As costas eram lindas, de uma magnífica cor castanha com listras pretas; as asas marrons possuíam encantadora faixa branca, a cabeça era cinza , o peito e o abdômen eram macios e brancos.
Como pés tão delicados os sustentavam num galho, esse passarinho de aspecto tão frágil, durante as ventanias mais forte?
O débil pulsar do seu coração levou-me a traçar um paralelo entre as características de tal ave com as nossas, seres humanos, que muitas vezes julgamos as pessoas pela aparência.
Os ventos frios da indiferença, da insensibilidade, do egoísmo, da violência, do preconceito racial, da injustiça social, da manipulação dos poderosos, não param de soprar e transformam nosso coração em blocos de gelo. Para nos proteger, nos isolamos. Mais do que nunca é preciso aquecer a existência e descongelar o coração, liberar calor humano em forma de afeto, apoio, amor, atenção e outros sentimentos necessários à vida.
Temos o poder de dar significado aos nossos semelhantes. Podemos tirá-los do meio da multidão e ajudá-los fraternalmente. Pessoas caídas, fragilizadas, precisam de uma palavra amiga. Usamos as palavras com tantas imprecisões, com desperdício, que na hora certa, ficamos calados, economizando ternura e elogios sinceros.
A sociedade dos vitoriosos, impedem o acolhimento das pessoas “diferentes”. Define-se quem tem ou não tem importância pelo dinheiro, pela beleza, pelo poder, esquecendo-se de que as aparências enganam.

Texto de Silvia Galvani

Sermão... aos peixes




Aqui em casa, cômodamente instalada em uma poltroninha, faço um Sermão aos Peixes.
Todos me olham, com muita atenção, olhinhos muito arregalados. MUDOS e sem perderem uma única palavra daquilo que lhes digo. A platéia compõem-se de:
CORUMBÁS – TABARÃNAS – SARDINHAS DE ÁGUA DOCE – JOANAS – DOURADOS – TILÁPIAS DO NILO – CASCUDOS – TINHÁS – LAMBARÍS – TUVIRAS – PIAVAS – CASCUDO-VIOLAS – XAMBO – RÊS – TAMBOATÁS – PIARARAS – BAGRES – ACARÁS – PIAUS DE TRES CINTAS – PIRAMBÉBAS – TAMBIÚS – MANDIS-CHORÃO – MANDÍS – PIRANHAS !!!
Eu lhes digo :
“Se vocês não fossem tão distraídos e usassem mais o olhar atento, não teriam caído na rede de espera, de um Tecnólogo, chamado Willy Werner, que estava dentro do Rio Corumbataí, fazendo uma pesquisa ...
Queridos peixinhos : Durante quatro anos, de 15 em 15 dias, ele, com mais dois auxiliares, passavam os fins de semana nessa pesquisa ...
Queridos peixinhos; que agora em F O R M Ó L , olhais para mim com tanta atenção, eu, mãe desse Pesquisador, vos agradeço a gentileza, de terem se deixado apanhar, contribuindo, dessa maneira, para que ... Willy Werner Grassmann Bóbbo, se tornasse ESPECIALISTA em BIOGEOGRAFIA, pela UNESP.
Obrigada, queridos e belos peixinhos !!!
Pelo menos, vocês não foram simplesmente parar na barriga de alguém, mas sim, prestaram, sem o saber , um grande e importante serviço ...

NOTA IMPORTANTE:- As palavras PEIXE e PEIXINHO, são mencionadas na BÍBLIA SAGRADA, 20 vêzes !! Exemplo : GÊNESIS 1 :26 “Também disse DEUS: Façamos o HOMEM a nossa imagem; conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os PEIXES do mar, sobre as AVES do céu, sobre os ANIMAIS DOMÉSTICOS, sobre a TERRA e sobre todos os RÉPTEIS que rastejam sobre a TERRA ... “

Meu amigo Calopsita - Kalu




Ele é um pássaro muito observador. Seu nome é Kalu.
Seu comportamento:
Quando êle está descansando ou relaxando, fica empoleirado com uma perna no poleiro. Nesta posição, aproveita para tirar uma soneca. Quando ele abaixa a cabeça, representa a confiança que êle deposita em mim, para receber carinho. Quando sua crista está em posição normal, significa que Kalu está relaxado e calmo; crista erecta, significa atenção; se o penacho estiver abaixado, significa que ele está concentrado ao que está em seu redor.
Kalu range o bico, sinal que está feliz, mas quando grita com freqüência, frenéticamente, significa que está se sentindo sozinho, ou, que quer sair da gaiola, ou está com medo, ou fome, ou estressado. Êle se comunica através de trejeitos, gritos ou assobios, etc.Quando está espreguiçando, está se descontraindo, está dando boas vindas, está alegre.
Algumas vezes noto que suas asas estão bem abertas, com o corpo para baixo, batendo as asas para voar. Quem sabe, tenha vontade de fugir para ser livre.
Seu comportamento precisa ser respeitado, inclusive as horas de sono que são preciosas (ao cair da tarde até a manhã seguinte).
Não irrito meu calopsita para não estressá-lo, o que culminaria em doenças.
Aprendi que são os machos que assobiam, cantam e podem até imitar palavras. Êles são mais vocalizados. Kalu canta o início do Hino Nacional, assobia, imita palavras com facilidade, mas não forcei seu aprendizado.
Êle é uma ave granívora, isto é, tem o ato em si de descascar as sementes com o bico. Sua alimentação consta de verduras, frutas, sementes, farinha de ovo e suplementos vitamínicos.
Não é toda hora que Kalu está disposto para uma brincadeira, um carinho, Sua privacidade precisa ser respeitada, principalmente ao cair da tarde.
Meu calopsita é bem tratado : conservo sua gaiola limpa, seu bebedouro sempre com água fresca, dou-lhe boa alimentação e trato-o com respeito e carinho. Apesar de viver engaiolado, ele é um pássaro saudável.
Kalu é meu amiguinho. Eu cultivo esta amizade!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Exercício: Infância

Da minha infância - Letícia D. Brunelli


Fui buscar lá na memória,
De uma infância feliz
Uma lembrança querida
Que o tempo assim o quis.

Me recordo com carinho
de um velho amigo já ausente
que permeou meu caminho
e me ofertou um presente.

Escreveu para mim um poema
que tenho até hoje guardado.
É um acróstico com meu nome
escrito num caderno, com cuidado.

Ele fala dos meus olhos,
como ele os imaginava.
Sem nunca tê-los visto
ele em sua poesia afirmava.

Que ternura havia em meu olhar
e celestiais eram os olhos meus;
me comparava a visão de sonho
e na minha candura, um anjo de Deus !

E eu nos meus oito anos
não conseguia ainda atinar
que aquele bom amigo italiano
só com a alma podia me olhar.


Seu nome era Luigi Onetta
e com sua esposa Teresa morava
num quarto bem simples hospedado,
na casa vizinha em que eu habitava.

Eu gostava muito de lhe visitar,
Assim ele tinha com quem conversar,
Um coração de ouro a me ensinar
Que olhos sem vida também podem enxergar.

Exercício: Infância

Saudades - Regina Garrido


Saudades ... de um tempo maravilhoso que passa muito rápido.
Lembranças das brincadeiras
roda, pega pega, queimada
cirquinho, cozinha, passa anel
Hã ... que dor danada.
Á noite, mamãe e os vizinhos, colocavam suas cadeiras na calçada para prozear; enquanto nós, os filhos, ficávamos a brincar.
Quando as vezes dizia a mamãe
Que queria ser gente grande
Eu ouvia, não tenha pressa
Você é uma criança feliz.
Hoje tenho saudades ... saudades da minha infância, pois sempre tive alguém para me acariciar.
Agora, muitas vezes, não tenho um ombro para chorar.
Saudades ... de uma época curta e linda que não volta mais

Exercício: Infância

A menina e a galinha - ALICE FERREIRA


A galinha é uma ave pomposa, charmosa, anda como se estivesse numa passarela, mesmo quando está próxima de ir para uma panela !!!
Ela é muito maternal, pois, quando põe seus ovos, senta no ninho que mais parece um trono de rainha, para chocar e dar à luz a seus pequeninos e barulhentos pintinhos !!! Tem colorações muito bonitas, sendo penas vermelhas, pretas, brancas e outras. Além de ser poedeira, tem uma carne saborosa e nutritiva !
Depois desta pequena introdução sobre as qualidades desta importante ave, eis que surge a branquinha, a galinha de estimação de uma menina de aproximadamente 6 à 8 anos !!!
Lendo os contos de Clarice Lispector, havia entre eles, a história de uma galinha, isto serviu para feliz lembrança da branquinha.
Toda criança tem um animal de estimação e o da menina que é relatado neste conto, é uma galinha de penas brancas , pescoço pelado vermelho, tendo um topete de penas na cabeça. Durante grande parte da infância da menina, ela foi sua grande companheira. As duas brincavam diariamente num grande quintal de terra, num bairro bem familiar da cidade , que com o passar do tempo e crescimento geográfico e populacional, tornou-se área central.
Um dia, a galinha branquinha, não amanheceu muito boa, parecia tristonha, quieta. A menina percebeu que sua companheira estava doente.
A menina, usando de seus ensinamentos , que lhe foi passado pela família, resolveu pedir a intersecção de um santo para a cura de sua galinha. No meio do quintal, ela ajoelhou, com as mãos em sentido de prece e com muita fé, olhando para o céu, pediu para São Pedro que intercedesse junto à Jesus, pela cura da branquinha. Após alguns dias, a alegria voltou para as duas companheiras, pois a galinha já estava boa !
A menina cumpriu sua promessa, depositando uma oferta (doação em dinheiro), aos pés da imagem de São Pedro, numa igreja da cidade onde estava á passeio com sua família!!!



ADELAIDE DALVA GARBUIO


A D. Dalva, nossa aluna, é profundamente ligada à música e trouxe como lembrança uma canção que embalou a infância de todos nós.

"Faz 3 noites que eu não durmo, lá, lá
Pois perdi o meu galinho, lá, lá
Pobrezinho, lá, lá
Coitadinho, lá, lá
Eu perdi, lá no quintal.
Ele é branco e amarelo, lá, lá
Tem a crista bem vermelha, lá, lá
Abre o bico, lá, lá
Bate as asas, lá, lá
Ele faz quiri, qui, qui
Percorri o Mato Grosso, lá, lá
Amazonas e Pará, lá, lá
Encontrei, lá, lá
Meu galinho, lá, lá
No sertão do Ceará
No sertão do Ceará."

Exercício: Infância

Um fato da infância - MARIA DE LOURDES DOS SANTOS PINTO


Este fato aconteceu, se não me falha a memória, na capital de São Paulo, à Rua Lopes de Oliveira, bairro Barra Funda, na casa de minha avó materna Amélia, onde eu e minha família residíamos.
Era uma tarde tranquila, ensolarada, de clima ameno, seria primavera. Eu devia ter, mais ou menos, quatro anos, era uma criança esperta e vaidosa.Exigia sempre após o banho, que minha avó me vestisse com lindos vestidos, feitos por ela, enfeitasse meus cabelos com laçarotes de fita colorida.Após este ritual, ficava pronta para sentar no degrau junto ao portão de entrada da casa, vendo o bonde Barra Funda passar, cheio de crianças vindas da escola. Era o meu melhor divertimento.
Nessa tarde, entretanto, eu segurava um lindo balão colorido, com muita alegria, presente de meu irmão mais velho. A alegria durou pouco. Surgiu um moleque, um menino maltrapilho, sujo, correndo como um corisco. Inesperadamente ouvi um “bummmmm” que retumbou no meu ouvido, o balão furou. O menino saiu em disparada gritando alegremente.
Fiquei pasma, parada, engasgada, com o choro na garganta, quase sufocada.Minha avó Amélia assustada com o barulho, veio em meu auxílio.Contei-lhe o acontecido. Eu falava repetidamente : “Foi o me, menino vovó, ele furou o balão, foi o menino.”
Vovó afagou-me, consolando-me disse : - “O menino é pobre, não tem o que você tem. Não chore, minha netinha, eu lhe compro outro.”
Esta cena ficou gravada em minha mente, várias vezes vem “á tona”. Não só o acontecido, mas o seu significado, talvez uma lição de moral, que posso interpretá-la tirando uma mensagem positiva para a minha vida.
“A vida não é feita só de alegrias, mas também de tristezas.”
Devemos enfrentar as vicissitudes com paciência e resignação, pois só dessa forma chegaremos até “ELE”, nosso “Pai Eterno.”


A casa da minha infância - LÍCIA MONACO PERIN


A casa era antiga. Grande. Quase assustadora nas noites escuras sem lua.Localizada numa rua pacata, era rodeada por todos os lados por arbustos, árvores no quintal e um pequeno jardim logo na entrada. Nela vivi minha infância.
Eu adorava cada parede sua, sua configuração externa, seus espaços vazios, suas sombras ...
O perfume das roseiras vinha ao meu encontro logo que entrava pelo grande portão de ferro, onde uma corrente dependurada batia toda vez que se fechava o portão.
Minha mãe contou-me que durante uma epidemia – seria de cólera? – haviam morrido todos os moradores dessa casa. Mais tarde, meu nono Aristides a adquiriu e ela foi também, antes de ser a casa da minha infância, a casa da infância da minha mãe.
O quintal de minha casa foi certamente o lugar onde encontrei as sementes que até hoje procuro disseminar do amor e respeito á natureza: as frutíferas que meu nono havia plantado há muitos anos. As aves que aí eram criadas e que eu passava horas observando e admirando. Nossa cachorra Diana, uma policial mestiça, a grande companheira de nossos folguedos, que brincava de esconde-esconde com nós crianças!
O forno de tijolos no quintal, de onde, duas vezes por semana saiam cheirosos pães italianos, cufas e paezinhos doces na forma de pombinhas que minha mãe aprontava para as crianças. O ferro de brasa alimentado com carvão do fogão de lenha ... A água tão quente na grande banheira branca !
As brincadeiras das crianças da redondeza na frente de casa nas noites de verão.
A cama de minha mãe, cheia de todos nós nas noites de frio, onde ela remendando meios e pregando botões, nos contava histórias infantis, que povoavam nossos sonhos e de onde saíamos carregados dormindo, para nossas camas.
A “descoberta” da biblioteca de meu pai, onde eu podia ler tudo, sem censuras. As festas de aniversário. O chocolate quente, os doces caseiros. Os almoços de domingo na grande sala de jantar bem posta. A enorme travessa de massa caseira fumegante, deliciosa ! O doce de abóbora. O manjar branco.
O primeiro dia de escola. O choro de medo. A sensação de estar só. A delícia do aprendizado !
As conversas da família reunida no terraço, depois do jantar. onde meus pais relembravam fatos passados. A Rio Claro antiga, fazendo nascer em nós o amor por nossa cidade e o respeito por aqueles que buscaram e fizeram de Rio Claro, sua morada.
A casa sempre aberta para os amigos, a compaixão pelos menos favorecidos, a busca pelo “novo” e, acima de tudo, a noção de que só o trabalho honesto constrói.
Hoje passo por esta casa e a vejo tão mudada, desfigurada por “modernizações”, qual pessoa idosa que tenta se recompor e disfarçar os anos que chegaram, com o artifício da plástica.
Para mim, vivendo em minhas recordações, ela continua com a mesma beleza dos meus poucos anos, tão viva, tão forte, plena dos sonhos que sonhei, do mundo que busquei e que são relíquias encrustadas em meu coração.
Casa querida! Quanta saudade!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Exercício Dilema Ético IV

Sonhos de meninos - Alice Ferreira

Na pequena cidade de Martelândia, um grupo de meninos, na faixa etária entre 8 a 12 anos aproximadamente, eram internos do Orfanato “Bem te Quero”. Estes sonhavam um dia retornar às suas famílias de origem. Famílias humildes, sem condições econômicas para educá-los; na maioria tendo somente um ou uma mantenedora. Nenhum com família completa de pai e mãe.

A ansiedade destes pequenos era tão grande que, um dia resolveram por o pé na estrada.

Começa aí a grande aventura dos meninos sonhadores. Fugiram do Orfanato, andando a pé, só com a roupa do corpo, sem alimentação e com objetivo definido: a casa dos familiares, por mais desmantelada que fosse.

Como seu destino de origem estava muito longe, resolveram parar na cidade de “Costa de Tina”, descansar, pois estavam com fome e desidratados. Quem os encontrou foi um Comissário de Menores, que os encaminhou ao Delegado de Polícia, pois já era tarde da noite.

Os meninos ficaram instalados em uma das celas vazias da Delegacia, dormindo no chão, sem alimentação e nada para cobrir seus corpinhos sujos e cansados.

No dia seguinte de manhã, o Comissário de Menores procurou a Assistente Social da cidade que atuava no Projeto de Menores, para que tomasse as devidas providências.

Entrou na ação toda a estrutura da Instituição Regional e a sede que ficava na capital do estado.

A Assistente Social, segundo orientações de sua Coordenação e Diretoria Técnica, teve 24 horas para retirar o grupo de meninos da Delegacia, levá-los para a sede do Projeto local, alimentá-los e encaminhá-los de volta ao Orfanato.

A ordem teve que ser cumprida. A Assistente Social e Coordenadora do Projeto Administrativo acompanhou o grupo dos pequenos sonhadores de volta ao Orfanato “Bem te Quero”

PARA REFLETIR:- Enquanto muitos sonham em ganhar grandes somas em loterias e ficarem ricos, estes pequeninos só sonhavam estarem com suas famílias, queriam “colo de mãe” .

O fato aconteceu realmente, com mais desdobramentos angustiantes. Em virtude de ética, mudou-se nome da cidade, do Orfanato e outras peculiaridades.


Reforma da natureza e o gene terminator - Vera Gracia Lorenzon Ferreira

O homem nômade se alimentava com o que encontrava na natureza.

Com sua experiência de “erros e “acertos”, foi domesticando os animais, diferenciando plantas comestíveis das venenosas, organizando-se em grupos sedentários, foram surgindo os povoados, as vilas e as cidades; a produção de alimentos sempre aumentando. Com o desenvolvimento cultural, o homem começou a diversificar sua alimentação, passando a usar microorganismos na preparação do pão e do vinho.

Experiência do Padre Gregor Mendel, há mais de duzentos anos, com saborosas “ervilhas”, deu início aos estudos de genética na alimentação e nutrição. A partir de então, conseguiu-se enorme avanço na produção de alimentos, para os homens e para os animais. Novas variedades de arroz e trigo, os cereais mais produzidos e consumidos no mundo, foram desenvolvidas.

Através da transferência de caracteres ou genes, que estão no DNA de cada célula de todo ser vivo, eis o surgimento de uma nova espécie de planta ou animal!

Eis o HOMEM se arvorando em CRIADOR!

Atualmente, grande empresas químico-farmacêuticas investem fortunas para criação de variedades de sementes e novos medicamentos, através da transferência de caracteres genéticos de uma espécie para formar outra espécie; dando surgimento aos AGM=Alimentos Genéticamente Modificados e OGM=Organismos Genéticamente Modificados .

Porém, por terem sido “criados” em laboratório estes AGM/OGM são patenteados por suas empresas criadoras e só podem ser reproduzidos por seu “dono”; ou seja, o agricultor que precisar da semente de uma planta ou o pecuarista que necessitar reproduzir cria de animal, terá que comprá-la destas empresas multinacionais, como a Monsanto ou Monsatã, como está sendo denominada. Por exemplo: a soja transgênica (da Monsanto) é resistente ao herbicida Roundup (da Monsanto) e o agricultor terá que adquirir a semente e o herbicida desta empresa, o que configura venda casada, que o governo diz ser proibida, mas o governo terá voz diante das multinacionais ?

E isto é só a ponta do iceberg, pois as pesquisas não param e a cada dia criam-se mais e mais produtos, “viciando-os” com o “seu herbicida”, com o “seu antibiótico”, sem se preocuparem com a inevitável contaminação e envenenamento da natureza...

Como estas empresas são muito “espertas” e não cogitam em perder nenhum centavo de dólar de seus polpudos investimentos, já planejam a criação de um gene denominado “gene terminator”, que incorporado às sementes, deixam-nas estéreis, obrigando o agricultor a adquirir novas sementes sempre que for fazer o plantio, destruindo todo um patrimônio genético de sementes criado até agora pela humanidade. . .

Finalizando, deixo como sugestão a leitura da obra escrita em 1952, por Monteiro Lobato a REFORMA da NATUREZA, em que há um interessante diálogo entre Dona Benta e Emília.


A solução de um dilema – Letícia Brunelli

Minha história precisa ser narrada. Precisa ficar registrada como um alerta para a sociedade. Mas como? Talvez seja tarde demais!

Meu nome é Flora Mendes e tenho uma filha de dezenove anos, que faz faculdade em Belo Horizonte. Fui morar em Penedo, cidadezinha pacata, mas muito hospitaleira,quando procurei emprego, após ficar viúva, ano passado. A cidade é cortada pelo Rio Capim Santo, um dos afluentes do Rio São Francisco. Tinha conseguido uma colocação na “Indústria de Papel Wallpaper” no setor de minha profissão, pois sou Engenheira Química.

Não faz um mês, fui alertada por um funcionário que o tanque de decantação e tratamento do esgoto da fábrica apresentava um sério vazamento, que estava causando infiltração de produtos tóxicos no solo adjacente, que não era muito distante da margem do rio. Logo a contaminação alcançaria a água do rio, tão importante para a cidade, que ficaria irremediavelmente comprometido.

Encaminhei o problema para o setor de manutenção, que tentou, sem sucesso, saná-lo.

Era necessário parar o funcionamento de toda a fábrica para reformar o tanque, que recebia todo o esgoto dela, para ser tratado, pois ele estava comprometido com várias rachaduras.

O problema, em seguida, foi levado ao Diretor da Empresa. Ele respondeu que iria chamar um engenheiro para avaliar o assunto. Os dias se passaram. Ninguém apareceu para fazer a tal avaliação.

Eu só pensava nas consequências daquele incidente. O produto tóxico se espalhava e a contaminação das águas era um fato eminente.

Ninguém ficou sabendo de nada; o diretor tinha nos pedido sigilo para não causar pânico. E ninguém percebia nada, pois a infiltração no solo não era visível, estava abaixo da superfície.

No começo dessa semana, voltei a reclamar uma providência. Em troca, recebi ameaças. A princípio, veladas, mas depois bem mais explícitas, quando falei que iria delatar o fato às autoridades, caso não fosse logo resolvido.

O fim de semana chegou.

O sábado amanheceu um lindo dia! Mas a chegada do carteiro, trazendo uma carta inesperada, transformou meu dia numa agonia! A carta trazia uma terrível ameaça contra minha pessoa. É lógico que era anônima, mas eu sabia de onde vinha...

Como a ganância pode ser tão maléfica! Como ela pode vir antes do bom senso e até da humanidade! Ponderei que a paralisação da fábrica geraria grandes prejuízos. Quem sabe, ela teria que mudar para outro município, até! Ou teria que dispensar vários funcionários!

Mas, e a poluição do rio? Também não afetaria a vida e a saúde de milhares de pessoas? E todo o ecossistema fluvial? Não iriam morrer peixes? A fauna e a flora da região também não ficariam afetadas?

O conflito se instalou em mim. Eu não poderia me calar diante da situação, nem como pessoa, nem como profissional, nem como cidadã, nem como mãe!

A noite foi de angústia e medo! O sono veio após um turbilhão de preces e ideias que povoavam minha mente. Enfim, meu corpo teve um breve e merecido repouso.

Hoje é domingo! O sol lá fora escancara a paisagem, que, assim como eu, vai acordando sonolenta e preguiçosa...

Cerro novamente os olhos e relembro a aflição da véspera. A carta . O conflito que se apossou de mim.

Abro os olhos! Eu já sabia o que iria fazer: vou registrar queixa; não vou contar minhas suspeitas, mas preciso procurar proteção! A lembrança da ameaça renovou meu medo, mas não posso me calar.

Segunda-feira vou procurar uma amiga minha advogada. Me informarei como posso levar às autoridades uma petição para que seja feita uma sindicância, para avaliar uma possível contaminação das águas do rio.

Sei o que vou enfrentar. Irei, sem dúvida, perder meu emprego.

Mais tarde, tentei registrar uma queixa na Polícia Civil. Procurei a delegacia, onde fui orientada a procurar a P.M. Quando fui lá, me mandaram de volta para a delegacia.

Antes de chegar lá, fui morta com três tiros à queima-roupa, disparados de uma moto, com dois rapazes de capacetes!

Minha esperança, é que este fato seja motivo de uma investigação e que sirva para solucionar o meu DILEMA.

Uma futura reportagem certamente noticiará:

JOVEM É MORTA APÓS DENUNCIAR AMEAÇA à POLÍCIA / da Agência Folha

Ela tentou registrar queixa na Polícia Civil e na PM, em Penedo, no domingo à tarde. Não conseguiu. Três horas depois, Flora Mendes foi morta a tiros por indivíduos desconhecidos. A ameaça ocorreu através de uma carta anônima. Flora procurou a delegacia e foi orientada a procurar a P.M. Mas lá foi mandada de volta à delegacia. Antes disso, foi morta. Um plantonista da delegacia disse que não há estrutura para atender casos como o de Flora, que são enviados à PM, que informou que não tinha policiais para atender a ocorrência. Um inquérito vai apurar o caso.

(A narrativa de D. Letícia é inspirada em fatos recentes, noticiados pelos jornais; vale como um alerta e como uma homenagem à mulher que não teve tempo para ser ouvida pela polícia do seu Estado).

Dilema Ético – Geni Bizzo

Frederico e eu percorremos o caminho ladeado por acácias carregadas de cachos dourados, comuns nos meses de novembro, e que nas manhãs de clima ameno exalam um suave perfume.

Converso com Frederico, mas ele não responde. Pudera, Frederico é meu fusca vermelho, companheiro constante em minhas idas para o trabalho, uma indústria de produtos químicos e de equipamentos para tratamento de água para caldeiras. A Engeltec – esse é o nome da empresa – fica próxima à rodovia, às margens do pequeno rio Baguaçu, que abastece a cidade Santo Antonio do Aracanguá.

Nessas minhas pequenas viagens diárias, vou conversando com o Frederico, mesmo com o risco de ser chamada de doida por pessoas que encontro no trajeto e que podem perceber o “diálogo” animado com meu amigo. “Coitada, falando sozinha..”, diriam elas.

Evito a rodovia. Sigo por um caminho de terra que mais parece uma picada tortuosa. Frederico não reclama. Conhece as pedras do caminho e aprendeu a desviar dos buracos que enfeitam a estrada com suas formas arredondadas. Na paisagem, algumas palmeiras com seus cachos amarelinhos de coquinho babão parecem querer competir com as acácias. Mais além as paineiras estalam suas bolotas sob o sol escaldante e forram o campo com suas plumas, verdadeiras neve de verão. Alguns animais pastam calmamente, alheios aos passarinhos que, agarrados aos seus lombos, se refastelam com os parasitas.

Continuo observando a paisagem, como sempre faço. Mas uma sombra de nostalgia anuvia meu semblante. O dia hoje tem cheiro de despedida. Pode ser minha última viagem. Tento, em vão, não pensar no que vai acontecer depois de hoje.

Explico melhor: sou engenheira química. Eu e mais de duzentas pessoas dependemos da Engeltec para viver. Dias atrás, observei uma avaria num dos condutos que dá passagem a um líquido tóxico que, se despejado na natureza, irá contaminar o meio ambiente. Para repará-la, seria necessário interromper todo o processo produtivo por um mês, no mínimo.

Comuniquei o fato ao presidente da empresa. Ele pediu que guardasse segredo, pois parar a fábrica iria significar a demissão de muitos funcionários, o que certamente iria acarretar uma crise local, numa região já tão carente de empregos.

Mas me calar significa permitir que não se corrija a avaria. Significa aceitar o vazamento do líquido tóxico, com a previsível consequência: contaminação das águas do rio, prejudicando a vida aquática e os habitantes que usam suas águas. Se falar, serei despedida. Meu Deus, o que fazer?

Minha cabeça ferve. Há uma confusão de pensamentos e sentimentos conflitantes com o que aprendi e as necessidades do mundo moderno.

Por um lado, o rio que me traz muitas lembranças. Foi a escola de natação de meus irmãos e coleguinhas que, escondidos das mães, mergulhavam em suas águas, ignorando os perigos que corriam. Foi também o rio onde meu pai e vizinhos muitas vezes passavam os dias de domingo na pescaria animada que combinava lazer e necessidade. Pelo menos uma vez por semana, um peixinho fazia a festa na mesa.

Por outro lado, a dura realidade deste mundo que mudou, da população que cresceu muito e desordenadamente. A tecnologia foi aprimorada para atender às necessidades que surgem. E não podemos ficar com saudosismos, afinal, gostamos do conforto que ela oferece.

Como conciliar as duas situações? Os chefes de estados e homens da ciência trabalham no sentido de minimizar os efeitos nocivos do progresso, criando leis com mecanismos que obrigam as indústrias a preservarem o meio ambiente. Mas acidentes como este acontece, bem sabemos.

Fui educada de forma a sempre me posicionar. Meu saudoso pai, embora adepto de uma educação austera que não dava direito à réplica, dizia sempre que mais vale uma consciência tranquila do que deixar que o medo nos domine. Dizia ele que o medo não tem tamanho e pode nos acorrentar numa grande bola de neve.

No trajeto, vejo plantações de algodão e de milho, onde os pequenos agricultores lutam com os parcos recursos financeiros para tocar um roçado que depende totalmente da água do rio para irrigar suas roças.

Sentindo o cheiro doce das espigas que explodem, tomo uma decisão: vou comunicar ao meu presidente que farei chegar esse acontecimento até às autoridades competentes e à imprensa. Daí...

Seja o que Deus quiser.

Exercício Dilema Ético III

A semente de feijão - Rosemari Romão Correa Lecks

Nasci em uma cidade do interior de São Paulo, pouco conhecida. Cidade pequena que aos poucos foi crescendo, tinha rio, muito verde, tranquila, daquelas em que os vizinhos sentam nas calçadas à tarde. Também havia escolas, universidade e diversas empresas, inclusive multinacionais. Uma delas me chamara a atenção por ser alemã.

Minha infância foi das melhores, tive a oportunidade de ter muitos amigos na rua onde morava. Minha casa ficava na rua e a dos meus avós na avenida; elas se cruzavam nos fundos, então eu tinha dois quintais com árvores e uma goiabeira enorme. Brinquei muito na rua, chegava a ter mais de 30 crianças, tanto as meninas quanto os meninos aprendiam a empinar pipas, fazer balão, pega-pega. Isso durante a semana, aos domingos era missa e se meu pai não estivesse cansado, de bom humor, levava-me e às minhas irmãs para pescar, nadar, a gente ia ao rio de bicicleta.

Apesar de tantas atividades, minha atividade predileta era fazer experiências. Lembro-me de um dia chegar a casa com uma semente de feijão no algodão umedecido, já começando a sair o brotinho. Mas queria mesmo saber se no álcool aconteceria o mesmo. Naquela noite, minha mãe teve que ficar soprando meus dedos até de madrugada; é que eu também quis esquentar a semente de feijão, pra ela crescer mais rápido. Hoje, relembrando, talvez meu interesse pela empresa alemã tenha vindo desta experiência.

Terminado o curso primário e o ginásio, como era chamado na época, fui estudar química em uma escola técnica. Nem mesmo tinha acabado o curso e lá estava eu como estagiária e acreditem, na empresa alemã.

Iria começar a realização de alguns sonhos... Enfim, conseguiria fazer um produto que ajudaria as sementes germinarem mais rápido, com mais vitaminas, menos pragas e seria orgânico, pois matéria prima não faltaria com todo aquele verde da região.

Ao mesmo tempo começaram as decepções, pois a empresa alemã era especializada em agrotóxico químico; mesmo assim, após o estágio aceitei ser contratada. Ainda com algumas dúvidas, entre valores morais, necessidade do trabalho e ideais, somados com o incentivo dos meus pais, que diziam: - “Você tem tudo para crescer na empresa ...”, fui cursar a faculdade à noite e continuei trabalhando.

Foram quatro anos bem difíceis, mas compensou e, para orgulho dos meus pais, fui promovida a Engenheira Química da empresa.

Deixei para trás o crescimento do “meu feijão”. Descobri que para torná-lo melhor, teria que modificá-lo geneticamente. Com certeza cresceria mais rápido, teria mais vitaminas; bastaria injetar na semente o agrotóxico, que eu já conhecia bem, ao invés de pulverizar na planta adulta, assim ele não teria pragas.

Puxa! Poderia ter realizado um sonho e ainda ajudado a sanar a fome do mundo. Mas, o feijão deixaria de ser feijão e a fome do mundo não é pela falta de alimentos e sim pela má distribuição dele.

Passei a me dedicar exclusivamente aos agrotóxicos químicos, porém com muita responsabilidade e consciência. A produção é bem controlada, fiscalizo diariamente toda a tubulação; no rótulo das embalagens vão escritas todas as informações necessárias para que os agricultores possam utilizar de maneira correta, com menos riscos.

Certa manhã, fiscalizando uma tubulação próxima ao rio notei um vazamento. Quase entrei em pânico e informei, imediatamente, o diretor responsável. Porém veio a grande decepção; com a maior frieza o diretor disse para deixar como estava, pois segundo ele, a própria oxidação soldaria, pois não poderia parar aquele setor em hipótese alguma. A empresa perderia muito dinheiro e ainda me ameaçou, caso passasse a informação adiante.

Meu Deus! Será que esse “cara” não sabe das consequências?. Ele não foi criança, não nadou em rio? Não pescou? Acho que ele não entende de qualidade de vida, de gente.

Quem iria comer aqueles peixes, como as crianças nadariam em um rio contaminado e aquelas famílias que sobreviveriam com a venda de hortaliças, irrigadas pelo rio? Sem falar nos funcionários, em contato direto.

Começava outro dilema: Pedir a ajuda de meu pai? Ele poderia se sentir culpado ou decepcionado, com eu. Aceitar a teoria do diretor? Mas, o que fazer com os valores morais e a tal, ética, tão falada na faculdade.

Não! Eu não poderia deixar tudo isso para trás, pois em vez de “sementes de feijão”, se tratava de vidas humanas.

Quando consegui me refazer e pensar melhor, até mesmo rezar, para que houvesse uma saída, veio-me uma ideia: era inverno, com ele teria mais tempo, pois a produção cairia, as crianças não frequentariam o rio e o maior inimigo das hortaliças seria a geada.

Voltei aos livros, agora sobre leis, estudei qual seria o valor da multa, caso o órgão responsável viesse fiscalizar (até me deu vontade de avisá-los, mas, minha dignidade, não me permitiu). Poderia fazer um relatório sobre saúde, qualidade de vida, futuras gerações... Eles não entendem essa linguagem, mas as das cifras ($) sim.

Naqueles dias me transformei em advogada, delegada da receita, fiscal, até mesmo contadora . Fiz um relatório completo, cheio de cifras. Nas poucas palavras escritas, eu me propunha, como engenheira química, a produzir um produto orgânico, apenas para o tempo da restauração. Assim, o impacto ao meio ambiente seria menor e apesar do custo ser bem mais elevado, não se comparava com as despesas que incluí no relatório.

Enviei meu relatório direto para a central na Alemanha. Depois de alguns dias, recebi uma resposta favorável. Iriam enviar soldadores especializados para a restauração. No momento estou me desdobrando para conseguir o produto orgânico, que, com certeza irei conseguir, afinal, as goiabas brancas que eu apanhava e comia quando criança no meu quintal, não tinham nenhum bicho e também nunca viram agrotóxicos Pena que a goiabeira não exista mais...

História real - Adelaide Dalva. J. Garbuio

Hoje, dia 10 de março ,vou escrever algo que aconteceu para a Empresa Euclides Renato Garbuio.

Um caminhão carregado de combustível, que seria levado, até a usina em Santa Adélia, caiu numa represa. Foi um transtorno, pois a usina era da família Cancelco, gente que conhecíamos há muito tempo.

Depois de cair o óleo dentro da represa, foi muito trabalho para tentar retirar tudo. Foram meses e mais meses. Foram contratadas várias pessoas para estarem ajudando e até uma equipe da CETESB, esteve no local, avaliando. Enfim, graças a Deus, depois de tanto trabalho, represa foi totalmente recuperada.


Todos os dias, uma maçã com casca e o médico de ti se afasta – Rosemarie B. G. Bóbbo

É um conhecido ditado e deve ser seguido ... Mas, se trata aqui de maçãs boas, que não tenham sido especialmente manipuladas, para que produzam mais e cresçam maiores do que seu natural.

Na Alemanha, tínhamos um pomar imenso, com castanheiras, pereiras, macieiras, ameixeiras, etc. e plantávamos muitas batatas e ruibarbo (uma espécie de aspargos vermelhos, próprios para fazer doce). Tudo sem o mínimo agrotóxico, que, talvez, naquela época nem existisse.

Mais tarde, aqui no Brasil, havia um enorme bananal atrás da nossa casa e mexericas e todo o tipo de verduras na horta, que nosso jardineiro plantava.

Agora, nosso quintal tem o tamanho de uma piscina, mas ali meu marido plantou e estamos colhendo; temos dois limoeiros, dois mamoeiros, um pinheiro, muitas pimentas e agora, formando uma linda horta, tudo ao natural.

Sobre os transgênicos, que uns olham como sendo um progresso da ciência e outros percebem isso como sendo uma modificação das espécies de plantas para melhor eu quero distância... Prefiro tudo ao natural, como Deus tudo criou ... AMO A NATUREZA ... QUE O HOMEM ESTÁ QUERENDO DESTRUIR. “

“Depois que a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for envenenado vocês perceberão que dinheiro não se come.” Frase indígena.

A noite da decisão – Fátima

Noite fria. Como todos os dias, coloquei meus filhos em suas camas e me dirigi ao meu quarto. Mas esta noite era diferente das outras. Estava nervosa, ansiosa, receosa com o que vira na empresa onde eu trabalhava.

Sou engenheira química e havia descoberto um defeito no funcionamento das máquinas, que acarretaria sérios perigos e danos às pessoas e à natureza. Nasci numa cidade do interior como esta, na qual hoje eu estou morando devido ao meu trabalho. Foi uma opção e uma boa proposta de trabalho transferir-me para esta cidade, onde também poderia criar meus filhos com mais liberdade e mais felizes.

Adormeci pensando no problema e me perguntando o que fazer? O que decidir?

Sonhei. Estava na casa de vovó, onde eu passara os melhores momentos de minha vida. Além de todos os valores que eu adquiri convivendo com ela, vovó me ensinou muito mais: a necessidade de uma vida sadia, correta, o amor ao próximo, o amor à natureza e os cuidados com ela.

Não sei porquê sonhei com ela. Talvez algum recado? Que saudades da vovó! Mas, no dia seguinte, as palavras do meu diretor, martelavam em meu cérebro:

- Guarde esta descoberta para você. Não posso parar o funcionamento da minha empresa e se isto vier à tona, esse defeito que você constatou, precisarei sacrificar o emprego de vários funcionários e o seu também. Pense na reviravolta que isto vai causar na sua vida, a mudança que irá causar para si e para sua família.

Essas palavras não saiam da minha cabeça. Estava em jogo a minha família e a de várias pessoas que já faziam parte dela. Eram meus vizinhos, meus amigos...

Isso também iria mudar a vida de outros trabalhadores. Pescadores que viviam da pesca do rio que atravessa a cidade, e onde eu participava fazendo parte integrante dela.

E os ensinamentos passados aos meus filhos: ser honestos, verdadeiros e só viverem com a verdade? Nesse conflito de consciência, lembrei-me de uma frase que ouvi da vovó. Ela, novamente.

- Não aceite trabalhos que você não possa fazer direito para não se sentir imperfeita.

Isto bastou. Na manhã seguinte tomei minha decisão.

Compartilhei com todos os meus receios e todos nós, empregados da empresa, conseguimos, por meio de palavras e atitudes convencer o nosso diretor a fazer a coisa certa. A empresa parou...


A grande decisão - Mariângela Januária Pezzotti Gomes

Nascida em Jarú, pequena cidade do interior, Helena, quinta filha de Jarbas e Luíza, casal que, sempre em seus ensinamentos mostrara aos filhos a importância e o valor de agirem com discernimento, atitudes corretas, determinação e honestidade.

Com essa formação cresceram seus filhos. Helena, muito estudiosa, responsável e grande admiradora da natureza, se encanta quando o assunto nas aulas são as plantas orgânicas.

Seus pais possuem um pequeno sítio. Helena, desde criança, colabora nos trabalhos de preparar o solo para o plantio das hortaliças e cereais. Acredito que esta vivência foi a responsável, após terminar o colegial, da sua escolha ao ingressar na faculdade, no curso de agronomia.

Termina a faculdade. Presta concurso e, aprovada, passa a trabalhar numa grande empresa beneficiadora de produtos, isto é, cereais transgênicos.

Após algum tempo de trabalho na empresa, descobre uma anormalidade gravíssima nas tubulações, onde os cereais são beneficiados. Muito preocupada com o que vê, leva ao conhecimento do empresário, que lhe ordena sigilo.

A engenheira se assusta, fica decepcionada, mas não aceita o que ouve e vê. Resolve convencer o patrão a mudar e afirma que o beneficiamento não pode continuar assim; o mal deve ser solucionado com urgência e providências devem ser tomadas. O beneficiamento deve ser interrompido por um mês e tudo deve ser reformulado, para garantir a qualidade do produto. Se isto não for feito, a empresa terá grande prejuízo, os cereais continuarão sendo contaminados.

Ele insiste em continuar como está e alega ser impossível parar a empresa parar por um mês. Ela chega a dizer que deixará o emprego.

Helena não desiste, com seus fortes argumentos e propósito firme acaba convencendo o patrão a mudar o sistema.

Depois disto tudo, com o problema solucionado, os cereais passaram a ter uma qualidade extra superior, e os funcionários permaneceram com seus empregos garantidos, e felizes.

Engenheira Helena e empresário demonstraram ser pessoas honestas, responsáveis e éticas.

Helena não esquece os ensinamentos familiares que herdou. Com discernimento, atitudes corretas, determinação e coragem, tudo foi resolvido, sem prejuízo de ninguém.

Exercício Dilema Ético II

História de uma jovem química - Cleudinéia Zavarello

Marina, no ano em que se formou em química, ficou sabendo que uma grande indústria estava fazendo entrevista para contratação de novos funcionários. A indústria ficava a 180 Km da cidade em que morava desde que nascera.

Estava noiva de Paulo, que trabalhava como contador em uma pequena empresa. Planejavam o casamento para logo depois da formatura de Marina. Ele, assustado com a ideia da noiva ter de trabalhar em outra cidade, consegue não atrapalhar seus sonhos e, muito solícito, ofereceu-se para levá-la para fazer a entrevista.

Chegando à indústria, Paulo ficou impressionado com a estrutura da mesma. Observando tudo, viu um quadro de avisos que dizia: - Hoje entrevistas para Químicos e Contadores. Sem conseguir coordenar suas ideias , aproximou-se de Marina que estava no balcão preenchendo sua ficha. Quando a atendente, voltando-se para Paulo, perguntou : - Você também irá preencher a ficha para químico? Ele responde automaticamente que não, mas para contador.

Marina, sem entender, olhou para Paulo, que já foi apresentando seus documentos para preencher a ficha. E, assim, começou uma nova história destes dois jovens.

Foram contratados e após seis meses estavam casados. Felizes com o trabalho, se realizando como profissionais e satisfeitos com o salário que lhes proporcionava uma vida confortável.

Até que um dia, Marina notou o vazamento de um produto muito poluente e foi falar urgente com seu Diretor. Para decepção de Marina, ele lhe deu todas as explicações de que seria impossível conter tal vazamento, pois a indústria ficaria fechada por vários meses e o prejuízo seria fatal para falência da mesma.

Pediu a Marina que não comentasse sobre o ocorrido, nem mesmo com o marido, que ocupava um cargo importante no setor de contabilidade. Assim começou um dilema na vida de Marina, pois tinha noção que a contaminação deste vazamento seria muito prejudicial ao rio que ali passava.

Mesmo entendendo os muitos motivos que a indústria teria, não conseguia dormir tranquila. Pediu para marcar uma reunião com seus diretores e, mesmo sabendo que poderia por a indústria em risco, como também sua vida, pois sua família dependia do funcionamento desta indústria, disse em pauta registrada que não podia ficar alheia ao crime ambiental que estavam ocasionando.

Muitas vezes, tomarmos atitudes honestas significa perdermos. Será que seríamos capazes de uma atitude como a de Marina?

O grande dilema - Maria de Lourdes Santos Pinto

Esta é a história de um fato acontecido em minha vida. Da mulher que ajuda seu marido com seu ordenado no orçamento da casa, e dos seus três filhos, que, diariamente brincam no parque, onde há um riacho de águas despoluídas, onde nadam tranquilamente lindos patinhos.

Sou engenheira química, formada num conceituada Faculdade de Engenharia, localizzda no Município de São Bernardo do Campo. Trabalho em uma grande Fábrica de Produtos Químicos. Tive sorte, fiz entrevista e passei. Fui contratada com ótimo ordenado. Gosto muito do ambiente onde trabalho, meus colegas são gentis e educados.

Quase todos os empregados são eficientes e responsáveis, entretanto não ganham muito. Dois anos se passaram, eu estava satisfeita com meu trabalho e gostava da minha profissão.

Certo dia, estando em meu laboratório, fui informada por um dos meus funcionários que havia um vazamento de produto químico, deveras tóxico, num dos condutores. Fiquei preocupada e levei imediatamente ao conhecimento da Direção da Fábrica.

O Sr.Diretor tomou conhecimento e, passadas algumas horas chamou-me em sua sala; conversamos por alguns momentos, entretanto não fiquei satisfeita com resolução tomada.

O conserto da avaria seria feito, a despesa seria alta, por esta razão haveria um corte dos funcionários da minha secção. Não concordei, entretanto fiquei de dar uma resposta.

Eu me encontrava num dilema: ficaria na Fábrica e concordava com a resolução do Sr.Diretor, pensaria no meu ordenado, que ajudava no orçamento familiar, pensaria no prazer que meus filhos tinham em brincar no parque, num local de ar puro e sem poluição, ou deixaria meu cargo em solidariedade aos funcionários demitidos?

O lucro mensal da Fábrica era imenso, não haveria razão para dispensa dos empregados. Fiquei revoltada.

Complementando esta estória transcrevo dois pensamentos de Gandhi.

“Não há nenhum defeito naquele que procura a verdade, baseada em suas próprias luzes, é mesmo um dever de cada um de nós.”

“A verdade deve manifestar-se em nossos pensamentos, em nossas palavras, em nossas ações.”

Finalizando, caro leitor, deixo a solução deste dilema a seu critério.


Grande Golpe e Bela Decepção - Marizilda Sartori

Nascida em cidade pequena e do interior, família pobre, pais honestos e batalhadores, consegui com muita garra ingressar em uma faculdade pública no curso de engenharia agronômica.

Estando já para concluir o curso, no ano de 1968, os alunos tiveram uma grande surpresa: a direção da faculdade recebeu visita de alguns empresários, que, em parceria com a prefeitura local, estavam interessados em selecionar alunos e lhes dar oportunidade – um projeto relativo ao plantio de hortas, com o objetivo de abastecer escolas e creches do município.

A notícia surgiu como um estopim e a expectativa por parte da população era tamanha que por todos os cantos da cidade só se falava desse assunto.

Apareceram apenas três alunos interessados, dentre eles, eu. Agarramos essa oportunidade e o planejamento foi dando cada dia mais certo. Terra boa, mudas de procedência, esmero dos funcionários contribuíram para o êxito do empreendimento.

As hortaliças, tubérculos, etc., estavam cada dia mais produzindo e sendo distribuídos com fartura. Nosso entusiasmo era cada vez maior, e eu era quem mais vibrava pelo sucesso. Porém, uma notícia trazida por um dos funcionários responsáveis pela captação, armazenamento e distribuição da água para a “rega” caiu como bomba sobre nossas cabeças.

Confidenciou-nos ter notado que havia vazamento de um líquido de coloração estranha na base do reservatório de água. Procuramos verificar a veracidade da informação e, após várias tentativas, eu era desestimulada pelos meus dois amigos.

Muito preocupada, consegui sozinha colher material, mandar para análise, sendo surpreendida pelo resultado: grande concentração de produtos químicos, que pouco a pouco, causaria distúrbios nos consumidores.

A pior notícia é que com toda minha ingenuidade e até então inexperiência, não havia percebido que por trás desse grande golpe estavam meus dois amigos: um deles, sobrinho de um dos empresários e o outro, parente do Secretário de Abastecimento da Prefeitura, os quais estavam dando cobertura para essa sujeirada toda – experimentos de nova marca de fertilizantes, que, com toda certeza prejudicariam a saúde, principalmente de crianças inocentes.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Exercício - Dilema Ético I

Rio de Piracicaba. Foto de Sandra Baldessin

Delors (1925), um teórico da Educação, afirma que não basta que acumulemos uma reserva de conhecimentos aos quais recorreremos sempre que necessário. Nós temos que atualizar esse conhecimento, para que nos adaptemos a um mundo em constante mudança. LER é a forma privilegiada de fazer essa atualização. Na oficina de literatura nós temos uma oportunidade de realizar isso. Nós vamos recorrer à nossa arca de conhecimentos, mas também vamos renová-la.

O nosso primeiro exercício de escrita, em 2010, se relaciona justamente com a necessidade de atualizar nossos conhecimentos.

Nossa proposta: escrever uma narrativa cujo mote envolve um dilema ético que trata de questões referentes à tecnologia dos transgênicos, respeito ao meio ambiente e à vida.

Agradecemos de coração à querida Vera Gracia que digita os textos.

A seguir, os textos dos alunos, começando com o da D. Aurora Ferreira que fez uma reflexão sobre a Faculdade da Terceira Idade e sobre a nossa oficina.


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Reflexão - Aurora Ferreira Rodrigues

Admiro muito a capacidade de um escritor; as folhas tornam-se poucas para tanto assunto. Ainda tenho a esperança de poder escrever com facilidade tudo o que me ocorre. Temos compromissos, que, às vezes, nos causam aflição, por não podermos passá-lo para o papel.

O ler e o escrever tem muita importância para o ser humano, pois às vezes, é lido com um sorriso pela graça existente, não faltando, lógicamente o respeito. O comprometimento com o nosso trabalho feito com boa vontade é sempre exemplo aos mais novos. Com carinho ,ele se aprimora e rende mais.

Para nós, idosos, há uma validade imensa em frequentarmos a Faculdade da Terceira Idade. A frequência valiosa dos professores, as matérias oferecidas, contato com novos colegas, nos ocasionam tardes gostosas, incentivando o viver melhor. Tudo isto torna as férias muito longas.

Nos finais de semana, a visita dos filhos e netos ou nossa visita a alguém, também colaboram com o bem viver; o Horto Florestal ou jardins visitados deixam o desejo de breve retorno.

A cidade que quase virou fantasma - Maria Inês Dominiquini

Carmo do Rio Claro, uma cidadezinha do interior do sul de Minas Gerais.

Cidade linda, cercada de muito verde, montanhas, matas, plantações de café, pasto para gado e lindas fazendas. A cidade era cortada por rio do mesmo nome, Rio Claro.

Até então, tudo aí era só alegria. As crianças brincavam nas ruas, pescavam e nadavam no rio, uma cidade pacata e tranquila.

Foi então que aconteceu o pior, veio o progresso.

Uma multinacional escolheu o local para montar uma indústria química. Chegou o pessoal, junto o Sr. Haroldo, sua família, esposa e dois filhos. Ele e sua família ficaram encantados com a cidade.

O Sr.Haroldo era engenheiro químico e ficou responsável pela industria..

Tudo ia muito bem, até que um certo dia, o Sr.Haroldo descobriu um vazamento em uma tubulação. Este vazamento iria contaminar as águas do lindo Rio Claro.

O engenheiro chamou os diretores da indústria e apontou o problema que iria afetar a população da pacata cidade. Os diretores, diante do problema, resolveram ficar quietos e continuar com a produção, pois teriam prejuízo, caso parassem a indústria para o conserto.Pediram o silêncio do Sr. Haroldo ou então a perda de seu emprego.

Sr. Haroldo passou dias e dias pensando no problema, na população , que já era como sua família, em seus filhos, amigos, enfim , em todos, pois o Sr.Haroldo era um homem muito honesto.

Depois de muito pensar, resolveu fazer o que achava melhor ... denunciar o problema às autoridades municipais. A fiscalização foi até a indústria e a interditou, até que o defeito fosse corrigido.

Assim o Sr.Haroldo pode ficar em paz com sua consciência. Obrigado Sr. Haroldo por sua coragem!


Oficina 2010

Retomamos nossa oficina no primeiro semestre de 2010. Já vamos completar 2 anos de atividades.
É uma alegria observar como os oficineiros se mantém firmes à proposta, animados para a produção de textos e cada vez mais abertos à aprendizagem.
Nesta 4a. edição da oficina literária temos muitos alunos novos, esperamos que eles apreciem a nossa abordagem e que, juntos, consigamos dar continuidade ao trabalho.
Nosso lema desse ano é:

“Para escrever, basta ter alguma coisa a dizer.
E a coragem de dizê-lo.” (Oscar Wilde
)

Ler e escrever são as ações principais da nossa oficina. Nós conhecemos autores, lemos seus textos, analisamos e partimos para nossa própria experiência de escrita.

Proposta da oficina: Descobrir que escrever é um processo de conhecimento e autoconhecimento, além de ser uma forma de enriquecimento íntimo. Trabalhamos com todos os gêneros literários: narrativas (narrativa autobiográfica, crônicas, contos, novela), poesia e, este ano, vamos introduzir textos teatrais.

Metodologia:

Breve exposição teórica, envolvendo conselhos práticos e leitura de textos que ilustrem cada gênero estudado.

Proposição de exercícios de estilo e dinâmicas com palavras, de acordo com o estudado.

Leitura e comentário dos textos elaborados pelos oficineiros.