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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Querida Música!

Texto de Adelaide Dalva Garbuio

Recordando uma coisa fantástica que é você (a música) vou escrever algo que possa deixar alguém feliz!


Os homens primitivos foram descobrindo os sons e ao juntá-los, formaram melodias agradáveis aos nossos ouvidos. Foram aprimorando e os mestres da música conseguiram os mais lindos acordes das imortais melodias.

Com a música, eu consigo dentro do coração, as notas primorosas para os meus ouvidos. Os acordes são a infinita magia para todos os seres. Nós levam a sonhar, a imaginar, a amar ...

E eu amo a música. Ela me eleva, transmite poesia e me dá fôrças para o meu dia.A música me faz viver. É um dom que recebemos de Deus e que devemos colocar em prática para alegrar nossos semelhantes.

Minha Nona querida! Exercício Romantismo

Texto da Dra. Licia Monaco Perin


Senti necessidade de escrever-lhe, colocar no papel e fazê-la saber o quanto eu a amo, ainda hoje.


Quero dizer-lhe querida avó que o tempo não apagou sua lembrança, ao contrário, conseguiu filtrar nossos momentos mais deliciosos e felizes, restando para mim tanta ternura, tanta emoção que ainda me emociono ao me recordar deste passado...

Desde menina tive a sorte de contar com sua presença tão cheia de sabedoria, inculcada de preciosas recordações, fatos que moldaram para sempre minha vida. Lembra, Nona, de nossas conversas ao lado do tacho de cobre q ue aquecido num tripé, derretia banha; do porco que era transformado em lingüiça, toucinho defumado; e as varinhas de bambu colocadas no fogo com pedacinhos de carne e sal : delícia! O café da fazenda torrado em grande torradeira, as “caixetas” de goiabada guardadas na adega, com grandes queijos e corotes de vinho importados; o vinho de laranja ... E as receitas típicas de sua região : o “tortelli” nadando no molho de tomate, o “capeletti in brodo” que enriqueciam as festas natalinas e as de seu aniversário (30 de agosto) onde toda a família se reunia? Mas o melhor eram nossas conversas sobre sua vida na Itália.A morte de sua mãe, a pobreza, as obrigações de família, seu pai viúvo ...Seu orgulho por ter sido crismada pelo Bispo Sarto, seu conterrâneo e hoje Santo Papa Pio X. Sua chegada ao Brasil, vindo para uma fazenda de café em Souzas (Campinas). Sua lembrança da Abolição dos Escravos no Brasil. Seu serviço como ajudante de cozinha e engomadeira dos Camargos, donos da propriedade. Seu namoro com o Nono. O s bilhetes mandados nas marmitas que ele distribuía diáriamente entre os italianos fixados nesta nova terra...

Nossas “aulas” de tricô : eu canhota, você vencedora de torneio desse artesanato na sua cidadezinha ! Quanta paciência ! E nossas “viagens” para a fazenda de Graúna? Tão perto e você levava lanche ...

Quantas vezes a vi chorar ao lembrar a morte do Nono, que eu conheci tão pouco, mas que me legou todo amor que sinto pelas coisas da natureza. Quantas vezes fomos ao Excelsior, nos aniversários da nossa cidade, ver o filme do Centenário, onde aparecia o Nono Aristides...

Onde você encontra energia para uma vida tão intensa? Teve 12 filhos, só perdeu um em acidente; criou 3 sobrinhos; sua casa abrigava um verdadeiro clã : seu pai, os sogros, um tio mais velho, irmãos, cunhados ...

Dentro, bem no fundo de seus olhos azuis, vislumbro sempre somente vida e esperança, em suas mãos, a busca constante do trabalho que dignifica e de sua boca a palavra confortadora e plena de paz !

Por tudo isso, e muito mais, eu me pergunto e também lhe pergunto : você se foi? Como, se ainda a sinto tão viva e presente em minha vida; se eu me norteio ainda nos exemplos que guardei, mais que em minha mente, no meu coração e na minha alma.

“Te amo” Nona querida. Continua, fica comigo para sempre que o amor eterno não é medido pelo tempo e eu a sinto ao meu lado, a cada dia, a cada hora que vivo.Um grande beijo da neta Lícia

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Oficina: Sermão aos Peixes

Estudamos a obra de Antonio Vieira - Sermão aos Peixes. Foi uma experiência deliciosa, pois alguns alunos já conheciam, mas a maioria não tivera contato anterior com essas belas páginas literárias.

Propostas de exercício:




1) Escrever um texto alegórico, destacando a qualidade de um animal em comparação com o homem. Pode ser o cão, pássaros, ou qualquer outro animal.

2) Escrever sobre os olhos como sentinelas – observar as coisas e extrair lições delas, fazemos isso?

3) Escrever sobre um exemplo de “falsas iscas que nos enganam” e prejudicam nossa qualidade de vida, nossa visão de mundo.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conversa no Jardim



Debaixo do caramanchão florido, olhos semicerrados, negras madeixas beijadas pelo vento, a menina parecia dormir. As cores pálidas da madressilva exalavam perfume suave, combinando com a simplicidade dos pequenos buquês mesclados de vermelho e branco.
O silêncio da tarde só era quebrado pelo nhec-nhec do balanço que lhe serve de moldura. Como que a compor esse quadro campestre, seus companheiros vão chegando: uma lagartixa que corre, um beija-flor que se farta de néctar, uma salamandra que se agarra a um tronco, um gatinho ronronando que se espicha no seu colo. Uma libélula traça filigranas no ar, depois assenta-se rapidamente nas águas tranquilas do lago sereno logo à frente.
Em meio a isso tudo, as flores que compõem esse lugar mágico põem-se alerta: algumas abelhas aproximam-se perigosamente, atraídas pelo doce da calda do picolé que a menina distraidamente deixara derretendo, vencida pelo sono. Diligentemente, cuidaram de desviar a atenção das pequenas voadoras, antes que um movimento involuntário da menina provocasse um acidente.
Passado o perigo, as flores voltam a fazer o que mais gostam, neste éden encantado: filosofar. Sim. Qualquer acontecimento era motivo de grandes e acaloradas discussões entre elas, num debate que, às vezes, se estendia até quase o crepúsculo.
O assunto desta manhã fora justamente provocado pela menina. Por que, indagavam elas, a garota insistia em manter os olhos fechados, mesmo frente ao perigo iminente? O girassol, achando-se o máximo, colocou-se como mediador. Afinal, que outra flor teria sua capacidade de acompanhar com o olhar o caminho trilhado pelo deus-sol? E propôs que a discussão abordasse as diversas formas de se comportar dos humanos, com seus diversos “olhares”.
Maria-sem-vergonha, aparecida como sempre, foi a primeira a falar:

— Tenho umas parentes que vicejam em um campinho de futebol. Elas me contam tudo o que acontece com os humanos que frequentam aquele lugar. Digo de cadeira: As pessoas não vão lá só para se divertir e praticar esporte. Muitos deles estão à espera de que alguém os veja. Mas não é um alguém qualquer. Chamam a ele “olheiro”, uma pessoa que vive de caçar talentos. Os jogadores esperam uma oportunidade de ser convidado para treinar em grande time e, para isso, não perdem a oportunidade de se exibir, mostrado seus conhecimentos de futebol. Os olheiros funcionam como uma espécie de instituição, que capta talentos esportivos em todo o mundo.
A ninféia quase não deixa a colega terminar. Emendou:
— Você falou em olheiro e me fez lembrar. Vivo na água, vocês sabem. Em um lago, é bem verdade. Mas sei tudo sobre o mar. Certa vez, estava um grupo de pescadores conversando e um deles contou sobre a pesca artesanal de tainhas, iniciada pelos colonizadores açorianos lá pelos idos de 1692, quando chegaram à ilha. E sobre o trabalho de “olheiros” também. Por isso me lembrei.
E continuou: — Por volta das quatro da manhã, esses homens sobem aos costões do mar para espreitar a chegada dos peixes e informar aos pescadores que aguardam na praia a exata localização dos cardumes e a hora certa para iniciar a pesca.
— Pois eu vejo o olhar por outro ângulo.
Todas as demais flores calaram-se. Era a espada de são jorge, com suas voz tonitruante, porte militar, postura ereta, fardas engomadas, a impor o respeito de todas. Aproveitou o silêncio que se fez para continuar:
— O assunto faz-me lembrar os filmes da idade média, assunto da conversa de dois jovens neste mesmo balanço em que descansa a garotinha. Diziam eles que os comandantes das armadas dos grandes castelos medievais colocavam sentinelas ao redor de toda a muralha.
— E é do olhar atento daqueles soldados que dependia toda a segurança do castelo, completou a espada de são jorge.
O girassol, do alto de sua magistratura, a tudo acompanhava, com ar de superioridade, fingindo a tudo entender, para disfarçar a sonolência que tanta informação produzia.
No pequeno vácuo que se fez, a camélia criou coragem. Mesmo sem querer se exibir, disse:
— Nós, camélias, somo o símbolo dos abolicionistas. Servíamos de senha para identificar os cavalheiros abolicionistas e, com isso, ajudar os negros fujões.
— Mas o que isso tem a ver?, apartou o mal-me-quer, com o humor ácido que lhe é peculiar.
— Você não sabe? O olhar atento dos escravos buscava jardins das casas onde houvesse um pé de camélia, sinal de compromisso com a causa.
A orquídea, com as pétalas ainda respingadas pelo orvalho que o sol não secara, ouvia em silêncio. Achava tudo aquilo interessante, mas entendia que era hora de mudar o rumo da prosa, como costumava dizer. Ela, que já havia sido palco de inúmeras experiências de cruza, dizia-se esperta em assuntos visuais. E, querendo imprimir um ar mais científico à conversa, iniciou seu discurso:
— O olho é o dispositivo mais engenhoso da natureza. Em princípio poderíamos compará-lo a uma câmara fotográfica. A objetiva da câmara equivale à córnea, as pálpebras encarregam-se de mantê-la limpa, clara e livre de tudo que possa turvá-la. Ambos os olhos se movimentam coordenadamente para que possam seguir o objeto observado. Apesar de sua importância, nem todos têm o cuidado devido com seus olhos e não valorizam o sentido da visão em toda sua magnitude.
O girassol, agora já meio cansado, dizia, com a voz a trair um certo enfado:
— O próximo, por favor.
A rosa, que esperava silenciosa e pacientemente sua vez, naquela manhã estava especialmente mais linda ainda, deslumbrante mesmo. Com toda sua ternura mística, propôs-se a falar do olhar sob um novo enfoque: o olho na simbologia. E começou:
— O olho, órgão da percepção visual, é reconhecido quase que universalmente como o símbolo da percepção intelectual. É assim que temos, sucessivamente, o olho físico na sua função de recepção da luz; o olho frontal, o terceiro olho, e, finalmente, o olho do coração. Todos os três recebem luz espiritual. Na filosofia, o olho também denota visão, maneira de ver.
Silenciosa, a doce violeta, exalando seu suave perfume, se desvencilha das folhas que a protegem e também a escondem e enfatiza, serena:
— Bem-aventurados os vossos olhos, porque veem,... *
— Refletir sobre nosso modo de ver, eis a questão. E continuou, com a humildade que lhe é peculiar:
— Olhos... patrimônio de todos. Encontramos, porém, olhos diferentes em todos os lugares. É preciso estar atento e forte para discernir, pois, segundo asseverou o apóstolo Paulo de Tarso, “Tudo me é lícito, nem tudo me convém”. É preciso critério, equilíbrio e, principalmente, atenção em nosso caminhar pela vida, para não sermos surpreendidos por situações perigosas, consequência de um olhar desatento.
Antes que o girassol desse por terminada a reunião – estava louco para isso –, a natureza veio a seu favor e o ajudou a encerrar o assunto, mesmo que outras flores estivessem doidas para falar.
Uma rajada de vento frio despertou a garota que, esfregando os olhos, espantou as abelhas. Ainda sonolenta, enquanto espreguiçava, veio-lhe a nítida impressão de que sonhara. Esforçou-se por lembrar e, passando a mão pela testa, achou engraçado quando lembrou-se de alguém que lhe falara sobre o “terceiro olho”, localizado no ponto entre as sobrancelhas, que, segundo a tradição hinduísta, está ligado à capacidade intuitiva e à percepção sutil.
Nisso, uma abelha retornou. Ela, agora atenta, intuitivamente a espantou e acabou por se lembrar do sonho (embora não dos personagens). Nele, lembrava-se agora, havia sido enfatizada a atenção ao modo de ver e perceber as coisas. Recordou-se de seu grupo de amigos escoteiros, cujo lema no mundo inteiro é: SEMPRE ALERTA.
E... já que havia despertado, aproveitou para percorrer com mais atenção o jardim, observando a beleza de cada flor. Instintivamente, começou dialogar com elas, como que agradecendo a oportunidade do aprendizado.

Texto de Geni D.Bizzo

* Matheus. 13,9... 17

Meu xodó

Meu xodó -  Mariângela J. Pezzotti Gomes
 
Tive e cuidei com muito carinho de tartarugas, aquário com lindos peixes coloridos, gaiolas com canários do reino e gloster, estas avezinhas recebiam nomes de tenores famosos como: Pavaroti, Caruso e outros, por seu trinar forte e alto. Muitas vezes até parava para ouvir com mais atenção, seus cantares melodiosos!

Um mínimo de corpo,

Num máximo de voz!

Essa tendência e apego por animais não parou por aí, apesar de ser mordido por dois cães bravos, mas, graças à Deus sem grandes conseqüências, permaneceu a vontade de possuir um cão.

Em dois mil e oito adquiri de uma família criadora de cães, uma cadelinha Poodle à qual foi dado o nome de Mel, por possuir pelagem aveludada da cor abricot. Suas orelhas eram um charme só; compridas iniciavam num abricot claro, terminando em degrade nas extremidades num castanho avermelhado. Foi amor a primeira vista!

Tão pequenina, cabia em uma caixa de sapatos quando a trouxe para casa! Trinta e sete dias, não havia sido vacinada, nem vermifugada, mas de imediato as providências foram tomadas.

Hoje a Mel já é uma linda e dócil mocinha, está mudando a cor de sua pelagem, mas ainda conserva a cor abricot. Ela é tratada com muito carinho e amor. Sua ração é própria para sua idade e raça, tem casinha e caminha, não dorme fora, tem um lugarzinho especial dentro de casa. Banha-se semanalmente chegando em casa toda cheirosa e enfeitada com lindos lacinhos coloridos nas orelhas e as vezes até no pescocinho. Hoje mesmo está toda rosa. Nas orelhas, flor feita de pedrinhas cor de rosa brilhante, fita de organdi com pingente de pedrinhas rosa no pescocinho. Pode isso?

As tias do banho e tosa são demais! Ela é só uma cadelinha!

Mas não é só isso, Mel é muito inteligente e observadora, se empolga com os passarinhos que aparecem no quintal, fica muito agitada correndo de cá pra lá em volta da piscina. Na verdade faz Cooper o dia inteirinho. Quando cansa, fica sentadinha na porta da varanda admirando-os.

Todos os dias parece até que tem hora marcada, vem um casal de pombinhos e se instalam em cima do muro que é bem alto. Da varanda a Mel observa-os seriamente, parece estar pensando:- ah se eu pudesse pegá-los, eles são tão bonitinhos!... Depois de um determinado tempo eles vão embora e a Mel que também já fez muito Cooper e está cansada, vem descansar na sua caminha.

Como ela é muito esperta e entende muitas palavras da nossa língua, não posso pronunciar, carro, coleira e passear.Quando as ouve, se posta na frente do armário onde fica guardada a coleira e até que a pegue, se põe a olhar para a mamãe ou o papai porque sabe que eles é que vão leva-la passear.Os caninos não falam, mas entendem tudo! Se naquele momento não posso levá-la comigo, digo que agora ela não pode ir, mas que depois nós vamos passear; ela fica me olhando com ar de coitada, abaixa a cabecinha e vai para a poltrona que fica de frente para a porta, enfunada. Quando chego, ela corre na porta a me recepcionar com muita alegria e como prometido lá vamos nós, nem que seja numa pequena voltinha para retribuir tanta devoção.

Sabe brincar com a bolinha, alguém joga ela vai buscar e trás de volta. Na hora de dormir, às vezes cisma de querer brincar, mas é só falar:- Agora não, todo mundo vai nanar; a mamãe, o papai, a vovó e a Mel. Não precisa falar mais nada, no mesmo momento ela vai para sua caminha. Ela é muito esperta e obediente!

Ela é mesmo meu xodó! Companheira entende quando estou triste ou alegre. Domina a casa com sua hiper-atividade, graça e peraltices.

É inestimável a troca de afeto existente em nosso relacionamento. Quantas lições um animalzinho tão delicado nos trás: persistência, lealdade, companheirismo, simplicidade.....

A Mel é uma benção! Ela resgatou a alegria na nossa família! A vovó fez até uma paródia:


“ Era uma casa muito tristinha,

porque não tinha uma cachorrinha.

Porém um dia a Mel chegou,

e a nossa casa alegre ficou.

Ela faz Cooper o dia inteirinho,

correndo atrás dos passarinhos.

Ela é bonita e inteligente,

e gosta muito de brincar com a gente..."

Sermão aos burros

Sermão aos burros - Letícia D. Brunelli


Hoje me dirijo a vós, seres vivos, a quem os homens pouco prezam e aos quais denominaram “burros”.


Vossas virtudes, ignoradas por eles, são reveladas em atitudes, que só homens de grande valor moral, revelam : lealdade, paciência e gentileza.

Vós não sois elegantes e belos como seus primos mais nobres, os “cavalos”. Não sois adeptos do trote aristocrata, nem possuís o brilho na crina, nem a ondulação da cauda.

Mas, vós sóis firmes e constantes na lida, que requer força e inabalável vigor físico.

Deveis continuar assim!

Vós não sois caprichosos e rabujentos como seus primos plebeus, os “jumentos”. Esses gostam de empacar frente a um desafio ou diante de uma situação indesejada.

Não deveis imitar tais atitudes!

Vós não recuais perante o íngreme caminho, nem frente à aridez da estrada.

Sois digno quando citados em trechos bíblicos, como no cenário de presépio junto à manjedoura que serviu de berço ao Menino Deus.Também apareceis transportando o Menino Jesus, no colo de sua mãe Maria, guiado por José, através de imensos desertos, até um refúgio seguro em terras do Egito.

Não sois a massa bruta, nem tendes a força de um trabalho servil, observada nos bovinos, que mansos e indolentes puxam o arado.

Vós levais os homens e todos os seus pertences sobre vosso lombo, qual amigo que oferece amparo e gentileza.

Não me é difícil imaginar-vos entrando em Jerusalém, trazendo Jesus para os aplausos e acenos das folhas de palmeira.

Montado por Sancho Pança, vós seguistes, sem dúvida os passos de Dom Quixote !

Vós tendes a lealdade de um parceiro e a resignação de um mártir.

Vós tendes a coragem de um guerreiro e a obstinação de um profeta.

Vós sóis, com vosso nobre perfil, um exemplo de luta, trabalho e dedicação para toda a humanidade.

Que Deus vos conserve e abençoe !

O príncipe e a andorinha




Conto de fadas recontado por Licia M. Perin

Há muito tempo num reino muito distante, houve um príncipe querido por todos os seus súditos. Justo e humano, governava democraticamente.
Para tristeza de seu povo, aconteceu dele morrer prematuramente. Desolados, os habitantes do lugar ergueram , no ponto mais alto do reino, uma estátua de metal riquíssima, toda cravejada de jóias, para que ele nunca fosse esquecido. Conseguiam enxergar o monumento de qualquer lugar que estivessem ... e sentiam orgulho por terem tido um governante tão justo, ético e voltado as necessidades de seu povo !
O tempo foi passando ... Mudando os governantes, alterando a forma de vida, empobrecendo a todos e trazendo a miséria para os moradores do reino.
Certo dia, uma andorinha migratória separou-se de seu bando, desviando-se da rota encetada pelo milagre que conduz os pássaros de um continente para outro, guiados por um “radar” que só pode provir de alguém muito maior ...
A andorinha entendeu que o alto da copa do chapéu da estátua do príncipe, seria aconchegante e segura. Fez ai seu ninho.
Todas as noites, ao retornar de sua busca por alimento, conversava com o príncipe:
____ Andorinha, vejo ao longe, uma casinha com crianças passando fome. Por favor, leve até eles uma esmeralda que enfeita minha túnica.
Noite após noite o pedido se repetia. A andorinha reclamava :
____ Príncipe, preciso ir-me embora. O inverno se aproxima. Logo não conseguirei alcançar meu bando !
Mas, o pássaro não resistia aos pedidos misericordiosos do ex-governante e repetia seu gesto, levando outras pedras preciosas aos lares miseráveis.Então, as pedras terminaram.
Passando pelo local, os nossos governantes acharam inútil manter o antes belo monumento e decidiram pô-lo abaixo.
____ Para que conservar uma estátua sem razão de ser , feia e velha ... Passem um trator nela !
Quando derrubaram o monumento, encontraram dentro dele um coraçãozinho partido e no chão ao lado, o corpinho inerte de uma andorinha morta!


Observação da contadora:

Li esta histórinha quando tinha 8 anos e chorei pela andorinha e pelo jovem governante, solidários com a pobreza, doando a própria vida por outrem. Hoje, aos 80anos, volto a me comover com esta história, chorando na profundeza do meu ser ao ver que nada mudou. Os exemplos de amor quase sempre são esmagados por máquinas de incompreensão e as criaturinhas indefesas, sucumbem na brutalidade do egoísmo.

Theo



Ondas gigantescas batem na parede transparente e, ao descerem, compõem uma forte correnteza em direção ao gargalo da enorme cratera, por onde se escoam as águas.
Observo entre assustado e curioso o lindo espetáculo. Folhas enormes da renda portuguesa se contorcem, varrendo o chão encharcado. Aves, acostumadas como eu a alçar pequenos vôos, cruzam os espaços macios da “enorrrrrrrme...” residência. Neste momento, me imagino planando por sobre as árvores, sentido o frescor agradável da atmosfera lavada pela chuva torrencial. Mas não posso ir além. Embora seja livre num espaço relativamente grande, minha liberdade é limitada. Não tenho condições de sobrevôo e não mais conseguiria viver sem a proteção dos humanos.
Lembro-me de que sou uma ave da família das calopsitas. Meu nome é THEO. Sinto-me um pequeno humano, dividindo espaço com uma companheira que, humana, sente-se uma enorme calopsita. Nossa história é bonita. Cheguei nesta casa num momento difícil e de muita tristeza. Fui trazido como presente por um parente dela, para ser seu companheiro divertido e leal. E cumpro meu papel. Entendemo-nos muito bem. Às vezes até pelo olhar. Nossas vidas são tão semelhantes que até nos confundimos.
Meus antepassados são da Austrália. Nossa migração só começou a acontecer em meados do século XIX. Foi quando os antepassados de minha companheira também partiram em busca de novas terras. Foi nessa mesma época – um pouco depois, talvez – que tomaram o navio na Itália rumo a este país maravilhoso em busca de dias melhores.
E as semelhanças não param por aí.
Somos divertidos, leais, inteligentes, nos adaptamos muito bem às situações adversas; sentimos fome, medo, frio, alegria, dor, tristeza, aceitação, rejeição.
Eu, como não conheço a vida lá fora, me sinto um “lorde de plumas”. Sou bonito, com penas coloridas e a cara vermelha, parecendo maquiadas com cuidado. Vivo numa gaiola aberta, colocada bem no alto de uma escadinha, que uso como academia, num sobe e desce constante. Tenho total liberdade para ir e vir na residência. Adoro ser tocado, acariciado, mas só quando me sinto confiante. Retribuo da mesma forma. Sou dócil e afetuoso, aprendo com facilidade as músicas que me ensinam.
Ela, ah... Ela também. É alegre, divertida, elegante, gosta de cantar, é sonhadora. E, como eu, embora se diga livre, não o é verdadeiramente. Vive prisioneira dos medos, tensões, aflições de como conduzir a vida. Tem medo do que possa lhe acontecer, embora se afirme com muita fé e a tem, às vezes fraqueja e se torna prisioneira de preconceitos, de ansiedades, de julgamentos.
Quando pode “voar” com seu anjo de pés de borrachas, o faz de maneira tacanha, com os vidros fechados e embaçados, sentindo a cada passo o pavor de alguma aproximação. Angustia-se, tem medo de não dar conta do recado quando a dor ou a necessidade se aproximarem. Como enxergar a vida diante da escravidão materializada na presença do medo, configurando a vida super-avaliada nas necessidades criadas pela ansiedade?
Se eu pudesse verbalizar, diria:* “Olhai as aves do céu, que nem semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai Celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?”
Qual a diferença entre as necessidades do Homem e das aves? Está em uma palavra: Consciência. É ela que dá ao homem a dimensão do tempo e do espaço, das suas necessidades, de sua finitude. Isso não acontece com nenhum outro ser, nem mesmo aves, como eu.
Claro, sei que as necessidades dos humanos são maiores que as nossas. Como sei que necessidades geram ansiedades, medos, que os aprisionam cada vez mais. Mas, mesmo assim, procuro transmitir com meu olhar o que penso: confie, seja firme e forte para que, depois da “chuva” de preocupações e de problemas, a “atmosfera da alma” esteja lavada e protegida com o conforto que Deus nos concede.
Continuo observando a chuva, enquanto ela dorme recostada no sofá. Talvez sonhe livre e, voando nas asas livres de um sonho, tenha a consciência do que nos diz o filósofo Sêneca “A vida é feliz”, E sem ansiedades e preocupações, sua vida irradiará alegria, tranquilidade e bem-estar perenes.
E que ela, finalmente, possa perceber que às vezes precisamos dar uma pausa nas nossas angústias para despreocupadamente vivermos o que é simples, como a vida das aves.

Texto e foto de Geni D. Bizzo

A compaixão nos olhos de Tigrão



Os olhos são a primeira coisa que chamam a minha atenção nas pessoas, porque eles transmitem muito o que a pessoa tem no coração, ou o que estão sentindo naquele momento.
Mas há uns dias atrás, os olhos de um animal me chamaram a atenção e me emocionaram.
Tigrão é um cão Fila negro tigrado (com listras amareladas), enorme, lindo, amigo e leal, com mais ou menos 8 anos de idade e pertence ao meu irmão, cunhada e duas sobrinhas.
É meigo, alegre, carinhoso e brincalhão com as pessoas que conhece e gostam dele; porém, com estranhos que passam na rua e ás vezes mexem com ele no portão, se torna uma fera para proteger a família.
Também é muito inteligente e sensível, porque, se eu ou outra pessoa chega na casa e não vai até o quintal cumprimentá-lo e dar um pouco de atenção a ele, depois de um tempo quando resolve ir, ele não levanta a cabeça, fica sentado como se a pessoa não estivesse ali, totalmente indiferente e digo com certeza, até magoado.
Quando a pessoa vai se despedir para ir embora, ele continua de cabeça baixa e não dá a pata para o “tchau”. E não é apenas isso. Depois de dias, quando a pessoa volta á casa para uma visita, ele ainda continua “emburrado” e não corresponde ao cumprimento.
Só depois de muito carinho, paciência e atenção, ele “fica de bem”, olha, dá a pata e brinca. Parece uma criança fazendo birra para conseguir atenção.
Mas, outro dia eu senti uma grande tristeza e dor no coração desse querido cachorro Tigrão. Cheguei e fui ao quintal cumprimentá-lo como sempre, e, quando ele olhou para mim, senti seu olhar profundamente triste e dolorido no corpo e no coração (sentimento).
Ele estava sofrendo como uma pessoa que tem compaixão pelo próximo(e não são todas) sofre. Tigrão falou com seu olhar que estava sofrendo, que queria colo, um abraço e paz para o seu coração e para o coração de todos daquela casa.
Fiquei impressionada e emocionada com a sensibilidade do Tigrão, que ama tanto as pessoas dessa família, que sente tristeza e preocupação, pelo momento difícil pelo qual estão passando.
É amor, compaixão, carinho, um modo de “dizer”, de demonstrar que ele está ali, presente, junto deles para ajudá-los, mesmo que seja apenas para dar a pata ou abanar o rabo, que corresponde a um enorme carinho e atenção.
Os animais nos dão muitos exemplos de amor, companheirismo, respeito ao próximo, muito mais verdadeiros, sem cobrança, sem falsidade, do que muitas pessoas, porque eles demonstram com seu coração e suas atitudes.
A compaixão pode ser partilhada apenas com um olhar, um abraço, um beijo, uma palavra que significam : eu estou aqui, pode contar comigo.
É isso que eu senti e sinto quando estou com Tigrão, o amigo para todas as horas.
Que bom seria se mais pessoas tivessem essa sensibilidade e esse amor gratuito para ajudar a tantas outras que sofrem, não necessariamente com dinheiro, bens materiais, mas com um olhar, um abraço, um sorriso, como o Tigrão ...


Texto de Terezinha Cattai

Lição da minhoquinha



Sou apenas uma pequena minhoca que nasceu e vive num monturo de esterco. Nem cresci ainda. Conheço muito pouco da vida. Sei que não posso enfrentar o forte calor do sol (afinal não tenho pele que resista a isso.
Vou vivendo, minhocando e “saboreando” o esterco, transformando-o em nutriente tão necessário à terra cultivável. É o que me cabe.
Não tenho cérebro, nem pretendo ter alma. Isso é lá para os seres mais desenvolvidos, para o meu “parceiro bicho-homem ! Como se ufana de seus predicados : enfeita-se como um pavão; canta de galo, diz-se forte com um touro; nada como um peixe; tem memória de elefante; curioso como um macaco ; bebe como um gambá; come como um porco.
Mas, acima de tudo, comparo-o a um grande asno, pois tenta destruir o mundo em que vive, a natureza que o sustenta e a água que é essencial á sua vida!
Eu, eu sou apenas uma pequena minhoca, uma minhoquinha integrada à grande cadeia da vida. Os meus dias vem e vão, o sol nasce e se põe. Eu aqui estou “plantada” no meu habitat, vivendo um dia após outro, sem tentar quebrar nenhum dente da grande roda da vida!

Texto de Licia Monaco Perin

Os olhos como sentinelas



Se falarmos aqui sobre nossos olhos , podemos falar de sentinelas treinadas para observar intencionalmente tudo ao nosso redor.
Mas, eu aqui quero lembrar olhos sentinelas dos chamados animaizinhos “irracionais” .
Gosto muito de todos os animais. Observando-os, vejo exemplos e posso aprender , incluindo os bichinhos dos matos e jardins, por exemplo; as formigas com suas tarefas e organização, as aranhas e suas lindas teias.
Em casa eu já tive: tartaruga, cágado, patinho, macaquinho, porquinho da Índia, viveiro de pássaros, além de gatos e cachorros. Lembro-me dos pastores Ringo, Rolf e Dolly,Mambo e Rekka; o boxer Max; dos pequineses Cherry, Charles e Puppi; incluindo muitos viralatas recolhidos das ruas : Nina, Tifi, Cara-Feia, Fofinha e outros. As últimas duas Dachshound ou vulgarmente chamadas “salsichinhas” Trudi e Kika. Além das gatas Chary, Muschi e Mitzi-Mau.
Quando há vários animaizinhos juntos, eles divertem-se entre si. Nos vigiam com seus olhares principalmente na hora das refeições ou quando recebem tratamento.
Mas ...
Há três anos Kika ficou sozinha. Observo como ela convive mais comigo e me observa em meus afazeres. Ela tem quase catorze anos, está bastante lenta pois é cardíaca. Não gosta mais de latir, mas fala com os olhinhos espertos. Quando toca a campanhia, ela vai até a porta e olha para mim aguardando, se eu demoro, ela vem me buscar.
Após minha refeição, se me dirigo para a pia para lavar a louça, ouço : “au au”. Kika está sentada no lugar de seu prato, com o corpo ereto e rígido, feito estátua a me encarar com o olhar fixo até atendê-la. Com certeza ela quer dizer: “e eu, não vou comer?”
Varrendo as folhas no quintal, ela me acompanha. Se cai uma outra folha onde eu já varri, ela vai até a folha, pára, e com olhar fixo me encara até que eu volte para recolher esta folha também. Contente ela se afasta, abanando o rabinho.
Se a noite, quando vou me recolher, não apago a luz do corredor antes de entrar no quarto, ela senta debaixo do interruptor e não entra comigo para dormir. Seus olhinhos me dizem : “Você esqueceu a luz acesa. “
Observando estas atitudes de um cãozinho tão pequenino, me atrevo a afirmar que os olhos de um bichinho “irracional” também atuam como sentinelas.

Texto de Hedi Duarte

O homem e seus relacionamentos



A vida é muito interessante. Nascemos e nos relacionamos com o mundo através da família. Necessitamos da presença de nossos pais para nos desenvolvermos e crescer, convivendo e precisando nos relacionar.
O homem não vive isolado. Ele se posiciona em comunhão com tudo e todos que os cercam. Os animais são grandes companheiros e nos afeiçoamos a eles com carinho e notamos que os cães fazem nossos sentimentos aflorarem. A retribuição de carinho é recíproca.
O animal sente falta de seu dono. Vemos muitas vezes o cão defendendo as crianças, que são muito apegadas á eles. Quando se perde um animal ou o mesmo foge, muitas crianças ficam doentes. Ouvimos sempre nos meios de comunicação a procura por cão perdido.
O relacionamento com o cão é tão profundo que falamos com o animal e ele nos entende. É considerado amigo do homem e muitas pessoas os tem como guarda, não só da casa, como também guarda pessoal.
Os cegos muitas vezes os usam como seu guia, conduzindo-os para o serviço, acompanhando-os no trânsito, trem, ônibus e outros meios de transporte.
A vida já nos mostrou que muitas vezes é preferível confiar num cão , do que em seres humanos.
Este relacionamento entre homem e cão é muito profundo, pois até mesmo os indigentes tem um companheiro para seu conforto. A solidão nos faz nos relacionarmos com o que está mais próximo e nos dá segurança.
Assim vemos que o cão, é muito importante para fazer a parte emocional aflorar.O cão é o amigo verdadeiro do homem.

Texto de Maria do Carmo Messetti