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Uma grande vitória poder divulgar o nosso projeto!
A OFICINA DE LEITURA E CRIAÇÃO LITERÁRIA
3A. IDADE CLARETIANAS FOI UM DOS PROJETOS SELECIONADOS PARA APRESENTAÇÃO NO III FÓRUM DO PLANO NACIONAL DO LIVRO E DA LEITURA E NO III SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS, EM AGOSTO DE 2010.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Histórias dos nomes - 2a. Parte



"Terminei, enfim, esta obra, que nem o fogo, / nem o ferro, nem o tempo devorador poderão destruir. / Quando aquele dia, que dispõe apenas do meu corpo, quiser, / poderá pôr fim ao tempo da minha incerta vida; / mas com a melhor parte de mim me elevarei imortal / sobre as estrelas, e o meu nome não perecerá ."
Ovídio





Maria Inês – Maria Inês Mascarin Filier

Quando meus pais se casaram, provavelmente não planejaram se teriam filhos, nem quantos, nem o sexo que eles deveriam ter, pois a verdade é que teriam, como se dizia antigamente, quantos Deus mandasse.
O primeiro foi um lindo menino que, certamente, foi o maior orgulho da família; por falar nisso, junto com meus pais, moravam meus avós paternos, um irmão e duas irmãs de papai, todos solteiros.
Foi nesse contexto que eu nasci, e já não foi muito orgulho para todos, pois, segundo me contaram, meu avô paterno não quis nem me ver, porque mulher numa família de italianos não serviria para nada!
Mas o tempo foi passando, a nenezinha foi ficando engraçadinha, faceira, e o ‘nonno’ não resistiu aos seus encantos, tornando-se o seu fã número 1. Passamos momentos lindos e mágicos, juntos.
Alguns deles, trago marcados na lembrança, como quando dançava imitando uma bailarina e pedia ao nonno que julgasse quem dançava melhor: eu ou Iara, minha melhor amiga de infância. Ele, para deixar as duas felizes, ora dizia que uma, ora dizia que outra.
Recebi o nome Maria Inês porque a minha avó paterna chamava-se Maria, e a materna, Inês. Duas mulheres lindas, guerreiras, ambas pertencentes ao grupo dos primeiros imigrantes italianos e portugueses que vieram para o Brasil. Tenho muito orgulho de levar os seus nomes em minha vida, já que seus exemplos maravilhosos têm me ajudado a seguir em frente, a superar obstáculos que a vida oferece.
Dois nomes simples, mas para mim significam muito! Agradeço aos meus pais pela escolha tão carinhosa que fizeram, homenageando desta forma minhas duas avós.



Sobre meu nome – Marinalda Codo Rosseti

Elizabete. Este foi o nome que minha mãe escolheu para mim.
Em meados maio e junho muitas crianças nasceram, e, entre as meninas, só se ouvia dizer que o nome da maioria delas seria Elizabete.
Então, nasceu um bebê, que a mãe cuja mãe colocou o nome de Marinalda. Não Marialva, tampouco Marialda, nem Marinalva, mas sim Marinalda. E, foi assim que minha mãe resolveu me dar este nome também.
Uma, porque ela gostou, e outra, porque já tinha muita elizabete no pedaço. Bem, quanto a mim, não sei se gostei ou se realmente preferia elizabete. Mas, de qualquer modo, ainda é melhor do que dar os nomes das avós, embora eu não saiba se isso chegou a ser cogitado – Maria Francisca, por parte materna, e Prisca, pelo lado paterno.
É certo que nada tenho contra minha querida vovó, que faleceu quando eu tinha 2 ou 3 anos, e de quem eu era a neta preferida, mas Prisca...
Nesse caso, é claro que eu agradeço à minha mãe. Embora, apesar de não ser a única, não conheço nenhuma outra Marinalda.



O porquê do meu nome – Jose Batista Amador

Quando criança, não tinha o entendimento do meu nome, como os meus netos em, nos dias de hoje. Talvez, isso esteja relacionado ao falecimento do meu pai, quando eu ainda era muito criança.
E, com o casamento da minha mãe com o meu padrasto, fomos morar distante dos meus parentes, e acabaram se perdendo as referências do nome e do sobrenome.
Com o decorrer dos anos, passei a gostar e a ter muito orgulho do meu nome. José Amador era o meu avô paterno, morto antes de eu nascer. Ele era imigrante natural das Ilhas Canárias, na Espanha. Batista Bergamin era o nome do meu avô materno, filho de italianos e que também já morrera antes da minha existência.
Através dos meus parentes e das pessoas que os conheceram, fiquei sabendo um pouco sobre eles. O avô Batista era um líder na família, exemplo de pessoa de bem. Em sua homenagem, minhas tias colocaram o nome dele nos seus primeiros filhos homens, e meu pai o colocou em mim.
Na história, José era pai de Jesus Cristo, e, Batista, era o Seu primo. Eu, com esse nome José Batista, sinto-me privilegiado em ter o nome dos meus dois avôs e, também, desses dois homens tão dignos que foram São José e São João Batista.

Origem do meu nome – Eisle

Tenho três irmãs mais velhas, cujos nomes iniciam com a letra E. Para não fugir à regra, quando eu nasci o nome deveria ter a mesma inicial.
Minha irmã mais velha tinha vinte anos, à época, e seu nome era ELSIE, nome escolhido em um livro de romance. Ela pediu aos meus pais que colocassem o meu nome de EISLE, que seria o contrário do seu. Ela fez esse pedido porque gostava demais desse nome, e não sabia se, quando casasse, teria uma menina para batizá-la com esse nome.
Nunca tive nenhum apelido, também nunca achei alguém que tivesse um nome igual ao meu. Quando digo meu nome, todos o consideram diferente!
Gosto muito do nome que tenho, considero-o forte, diferente, único.



A princesa Siclay – Siclay Bianchini

Sinto-me muito lisonjeada por ter um nome de princesa, escolhido por minha avó Genny, que adorava ler e que viu esse nome em um dos seus muitos romances.
Esse livro contava a história de uma princesa, a princesa Siclay, que vivia na Síria e adorava ficar junto ao povo de sua aldeia, era uma pessoa diferente das suas tradições, pois ajudava a todos: crianças, velhos, pobres e necessitados. De certa forma, sou assim também!
É engraçado quando digo o meu nome, pois todos se espantam e dizem; “Si o quê? Hã? Siclei, Sinclair, Siclair, Sicrai...” Mas, tudo bem!
A parte mais gostosa é ouvir amigos e até desconhecidos que, por conhecerem o meu nome, me procuram para contar que também colocaram esse nome, escolhido por minha avó, em suas filhas; elas, depois de crescidas, adoram o nome da Princesa do Povo, assim como eu.
Certa vez, quando uma dessas pessoas foi registrar a filha no cartório, a pessoa que fazia o registro duvidou que fosse um nome, dizendo que não tinha sentido, que era uma coisa horrível! Pois não é que os pais tiveram que levar o meu documento para provar que o nome existia?
É uma pena essa pessoa ter duvidado, pois ao fazê-lo perdeu a oportunidade de conhecer a história de uma mulher que não respeitava as diferenças entre as pessoas. Uma mulher que, mesmo tendo título de nobreza por direito de nascimento, foi guerreira e bondosa como toda mulher deve ser: uma princesa!

Meu nome... Minha diferença – Geni Deolinda Bizzo



É impossível falar sobre o meu nome sem citar meus irmãos, pela ordem de idade: Evanir Erminda, Agenor Clarindo, Nestor Laurindo, Antenor Lucindo e Nair Ermelinda.
Nomes que soam estranhos, quando assim reunidos, mas que deixavam meu saudoso pai orgulhosíssimo. Afinal, não era fácil encontrar nomes que atendessem à combinação or e indo, para os meninos, e ir e inda para as meninas. Principalmente para ele, pessoa sem nenhuma literatura e sem qualquer fonte de consulta.
Eram idéias dele. Só dele. Minha mãe, mesmo que quisesse, não tinha espaço para palpites. A coisa acontecia invariavelmente assim: nascida a criança, o velho seguia imediatamente para o Cartório de Registro Civil. No retorno, e com a pompa que o momento exigia, lia o nome do rebento, escolhido em segredo já há algum tempo.
Era uma cena comparável à daqueles arautos do rei que, sobre um tablado, com toda a pompa e circunstância, inflavam o peito para anunciar um acontecimento importante.
Minha mãe, calada em um canto, era apenas platéia, como todos nós.
E eu? Por que fugi à regra? Deolinda está conforme. Mas porque Geni, e não Genir? Acho que, num golpe de sorte para mim, o escrivão tenha entendido mal e efetuou o registro sem o erre final. Acredito, também, que meu pai não tenha querido retornar ao Cartório para corrigir o erro.
O certo é que fiquei Geni. Diferente do que ele queria. Melhor para mim. Embora não possa dizer que tenha me livrado de problemas. Sempre perguntam: com G ou J? Y ou I? E quando escrevem Genideolinda, assim, tudo junto? E pior, quando grafam Geni de Olinda? Às vezes chego a me aborrecer. E digo, irônica: Nem de Olinda nem de Recife. É Deolinda, tudo junto. E, como sei que também vou ter problema com o sobrenome, antecipo: É Bizzo, com duplo zê, por favor.
Depois, acho graça. Afinal, nunca vou ter problemas com homônimos.

sábado, 28 de março de 2009

Histórias dos nomes



Exercício: História do seu nome


Quando nós falamos nos nomes de Goethe, Platão, Picasso, todos se lembraram, pois existe uma memória coletiva, semântica, que permeia o nosso conhecimento sobre esses nomes e as histórias que eles carregam. A proposta do nosso 1º. Exercício da oficina 2009 é que vocês escrevam algumas linhas sobre a história dos seus nomes. Seja verdadeira, seja inventada, seja uma situação vivida e que guarde relação com o nome. Você gostava do seu nome? Você teve apelidos? Escreva sobre isso.




Produção dos alunos - 1a. parte




Porque me chamo Marilisa – Marilisa

Nasci em uma família de Elisas e, para homenageá-las, esse foi o nome inicialmente escolhido, ainda mais por se tratar da primeira filha e neta.
Porém, meu avô, cuja mãe e esposa precocemente falecidas, se chamavam Elisa, pediu para que fosse escolhido outro nome – esse não era auspicioso.
Assim, fui registrada como Marilisa e tudo ficou resolvido... Até a hora do batismo, quando o padre alegou não haver santa com esse nome. Então, fui batizada Maria Elisa.
Não deu para escapar do nome, mas da sina, talvez, porque cá estou eu com meus setenta anos!




Adelaide Dalva é o meu nome – Adelaide Dalva Tivelli Garbuio

Hoje é dia 25 de março de 2009 e vou relembrar minha vida quando criança. Nasci em Analândia, estado de São Paulo. Meus pais eram de família italiana. Meu pai se chamava Alfredo Tivelli e minha mãe Filomena Somaio Tivelli.
Morávamos numa chácara onde viviam os meus avós. Éramos 10 irmãos: 4 homens e seis mulheres. Benedito, Valdemar, Deoclides, Antonio, Marietta, Celeste, Antonietta, Helena e Ordália.
Foi o meu pai que nos registrou e escolheu os nossos nomes. Ele me chamou pelo nome de Adelaide Dalva, porque achava muito bonito.
Éramos uma família bem grande e contávamos com o carinho de minha mãe, que fazia tudo por nós. Acordava cedo e ia tirar o leite da vaquinha e, quando acordávamos, já estava tudo pronto, inclusive o pão, feito por ela também.
Minha mãe lavava toda a roupa e passava com o ferro de brasa, e todos iam para a escola arrumadinhos.
Não sei se pude passar um pouco de minha vida e de minha vivência. Hoje, tenho prazer de vir à escola da terceira idade, e ter a grata felicidade de perceber que todos nós caminhamos na vida e, atualmente, podemos compartilhar nossas histórias uns com os outros.
Não sabemos tanto, mas vivemos uma vida digna; e ainda estamos em busca de algo que a escola da terceira idade nos proporciona, para continuarmos a viver dignamente, com amor. Junto às pessoas, relembramos um pouco do que vivemos em nossos dias. Agradecemos a Deus que nos dá a capacidade de encontrar pessoas que nos acolhem com carinho, os colegas da faculdade, pessoas queridas que alegram o nosso dia a dia.

História de meu próprio nome – Antonia Helena Dragunas

Já pensei muitas vezes: por que tenho este nome?
Hoje, considero um nome forte não muito comum. Tenho setenta anos e, há pouco tempo, descobri que a atriz Cristiana Oliveira tem uma filha com o mesmo nome.
Fui registrada como Antonia Helena Mattos, mas depois de casa, tirei o Mattos e coloquei o sobrenome do meu marido – Dragunas.
Nunca pensei que um dia pudesse escrever sobre esse assunto. Está sendo muito interessante, pois só assim descobri o meu verdadeiro nome.
Agora, vou enumerar todos os apelidos que tenho: Vó Lena, Leninha, Lelenoca, Lê, Lelena, e etc.
Estou muito feliz por ter a oportunidade de escrever sobre o meu nome, pois só assim falei da benção que meus pais carinhosamente deixaram. Obrigada, mamãe! Obrigada, papai!


Escrever sobre o meu nome – Cleudinéia Ap. Gaspar Zavarello

Escrever sobre o meu nome me fez pensar que fiquei tantos anos com meus pais e não me recordo de perguntar a eles o porquê de me darem esse nome. Hoje, com saudade, não tenho mais como saber.
Mas, tem algo sobre o meu nome e também o nome do meu irmão que vou contar.
Meus pais contavam muito do meu nome, ficavam bravos quando as pessoas me chamavam pelo apelido – Néia. Quando eu tinha cinco anos, nasceu meu irmão e eles não colocaram o nome Cleudinei, para evitar que o apelidassem - Nei.
Eles o chamaram Cleudicir, achando impossível que fossem apelidá-lo de Cir. Mas... Foi justamente o que aconteceu, ficou sendo Cir.
Esse fato era motivo de tristeza para os meus pais, pois eles gostavam muito dos nomes que deram aos filhos: Cleudinéia e Cleudicir.
Sempre gostei do meu nome e também do apelido. Ao contrário do meu irmão, que, sempre que tem a oportunidade de dizer seu nome entre amigos, usa o sobrenome – Gaspar, nunca usa o Cleudicir ou Cir.



Meu nome – Aurora Ferreira Rodrigues

Setembro chegou e, com ele, a tão esperada primavera, trazendo consigo as flores para enfeitarem nossos vasos e jardins.
Meus pais esperavam o meu nascimento, trocando idéias sobre o meu nome.
As 03h30minh da manhã, eu cheguei. O raiar do dia recebe o nome de aurora, e eu recebi esse nome – Aurora, com todo carinho.
Quando papai estava em casa e eu acordava, ele dizia para a mamãe: - Rosa, o dia está raiando! E iam me buscar, contentes.
Não conheço nenhuma escritora importante com o meu nome, mas o admiro até hoje.


Porque meu nome é Silvia – Silvia Ap. Cristofoletti Galvani

À noite, quando o sono não chega, me entretenho em reconstruir de memória a antiga casa onde morávamos. Entro em cada cômodo. Na cozinha espaçosa, sentadas ao redor da mesa grande, estão minhas primas e eu, ouvindo as histórias contadas pela Madrinha – era assim que nossa avó gostava de ser chamada.
Para surpresa nossa, nesse dia vovó conta, entre lágrimas, uma passagem bem triste de usa vida. Aos vinte e sete anos de idade, e esperando o novo filho, ficou viúva.
Ficou com as três meninas e o Nenê, pois os demais meninos foram criados, até a idade adulta, pelos tios. Como não tinha renda nenhuma, foi trabalhar para uma tradicional família, aqui da cidade.
Ali permaneceu até que Dona Sílvya, a filha mais velha, casando-se, levou-a consigo para São Paulo. Durante muitos anos cozinhou e lavou roupas para esta bondosa senhora, por quem vovó tinha verdadeira admiração.
Nesse dia, descobri por que meu nome é Silvia. Não só o nome, mas gostaria, também, de ter herdado as características dessas duas mulheres: fibra, paixão pela vida e vontade de assumir tudo o que contribua para a felicidade e bem-estar de todos.
Pesquisando sobre a origem do nome Sílvya ou Silvia, descobri que vêm do Latim e que significa “mulher da Selva, da floresta”. É, ainda, marca da prosperidade e revela as demais características acima citadas.


Porque me chamo Antônio – Antônio Moreira

A grande quantidade de Antônios existente no Brasil se deve, basicamente, à simpatia e à sonoridade do nome propriamente dito.
Tão evidente é sua aceitação que é comum em quase todas as famílias despontarem Antônios, muitos de renome, outros, talvez a maioria, como eu, são pessoas simples.
Em minha família, lado paterno, harmonioso, silencioso, pacífico e religioso, os Antônios surgem a todo instante. No eu caso, vem do meu tio Antônio Alves Moreira, fato que muito me honra, pela figura humana maravilhosa que ele foi.
É provável que, pelo sentimento de religiosidade que dominava meus avós, Emília e Faustino, ela um tanto espanhola, ele meio português, os Antônios tenham origem no santo.
O acolhimento desse nome é tão caloroso que, além dos Antônios ilustres de que falei, vários municípios são detentores de tal apelido, além da “Lagoa Antônio”, que fica às margens do Rio Madeira. Vejamos alguns municípios: Antônio Almeida (Piauí); Antônio Cardoso (rio de Janeiro); Antônio Carlos (minas Gerais e Santa Catarina); Antônio Gonçalves (Bahia); Antônio João (Mato Grosso do Sul); Antônio Martins (Rio Grande do Norte). E porque não lembrar, também, do aeroporto Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro?
Nos últimos anos não tem surgido Antônios na família, que anda carente de Antônio. Por esse motivo, minha neta mais nova chama-se Antônia.
Concluindo, eu afirmo o que acho óbvio: meu nome não é o mais bonito do universo, mas me sinto muito bem com ele.


Meu nome – Lícia Monaco Perin

Em 1927, aportava em Rio Claro uma jovem, Lícia Capri Pignatari, que, vinda da Itália, conhecera em São Paulo aquele com quem se casaria e seria o amor de sua vida – Fortunato Pignataro. Ele, de tradicional família de italianos, radicados em nossa cidade.
Professora, socióloga, inteligência ímpar, essa bela mulher, protótipo da ‘matrona’ italiana, iria fazer parte da história de Rio Claro. Para mim, sobretudo, ela teve um significado especial: recebi dela a herança de seu nome – Lícia.
Chegando a Rio Claro, D. Lícia foi logo apresentada às famílias italianas que faziam parte do círculo de amizades de seu jovem esposo. Assim, eles frequentavam com constância a casa dos meus avós maternos (os Giorgi) e paternos (os Monaco).
Fui a primeira filha do casal Ondina Giorgi e Francisco Monaco. Minha mãe se casou muito jovem, aos dezoito anos e, aos vinte, eu nascia. Meu pai tinha vinte e oito anos ao se casar e, viúvo, tinha dois filhos, meus irmãos Célia e Francisco Octávio. Quando eu estava para nascer, em abril de 1930, como era costume na época, minha mãe foi para a casa de sua mãe, a nona Rosa, e lá se deu o parto.
Família grande, a de minha mãe, logo começaram as sugestões para o nome do novo bebê. Sem muita liberdade com meu pai, pelas circunstâncias de um casamento imposto pelas duas famílias, minha mãe ainda não se sentia à vontade com o marido. Após alguns dias de meu nascimento, minha mãe indagou de meu pai se não era hora de registrar a criança. Foi quando meu pai respondeu-lhe: - Já a registrei. Estava havendo muitos palpites... Só então meu pai disse o meu nome – Lícia. Meu pai foi sempre um homem determinado, educado e grande admirador da arte e cultura.
Tive a alegria de conviver por muitos anos com D. Lícia. Ela e seu marido foram padrinhos de casamento de minha mãe. Encontrava-a constantemente na casa dos Monaco. Menina, ainda, achava interessante que ela tivesse o meu nome (e não percebia que era o contrário). Sua conversa era sempre elevada e proveitosa. Ao mesmo tempo em que lecionava muitas disciplinas, em inúmeras escolas, aprimorava os seus conhecimentos em cursos cada vez mais avançados. Quando eu já cursava Odontologia em Araraquara, ela lecionava nessa cidade. Às sextas-feiras tomávamos o mesmo trem e, quem chegasse primeiro, guardava lugar para a outra. Duas horas de conversas fecundas e lições de vida...
Minha tia Hermínia contou-me um fato que desejo registrar. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), D. Lícia, por ser italiana, foi denunciada e perseguida. Acabou indo parar numa cadeia feminina, convivendo na mesma cela com presas comuns. Tal era o seu grau de educação e respeito humano que fez amizade com as companheiras da cela, conseguindo alfabetizá-las. Muitos anos depois, D. Lícia recebia sempre a visita de algumas delas, em Rio Claro.
Tive sempre muito orgulho em ter um nome advindo de uma pessoa como D. Lícia, cujos atributos a destacavam como uma grande mulher, e procurei fazer disso um espelho para minha vida.


Por que me foi designado este nome - Rosemarie Brunhild Grassmann Bóbbo

Na pia batismal recebi o nome de: Rosemarie Brunhild Grassmann, Bóbbo só veio em 1958.
ROSEMARIE: conforme contou mamãe, ela gemia sobre a cama, esperando a cada momento o meu nascimento, enquanto o papai e a parteira falavam de política, sentados ao lado de uma mesinha perto da janela, por onde se avistava uma belíssima nogueira, lindamente florida.
Entre uma dor e outra, mamãe pensava: - Se for menino, se chamará Alexander, mas e se for menina?
Na parede, ao lado da cama, havia um belo quadro, representando rosas, que mamãe havia pintado; então, ela pensou no nome de Rosemarie.
Pouco antes do almoço, Rosemarie deu seu primeiro chorinho, era 16 de maio de 1933.
BRUNHILD: Recebi esse nome em honra à minha tia, irmã de mamãe. Meus avós eram apreciadores de óperas e Brunhild é uma personagem da famosa ópera de ‘As Valquírias’, de Richard Wagner.
GRASSMANN: Na antiguidade, os nomes das famílias eram dados, na Europa, pelas profissões e preferências das próprias famílias. Grassmann significa homem-grama, que significa apreciado e respeitador da ecologia, da natureza.
Em 1958, casei-me com Waldemar Bóbbo, quando tive a honra de acrescentar esse sobrenome ao meu nome de solteira.
No entanto, na eternidade, como nos informa a Bíblia Sagrada, esse nome será mudado:
“Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às Igrejas: Ao vencedor dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca e, sobre essa pedrinha, escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe”. Alguém poderá perguntar: - Mas você acredita nisso? E eu responderei, simplesmente: - É lógico que eu acredito!
Se retrucarem: - Mas porque você acredita nisso? Responderei: - Simplesmente porque Deus disse. Na Bíblia toda encontramos a frase “Assim diz o Senhor” 1.500 vezes. 150 vezes só no livro do profeta Isaías.

Oficina de Criação 2009


Retomamos o projeto da Oficina de Criação Literária para a terceira idade, da Faculdade da Terceira Idade Claretianas. É uma alegria constatar que os alunos apreciaram o trabalho desenvolvido e pretendem continuar inseridos nesse projeto. Além do mais, temos novos alunos, que são muito bem-vindos.

Nosso agradecimento à coordenadora da Faculdade da Terceira Idade Claretianas - Profa. Mestre Andreia Denadai, que nos convidou para estar novamente ministrando a oficina.


Sandra Baldessin - Professora da Oficina de Criação Literaria



Imagem: Na foto aparecem a Profa. Mestre Andreia Denadai, a Erika Tomazella (secretária entre 2007 e 2008) e as alunas Ana Maria, Maria e Mariângela.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Metáforas da Vida

Imagem: The tree of life, de Gustav Klimt



Proposta do exercício: Estudamos a alegoria de Machado de Assis para a Vida e, com base nela, vamos criar a nossa própria metáfora: “Vida a que me convidas?” A vida é um baile? É um quadro? É um jardim? É um líquido que sorvemos? O que nos cativa nela? O que de tão belo nos assombra? O que nos comove a ponto de, talvez, assustar-nos?

A vida nos assombra com suas histórias - Jacinto Sánchez Verni



Este fato aconteceu por volta do ano de 1883, quando minha falecida avó paterna, Dona Rosária, que estava com seus oitos anos de idade e que, como toda menina, brincava com sua boneca em companhia de suas primas e amigas, no quintal de sua casa, lá na lendária Espanha.
Em dado momento, começaram a observar sua avó, que estava sentada, ao que me lembro pelo que nos foi contado, no degrau da porta de sua casinha. Olhava, distante, na linha do horizonte. Quem sabe, a pensar, pensar...
As meninas, com aquela formação embasada pelo respeito e estima incondicional pelos membros mais idosos da família, começaram a ficar preocupadas. Perguntavam-se:
- Será que a vovó está triste porque fizemos alguma arte e a magoamos?
Uma das meninas propôs:
- Vamos perguntar a ela?
- Acho que não. Respondeu a outra menina.
Mas a vovó continuava lá sentada, o olhar no vazio, fitando lá longe, naquela tarde, lá na Espanha, aguçando cada vez mais a curiosidade das meninas.
Até que minha avó Rosária, vencendo o receio, aproximou-se de sua avó e perguntou-lhe:
- Voelita (avozinha, de maneira carinhosa, no idioma espanhol) porque a senhora está triste? Será que cometemos algum erro, sem percebermos?
- Hijas mias (minhas filhas) vocês podem ficar sossegadas, não fizeram nada de errado. Respondeu a avó.
Que alívio, o das meninas!
E continuou:
- O que eu estou aqui, pensando, é que chegará o dia, e não está muito distante, em que haverá coches que andarão sem que precisem de cavalos para puxá-los; e ainda mais, coches que voarão como os pássaros, carregando pessoas.
E continuou ali, com sua postura pensativa.
As meninas se entreolharam, incrédulas. Foram se retirando vagarosamente, prosseguindo com seus brinquedos favoritos. Logo depois, muito baixinho, ao pé da orelha, cochicharam, com todo respeito:- Será que a vovó está bem da idéia? Pois onde já se viu carros andarem sem necessidade de cavalos para puxá-los, e mais ainda, voarem como os pássaros transportando pessoas e objetos? De onde será que a vovó tirou essa idéia?
Hoje, passados todos esses anos, ao relembrar este fato que sempre foi contado entre a família, penso que posso responder à pergunta das meninas: de onde será que a vovó tirou essa idéia? Ou melhor: de quem veio essa idéia? Por intermédio de quem ela captou essa informação? Ou teria ela sido um instrumento de ligação com esferas superiores onde, segundo se comenta, o espaço e o tempo não existem?
Será que essa minha trisavô teve uma experiência holística, da presença do todo, da criação divina, que se perpetua eternamente, no sentido de que sempre tudo existe, sempre existiu, não havendo princípio nem fim?



No picadeiro - Silvia Ap. Cristofoletti Galvani



No grande picadeiro da vida, somos os protagonistas desse espetáculo, exercendo as mais variadas funções, quase que ao mesmo tempo: exímios equilibristas, ágeis malabaristas, sérios e atentos domadores e até mesmo irreverentes palhaços, trazendo na cara um vasto sorriso pintado e um enorme e rubicundo nariz.
Enfrentamos grandes desafios: os previstos e os imprevistos. Estamos em constante movimento. Uma existência monótona torna a vida sem graça, sem encanto.
Não devemos nos intimidar pelas dificuldades, e, sim, procurarmos decisões temperadas de sabedoria. Não estamos livres de sofrimentos, mas Deus promete estar conosco em todas e quaisquer circunstâncias.
A vida é bela, que até chega a dar medo, não o medo que paralisa, que nos deixa estáticos, sem ação, porém o de queremos resolver, de acreditarmos que isso é possível.
Que a alegria e os risos ainda bailem no ar, depois de o circo ter ido embora!




A vida me convidou - Cleudinéia Ap. Gaspar Zavarello


A vida me convidou a viver uma história e, posso dizer, uma história de amor.
Casei com Hélio em 1969 e fomos enriquecidos com dois filhos: Amanda, nascida em 1971, e Ricardo, que chegou em 1973.
A vida passou-nos como um baile, no qual dançamos. As vezes, seguindo o ritmo, outras vezes, tropeçando. Mas, dançando sempre juntos, até 2003, quando Jesuis quis o Helio para ele, e, nesse momento, minha vida se fez um quadro. Um quadro e um jardim de recordações.
Eu continuei sorvendo o líquido da vida, ao lado dos meus netos Murilo, Nycolas, Jeferson, Isabeli, Bruna e Pedro.
O que me cativa na vida é a força que temos para viver.
O belo da vida é sentir todas as emoções e os medos que ela nos revela.
O que me assombra e me assusta é o que eu ainda possa vir a sentir ou passar.
Mas é a Vida, e é bom estar aqui.



A Vida - Célia Maria Cestaro Christofoletti


Aprendi a amar o movimento quando está nele a transformação. E aí está a vida plena de possibilidades e de beleza.
Se pensarmos o que fomos ontem, o que somos hoje e o que seremos amanhã nos daremos conta de que não somos os mesmos, estamos sempre mudando.
E essa mudança implica em aprimoramento, em horizontes espraiados que os olhos da razão e os olhos do coração permitem alcançar, pelo entendimento e pelo amor.
O que assusta, e o que encanta na vida, vejam que contradição, é o vir a ser. A vida está sempre acontecendo e não sabemos o que virá. Adversidades, alegrias, realizações, frustrações, encontros, desencontros?
Estar vivo é estar alerta. Atentos ao que é e ao que será, desfrutando de todos os sentidos de que somos dotados: cores, odores, formas, sons, sensações.
Entender a vida como movimento e transformação é, também, entender que ela não acaba. Fomos semente, desabrochamos. Voltaremos a ser semente, pois que ela é a essência e está em nós.


A vida: mistério encantador - Regina Claret Kapp dos Santos


Fascinante, grandioso, encantador e desafiador é o mistério da vida. Força estranha? Força oculta? O que é?
Buscamos respostas em tudo, em todos os momentos, sobre a questão: Vida.
Tudo ao nosso redor, seres viventes ou já sem vida (que tiveram a sua história) nos mostram o quanto é impossível entender plenamente a profundidade desse mistério.
A partir da primeira célula de um ser humano, ou de outro ser vivente; o processo de gestação, de germinação ou evolução das espécies faz com que, pouco a pouco, se renove interruptamente o ciclo vital da existência.
A cada segundo, minuto, dia, mês e ano, tudo se transforma para conservar ou renovar o equilíbrio dos ecossistemas.
A luta pela sobrevivência, as vezes sutil, as vezes injusta e violenta, é mais questionadora ainda. Pois depende da vontade de cada ser humano, do instinto de cada animal, ou da energia vital contida na própria natureza. Energia que, vez ou outra, se extravasa além da normalidade, para resistir a tudo e continuar vivendo.
Oxalá, nós, homens e mulheres, refletíssemos constantemente sobre este mistério abissal! E que pudéssemos agir a favor da vida, para que as futuras gerações possam herdar um mundo renovado, permeado por valores essenciais para a harmonia plena de todos os seres com seu habitat, com seu planeta.
A vida: lixo ou jardim? - Maria Inês M. Filier

A vida é o mais belo presente que ganhamos do criador. Ela encerra os mais valiosos tesouros, sendo a jóia mais rara do mundo: que é o próprio viver.
Podemos fazer da nossa vida o mais belo jardim, assim como podemos fazer dela um depósito de lixo, onde depositamos todo tipo de entulho: restos de construções, restos de alimentos, papéis imundos, latas enferrujadas, bichos mortos e malcheirosos e, assim, vamos amontoando sujeiras e mais sujeiras.
O pior é quando permitimos que as outras pessoas venham jogar o seu lixo, emporcalhando ainda mais a nossa vida. Então, torna-se insuportável: são baratas, ratos e todo tipo de bicho peçonhento, que representam a raiva, as mágoas, ódios, tristezas e outros sentimentos ruins e negativos. Nós não aguentamos, e ninguém quer se aproximar de um terreno tão deteriorado. Assim, ficamos feridos, machucados, com a autoestima baixa.
Temos que retomar nossa dignidade; nos encher de força e coragem para limpar, reciclar esse terreno. Com as pedras, construirmos novos caminhos, grutas encantadas, fontes cristalinas, nas quais os pássaros, os animais silvestres e mesmo os homens venham saciar sua sede.
Recolher tudo o que pudermos juntar e fazer pontes. Ah! Como são necessárias as pontes, pois nos ligam com os outros, e eles a nós. Fazer canteiros de hortaliças, para nos alimentar e aos nossos amigos.
Plantar flores de todos os tipos e cores para perfumar e embelezar nossas vidas. Para as crianças e todos quantos quiserem achegar-se e sentir os aromas, brincar nesse jardim, cantar e dançar a dança da vida.
Plantar fé, esperança, fraternidade, solidariedade, sabedoria, justiça, paz e amor. Ninguém mais vai querer jogar lixo num lugar tão lindo, pelo contrário, as pessoas respeitarão e amarão essa vida.
Transportar uma montanha para dentro do jardim. Para, todo dia, com muita humildade, simplicidade e sabedoria ir escalando-a, pouco a pouco, com perseverança ir ao encontro Daquele que é o Autor da Vida.
Como você quer sua vida? Lixo ou jardim?


VIDA

A vida chega de improviso
A vida fica porque quer
A vida se enamora da vida
A vida quer ir e você não quer que vá
Mas a vida tem que seguir, senão
Não seria VIDA!

VIVER

Viver por viver
Imensamente
Dádiva do querer.

Vida vai, vida vem

Vida vai
vida vem
como as ondas do mar
tempo vivido que não volta jamais

Vida: um eterno desafio - Lícia Mônaco Perin

Pequena e chorona nasceu a criancinha. Na dança do mundo, cresceu entre crises.
O dinheiro era curto, o emprego, difícil. A pobreza rondava cada casa, cada lar. Desperdício? Nem pensar! A vida dura para todos, crianças e adultos.
A menina foi crescendo. Quietinha, solitária, deitava-se por horas no chão duro do quintal de terra, deixando seus sonhos buscar o azul do céu, a brincar com as nuvens que bailavam no eterno firmamento.
A escola, os livros! Ah,os livros! A grande descoberta! Agora, a menina vivia e sonhava o encontro das extraordinárias aventuras numa frenética busca pelo mais! Curiosidade! Emoção! Riso e choro! Quanto um livro pode trazer!
Mas, o corpo pedia, e o esporte chegou: a mesma paixão, a mesma descoberta. Como era bom ser jovem e consumir energia, aprendendo a ser mais um no grupo, a se empenhar ao máximo em busca de um resultado, a lutar com ética, respeito, sem tripudiar sobre os adversários.
E veio o namoro. O flerte, os bailes, os olhares trocados com significado especial. Qual pássaro, que escolhe seu parceiro para toda a vida, também a menina, agora adolescente, adotou a monogamia e seguiu para o altar.
A profissão escolhida já nos primeiros anos de vida foi alcançada e exercida com a persistência do desbravador que, quando necessário, improvisava para conseguir melhores resultados, executava a capacidade de minimizar a dor dos que sofriam.
Os filhos, a família completada. O marido, parceiro e leal. A vida seguindo com suas doses de altos e baixos. Sempre muito trabalho. Sempre engajados em trabalhos da comunidade.
A vida pública. A mudança radical. Uma visão diferente de tudo. Não há tempo para devaneios. É preciso executar o conhecimento acumulado; é preciso sair de si, pensar plural. Abraçar as necessidades do próximo, das entidades, enfim, da cidade. Somar à sua vida, já tão repleta, outra vida, dedicada à causa pública. Quatro anos de exaustão!
Depois, aquela menina que se engajara, corpo e alma, nesse viver, não cabia mais numa vidinha comum. Passaram-se, então, quase quarenta anos de engajamento em projetos, atividades ou atitudes que pudessem melhorar a vida em nosso planeta.
Hoje, menina de 78 anos, paro e penso: não posso viver sempre num jardim, nem eternamente dançar ao som caliente de um bolero. Não sei pintar quadros, mas me assombro e me enterneço ao lembrar minha caminhada: serei eu aquela menininha que, ao nascer, era a filha do meio entre cinco irmãos, numa família que viveu uma imensa crise – a de 1929? Aquela que, à época, escolheu uma profissão ímpar para mulheres, mesmo sendo canhota?
Entretanto, o que me assombra, mais que tudo, é o número de amigos que conquistei e conservo. A alegria e o equilíbrio que sempre procurei ter comigo, mesmo nos momentos dolorosos. Pois tenho a certeza que Deus não me protege – Ele me mima!

A vida é uma escola - Rosemarie B. Grassmanm Bóbbo

A vida é uma escola. Todos nós somos pensamentos de Deus. Quando nascemos, começa a eternidade. Eternidade significa vivermos as vinte e quatro horas do dia ligados a Deus. Mas isso só acontece se quisermos, pois Deus não é ditador, Ele não arromba a porta.
Nosso coração, que podemos representar por uma porta, tem um trinco somente por dentro. Jesus bate. Depende de nós abrirmos ou nos fazermos de surdos. Ele não arromba a porta, apenas bate.
Quando abrimos, podemos nos apresentar a ele como somos, mas Ele não nos deixa assim. Pois através de Seu Filho, Jesus Cristo, nossos pecados são perdoados e, então sim, somos transformados de criaturas em filhos de Deus.
Aí, é somente confiar, obedecer. Não nos tornamos santos; precisamos, sempre, do perdão de Jesus. Mas o Espírito Santo vai nos moldando. E, quando dizemos: - Senhor, dispõe de mim! A vida passa a ser uma aventura maravilhosa. Não sem problemas, não sem tentações, mas não caímos mais nelas. Isto não é religião. É fé em Cristo!
Ele veio ao mundo para morrer na cruz por nossos pecados e fundar a fé Nele somente.

Saiba que, chegando aos 60 anos, teremos dormido vinte anos. Seis anos teremos gasto para comer e prosear um pouco durante as refeições. Quatro anos mais gastaremos para nossa higiene, tomar condução e mais um mínimo de prosa. Vejam lá, que 30 anos já se foram!

Conversa de dois passarinhos

Em um galho de árvore frondosa,
Uma andorinha e um pardal
Tiveram a seguinte prosa:
Pardal, disse a andorinha,
Já reparaste como o ser humano
Se preocupa e corre
E de cansaço até morre?
É, andorinha, responde o pardal,
Nós, passarinhos, temos um Deus
Que nos alimenta, guarda e cuida,
A nós, nada falta, está tudo bem!
Mas, andorinha, eu temo,
Que esse nopsso Deus
Os humanos não têm!










































segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Exercícios de escrita sensorial


A oficina desvendou os vínculos entre sensações, sentimentos e escritura. Em seguida, a proposta do exercício: fechar os olhos e se imaginar degustando um de seus pratos preferidos. Comece imaginando o cheiro que impregna a cozinha enquanto a comida está sendo feita, o aroma de cada ingrediente, o sabor específico de cada um. Imagine-se levando cada garfada à boca, a temperatura da comida, as lembranças que evoca. Imagine a pessoa que está servindo a mesa, quem está presente, o motivo pelo qual esse prato foi feito, especialmente. Está comemorando alguma data? É uma ocasião especial?
Escreva sobre o que foi proposto, sem preocupar-se com o gênero: se é poesia, se é um conto ou crônica. Apenas descreva as suas sensações, transforme as lembranças numa invenção, reencontre as suas palavras.

Não existe obrigatoriedade na realização das tarefas, mas os alunos têm demonstrado przaer em participar, partilhar o seus textos, transformando a oficina numa experiência bastante enriquecedora. Esse exercício foi realizado por onze alunos.


Almoço aos domingos - Aurora Ferreira Rodrigues

Almoço aos domingos. Mas hoje é especial, pois é aniversário de meu pai.
Chegada dos irmãos com a família, e o aroma é convidativo. É o bolinho de bacalhau feito pela mamãe, e logicamente queremos prová-lo.
As crianças no quintal, brincando até serem chamadas para o almoço. Mamãe serve os bolinhos de bacalhau e o Bacalhau a Gomes de Sá, que é uma delícia.
Papai nos traz o vinho português (feito pelas minhas tias, em Portugal), engarrafados por nós, ao som de músicas portuguesas e cantadas por meu pai... Que saudade!
Após o almoço, frutas portuguesas e, à tarde, o parabéns a ele, acompanhado de um belo bolo.
Abraços. Desejos de feliz semana a todos e até o próximo domingo.
Que Deus os acompanhe!


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Sopa preta e sopa branca - Maria Inês Mascarin Filier

Ouço o burburinho de pessoas falando, uns estão entrando; outros, saindo. O barulho vem da loja, vem do quintal e, por falar no quintal, ouço as galinhas cocoricando, o galo0 cantando, passarinhos gorjeando, cachorro latindo, crianças brincando, correndo.
Saio da loja e entro na cozinha. Lá está ela, a nona, no fogão de lenha, preparando o almoço para todos nós.
O caldeirão maior é o do feijão e, justo nessa hora, ela está fritando o tempero para colocar no caldeirão, o cheiro é delicioso! Alho e cebola, que, quando ficam moreninhos, ela joga no caldeirão, acrescenta o sal e aquilo recende pela casa toda, pelo quintal, e até os fregueses da loja sabem que a nona está temperando a comida.
- Nona! Dá um pedaço de pão molhado no feijão?
E ela coloca aquele naco de pão num garfo, afunda no caldeirão e me dá. Saio feliz dali, acrescento mais um pouco de sal e vou comendo aquilo como se fosse um manjar dos deuses.
A nona faz bastante comida, mas também, pudera! Somos mais ou menos umas vinte e tantas pessoas que almoçam, e jantam juntas, todos os dias. Somos irmãos, primos, tios, tias, pais, e sempre chega uma pessoa ou outra para fazer parte deste nosso ritual.
Sabe o feijão que sobra do almoço? É transformado, à tarde, numa deliciosa sopa, que nós carinhosamente chamamos de ‘sopa preta’; porque a outra, de legumes, chamamos de ‘sopa branca’.

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O cheiro da torta de maça - Rosemarie B. Grassmanm Bóbbo

Escrevia-se o ano de 1938. Vejo uma enorme cozinha. E, nela, reinando, Emma – prata de nossa casa em Liebenfelde – considerada membro da família, pois ela já vira meu pai nascer, em 1898.
Era um belo sábado de maio, tudo estava florido e a natureza se recuperava, célere, de um inverno muito frio e com muita neve.
Mamãe, como esposa de pastor luterano, reuniria, naquela tarde, as esposas dos presbíteros para um estudo bíblico, oração e cantos de louvor a Deus. Meu tio, também pastor, acompanhava mamãe ao violino, enquanto ela tocava piano.
Na cozinha, Emma preparava deliciosas tortas e, entre elas, minha querida torta de maça. Pois, antes que as senhoras se retirassem, havia sempre uma meia hora de kaffee und kuchen (café com bolo).
Mas... Criança não tomaria parte nisso. Era o modo de educar os filhos, naquela época, e, agora, concordo plenamente. Portanto, eu comeria o que sobrasse.
A certa altura, ouvindo as senhoras conversarem animadamente na sala de jantar, animei-me a dar uma espiadinha através da porta levemente entreaberta. A ver a quantas ia a vida de minha querida torta de maça.
E, qual não foi meu pavor, ao verificar que uma das senhoras apanhava a espátula recostada ao prato que continha, ou, melhor dizendo, havia contido a torta de maça, querendo servir-se do último pedaço (essa espátula, nós a usamos até hoje).
Não consegui conter-me e gritei, apavorada:
- Mutti, mutti! Sie nimmt sich auch das letzte stuckhen!
- Mamãe, mamãe! Ela está se servindo do último pedaço!
Primeiro, um susto das senhoras! Depois, mamãe dando explicações. E, depois, todos rindo, e a senhora me levando até à porta, aonde eu ainda continuava em pé, o prato com o último pedaço de torta de maça.
É minha recordação mais remota referente à comida. Mais degustação do que cheiro.

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Doces lembranças - Silvia Ap. Cristofoletti Galvani

Só agora, tantos anos passados, tento passar para o papel as lembranças de momentos marcantes que vivi quando adolescente.
Não havia muro ou cerca separando as casas de meus pais, de meus avós e tios. Um espaçoso rancho unia as duas residências. Era nele que, todas as tardes, as mulheres estavam sempre ocupadas com a costura, com ‘passar as roupas’, ou fazendo pequenos consertos. Exigiam, ainda, que as ‘meninas’ ficassem por perto, para que aprendessem as tarefas do dia-a-dia.
Em dias chuvosos, gostávamos de ver as fotos da família, que vovó tão bem guardava numa caixa de madeira pintada com motivo barroco. Era divertido olharmos os retratos dos antepassados, enquanto sentíamos o aroma do café passado pelo coador de pano e dos deliciosos bolinhos salpicados com açúcar, canela e muito amor.
Saboreávamos essas iguarias, vendo a chuva cair mansamente nas folhagens, bem à nossa frente, encostadinhas no muro do vizinho.
Hoje, ao comermos alguma guloseima feita em casa, minha filha Andréia diz ter o ‘gosto do armário da avó Vitória’. Comparação, esta, que até agora não soube explicar. Mas, os bolinhos de minha avó tinham gosto de saudade!

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Aconchego - Célia Maria Cestaro Christofoletti

As tardes de outono são deliciosas. O clima ameno, o céu de um azul límpido, quase sempre sem nuvens, e um pôr do sol resplandecente.
Curto as tardes de outono, mas me reporto aos meus tempos de menina, quando era mais tranquilo andar pelas ruas e usufruir toda beleza, toda paz do cair da tarde.
E, no meu passeio, nessas tardes, era possível sentir os odores da preparação do jantar que vinham do interior das casas. Minha imaginação chegava ao recôndito dessas moradias e sentia a vida, ali, acontecendo.
Algumas vezes, passei pelo pequeno portão, sem travas, da casa de minha avó. Atravessava o corredor e chegava até à cozinha. À mesa, fumegante e cheirosa, uma terrina de sopa, lingüiça frita e muito pão, como manda a tradição da família italiana.
Era bom juntar-me aos meus tios e primos ao redor daquela mesa! Sentia-me orgulhosa e feliz por estar entre os meus. E o que ficou na minha memória não foi o sabor dessa refeição, mas delícia do momento, o amor traduzido num prato de sopa quentinha, suculenta, generosa.
Lembro-me da felicidade de minha nona. Da mesma forma, na casa de meus pais, a felicidade de minha mãe ao ter os seus reunidos para o jantar, depois do trabalho, da escola, enfim, dos afazeres que, findos, nos levam de volta para casa ao término de mais um dia.
Hoje, ao passarmos pelas ruas, não é mais possível sentir os odores da preparação do jantar no interior das residências e, talvez, a reunião em volta de uma mesa fique restrita aos finais de semana. Os rituais são outros, mas a força do amor permanece.
Estamos sempre voltando, ou esperando a volta daqueles que amamos. E o aconchego tem cheiro, cor, sabor, calor...

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Galinha ao molho pardo regado ao amor de Emília e Faustino -

Antonio Moreira

Inicialmente, esclareço: não tenho qualquer habilidade gastronômica. Entretanto, sempre apreciei um prato bem temperado, feito por amador, profissional, ou em nossa casa.
Notadamente, se a iniciativa da comidinha partia, anos atrás, da minha avó Emília, alma gêmea de Faustino, casal dos mais lindos que habitaram a Terra dos Homens.
Quando criança, eu, meus pais e irmãos, íamos, geralmente às quartas-feiras, a Bonsucesso e a Santa Maria, saborear a gostosa e inesquecível ‘Galinha o molho pardo’, cujo tempero tinha um toque espanhol,pois Emília era descendente da bela e querida nação de Carmem de Bizet e Cervantes.
Para complementar o prato delicioso, de que todos gostávamos, minha avó mandava fazer um feijão superincrementado, eu diria requintado, apesar da simplicidade que sempre nos caracterizou, além do cuscuz de milho (puro), branco ou amarelo. Isto, sem deixar de providenciar, paralelamente, um franguinho igualmente gostoso, tudo ao som do barulhinho das crianças.
Bonsucesso e Santa Maria, fazendinhas vicinais de nossa propriedade, tinham como pano de fundo o Morro do Bonsucesso, que ornava de rara beleza a região que encanta a todos, inclusive a Glauber Rocha, que lá rodou um deus seus filmes – “Terra de Sangue”.
Aliados àqueles encontros festivos e santos, havia os elementos maiores: Deus e o amor de Faustino por Emília, objeto de comentários em toda a região.
A ‘Galinha ao molho pardo’, comida preferida de toda a família - Moreira, Sérgio, Ferreira – era uma festa ao nosso paladar e ao nosso espírito. Eis que também tinha, como condimentos maiores: amor, harmonia, afeto e carinho indescritíveis. E Deus, sempre generoso com Emília e Faustino, concedeu-lhes, além da magia de um amor transbordante, uma existência quase centenária!

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Encontro e despedida - Geni Deolinda Bizzo

Finalmente, chegou o tão esperado momento. Luiz está radiante. Adeus escola, livros, discussões, leis, caminhos que se tornaram maiores e mais cheios de obstáculos durante esses trinta anos. Cada palmo de seu chão passa na tela mental como em um flashback. Árvores frondosas e floridas deram lugar aos prédios. Casas antigas foram tombadas – literalmente – para dar lugar a gigantes e imponentes viadutos. A tão sonhada aposentadoria chegou. E, com ela, sentimentos confusos do dever cumprido, cansaço e um vazio enorme com a expectativa de novos dias.
Bem, mas não é momento para saudosismos ou tristezas, mas para comemorações. Meu querido e inseparável amigo Luiz me abraça efusivamente e me pede para escolher um local aconchegante para brindarmos esse momento especial. Não tenho dúvidas. Escolho o Yokohama, restaurante japonês onde tantas vezes estivemos para trocar idéias e fazer confidências.
Mas hoje será diferente. O sentimento de alívio, aliado à saudade que sentiremos, promete uma noite inesquecível. Quero sentir cada segundo. Fechando os olhos, vejo-me estacionando o carro sob a luz das lanternas coloridas que iluminam o jardim entre as pedras que servem de esconderijo para as carpas – parecem-me – gigantes para espaço tão pequeno.
Na chegada, o ar fresco de aroma agradável impregna nossa alma. Ao atravessarmos a pequena ponte em arcos e cercada de bonsais, percebo que o perfume da vegetação verdinha toma conta de mim e me deixo levar pela emoção.
Elegantemente vestidos para a ocasião, fomos recebidos por uma jovenzinha – eu diria uma gueixa – que nos acomodou num ambiente aconchegante: meia luz, meia voz, música suave, gestos delicados, sintonia perfeita que o momento pedia.
Atmosfera perfumada. Toalhinha quente em um saquinho para a higiene das mãos. Viajo. Vejo-me levada por fortes samurais para uma aldeia cercada de colinas verdejantes onde, no tatame improvisado, tenho aula de artes marciais. A leveza dos gestos, o respeito ao adversário, as regras, a disciplina rígida dispensam o conhecimento do idioma.
Respiro fundo. Olho para meu amigo, que tem os olhos marejados. Emoção... A separação é inevitável e, por alguns segundos que parecem eternidade, ficamos sem palavras, só observando cada detalhe da mesa cuidadosamente preparada. Vaso enfeitado com flores e frutas combinando com as louças. Guirlandas envolvendo os copos, pétalas de rosas sobre a toalha vermelha e branca...
Meu devaneio é interrompido pela gentil garota que nos traz o cardápio. Aceito a sugestão do meu amigo. Não era o mais importante naquele momento. Para entrada, sushi e sashimi não são novidades para nós, acostumados no trato com hashis, wasabis e shoyu.
No antegozo da espera, vislumbro as mãos ágeis e delicadas no trato com os alimentos do sushiman, de rapi muito limpo e com a faixa envolvendo a cabeça. Tudo especial: os apetrechos de cozinha, o ritual na confecção de cada prato. A concentração no trabalho esconde, com certeza, a saudade da terra distante, os familiares nunca mais vistos, coração dividido numa mescla de sentimentos que o amor à nova pátria e a miscigenação favorecem. A aproximação da garota com jeito de gueixa me tira da cozinha. Vestida a caráter, quimono colorido em tons de vermelho e branco, cor preferida dos orientais, o gracioso coque preso com grandes grampos, uma bela aparição...
Como é um dia muito especial e com sabor de despedida, curto cada segundo. Percebo cada detalhe e não me escapa o olhar triste da garota que, com um sorriso contido, parece esconder um sentimento que teima em se mostrar. É um olhar distante... Será um amor não correspondido? Alguém cuja espera se faz longa demais? Talvez seja paranóia minha numa transferência de um sentimento que é só meu... Lentamente nos servimos, medindo cada gesto. Sentindo o aroma gostoso dos pratos cuidadosamente decorados.
Pouco nos falamos, não há necessidade. Degustamos os alimentos em silêncio, envolvidos pela atmosfera reinante. Como prato principal, peixe guarnecido com legumes coloridos. O sabor característico, a leveza dos alimentos, a morosidade no trato com os hashis favorecem a concentração e a harmonia que o ambiente e a ocasião propiciam. Sensações confusas. O tempo passa vagarosamente... Ou corre demais? Há um misto de alegria e saudade antecipadas.
O chá verde digestivo de frutas e flores completa a noite. Tudo perfeito, não fosse a lágrima que teima em se fazer presente, mesmo sem ser convidada.

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Aromas na lembrança - Adelaide Dalva Tivelli Garbuio

Posso, com carinho, relembrar as coisas que minha mãe fazia aos sábados. A coisa de que mais gostávamos, as roscas que, depois de assadas, eram pinceladas com um pouco de açúcar mascavo.
No almoço, gostávamos de pastéis. Aos domingos, mamãe fazia o macarrão com tomates picados. Era muito importante que todos estivessem à mesa. Meu pai sempre agradecia a comida e meus irmãos respeitosos, jamais sentavam-se para as refeições portando chapéus ou sem as camisas, pois a mesa era abençoada e todos tinham amor aos alimentos.
Não tínhamos refrigerantes, as refeições eram acompanhadas da boa água do poço, que ficava no quintal.
Lembro-me de minha mãe cantando: “... a água a cantar: chuá, chuá, o rio a correr, chue, chue...”. O meu irmão, Waldemar, tocava violão. Fomos uma família feliz. Meu pai se chamava Alfredo Tivelli e, minha mãe, Filomena Somaio.

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Canarícules - Marinalda Codo

Fechar os olhos... Como se precisasse, para lembrar algo tão agradável. A recordação corre solta pela minha mente e começo a me lembrar da história dos famosos canarícules que mamãe fazia.
Ainda criança, minha única preocupação era a de comê-los, apenas isso, sem me importar com o seu significado ou com o trabalho que dava para fazê-los.
E como era gostoso simplesmente comer, comer e comer, pois eram feitos em grande quantidade.
Com o passar do tempo, mamãe começou a convidar a sua irmã mais velha para vir em casa e ajudá-la no preparo dos canarícules. A titia vinha e as duas passavam a tarde toda a prepará-los e eu, é claro, só chegava na hora de comer, comer e comer.
O tempo passou mais um pouco, e mamãe foi para o céu, com suas mãozinhas de fada e com todos os seus conhecimentos. E agora? Comer, comer e comer o quê?
Veio, então, uma grande idéia; convidei a titia, já bem velhinha, algumas amigas e uma prima também, para que juntas pudéssemos fazer o tal canarícules.
Titia apenas nos orientava, sentadinha na ponta da mesa. Nós colocávamos a mão na massa. Desta vez, eu fui anotando passo a passo a minuciosa confecção dos famosos canarícules.
Tão grande foi a minha surpresa que, modéstia a parte, me sai muito bem e, assim, aprendi a herança da família com titia, que, com suas mãos hábeis, nos dizia qual era o ponto da massa, como fritar e colocar no mel, tudo num ambiente da mais pura alegria e descontração.
Foi quando passei a entender o verdadeiro significado que tinha fazer os canarícules. A união, o entrosamento, a alegria e a satisfação quando, ao dar um pouco para alguns poucos vizinhos, poder dizer: “fui eu quem fiz”... E não apenas comer, comer e comer.
O tempo foi passando e, por mais alguns anos – dois ou três – eu reunia essas pessoas em minha casa para fazermos os canarícules, sempre no mesmo ambiente alegre e divertido, no qual eu podia ver os olhinhos da titia brilharem de felicidade e, dessa forma, ela me passou a herança da família.
Hoje, já sem titia, ao fechar os olhos e me lembrar de todos aqueles momentos e colocar este relato no papel, eu me lembro sim, claramente, de tudo. Mas, o que ficou, o sabor que tem, eu só posso dizer que tem o sabor de uma grande saudade, com temperos de muita paz, alegria e agradecimento por ter tido a oportunidade de aprender com titia o que não aprendi com mamãe.
Agora, fazer novamente, reunir os amigos, a minha prima, mas sem a titia, confesso que ainda não tive coragem.

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Lembranças saborosas - Iandara Palmero

O que me faz lembrar de algum fato envolvendo comida e sabores, até hoje, é uma grande lembrança dos domingos de minha mocidade. É gosto, cheiro e sabor de macarronada! O molho feito com tomate e pedaços de carne, o frango assado e a maionese.
Lembro-me, também, dos dias de chuva, nos quais minha mãe fazia questão que tomássemos café da tarde com bolinho de chuva e muitas outras coisas que só minha mãe – que foi uma mãe amiga, companheira e confidente – é que me faz lembrar, com muito amor, carinho e saudade.
Mas é uma saudade gostosa, feliz, por ter tido esta oportunidade em minha vida.




































domingo, 16 de novembro de 2008

Primeiro Exercício



Esse primeiro registro é fruto de uma dinâmica na qual os alunos foram divididos em dois grupos. O grupo A deveria fornecer ‘Palavras-Problema’ e o Grupo B ‘Palavras-solução’, sobre o tema Meio Ambiente. As palavras (ou conceitos) foram anotadas e os alunos produziram os textos com base nessas palavras. No dia da leitura dos textos, é sempre muito agradável observar como os alunos interagem, apreciam os trabalhos uns dos outros, complementam idéias, criando um ambiente construtivo de aprendizagem.
Imagem: Cataratas do Iguaçu
(foto feira por mim, em março de 2007)




A parcela de cada um - Regina Claret Kapp dos Santos

Se olharmos ao redor, para o mundo em que vivemos, iremos nos deparar com uma situação preocupante: poluição do ar, agressão à camada de ozônio, devastação e queimadas de florestas, lixo cumulativo, desperdício de água e energia elétrica, caça e pesca predatória, isto em relação ao meio ambiente e ao que ele nos oferece.
Poderíamos, ainda, lembrar em nível dos seres humanos: desigualdades sociais, miséria, descaso com a saúde pública, falta de educação e segurança, a desintegração das famílias, desemprego, abandono de crianças, etc.
Tudo isso nos leva a questionar:
- Temos alguma parcela de culpa em toda esta situação?
- Mudando de atitudes, poderemos, ainda, pensar em reverter a situação?
A meu ver, sim!
A parcela da colaboração de cada um, a partir da consciência de compromisso mútuo, social e atuante, num processo educacional permanente, com a participação dos agentes políticos, tudo poderá transformar-se, não de imediato, mas aos poucos.
Através do tratamento e bom uso da água, do reflorestamento constante, da reciclagem do lixo, do cuidado com os animais, da sensibilidade para criar oportunidades de crescimento para as classes menos favorecidas, oportunidades de trabalho, de formação educacional, do cuidado preventivo e permanente com a saúde de todos, desde a concepção, gestação, nascimento e crescimento de cada ser, proporcionando dignidade e bem estar por toda a sua vida, até chegar a uma velhice estável e respeitada.
O tempo não pára. O momento presente nos preocupa, sim, mas quer nos desinstalar para fazermos a nossa parte; o nosso futuro, e de nossos descendentes, está aqui e agora: em nossas mãos!


Poluição Visual - Silvia Galvani

Quando o assunto é poluição, dificilmente as pessoas se lembram da poluição visual. Mas, o que é poluição visual? Em áreas urbanas, é a proliferação indiscriminada de outdoors, cartazes, formas diversas de propagandas e outros fatores que causam prejuízos estéticos à paisagem urbana local.
Diariamente, deixam em nossas casas os mais variados tipos de propagandas, que, se não recolhidas de imediato, o vento se encarrega de espalhá-las pelas ruas e avenidas, e enfeiam a nossa cidade.
O que não dizer do lixo que pessoas mal educadas jogam quando passam de carro ou passeiam, despreocupadas, olhando as vitrines, ou ainda, nos pontos de ônibus?
Dias atrás, esperava pelo ônibus, num ponto central e de grande movimento, quando deparei com toda espécie de sujeira deixada debaixo do banco - ali colocado para que os usuários dos coletivos não se cansem, ao esperar por eles. Não vi nenhum recipiente onde pudessem colocar toda aquela imundície. A moça encarregada da limpeza, pedindo licença, varria os restos ali esquecidos.
Poderia, ainda, citar outros fatores causadores de poluição visual, como bem mostra a foto que ilustra essa crônica, tirada para trabalho escolar, e que retrata o lixo colocado pela vizinhança muito antes do horário previsto para recolhimento.
É preciso que uma mobilização de todos os cidadãos e governantes, cada um fazendo a sua parte, conscientizando as pessoas sobre seus direitos e deveres. Só assim, nossa cidade será um belo cartão de visitas para os que aqui chegam.


Meio Ambiente - Natália Genari Krügner

Além dos problemas pessoais, familiares e outros, ainda temos problemas ambientais, com os quais convivemos diariamente.
Quem causa tais problemas? Já parou para pensar quantas vezes poluímos o meio ambiente, do qual dependemos para viver?
Vejamos: você devasta a mata, tira madeira da sua “Floresta”, coloca fogo onde não deve?
Claro que não!
Mas, certamente polui o ar com aerossóis, com fumaça de cigarro, pisa na grama, joga lixo nas calçadas e outros lugares públicos, pela janela do carro; gasta mais água do que deveria, não utilizando esse recurso de modo adequado, entre outras coisas.
Já parou para pensar? Então, pare agora. Comece a agir com consciência, se reeducando e, melhor ainda, sendo um bom exemplo para todos os que utilizam o mesmo ambiente que você!
Concluindo, nós nos vangloriamos em estabelecer regras, mas as esquecemos muito rapidamente e violamos as mesmas.




“Eu só peço a Deus que o futuro não me seja indiferente” - Célia Maria Cestaro Christofoletti

Quando leio notícias sobre agressão violenta ao meio ambiente, como a devastação de grandes áreas de florestas, a mortandade de peixes, porque os rios estão tomados pela poluição. Quando vejo noticiários que falam de enchentes e pessoas sofrendo as conseqüências desse descompasso entre progresso, prevenção e cuidado temo pelo futuro.
Pelo amor que tenho à vida, à natureza, à humanidade, não posso ficar indiferente ao futuro que nos espera. E, penso que a tristeza e a indignação não bastam. É preciso ATITUDE.
Se, na minha rotina diária, evito desperdício de água, fico atenta ao uso e abuso de embalagens, se reciclo o lixo doméstico, se converso com as pessoas, trocando idéias sobre como contribuir para melhorar o meio ambiente, estou tendo ATITUDE.
Mas, sinto que é preciso mais, e estou pronta a dar esse passo. Procuro estar sempre informada e atenta ao tema, procurando envolver outras pessoas nessa caminhada.


O Ontem e o Hoje - Licia Mônaco Perin

O trem sacolejava e batia como um martelo em minha cabeça. Que dureza! Só a lembrança da beleza das belas praias de Santos amenizava o mal-estar que me embrulhava o estômago, provocando náuseas. Que dureza!
Olho para a paisagem que passa devagar. Linda! Verdinha, verdinha! Levava-me a sonhar acordada. É fácil, aos doze anos, ser personagem dos livros de Tarzan: já no quintal de casa eu ‘exercitava’, pulando de galho em galho, na velha goiabeira.
O cheiro da mata vem até mim – é do sonhar, ou é real? Olho novamente pela janela do trem: sem clareiras de destruição a mata impera, magnífica! Uma ou outra casa de caboclo, rodeadas de palmeiras, sem lixo, sem poluição do ar, Fogo? Nem vestígio.
Hoje, sessenta e seis anos depois, cadê a mata? A singeleza da convivência primitiva do ‘caipira’ se foi. Indústrias ocuparam o lugar do verde, a fumaça esconde as nuvens que, antigamente, brincavam ao sabor do vento. Sumiram as pequenas cachoeiras.
Que alto o preço a pagar pelo progresso! Desmatamento, lixo, água e ar poluídos. Meu estômago se embrulha, outra vez. E não foi pelo balanço do trem! Que triste, pertencer à espécie humana!


Lembranças da vida na fazenda - Adelaide Dalva Tivelli Garbuio

Nasci em Analândia, que, na época, fazia parte do município de Rio Claro. Sou filha de italianos; meu pai se chamava Alfredo Tivelli e minha mãe, Filomena Somaio. Nasci na Fazenda Santa Glória, onde meu pai trabalhava como administrador.
Após o nascimento de meus irmãos e irmãs, meus pais compraram uma chácara em Analândia que, naquela época, era chamada de ‘Anápolis’. Éramos quatro irmãos e quatro irmãs.
Quando vivíamos na chácara, começamos a ir à escola, todos aprendemos a ler e escrever.
Na frente da chácara, passavam os tropeiros, que sempre eram acolhidos, de forma hospitaleira, pelo meu pai, Alfredo. Depois eles seguiam para a Fazenda Santa Maria da Glória.
Relembro que, o comerciante de Analândia, naquela época, era o Sr. Emílio Beltrati, cuja família vive até hoje em Rio Claro.
Recordo, também, o nome da escola que freqüentávamos, eu e meus irmãos: Escola José Neto. Lembro-me que levávamos os lindos caquis que frutificavam em nossa chácara para a escola, e os trocávamos por pão, com os colegas. A professora, chamada Alice Beluzzo, gostava muito dos caquis.
Guardo a lembrança dos meus irmãos tocando violão, no moinho de fubá, assim ouvíamos as músicas do nosso tempo. Meus avós, Adriano e Marietta, estiveram juntos a nós até que Deus os levou.
Essas recordações ainda estão no meu pensamento. E me dão certeza de que fomos muito felizes.


Bacia Hidrográfica do Corumbataí - Rosemarie Brunhild Grassmann Bobbo

Você, homem, mulher ou criança, é obra-prima do Criador. Que o fez guardião da Terra.
Este planeta é a sua herança, bem como seu legado. Envolvendo-o com paz, inundando-o com amor, preserve sua natureza, que Deus criou para você valorizá-la com seu serviço.
Proteger e defender o meio ambiente consiste em diminuir o sofrimento, cuidar da saúde e salvaguardar as espécies de plantas, aves, animais em geral, e de toda a raça humana.
Um pequeno exemplo: a bacia hidrográfica do Rio Corumbataí. Ela se localiza na porção centro-leste do estado de São Paulo, abrangendo os municípios de Analândia, Corumbataí, Ipeúna, Itirapina, Charqueada, Rio Claro, Santa Gertrudes e Piracicaba.
Possui uma área de 170.775,6 hectares; são 63,72km de extensão, no sentido norte-sul, e 26,80km de extensão no sentido oeste-leste. Seus principais rios são: Corumbataí (130 km de extensão); Passa-Cinco (60 km); Ribeirão Claro (43 km) e Cabeça (28 km).
Suas águas servem para o abastecimento de cerca de 600.000 (seiscentas mil) pessoas, sendo 100% do abastecimento de Rio Claro e Piracicaba. Estes rios se encontram assoreados, com excesso de areia em seus leitos, ocasionado pela falta de mata ciliar em suas margens. Assim, partículas de solo são carregadas pelas águas das chuvas até os leitos dos rios.
Os rios Ribeirão Claro e Corumbataí, além de assoreados, encontram-se com lançamento de esgoto in natura. Isto é, são resíduos sólidos e líquidos, oriundos de indústrias e de residências, além de parte do lodo produzido nas estações de tratamento de água (ETA), os quais são lançados nos rios criminosamente.
Calcula-se que a bacia hidrográfica do rio Corumbataí possua, hoje, um déficit de sessenta e três milhões de árvores nativas, o que corresponde a uma área aproximada de trinta e sete mil hectares.
A precipitação média, anual, entre 1973 e 1999, foi de 1.055 mm, e a vazão média mensal do rio Corumbataí, após receber todos os seus afluentes, foi de 15,9m3/segundo. A máxima vazão mensal foi de 168m3/segundo, conforme informações que datam de 1995.
Dados do ano 2000, sobre o uso e cobertura do solo na bacia hidrográfica do rio Corumbataí mostram que, do total de 170.777,6 hectares, 25,5% estão ocupados por cana-de-açúcar; 43,6% estão ocupados por pastagens; a área urbana ocupa 2,74%; a floresta plantada ocupa 7,3%; a floresta nativa ocupa 11,1% e o cerrado 1,2%.
Frase Indígena:
“Depois que a última árvore for derrubada, o último peixe for morto e o último rio for envenenado, vocês perceberão que o dinheiro não se come.”


“A natureza não perdoa nunca” - Geni Deolinda Bizzo

Na minha infância, era comum formarmos uma roda em frente à casa de madeira onde um gramado amaciava nossos pés descalços para ouvirmos nosso pai que, apesar do pouco estudo, nos transmitia muita sabedoria.
Sob a luz da lua, ou quando a dama da noite teimava em se esconder, sonhávamos com um futuro risonho que naquele momento nos parecia longe demais. Observávamos isso porque meu pai, nessas prosas, às vezes desanimado com os rumos do nosso país, gostava de citar o baiano Rui Barbosa em sua poesia (mais atual do que nunca) Sinto Vergonha de mim que, em seus versos finais, diz: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra a ter vergonha de ser honesto”
Vai longe esse tempo, mas parece que foi ontem.
Dia desses, zapeando na TV, chamou-me a atenção um vídeo do conhecido – mas não reconhecido – poeta e compositor Rolando Boldrin que, com sua bela interpretação e muitas lágrimas, apresentou esse poema famoso.
A apresentadora do programa, aproveitando a brecha, desfiou um rosário de queixas para seu auditório fiel, e fez-se porta-voz de muitos brasileiros que não conseguem verbalizar sua revoltas, mas que sentem na pele os desmandos dos nossos governantes.
Fiquei meditando e, a princípio, achei mais uma ação oportunista comum nesses programas. Depois, pensando bem, concluí que essa é uma maneira do povo de se manifestar (são os fins justificando os meios). Felizmente estamos numa democracia e podemos soltar nossa voz, fazer valer nossos direitos. Não é uma tarefa fácil, mas estamos nos engajando mesmo que timidamente.
Várias questões são levantadas nos debates promovidos pelos meios de comunicação ou em reuniões de representantes das várias camadas sociais. Um assunto recorrente é o meio ambiente, pelo qual tem-se feito muito pouco. O que se vê, na verdade, é uma distância entre intenção e gesto.
Poluição é um problema. Todos concordam, porque sofrem seus efeitos. Entretanto, medidas simples, como reciclagem de lixo, uso adequado da água, plantio de árvores, pesca não predatória, combate às queimadas, proteção da camada de ozônio deveriam fazer parte de ações individuais e coletivas, mas em direção das quais poucos se predispõem a dar o primeiro passo. Ações como essas, que nos permitiriam uma convivência harmoniosa e respeitosa com a mãe natureza, ficam só no discurso (cortam-se árvores simplesmente porque fazem sujeira).
Nós interferimos no curso da natureza e ela nos cobra. Agir para uma educação eficiente, erradicar a miséria material e moral, exigir dos nossos representantes postura mais efetiva são coisas que devemos fazer com urgência.
Estamos enfrentando desafios de viver no século XXI. Vamos lutar, mas não com as armas que conhecemos nas mãos dos fora da lei. Combater o bom combate, como diz o Apóstolo dos gentios Paulo de Tarso. Vamos usar nossa voz, nossa indignação, soltar o grito oprimido na garganta, através do voto que a democracia nos confere.
Vamos contrariar Rui Barbosa e queira Deus que ele possa, onde estiver, descansar tranqüilo e não mais sentir vergonha de ser honesto.

Reflexão: Deus perdoa sempre, o homem perdoa às vezes. A natureza não perdoa nunca.